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Arquivo : Tiago Leifert

Revista feminina comum, “É de Casa” depende da química dos apresentadores
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Mauricio Stycer

A estreia de “Encontro com Fátima Bernardes”, em junho de 2012, representou uma importante mudança na estratégia de programação da Globo. Com mais de duas horas, a atração dedicada ao público feminino adulto ocupou o lugar que por anos era consagrado às crianças.

O “TV Globinho”, na grade desde 2000, deixou de ser exibido de segunda a sexta e permaneceu na programação aos sábados. Há uma semana, com a estreia de “É de Casa”, a emissora abriu mão definitivamente de sua atração infantil.

As razões para esta guinada são conhecidas – e a Globo não está sozinha nesta. As limitações legais à publicidade infantil transformaram os departamentos comerciais das emissoras da TV aberta em inimigos de programas destinados a este público (um levantamento recente da “Folha” mostra que a redução da programação infantil atinge todas as emissoras; veja aqui).

Esta é a lógica que levou a Globo a envolver seis conhecidos apresentadores, além das equipes de dois programas, o próprio “Encontro” e o “Mais Você”, para desenvolver uma “revista” nas manhãs de sábado. Ainda que tenha sido anunciado como “para a família”, o alvo mais claro tem sido, até agora, o público feminino .

A cada semana, quatro dos seis apresentadores vão participar do programa. Neste sábado (15) foram Ana Furtado, Patricia Poeta, Tiago Leifert e Zeca Camargo — Cissa Guimarães e André Marques (este no “Criança Esperança”) ficaram fora da casa.

A julgar pelos temas apresentados nos dois primeiros episódios, “É de Casa” busca agradar às fãs dos três programas matinais diários (incluo na lista o “Bem Estar” também). É uma tarefa complexa, ainda mais em uma atração ao vivo, com duração de três horas.

O cardápio do programa deste sábado dá uma boa ideia da ambição da nova atração: comentários sobre notícias leves da semana, muitas dicas de “como fazer” coisas em casa, uma aula didática sobre aplicativos usados para encontros (sem citar o nome de nenhum), uma reportagem sobre passeadores de cachorro, outra sobre grafiteiros, lições sobre como seduzir as crianças com refeições atraentes, entrevistas com Renato Aragão e Grazi Massafera e a “história de superação” de um ex-viciado em crack.

Nada de crise política ou chacina em São Paulo. O “É de Casa” esta semana falou sobre o preço da cebola (tema tratado por Ana Maria Braga há cinco dias), a separação de Ben Affleck e Jennifer Garner por causa da babá e o motorista que errou a manobra na garagem e ficou com o carro pendurado para fora do prédio.

O foco na prestação de serviços ficou mais evidente no segundo episódio. Primeiro, Tiago e Ana ensinaram o espectador a fazer pinturas caseiras de capa do celular e em bandejas. Depois, Patricia ensinou a fazer vela de citronela caseira. E Ana mostrou como lavar o carro usando um copo de água (e um produto não citado).

Decidida a extinguir a sua programação infantil, o que a Globo poderia colocar no lugar nas manhãs de sábado? Acho que esta é a questão principal. Mais um programa de auditório? Filmes? Reprises?

Acho elogiável o esforço de desenvolver um novo programa, com foco em um público específico, com potencial comercial – é disso, afinal, que vive a TV aberta.

Novo programa, diga-se, não é sinônimo de programa original. “É de Casa” é uma “revista feminina” como outras que a própria emissora e suas concorrentes fazem ou já fizeram.

Ainda que o chef Roberto Ravioli tenha derrubado um frango à parmegiana fora do prato, uma boa notícia é que o nervosismo da estreia foi superado no segundo episódio. Mas ainda há um longo caminho pela frente, como mostra a trajetória do “Encontro com Fátima Bernardes”, que precisou de mais de um ano para, com perdão do jogo de palavras, se encontrar.

Ainda que o seu resultado não seja original, “É de Casa” pode se tornar um programa diferente se a sua pauta ficar mais interessante e a reunião deste time de apresentadores resultar em algo especial, ou seja, se rolar uma “química” entre eles. Só o tempo dirá.

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Top 5: Os choros mais comoventes de jornalistas na TV
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Mauricio Stycer

Durante sua despedida do “Globo Esporte”, Tiago Leifert não conseguiu se segurar e acabou caindo no choro ao vivo. Não é a primeira vez que isso acontece. Nesta semana, o UOL Vê TV relembra cinco chororôs muito comoventes na televisão.


