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Arquivo : Tiago Leifert

“The Voice” seria mais justo se tivesse uma versão “kids” e outra “teen”
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Mauricio Stycer

Na final do “The Voice Kids”, neste domingo (27), o apresentador Tiago Leifert lembrou da preocupação em apresentar “crianças que são crianças de verdade”. “Criança não é adulto pequeno”, apontou Ivete Sangalo logo na estreia, em janeiro. E, de fato, esta foi uma das razões do enorme sucesso do reality da Globo.

Em fevereiro, porém, o “The Voice Kids” sofreu uma inflexão. Na disputa entre o trio formado por Igor Silveira, 9 anos, Rafa Gomes 10, e Kaliny Rodrigues, 11, cantando “Superfantástico”, um dos hinos do grupo Balão Mágico nos anos 80, “o fofurômetro explodiu”, observou Leifert.

Naquele momento, se ainda havia alguma dúvida, ficou claro para todo mundo que os aspectos emocionais e afetivos eram mais importantes que os musicais no “The Voice Kids”. Emoção, graça e choro se tornaram o prato principal da disputa.

Na última semana, depois da semifinal, observei que o programa não foi exatamente um concurso musical, como prometia, mas ofereceu um entretenimento da melhor qualidade, perfeito para quem está diante da TV no início da tarde aos domingos.

Alguns leitores me chamaram a atenção para um problema relacionado a este caminho adotado pelo “The Voice Kids”. As crianças maiores, os adolescentes, ficaram em segundo plano, perderam importância diante das crianças menores.

A final deixou isso claro, ao colocar Rafa Gomes, de 10 anos, e Perola Crepaldi, de 11, em disputa com Wagner Barreto, de 15. É possível – e justo – comparar a voz e a performance de uma menina de 10 com a de um garoto de quase 16 (faz aniversário em maio)?

O leitor Roberto Struan apresentou, a este propósito, uma boa ideia: “O que a Globo deveria fazer seria um ‘The Voice Kids’ com crianças de 9 a 12 anos e um ‘The Voice Teen’, com adolescentes de 13 a 16 anos. Ai, não teríamos esse problema de fofurinhas”. Por “problema” entendi que ele quis dizer o destaque maior que os menores tiveram.

E, se não for possível fazer dois programas, por que não colocar dois prêmios em disputa dentro do mesmo concurso – um para os kids e outro para os tens? Fica a sugestão para a próxima edição.

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Mauricio Stycer

thevoicetimecarlinhos
A versão infantil do “The Voice”, que termina daqui a uma semana, não foi exatamente um concurso musical, como prometia, mas ofereceu um entretenimento da melhor qualidade, perfeito para quem está diante da TV no início da tarde aos domingos.

A semifinal, exibida hoje (20), confirmou o acerto do programa. “The Voice Kids” provocou encanto sempre que apostou no desempenho infantil mais genuíno, sem preocupação com profissionalismo ou “crianças-prodígio”, com jeito de adultas.

thevoicerafaO caminho ficou claro em fevereiro, depois das seis audições às cegas, na disputa entre o trio formado por Igor Silveira, 9 anos, Rafa Gomes 10, e Kaliny Rodrigues, 11, cantando “Superfantástico”, um dos hinos do grupo Balão Mágico nos anos 80. “O fofurômetro explodiu”, como bem observou o apresentador Tiago Leifert.

A partir desta fase, as eliminações em dupla deram início, também, a sucessivas demonstrações de emoção – e muito choro – das crianças, contagiando jurados, público no estúdio e espectadores em casa. Apelação? Sim. Mas bem mais suave do que o da exploração de “histórias de superação” em variados programas.

thevoicekidstriojuradosPor fim, considero elogiável a decisão de dar mais poder aos jurados nesta reta final – o “supervoto”, como disse Leifert. Ivete Sangalo, Carlinhos Brown e Victor & Leo tiveram, de fato, o poder de definir quem seriam os finalistas da atração.

Com a obrigação de dar 30 pontos para um candidato em cada semifinal, eles subtraíram, ao menos em parte, a autonomia do público. Ivete, com sua escolha, desautorizou a opção dos espectadores. No caso das outras duas semifinais, a escolha dos jurados coincidiu com a do voto popular.

No próximo domingo (27) se encerra o “The Voice Kids” com a disputa entre Pérola Crepaldi, Rafa Gomes e Wagner Barreto. Creio que, para a maioria dos espectadores, foi uma experiência bem mais interessante e divertida do que a versão adulta do programa.

