Blog do Mauricio Stycer

Arquivo : Tiago Leifert

Valdívia errou o tom, mas Leifert não entendeu o que fez no “Globo Esporte”
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Mauricio Stycer

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Dez dias depois de ser xingado pelo meia Valdívia, do Palmeiras, o jornalista Tiago Leifert respondeu às ofensas no programa “Altas Horas”, que irá ao ar neste sábado (30). Dirá, segundo adiantou a Globo, que considerou a reação do jogador “desproporcional”.

Para quem não acompanhou o caso, uma rápida lembrança. Apresentador do “Globo Esporte”, Leifert se ausentou do programa alguns dias por problemas de saúde. Ao regressar, fez uma alusão a Valdívia, que deixou de jogar inúmeras partidas por seu clube por problemas físicos.

O perfil do GE no Twitter também brincou com a situação: “Hoje o Tiago Leifert, o mago Valdivia do ‘Globo Esporte’, apresenta o programa de novo!! Dois dias seguidos trabalhando!!!” O jogador não gostou da brincadeira e publicou em sua conta na rede social uma série de ofensas ao jornalista, desafiando-o a repetir os comentários na sua frente.

“Na hora que eu li, achei melhor encerrar tudo, porque achei extremamente baixo e totalmente desproporcional“, diz Leifert no “Altas Horas”. E acrescenta: “Naquele programa, estava tirando sarro de mim mesmo, porque tinha ficado um tempão sem trabalhar por ter ficado doente.”

O apresentador também fez a seguinte observação: “Acho que quem trabalha com esporte tem que ter espírito esportivo acima de tudo e quem perde esse espírito é porque está doente com esporte e precisa repensar.”

Valdívia errou o tom na resposta? Errou. Mas Tiago Leifert parece não ter noção do que representa fazer uma piada no “Globo Esporte”. Ele não está em uma mesa de bar ou, mesmo, em uma rede social comentando com amigos e fãs – está tripudiando de alguém na principal rede de TV do país.

Leifert entende que o esporte deve ser tratado com humor. Ele já disse isso várias vezes. Concorde-se ou não, o apresentador não pode exigir que todos recebam suas piadas da mesma forma. Soa até um pouco arrogante esperar que seja assim. A sua resposta a Valdívia mostra que não tirou nenhuma lição do episódio.


“Jogo mais divertido” determina gols do ‘Fantástico’, diz Tadeu Schmidt
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Mauricio Stycer

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Em sua nova fase, agora mostrando os bastidores da redação, o “Fantástico” deixou claro para os espectadores algo que eles já sabiam, mas nunca tinham visto: o critério para a seleção dos gols da rodada. O que determina a escolha, disse Tadeu Schmidt, não é a qualidade dos jogos, dos lances ou dos gols, mas o potencial de humor a explorar.

Chamado a ver um torcedor do Botafogo que foi flagrado dormindo no Maracanã durante a partida com o Internacional, o apresentador do “Fantástico” disse: “O jogo mais divertido, então, é Botafogo e Inter, né?”. Mais tarde, foi este o jogo que ocupou o maior espaço dos “gols da rodada”.

Todo o resumo do encontro, encerrado com o placar de 2 a 2, foi pontuado por cenas do torcedor dormindo (e despertando). Tudo bem, Botafogo e Inter não fizeram a melhor do mundo, mas certamente ela poderia ser vista por outros ângulos além do “torcedor dorminhoco”.

Um dia depois, na edição paulista do “Globo Esporte”, o mesmo torcedor serviu novamente de fio condutor do relato do jogo. Desta vez, Tiago Leifert explorou uma nova “piada”, descrevendo os lances em voz baixa, para não “acordar” o personagem.

Além de não ser incomum o flagrante de um torcedor dormindo no estádio, me parece claro, neste caso, que a piada acabou ocupando um espaço desproporcional na narrativa da partida. Tenho certeza que quem gosta de futebol, e não apenas torcedores dos times envolvidos, se sentiram lesados nos dois casos.

Este texto foi publicado originalmente aqui, no blog UOL Esporte Vê TV.

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Os 15 momentos mais inesperados, ousados e bizarros da televisão em 2012
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Mauricio Stycer

 

O ano de 2012 foi dos mais ricos e agitados na televisão. Foi um período de grandes novidades, várias decepções, boas e más surpresas, muito humor involuntário, momentos geniais e bestiais… É tanta coisa que este resumo do ano será dividido em quatro partes: os melhores, os piores, os que mais brilharam e os momentos mais inesperados do ano.