Assim como você, espectador, Leifert chorou porque vai mudar de rotina
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Mauricio Stycer

Leifertdespedida
Tiago Leifert abriu o “Globo Esporte” desta segunda-feira (06) anunciando que iria chorar. Em seguida mostrou uma caixa de lenços colocada especialmente no estúdio para a ocasião. Era o seu último dia à frente do programa.

Quando o carisma no jornalismo de TV é acima da média, caso de Leifert, o destino agora obrigatório é o mundo do entretenimento, que busca desesperadamente rostos capazes de conferir credibilidade a atrações leves, sem compromisso com a realidade. Testado com sucesso no “The Voice Brasil”, ele agora vai se mudar de vez para o Projac, integrando a equipe do programa “É de Casa”, a ser exibido aos sábados.

Mas tenho certeza de que não foi por isso que anunciou que iria chorar — e, como se esperava, chorou bastante no bloco final. Em meio a palavras de agradecimento ao público e à equipe do “Globo Esporte”, levou uma mão ao rosto e deixou as lágrimas escorrerem.

Ivan Moré, a quem passou o bastão, chorou igualmente — pela segunda vez em dois dias. Na véspera, ao se despedir do “Esporte Espetacular”, Moré também já havia chorado.

É muita emoção junta, ao vivo. E não consigo deixar de pensar que esse chororô todo, por mais natural que tenha sido, cumpre uma função cada vez mais importante no jornalismo da televisão – a de dizer para o espectador que os apresentadores são gente como a gente, na alegria e na tristeza.

Como o próprio Leifert explicou, a razão do choro é a mais boba e comezinha possível:

“Você talvez achem bobagem a gente chorar no ar. ‘Mas que bobagem, esses apresentadores, tudo rico, chorando no ar!’. Isso aqui é a nossa vida. A gente é realmente o que a gente faz. A gente gosta demais disso tudo. Essa rotina que a gente leva no esporte, ela determina os nossos horários, o que a gente faz, o nosso fim de semana. Isso muda muito a nossa vida. É uma mudança de rotina brutal e é por isso que a gente se emociona desse jeito”.

A informalidade, de um modo geral, é entendida hoje como uma obrigação no jornalismo da TV. Parece haver a convicção de que a atitude dos apresentadores seja capaz de deter a fuga do público rumo a outros canais de informação. E nenhuma atitude parece ser mais eficaz do que esse jeito natural de Leifert, que desabou no choro porque vai mudar de rotina.

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Para o bem e para o mal, Tiago Leifert mudou a cara do Esporte da Globo
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Mauricio Stycer

No comando da edição paulista do Globo Esporte entre janeiro de 2009 e junho de 2015, Tiago Leifert não está apenas deixando o programa, mas mudando de área e assumindo, de vez, uma posição de destaque no entretenimento da emissora.

Ao longo destes seis anos e meio à frente do GE-SP, o editor-chefe e apresentador acabou se tornando o símbolo maior de um processo do qual foi apenas a parte mais visível. Em busca de espectadores mais jovens, bem como do público feminino, o jornalismo esportivo da Globo passou por uma transformação grande tanto na forma quanto no conteúdo.

De pé, andando pelo estúdio, falando uma linguagem coloquial e fazendo piadas, Leifert mostrou ter um talento genuíno para a tarefa. O seu figurino, sempre informal, é o símbolo maior do que a emissora buscava nesta nova fase. Acho que o jornalista foi muito bem-sucedido na proposta de dar uma cara mais leve e agradável ao GE.

Por outro lado, ao investir não apenas na forma, mas também em um conteúdo mais leve, o jornalismo esportivo cometeu muitos erros. E Leifert, pelo papel que assumiu, acabou se tornando porta-voz e alvo de merecidas críticas.

Em diferentes momentos, nestes últimos anos, o jornalista defendeu uma mesma ideia: “Eu não levo nem nunca vou levar esporte a sério. Quem leva (tipo alguns babacas na minha TL) não entende o que é esporte.”

Esse ponto de vista arrogante foi exposto, por exemplo, diante da reação do atacante argentino Hernán Barcos, que chamou um repórter da Globo de “boludo” (babaca) diante de outros repórteres após ser confrontado com fotos de Zé Ramalho e bombardeado com perguntas sobre suas semelhanças com o cantor.

Ou quando o GE fez piada com o chileno Valdívia, por conta de suas repetidas contusões, e o jogador atacou violentamente o apresentador do programa.