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Mauricio Stycer

thevoicekidstrescriancasNa estreia do “The Voice Kids”, no primeiro domingo de janeiro, Ivete Sangalo observou que “criança não é adulto pequeno”. A regra, porém, não vem sendo observada por todos os candidatos – muitos deles tentam imitar os trejeitos de seus ídolos ou são levados a cantar músicas que não combinam com a voz de
crianças.

Nos primeiros seis episódios, em que houve as audições às cegas de cerca de 80 candidatos, os melhores momentos ocorreram justamente quando as crianças cantaram como crianças.

thevoicekidsrafagomesE neste domingo (14), no início da segunda fase da competição, o programa registrou o número mais bacana e comovente até agora – o trio formado por Igor Silveira, 9 anos, Rafa Gomes 10, e Kaliny Rodrigues, 11, cantou “Superfantástico”, um dos hinos do grupo Balão Mágico nos anos 80.

Ao apresentar os três, Tiago Leifert avisou que eles iriam “explodir todos os níveis de fofura deste programa”. Rendido, depois do número, o apresentador apenas observou que “o fofurômetro” havia explodido. Escolhida por Carlinhos Brown, Rafa Gomes venceu a disputa.

thevoicekidsivetebracosabertos2Nesta fase do programa, que vai durar três semanas, os 72 candidatos vão se apresentar em trios e apenas 24 serão selecionados para a próxima etapa. É um pouco frustrante para o público que assistiu durante seis semanas a exibição de cada um deles ver a eliminação tão rápida de 48 participantes. Por outro lado, para as crianças talvez seja menos doloroso deixar a atração desta forma, sempre em dupla.

O programa deste domingo também chamou a atenção pelo novo figurino dos jurados. Depois de um mês e meio usando a mesma roupa, Ivete, Carlinhos Brown e Victor & Leo apareceram com novos modelos. A repetição, na primeira fase, serviu para propósitos de edição da Globo – a emissora não precisou seguir a ordem das gravações para montar os seis primeiros episódios.

O desafio da emissora, agora, é conseguir fazer o “fofurômetro” explodir de novo.

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Mauricio Stycer

Primeira estreia do ano na TV aberta, o “The Voice Kids” mostrou que é possível adaptar e melhorar formatos estrangeiros já conhecidos pelo público. A versão infantil da competição musical, apresentada neste domingo (03), conseguiu ser mais atraente e divertida que a original, já vista em quatro temporadas na Globo.

A emissora acertou em cheio na definição dos elementos básicos. Em primeiro lugar, o horário, por volta das 14h. Um concurso protagonizado por crianças não pode ser exibido à noite, como fez a Band com o “MasterChef Junior”. Este é, de fato, um programa “para a família”, como enfatizou Tiago Leifert na publicidade do “The Voice Kids”.

O segundo acerto foi a escolha dos jurados. Ivete Sangalo mostrou segurança, conhecimento, bom humor e jeito para avaliar e interagir com as crianças. A dupla sertaneja Victor & Leo também foi uma boa escolha – bem mais afiados para a tarefa do que Daniel ou Michel Teló. E Carlinhos Brown, mais contido do que na versão adulta, também foi muito bem. “Eu gosto de ovo também”, disse para um menino que falou: “Eu ouvo (sic) mais pop”.

Por fim, mas não menos importante, a seleção inicial se mostrou rigorosa, com ótimos candidatos e boa escolha de repertório. Houve choro de vencedores e abraços emocionados nos eliminados, é verdade, mas a música foi o elemento principal da tarde — e não a pieguice ou a “fofura”. Não por acaso, muita gente no Twitter viu mais qualidade nesta tarde de domingo do que na última edição inteira do “The Voice”.

A grande questão, a acompanhar nos próximos episódios, é se o “The Voice Kids” vai continuar a exibir o frescor mostrado na estreia. “Criança não é adulto pequeno”, observou Ivete, chamando a atenção para o risco de o programa privilegiar jovens que mimetizam figuras adultas. A graça está, justamente, no aspecto infantil da atração.

Em tempo: A estreia do “The Voice Kids” registrou 18 pontos de média em São Paulo (cada ponto equivale a 69,4 mil domicílios), cinco a mais que a Globo registrou nas últimas quatro semanas nesta mesma faixa horária (das 14h03 às 15h24). No Rio, o programa marcou 24 pontos, seis a mais que a média dos últimos quatro domingos.