Listas deste tipo são sempre muito pessoais, e as minhas não são diferentes. Por isso, terei o maior prazer em acolher os comentários e observações dos leitores, apontando as injustiças das minhas escolhas e me lembrando do que esqueci. Aqui está o meu Top 15 com os mais surpreendentes de 2012:

Âncora dá um pito nos políticos: É só um buraco de rua e um secretário de Obras sem noção, mas o desabafo de Neila Medeiros, do SBT em Brasília, diante da enrolação que ouviu, entrou para a galeria dos grandes momentos da televisão. Veja aqui.

Apertem os cintos, o colunista sumiu: O vespertino “Muito +”, na Band, estreou em janeiro com um acidente. Escalado para comentar as fofocas do dia, Daniel Carvalho, criador do personagem Katylene, desapareceu sem explicação. Mal de Ibope, o programa apresentado por Adriane Galisteu saiu do ar em outubro.

“Essa porra de televisão, quem manda é quem vê”: O “BBB12” será lembrado como o primeiro reality show que acabou na polícia. Eliminado por “uma infração no regulamento do programa”, o modelo Daniel não teve oportunidade de defesa, até Fausto Silva convidá-lo a apresentar sua versão no programa. “É o mínimo que pode acontecer. Questão de justiça”, disse. “Essa porra de televisão, quem manda é quem vê”, justificou. Daniel não foi ao “Domingão”.

“Nós já fomos mais inteligentes”: Carlos Nascimento teve os seus cinco minutos de fúria em 2012. “Ou os problemas brasileiros estão todos resolvidos ou nós nos tornamos perfeitos idiotas”, começou o âncora do SBT, revoltado com a repercussão do caso do suposto estupro no “BBB” e da história de Luiza, aquela que estava no Canadá. “Nós já fomos mais inteligentes”, lamentou. Veja aqui.

Um ator ao mesmo tempo em duas emissoras: Não é a primeira vez que isso ocorre, mas mostra como o mercado para atores esteve agitado em 2012. Yunes Chami apareceu simultaneamente, numa mesma noite de janeiro, nas telas da Globo e da Record, respectivamente, nas minisséries “O Brado Retumbante e “Rei Davi”.

Isto é um iPad ou um espelho?:  O grande Joelmir Beting (1936-2012) protagonizou um dos momentos mais engraçados do ano na bancada do “Jornal da Band”. Na volta de um intervalo, a câmera o flagrou arrumando o cabelo com um iPad. Ou terá sido com um espelho? Veja aqui.  Beting morreu no final de novembro e será lembrado como um dos mais importantes jornalistas de economia da TV brasileira.

Olimpíada de Londres, assunto “delicado” na Globo: A União da Ilha falou dos Jogos Olímpicos de Londres no Carnaval, mas a Globo não mencionou o assunto na transmissão do desfile. Sem os direitos dos Jogos, adquiridos pela Record, a Globo enfrentou vários “apagões” semelhantes ao longo do primeiro semestre. Para compensar, na abertura dos Jogos, Ana Paula Padrão, ao vivo, na Record, disse: “Você está assistindo o ‘Jornal da Globo’ ao vivo”.

“Mostra eu de vez em quando”:  Rubens Barrichello protagonizou um dos “micos” do ano. Ao trocar a F-1 pela Indy, se deu conta que não iria mais aparecer na Globo. Fez então este bizarro pedido a Tiago Leifert: “Não me deixa, não. Mostra eu (sic) de vez em quando.” O apresentador respondeu: “A gente não tem os direitos de transmissão da F-Indy, mas vamos fazer o possível para mostrar as suas vitórias. Você vai ser campeão desse negócio. É nóis!” O melhor resultado do piloto foi um quarto lugar.

A filosofia do “ié-ié”: Inspirado em “The Osbournes”, um programa sobre a vida de Ozzy Osbourne e seus familiares, Sergio Mallandro estreou um reality show sobre o seu cotidiano, acompanhado da ex-mulher e de um filho. Ensinando a “filosofia do ié-ié”, “Vida de Mallandro” foi um dos programas mais surreais exibidos em 2012. Espero que tenha uma segunda temporada no ano que vem.