Mais grave, ainda, na minha opinião, foi Leifert ter vestido a camisa da Globo em algumas discussões sem entender exatamente onde estava se metendo. O jornalismo esportivo da emissora frequentemente foi menos crítico do que deveria por conta de conflitos de interesses.

A cobertura que a Globo fez nas últimas décadas sobre a CBF é repleta de lacunas. O tratamento que dá à seleção brasileira, igualmente, está longe de ter o tom que a equipe muitas vezes mereceu.

Como já escrevi antes, acho que é possível fazer bom jornalismo com bom humor. Lamento, porém, que a emissora tenha dado, até a entrada em cena do FBI, menos atenção do que poderia aos diferentes bastidores relacionados aos negócios do futebol, a Ricardo Teixeira, José Maria Marin e Fifa, entre outros.

Se Tiago Leifert tivesse sido a cara da Globo em um processo de investigação sobre as estruturas podres do futebol brasileiro, não teria me importado que fizesse isso com humor. O problema ocorre quando a informação é deixada de lado, e prevalece apenas o entretenimento, por força de algum motivo externo que desconhecemos.

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Este texto foi publicado originalmente no UOL Esporte.

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Informal, Christiane Pelajo solta um “enche o saco” no Jornal da Globo
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Mauricio Stycer

Os apresentadores dos telejornais da TV Globo, diferente do que faziam no passado, estão apostando na informalidade. Essa é uma das armas da emissora para tentar revitalizar os programas e melhorar a audiência. No UOL Vê TV, comento sobre os excessos cometidos pelos apresentadores.


The Voice: Decote da jurada chama mais a atenção que a voz dos candidatos
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Mauricio Stycer

TheVoiceClaudiaLeitteComo acontece quase sempre, os jurados do “The Voice Brasil” chamaram mais a atenção do que os candidatos do concurso de talentos da Globo. E como ocorre com frequência, também, Claudia Leitte brilhou mais que os demais, com um decote espetacular, diante do qual não era possível prestar atenção em mais nada.

Tirando o decote da cantora, o primeiro programa ao vivo da temporada correu dentro da normalidade. Daniel fez uma comparação sem propósito entre o Dia da Consciência Negra, celebrado na quinta-feira (20), e a necessidade de o público votar de forma consciente no “The Voice”. “Não somos o dono da verdade, vamos votar com consciência”, disse.

Lulu Santos apostou na redundância: “Vou continuar na minha técnica de destacar quem eu acho que de fato se destacou”. Carlinhos Brown filosofou: “Hoje é o Dia da Consciência Negra. Que esse dia nos revele outras consciências: que esse é um país miscigenado.”

E Tiago Leifert, com toda a pompa possível, deu uma importante notícia ao público: pela primeira vez na história do “The Voice Brasil”, um casal foi formado por participantes. O apresentador também não economizou nos elogios a Claudia Leitte: “Você está muito bonita hoje. Você está demais. Claudia Leitte está excelente hoje”.

Quatro cantores (Kim Lirio, Lui Medeiros, Romero Ribeiro e a dupla Danilo Reis e Rafael) foram escolhidos por voto do público e outros quatro (Jésus Henrique, Leandro Bueno, Rose Oliver e Edu Camargo) foram salvos pelos jurados.

Atualizado às 16h: Na primeira noite ao vivo, “The Voice Brasil” registrou a pior audiência desta temporada, 21 pontos. Leia mais aqui.

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Nada muda no “The Voice Brasil 3″, nem os “micos” de Claudia Leitte
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Mauricio Stycer

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Com média de 26 pontos, 11 a mais do que a primeira edição, o “The Voice Brasil” exibido em 2013 foi possivelmente o maior acerto da Globo em matéria de audiência no ano. Por este motivo, não se deveria esperar maiores novidades da estreia da terceira edição – e, de fato, não houve nenhuma grande surpresa.

O programa adotou a filosofia de que “em time que está ganhando não se mexe”. Como no ano passado, ocupou a faixa das  quintas-feiras depois da novela das 21h (a primeira edição havia sido aos domingos, à tarde). Repetiu os quatro jurados, o apresentador, o mix de estilos musicais e o formato.

Até os cacoetes dos jurados permanecem idênticos. Lulu Santos excessivamente alegre, Carlinhos Brown improvisando de forma incompreensível, Daniel fazendo o rapaz gentil e Claudia Leitte pagando os mais variados “micos”, sem medo de provocar constrangimentos.