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Sincero ao estrear no “The Voice”, Michel Teló diz que sertanejo “apelou”
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Mauricio Stycer

thevoice2015juradosPrincipal novidade da quarta edição do “The Voice Brasil”, Michel Teló começou muito bem tendo um ataque de sinceridade. Depois de ouvir um candidato que interpretou um sucesso de Cristiano Araujo (1986-2015) claramente na tentativa de sensibilizá-lo, o cantor o rejeitou de forma bem objetiva. “Você apelou”, disse.

Superado este raro momento, exibido logo na primeira parte do programa, Teló logo se adaptou ao padrão de bajulação dos demais técnicos, Carlinhos Brown, Lulu Santos e Claudia Leitte. Mais do que em edições anteriores, os jurados abusaram da encenação de implorar por atenção dos candidatos escolhidos – uma situação forçada e artificial.

Outro problema da estreia foi a falta de sincronia da exibição em várias cidades. Para um programa que aposta muito na interação com o público via redes sociais, essa situação é um desastre. Espectadores de São Paulo, que começaram a ver antes, informavam pelo Twitter a gente de outros lugares os resultados das audições.

thevoice2015claudialeittePara decepção de parte do público, Claudia Leitte abandonou, como havia prometido, os vistosos decotes usados no ano passado – apareceu com uma camisa fechada e gravatinha de garçom na estreia.

Também chamou a atenção a impactante abertura. O programa começou com um número musical, seguido dos comentários dos técnicos, sem nenhuma introdução. Foi uma mostra clara que a figura do apresentador é, de fato, dispensável no “The Voice”.

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Sem perder Ibope, “Globo Esporte” pós-Leifert troca piada por informação
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Mauricio Stycer

TiagoLeifertIvanMore
Dois meses depois da saída de Tiago Leifert do comando do “Globo Esporte”, edição São Paulo, os números do Ibope indicam que a audiência não está sentindo falta do carismático apresentador.

Dados solicitados pelo UOL à Globo mostram que a audiência média nos meses de maio e junho foi de 11 pontos, exatamente a mesma alcançada pelo programa em julho e agosto. Leifert apresentou o noticiário esportivo pela última vez na segunda-feira, 6 de julho, transferindo-se em seguida para a área de Entretenimento da emissora.

Se não houve mudanças no Ibope, as alterações no conteúdo do programa são visíveis. Agora sob o comando de Ivan Moré, o “Globo Esporte” está passando por uma transformação bem significativa.

Quem vê as chamadas incluídas ao longo da programação da Globo já deve ter notado a presença de uma mesma palavra, sempre, no texto dos anúncios: “informação”. Tornou-se obrigatório no noticiário a exibição diária de reportagens sobre os quatro grandes clubes de São Paulo.

Sob o comando de Leifert, que também era editor-chefe, acontecia com alguma frequência de Corinthians, Palmeiras, São Paulo ou Santos não serem objeto de reportagem em alguns dias.

Leifert compensava a eventual ausência de informações com comentários bem-humorados e opinativos. Moré tenta manter a informalidade que marcou a gestão anterior, mas está mais contido e mais preso à pauta do dia.

A nova linha do “Globo Esporte”, até onde é possível perceber, não representa uma guinada, mas uma correção de rumo. O programa está voltando a mirar no velho e bom boleiro, e se mostrando menos preocupado em tentar fisgar um público menos fanático por futebol. Seria uma volta ao básico, digamos assim.

Este texto foi publicado originalmente no blog UOL Esporte Vê TV.

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Revista feminina comum, “É de Casa” depende da química dos apresentadores
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Mauricio Stycer

A estreia de “Encontro com Fátima Bernardes”, em junho de 2012, representou uma importante mudança na estratégia de programação da Globo. Com mais de duas horas, a atração dedicada ao público feminino adulto ocupou o lugar que por anos era consagrado às crianças.

O “TV Globinho”, na grade desde 2000, deixou de ser exibido de segunda a sexta e permaneceu na programação aos sábados. Há uma semana, com a estreia de “É de Casa”, a emissora abriu mão definitivamente de sua atração infantil.

As razões para esta guinada são conhecidas – e a Globo não está sozinha nesta. As limitações legais à publicidade infantil transformaram os departamentos comerciais das emissoras da TV aberta em inimigos de programas destinados a este público (um levantamento recente da “Folha” mostra que a redução da programação infantil atinge todas as emissoras; veja aqui).

Esta é a lógica que levou a Globo a envolver seis conhecidos apresentadores, além das equipes de dois programas, o próprio “Encontro” e o “Mais Você”, para desenvolver uma “revista” nas manhãs de sábado. Ainda que tenha sido anunciado como “para a família”, o alvo mais claro tem sido, até agora, o público feminino .