A panicat careca: Sem motivo maior, a “panicat” Babi Rossi consentiu ficar careca, ao vivo, em rede nacional, levando o ibope do “Pânico” às alturas. Foi um dos momentos mais chocantes do ano. Mas não surpreendeu o público do programa: “O ‘Pânico’ gosta de sacanagem e o público também”, lembrou Emilio Surita.

Luciana Gimenez evoca o além:  Entre tantos momentos inesquecíveis do “SuperPop”, o melhor foi o debate em que a apresentadora quis saber se o espírito da irmã de Ângela Bismarchi a ajudou durante o reality “A Fazenda”: “Será que a pessoa que morreu tem o poder de voltar pra Terra e estar com a pessoa amada, ajudando ou prejudicando?”, perguntou Luciana ao vidente. Melhor não saber a resposta.

O topete de Justus e a cueca do Gugu: Ana Hickmann se revelou uma grande entrevistadora no “Programa da Tarde”, da Record. Primeiro, em uma investigação no banheiro de Roberto Justus, descobriu que o publicitário, contra todas as evidências, não tem topete. Depois, numa entrevista bombástica com Gugu Liberato, revelou que o apresentador veste cueca limpa depois do banho.

“Eu quero a minha mãe”: Depois de cinco edições da “Fazenda”, a Record resolveu investir numa edição “de verão”, com anônimos. Até agora, deu tudo errado. O melhor momento ocorreu durante uma confusão numa festa. Perdida, a candidata Bianca Luperini, Miss Araras, se desesperou e pediu ajuda da mãe. Veja aqui.

O fantasma do elevador: Muita gente pensava que “pegadinha” era um assunto do século passado. Silvio Santos mostrou que nada é mais atual do que uma armação tosca feita com jeito. A história de “menina-fantasma” dentro do elevador foi um dos sucessos mais surpreendentes do ano

Jornalistas ameaçam agredir repórter do CQC:  Das muitas e previsíveis confusões armadas por integrantes do programa da Band, esta foi a que mais chamou a atenção, por envolver a secretária de Estado americano Hillary Clinton e repórteres do primeiro time, em Brasília. Mauricio Meirelles ofereceu uma máscara de Carnaval para Hillary, bateu boca com jornalistas e quase apanhou.


Ed Motta se irrita enquanto Boninho ouve o público do “The Voice Brasil”
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Mauricio Stycer

Em sua terceira etapa, agora com apresentações musicais ao vivo, o “The Voice Brasil” vive o esperado momento em que sua excelência, o público, dá as cartas e expõe seu gosto e suas preferências.

A irritação de Ed Motta com os resultados de algumas votações ajuda a dar ainda mais tempero ao programa. O músico parece não entender que a questão não é mais de ordem técnica, mas de adequação aos novos tempos. Não importa se os espectadores têm ou não conhecimentos para votar de forma adequada – o problema é que não se faz mais televisão sem a participação de quem assiste.

O diretor Boninho conhece como poucos os humores e interesses deste espectador “interativo”, mas mesmo assim cometeu um erro no primeiro programa da nova etapa, exibido no domingo 4 de novembro. Deu ao público o poder de escolher um músico entre cada três que se apresentavam em sequência, mas deixou pouco tempo para a votação, o que claramente prejudicou os candidatos que cantaram em terceiro lugar. Atento à chiadeira que houve, o diretor alterou o método de votação neste domingo.

Os dois programas ao vivo, finalmente, deram oportunidade a Tiago Leifert mostrar o seu jogo de cintura. E ele saiu-se bem na tarefa, ainda que permaneça uma figura secundária na comparação com os “técnicos” (Lulu Santos, Carlinhos Brown, Claudia Leitte e Daniel).

O terceiro programa ao vivo, no domingo 25, enfrentará um novo desafio. Por conta do GP Brasil de F-1, às 14h, e do futebol, às 17h, o “The Voice Brasil” está programado para exibição em duas partes. Segundo o site da atração, na primeira parte, antes da corrida, serão realizadas as últimas quatro disputas entre três cantores. Na segunda parte, após o GP, já ocorrerão os primeiros quatro duelos entre duplas.

Com boa audiência, ótima repercussão nas redes sociais e uma segunda temporada já assegurada, “The Voice Brasil” reforça a tendência, aparentemente irrefreável, de oferecer ao espectador o poder de decidir o que quer ver na televisão. Entenda ou não do assunto. Ele precisa acreditar que tem um papel na história.