Para não dizer que tudo foi idêntico, houve duas pequenas novidades. Fernanda Souza estreou na função de repórter, no lugar que foi antes ocupado por Miá Mello. E houve uma audição em que uma candidata, protegida por uma cortina, não foi vista pelos espectadores, em casa.

Como a repórter Ana Cora Lima, do UOL, antecipou, duas candidatas que já haviam participado do reality “Ídolos” foram selecionadas para o “The Voice 3”. Nise Palhares, que eliminou Chay Suede e ficou em terceiro lugar no “Ídolos” de 2010 da Record, e Hellen Lyu, terceiro lugar na edição de 2009 do programa.

Também houve uma “segunda chance” para um candidato eliminado em 2013, Dudu Fileti, e, ainda, a apresentação de uma drag queen, Deena Love.

Audiência: A estreia do “The Voice Brasil 3″ teve média de 21 pontos no Ibope, um resultado inferior ao da estreia da segunda edição, que marcou 24, mas ainda assim muito bom.

Valdívia errou o tom, mas Leifert não entendeu o que fez no “Globo Esporte”
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Mauricio Stycer

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Dez dias depois de ser xingado pelo meia Valdívia, do Palmeiras, o jornalista Tiago Leifert respondeu às ofensas no programa “Altas Horas”, que irá ao ar neste sábado (30). Dirá, segundo adiantou a Globo, que considerou a reação do jogador “desproporcional”.

Para quem não acompanhou o caso, uma rápida lembrança. Apresentador do “Globo Esporte”, Leifert se ausentou do programa alguns dias por problemas de saúde. Ao regressar, fez uma alusão a Valdívia, que deixou de jogar inúmeras partidas por seu clube por problemas físicos.

O perfil do GE no Twitter também brincou com a situação: “Hoje o Tiago Leifert, o mago Valdivia do ‘Globo Esporte’, apresenta o programa de novo!! Dois dias seguidos trabalhando!!!” O jogador não gostou da brincadeira e publicou em sua conta na rede social uma série de ofensas ao jornalista, desafiando-o a repetir os comentários na sua frente.

“Na hora que eu li, achei melhor encerrar tudo, porque achei extremamente baixo e totalmente desproporcional“, diz Leifert no “Altas Horas”. E acrescenta: “Naquele programa, estava tirando sarro de mim mesmo, porque tinha ficado um tempão sem trabalhar por ter ficado doente.”

O apresentador também fez a seguinte observação: “Acho que quem trabalha com esporte tem que ter espírito esportivo acima de tudo e quem perde esse espírito é porque está doente com esporte e precisa repensar.”

Valdívia errou o tom na resposta? Errou. Mas Tiago Leifert parece não ter noção do que representa fazer uma piada no “Globo Esporte”. Ele não está em uma mesa de bar ou, mesmo, em uma rede social comentando com amigos e fãs – está tripudiando de alguém na principal rede de TV do país.

Leifert entende que o esporte deve ser tratado com humor. Ele já disse isso várias vezes. Concorde-se ou não, o apresentador não pode exigir que todos recebam suas piadas da mesma forma. Soa até um pouco arrogante esperar que seja assim. A sua resposta a Valdívia mostra que não tirou nenhuma lição do episódio.


“Jogo mais divertido” determina gols do ‘Fantástico’, diz Tadeu Schmidt
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Mauricio Stycer

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Em sua nova fase, agora mostrando os bastidores da redação, o “Fantástico” deixou claro para os espectadores algo que eles já sabiam, mas nunca tinham visto: o critério para a seleção dos gols da rodada. O que determina a escolha, disse Tadeu Schmidt, não é a qualidade dos jogos, dos lances ou dos gols, mas o potencial de humor a explorar.

Chamado a ver um torcedor do Botafogo que foi flagrado dormindo no Maracanã durante a partida com o Internacional, o apresentador do “Fantástico” disse: “O jogo mais divertido, então, é Botafogo e Inter, né?”. Mais tarde, foi este o jogo que ocupou o maior espaço dos “gols da rodada”.

Todo o resumo do encontro, encerrado com o placar de 2 a 2, foi pontuado por cenas do torcedor dormindo (e despertando). Tudo bem, Botafogo e Inter não fizeram a melhor do mundo, mas certamente ela poderia ser vista por outros ângulos além do “torcedor dorminhoco”.

Um dia depois, na edição paulista do “Globo Esporte”, o mesmo torcedor serviu novamente de fio condutor do relato do jogo. Desta vez, Tiago Leifert explorou uma nova “piada”, descrevendo os lances em voz baixa, para não “acordar” o personagem.