A cada semana, quatro dos seis apresentadores vão participar do programa. Neste sábado (15) foram Ana Furtado, Patricia Poeta, Tiago Leifert e Zeca Camargo — Cissa Guimarães e André Marques (este no “Criança Esperança”) ficaram fora da casa.

A julgar pelos temas apresentados nos dois primeiros episódios, “É de Casa” busca agradar às fãs dos três programas matinais diários (incluo na lista o “Bem Estar” também). É uma tarefa complexa, ainda mais em uma atração ao vivo, com duração de três horas.

O cardápio do programa deste sábado dá uma boa ideia da ambição da nova atração: comentários sobre notícias leves da semana, muitas dicas de “como fazer” coisas em casa, uma aula didática sobre aplicativos usados para encontros (sem citar o nome de nenhum), uma reportagem sobre passeadores de cachorro, outra sobre grafiteiros, lições sobre como seduzir as crianças com refeições atraentes, entrevistas com Renato Aragão e Grazi Massafera e a “história de superação” de um ex-viciado em crack.

Nada de crise política ou chacina em São Paulo. O “É de Casa” esta semana falou sobre o preço da cebola (tema tratado por Ana Maria Braga há cinco dias), a separação de Ben Affleck e Jennifer Garner por causa da babá e o motorista que errou a manobra na garagem e ficou com o carro pendurado para fora do prédio.

O foco na prestação de serviços ficou mais evidente no segundo episódio. Primeiro, Tiago e Ana ensinaram o espectador a fazer pinturas caseiras de capa do celular e em bandejas. Depois, Patricia ensinou a fazer vela de citronela caseira. E Ana mostrou como lavar o carro usando um copo de água (e um produto não citado).

Decidida a extinguir a sua programação infantil, o que a Globo poderia colocar no lugar nas manhãs de sábado? Acho que esta é a questão principal. Mais um programa de auditório? Filmes? Reprises?

Acho elogiável o esforço de desenvolver um novo programa, com foco em um público específico, com potencial comercial – é disso, afinal, que vive a TV aberta.

Novo programa, diga-se, não é sinônimo de programa original. “É de Casa” é uma “revista feminina” como outras que a própria emissora e suas concorrentes fazem ou já fizeram.

Ainda que o chef Roberto Ravioli tenha derrubado um frango à parmegiana fora do prato, uma boa notícia é que o nervosismo da estreia foi superado no segundo episódio. Mas ainda há um longo caminho pela frente, como mostra a trajetória do “Encontro com Fátima Bernardes”, que precisou de mais de um ano para, com perdão do jogo de palavras, se encontrar.

Ainda que o seu resultado não seja original, “É de Casa” pode se tornar um programa diferente se a sua pauta ficar mais interessante e a reunião deste time de apresentadores resultar em algo especial, ou seja, se rolar uma “química” entre eles. Só o tempo dirá.

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Top 5: Os choros mais comoventes de jornalistas na TV
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Mauricio Stycer

Durante sua despedida do “Globo Esporte”, Tiago Leifert não conseguiu se segurar e acabou caindo no choro ao vivo. Não é a primeira vez que isso acontece. Nesta semana, o UOL Vê TV relembra cinco chororôs muito comoventes na televisão.


Assim como você, espectador, Leifert chorou porque vai mudar de rotina
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Mauricio Stycer

Leifertdespedida
Tiago Leifert abriu o “Globo Esporte” desta segunda-feira (06) anunciando que iria chorar. Em seguida mostrou uma caixa de lenços colocada especialmente no estúdio para a ocasião. Era o seu último dia à frente do programa.

Quando o carisma no jornalismo de TV é acima da média, caso de Leifert, o destino agora obrigatório é o mundo do entretenimento, que busca desesperadamente rostos capazes de conferir credibilidade a atrações leves, sem compromisso com a realidade. Testado com sucesso no “The Voice Brasil”, ele agora vai se mudar de vez para o Projac, integrando a equipe do programa “É de Casa”, a ser exibido aos sábados.

Mas tenho certeza de que não foi por isso que anunciou que iria chorar — e, como se esperava, chorou bastante no bloco final. Em meio a palavras de agradecimento ao público e à equipe do “Globo Esporte”, levou uma mão ao rosto e deixou as lágrimas escorrerem.