Em tempo: Um relato de tudo que aconteceu neste último domingo pode ser lido aqui.


Show de calouros levado a sério
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Mauricio Stycer

Escrevi domingo (23/9) no UOL Televisão sobre a estreia do “The Voice Brasil”. Reproduzo abaixo o texto:


“The Voice” estreia com boa audiência, mas pouco impacto

Qual é a graça de um show de talentos no qual todos os jurados são bonzinhos, todos os calouros sabem cantar e o público não parece se emocionar com nada? Eis o desafio não solucionado pelo “The Voice Brasil” em sua estreia neste domingo na Globo.

Nos primeiros programas, quatro músicos famosos, Carlinhos Brown, Cláudia Leitte, Daniel e Lulu Santos, terão a função de escolher, cada um, 12 cantores entre 105 pré-selecionados.

A grande novidade do programa, já em sua terceira temporada nos Estados Unidos, é que os jurados ficam de costas e avaliam os candidatos com base apenas na audição. Quando mais de um dos jurados escolhe um candidato, cabe ao eleito dizer com quem quer ficar.

Na estreia, todos foram gentis com os candidatos recusados e exagerados nos elogios aos selecionados. Nenhum jurado brigou com o outro no esforço de convencer algum calouro a escolhê-lo. O público presente no estúdio pareceu não se importar muito com nada, nem com as escolhas nem com as recusas. Ninguém se excedeu, nenhuma gafe foi cometida, tudo saiu certinho – e sem graça.

Um raro constrangimento ocorreu no final do primeiro episódio, quando um índio foi ignorado pelos quatro jurados depois de cantar uma música sertaneja. Ao se darem conta de que o candidato era de uma minoria raramente presente na TV, todos fizerem mil mesuras e o aplaudiram de pé, como que culpados pela recusa.

Vários calouros cantaram em inglês, o que pode ter incomodado parte do público, mas é perfeitamente justificável num programa chamado “The Voice”. Elogios ao programa publicados no Twitter foram exibidos na tela, durante a exibição do programa.

“The Voice Brasil” é apresentado por Tiago Leifert, deslocado do “Globo Esporte” para a tarefa. Quase sem função neste programa inicial, ele abraçou os pais de vários candidatos, deu muitos parabéns e explicou a mecânica da atração ao público.

Num flagrante que diz muito da sua utilidade, Leifert foi visto de braços cruzados assistindo a performance de um candidato.

A estreia do “The Voice” alcançou excelente audiência. O programa marcou 15,5 pontos de média, praticamente o mesmo do que a soma dos seus três principais concorrentes (Record, 6,5 pontos; SBT, 6; e Band, 3,5 pontos).


A cena da semana: Cesar Tralli sugere exame antidoping para bandeirinha
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Mauricio Stycer

A poucos minutos do final de Corinthians e Santos, no Pacaembu, partida que valia uma vaga na final da Libertadores, o auxiliar Altemir Hausmann entrou em campo para sinalizar onde os jogadores do Peixe deveriam se posicionar na cobrança de uma falta a favor dos corintianos. Correndo, ele desenhou um semicírculo, e não apenas uma linha, com o spray. O gesto, muito curioso, teve enorme repercussão. No dia seguinte, quinta-feira, no “SP TV 1ª Edição”, Tiago Leifert, Cesar Tralli e Arnaldo Cesar Coelho comentaram o caso na Globo, ironizando a atitude de Hausmann.

Tiago Leifert: Ele é um artista plástico. Resolveu fazer um grafite no fim do jogo. Deixar sua marca. Uma intervenção artística no Pacaembu. Arnaldo Cesar Coelho, o que deu no Altemir Hausmann?
Arnaldo Cesar Coelho: Ele queria mostrar que tem que ficar a 9,15 m da bola. Ele então fez um semicírculo a 9,15 m da bola. O Altemir Hausmann, árbitro da Fifa, esteve na Copa do Mundo, é um pintor.
Cesar Tralli: Mas você acha que é caso de exame anti-doping?
Arnaldo: Não. Ele estava muito excitado. Faltavam poucos minutos. Ele se empolgou, quis aparecer. Faltou aquela melancia no pescoço.

A conversa foi editada pela Globo num vídeo intitulado “Arnaldo Cesar Coelho comenta ‘arte’ de bandeirinha no duelo entre Corinthians e Santos”.  Disponível na sexta-feira, quando o vi, o link que conduzia ao vídeo aponta desde sábado para “Ops! Página não encontrada”. Mas há várias cópias o You Tube.

Mais informações: Um relato sobre o gesto de Hausmann você pode ler aqui. E um comentário do próprio bandeirinha sobre a repercussão de seu gesto você lê aqui. Já o vídeo com a cena está aqui. E  conversa de Tralli, Leifert e Arnaldo pode ser vista aqui.


Bial, Fátima, Leifert… Por que há cada vez mais jornalistas no comando do entretenimento?
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Mauricio Stycer

No mesmo dia em que Fátima Bernardes recebeu a imprensa para falar sobre o programa que vai comandar, batizado com o seu nome, a Globo anunciou que Tiago Leifert será o apresentador de “The Voice Brasil”, reality show destinado a revelar talentos musicais.

Eis um movimento que parece irreversível, o da transformação de jornalistas da televisão em comandantes de programas de entretenimento. Por mais que pareça natural, não é.

Um dos aspectos mais sensíveis desta mudança diz respeito à proibição, na Globo, de jornalista ser garoto-propaganda ou fazer merchandising. Por este motivo, noticiou a “Folha”, Fátima está trocando de “patrão” dentro da emissora, deixando a Central Globo de Jornalismo para integrar a Central Globo de Produção.

A proibição de jornalista fazer publicidade é comum em diversas empresas. O garoto-propaganda é um ator, que fala bem de produtos que eventualmente nem conhece, usa ou gosta. Vendo um jornalista anunciar as qualidades de um produto de beleza, por exemplo, ou de um carro, o espectador pode ser levado a acreditar nele como se estivesse ouvindo a leitura de uma notícia.

Outro aspecto notável nesta mudança, que Boninho percebeu ao levar Pedro Bial para o “BBB”, e que agora repete com Leifert no “The Voice”, é a possibilidade de lustrar uma bobagem do naipe de um reality show com o prestígio do jornalista. E também de usufruir do desembaraço de um profissional do mundo da notícia em situações que exigem jogo de cintura e improviso.

Vale notar, ainda, que as fronteiras entre jornalismo e entretenimento estão cada vez mais borradas, e não apenas na televisão. Espanta cada vez menos ver um jornalista de renome mudar de rumo desta forma. No caso de Leifert, alguém poderá dizer que nem é uma mundança já que o seu “Globo Esporte” é quase um reality show.

Um movimento que ainda falta, ao menos na Globo, é o da migração inversa. Por exemplo, Luciano Huck apresentar o “Jornal Nacional” ou Xuxa ser repórter do “Esporte Espetacular”. Pode ser legal.

Fotos: Divulgação/TV Globo


“The Ultimate Fighter” estreia na Globo com muita luta e pouco reality
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Mauricio Stycer


Realizado por uma produtora independente, por encomenda da empresa que é dona da marca UFC, o reality “The Ultimate Fighter Brasil” vai ocupar o final da noite de domingo da grade da Globo por 13 semanas. Com exceção do último, que será ao vivo, todos os programas já estão gravados.

O “TUF”, como é chamado pelos fãs, estreou com cinco patrocinadores, todos de marcas multinacionais – um verdadeiro fenômeno, que dá uma ideia do interesse que este tipo de luta já desperta no Brasil.

A Globo teve direito a exibir um programa de 13 minutos, produzido pela emissora, a título de introdução do reality. Foi apresentado por Galvão Bueno e narrado, em algumas passagens, por Tiago Leifert, duas das principais estrelas do esporte da emissora.

Pouco à vontade no papel de apresentador e muito fora de forma para exibir o corpão na tela, Galvão parecia mais um garoto-propaganda da marca UFC. “Eles ficarão confinados numa casa. E que casa!!!”, disse, empolgadão, ao lado do lutador Junior Cigano.

“O The Ultimate Fighter é muito parecido com o Big Brother, que você já está acostumado. Os barracos é que são diferentes”, disse Leifert, enquanto o público via imagens do “BBB12”.

O episódio de estreia, porém, teve muita luta e pouco reality, diferentemente do que prometeu o comandante do “Globo Esporte. Foram apresentados 32 lutadores, com o objetivo de selecionar os 16 que iriam entrar na casa, com direito a trechos editados das 16 lutas que definiram os vencedores.