Ivan Moré, a quem passou o bastão, chorou igualmente — pela segunda vez em dois dias. Na véspera, ao se despedir do “Esporte Espetacular”, Moré também já havia chorado.

É muita emoção junta, ao vivo. E não consigo deixar de pensar que esse chororô todo, por mais natural que tenha sido, cumpre uma função cada vez mais importante no jornalismo da televisão – a de dizer para o espectador que os apresentadores são gente como a gente, na alegria e na tristeza.

Como o próprio Leifert explicou, a razão do choro é a mais boba e comezinha possível:

“Você talvez achem bobagem a gente chorar no ar. ‘Mas que bobagem, esses apresentadores, tudo rico, chorando no ar!’. Isso aqui é a nossa vida. A gente é realmente o que a gente faz. A gente gosta demais disso tudo. Essa rotina que a gente leva no esporte, ela determina os nossos horários, o que a gente faz, o nosso fim de semana. Isso muda muito a nossa vida. É uma mudança de rotina brutal e é por isso que a gente se emociona desse jeito”.

A informalidade, de um modo geral, é entendida hoje como uma obrigação no jornalismo da TV. Parece haver a convicção de que a atitude dos apresentadores seja capaz de deter a fuga do público rumo a outros canais de informação. E nenhuma atitude parece ser mais eficaz do que esse jeito natural de Leifert, que desabou no choro porque vai mudar de rotina.

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Para o bem e para o mal, Tiago Leifert mudou a cara do Esporte da Globo
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Mauricio Stycer

No comando da edição paulista do Globo Esporte entre janeiro de 2009 e junho de 2015, Tiago Leifert não está apenas deixando o programa, mas mudando de área e assumindo, de vez, uma posição de destaque no entretenimento da emissora.

Ao longo destes seis anos e meio à frente do GE-SP, o editor-chefe e apresentador acabou se tornando o símbolo maior de um processo do qual foi apenas a parte mais visível. Em busca de espectadores mais jovens, bem como do público feminino, o jornalismo esportivo da Globo passou por uma transformação grande tanto na forma quanto no conteúdo.

De pé, andando pelo estúdio, falando uma linguagem coloquial e fazendo piadas, Leifert mostrou ter um talento genuíno para a tarefa. O seu figurino, sempre informal, é o símbolo maior do que a emissora buscava nesta nova fase. Acho que o jornalista foi muito bem-sucedido na proposta de dar uma cara mais leve e agradável ao GE.

Por outro lado, ao investir não apenas na forma, mas também em um conteúdo mais leve, o jornalismo esportivo cometeu muitos erros. E Leifert, pelo papel que assumiu, acabou se tornando porta-voz e alvo de merecidas críticas.

Em diferentes momentos, nestes últimos anos, o jornalista defendeu uma mesma ideia: “Eu não levo nem nunca vou levar esporte a sério. Quem leva (tipo alguns babacas na minha TL) não entende o que é esporte.”

Esse ponto de vista arrogante foi exposto, por exemplo, diante da reação do atacante argentino Hernán Barcos, que chamou um repórter da Globo de “boludo” (babaca) diante de outros repórteres após ser confrontado com fotos de Zé Ramalho e bombardeado com perguntas sobre suas semelhanças com o cantor.

Ou quando o GE fez piada com o chileno Valdívia, por conta de suas repetidas contusões, e o jogador atacou violentamente o apresentador do programa.

Mais grave, ainda, na minha opinião, foi Leifert ter vestido a camisa da Globo em algumas discussões sem entender exatamente onde estava se metendo. O jornalismo esportivo da emissora frequentemente foi menos crítico do que deveria por conta de conflitos de interesses.

A cobertura que a Globo fez nas últimas décadas sobre a CBF é repleta de lacunas. O tratamento que dá à seleção brasileira, igualmente, está longe de ter o tom que a equipe muitas vezes mereceu.

Como já escrevi antes, acho que é possível fazer bom jornalismo com bom humor. Lamento, porém, que a emissora tenha dado, até a entrada em cena do FBI, menos atenção do que poderia aos diferentes bastidores relacionados aos negócios do futebol, a Ricardo Teixeira, José Maria Marin e Fifa, entre outros.

Se Tiago Leifert tivesse sido a cara da Globo em um processo de investigação sobre as estruturas podres do futebol brasileiro, não teria me importado que fizesse isso com humor. O problema ocorre quando a informação é deixada de lado, e prevalece apenas o entretenimento, por força de algum motivo externo que desconhecemos.

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Este texto foi publicado originalmente no UOL Esporte.

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