Para quem gosta de porrada na TV, foi um programão, com direito a vários nocautes, sangue escorrendo, imobilizações e pancadaria variada.

Quem esperava se divertir com as histórias dos lutadores e os bastidores do seu cotidiano, terá que esperar o próximo episódio, quando, de fato, vai começar o reality.

Mas já deu para ver que pode ser bem divertido. Há grandes filósofos entre os participantes. “Não importa de onde você vem, mas o tamanho do seu sonho”, ensinou Jason. “Não é a vida que é dura. Você que é mole”, explicou outro antes de subir no octógono e ser nocauteado em 14 segundos.

Em tempo: Mais informações sobre a estreia do “TUF Brasil” podem ser lidas no UOL Esporteaqui e aqui. E sobre a reação da Record, que divulgou os nomes de supostos finalistas do reality, veja aqui.


Maior atração do esporte da Globo em 2012 será… um mascote
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Mauricio Stycer

No evento promovido pela Rede Globo para anunciar as novidades da sua programação em 2012, coube a Tiago Leifert, Glenda Kozlovski e Alex Escobar a tarefa de subir ao palco do Via Funchal, em São Paulo, para falar pela área de esportes da emissora.

E a notícia dada pelo trio foi a seguinte: a maior novidade da divisão de esportes da Globo para 2012 é um mascote. A emissora promete 224 transmissões esportivas no ano, entre jogos de futebol, partidas de voleibol, corridas de F-1 e Stock Car, mas Leifert, Glenda e Escobar passaram a maior parte do tempo falando do novo mascote e da campanha nacional que farão para escolher um nome para ele.

Duas observações. Sem direito de transmitir o mais importante evento esportivo do ano, os Jogos Olímpicos de Londres, o esporte da Globo terá um 2012 difícil. A aposta no mascote reforça uma tendência de infantilização da cobertura, de olho no público jovem, que tem sido a marca dos últimos anos.

Atualizado às 16h: Depois de publicado este texto, alguns leitores lembraram do Amarelinho, o mascote usado pelo SBT em transmissões esportivas na década de 90, entre as quais a Copa do Mundo de 1994. As feições básicas do boneco lembram bastante, de fato, o do mascote ainda sem nome da Globo.

Em tempo: Mais informações sobre o evento da Globo podem ser lidas aqui.


Troféu Sinceridade – Barrichello pede à Globo: “Mostra eu de vez em quando”
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Mauricio Stycer

Rubens Barrichello acertou esta semana sua participação na F-Indy. Depois da entrevista coletiva em que anunciou detalhes da nova fase de sua carreira, o piloto apareceu ao vivo no “Globo Esporte”. Entrevistado por Bruno Laurence, também conversou com Tiago Leifert, que estava no estúdio. Ao final da conversa, ocorreu um inesperado diálogo:

Barrichello: “Não me deixa, não. Mostra eu (sic) de vez em quando.”
Leifert: “Pode deixar. A gente não tem os direitos de transmissão da F-Indy, mas vamos fazer o possível para mostrar as suas vitórias. Você vai ser campeão desse negócio. É nóis!”

Em maio de 2011, em entrevista à revista “GQ”, Leifert foi mais duro ao falar sobre o mesmo assunto:

GQ: “Você disse num evento: ‘Esqueça o romantismo nos esportes, é tudo negócio. As pessoas vendem os direitos’. É isso mesmo?
Tiago Leifert:  “É verdade. Na hora de conversar sobre direitos esportivos a gente tem que perder o romantismo. Eu sou muito cobrado: ‘Por que você não fala de Fórmula Indy?’ Simples: porque eu não tenho o direito de falar de Fórmula Indy, meu amigo! Existe uma ideia errada de que a Globo tem que falar de tudo porque o cara quer ver tudo na Globo. Meu amigo, muda de canal pra ver a sua notícia! Não tem Fórmula Indy na Globo, não vai ter Pan-Americano na Globo, não vai ter Olimpíada na Globo! Essa cobrança é puro romantismo! A gente tem que perder essa mania de achar que tudo é uma força do mal. Não é isso, é negócio. Quem paga mais leva e quem leva exibe”.

Será que Barrichello vai aparecer na Globo em 2012? Vamos acompanhar…