Além de não ser incomum o flagrante de um torcedor dormindo no estádio, me parece claro, neste caso, que a piada acabou ocupando um espaço desproporcional na narrativa da partida. Tenho certeza que quem gosta de futebol, e não apenas torcedores dos times envolvidos, se sentiram lesados nos dois casos.

Este texto foi publicado originalmente aqui, no blog UOL Esporte Vê TV.

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Os 15 momentos mais inesperados, ousados e bizarros da televisão em 2012
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Mauricio Stycer

 

O ano de 2012 foi dos mais ricos e agitados na televisão. Foi um período de grandes novidades, várias decepções, boas e más surpresas, muito humor involuntário, momentos geniais e bestiais… É tanta coisa que este resumo do ano será dividido em quatro partes: os melhores, os piores, os que mais brilharam e os momentos mais inesperados do ano.

Listas deste tipo são sempre muito pessoais, e as minhas não são diferentes. Por isso, terei o maior prazer em acolher os comentários e observações dos leitores, apontando as injustiças das minhas escolhas e me lembrando do que esqueci. Aqui está o meu Top 15 com os mais surpreendentes de 2012:

Âncora dá um pito nos políticos: É só um buraco de rua e um secretário de Obras sem noção, mas o desabafo de Neila Medeiros, do SBT em Brasília, diante da enrolação que ouviu, entrou para a galeria dos grandes momentos da televisão. Veja aqui.

Apertem os cintos, o colunista sumiu: O vespertino “Muito +”, na Band, estreou em janeiro com um acidente. Escalado para comentar as fofocas do dia, Daniel Carvalho, criador do personagem Katylene, desapareceu sem explicação. Mal de Ibope, o programa apresentado por Adriane Galisteu saiu do ar em outubro.

“Essa porra de televisão, quem manda é quem vê”: O “BBB12” será lembrado como o primeiro reality show que acabou na polícia. Eliminado por “uma infração no regulamento do programa”, o modelo Daniel não teve oportunidade de defesa, até Fausto Silva convidá-lo a apresentar sua versão no programa. “É o mínimo que pode acontecer. Questão de justiça”, disse. “Essa porra de televisão, quem manda é quem vê”, justificou. Daniel não foi ao “Domingão”.

“Nós já fomos mais inteligentes”: Carlos Nascimento teve os seus cinco minutos de fúria em 2012. “Ou os problemas brasileiros estão todos resolvidos ou nós nos tornamos perfeitos idiotas”, começou o âncora do SBT, revoltado com a repercussão do caso do suposto estupro no “BBB” e da história de Luiza, aquela que estava no Canadá. “Nós já fomos mais inteligentes”, lamentou. Veja aqui.

Um ator ao mesmo tempo em duas emissoras: Não é a primeira vez que isso ocorre, mas mostra como o mercado para atores esteve agitado em 2012. Yunes Chami apareceu simultaneamente, numa mesma noite de janeiro, nas telas da Globo e da Record, respectivamente, nas minisséries “O Brado Retumbante e “Rei Davi”.

Isto é um iPad ou um espelho?:  O grande Joelmir Beting (1936-2012) protagonizou um dos momentos mais engraçados do ano na bancada do “Jornal da Band”. Na volta de um intervalo, a câmera o flagrou arrumando o cabelo com um iPad. Ou terá sido com um espelho? Veja aqui.  Beting morreu no final de novembro e será lembrado como um dos mais importantes jornalistas de economia da TV brasileira.

Olimpíada de Londres, assunto “delicado” na Globo: A União da Ilha falou dos Jogos Olímpicos de Londres no Carnaval, mas a Globo não mencionou o assunto na transmissão do desfile. Sem os direitos dos Jogos, adquiridos pela Record, a Globo enfrentou vários “apagões” semelhantes ao longo do primeiro semestre. Para compensar, na abertura dos Jogos, Ana Paula Padrão, ao vivo, na Record, disse: “Você está assistindo o ‘Jornal da Globo’ ao vivo”.

“Mostra eu de vez em quando”:  Rubens Barrichello protagonizou um dos “micos” do ano. Ao trocar a F-1 pela Indy, se deu conta que não iria mais aparecer na Globo. Fez então este bizarro pedido a Tiago Leifert: “Não me deixa, não. Mostra eu (sic) de vez em quando.” O apresentador respondeu: “A gente não tem os direitos de transmissão da F-Indy, mas vamos fazer o possível para mostrar as suas vitórias. Você vai ser campeão desse negócio. É nóis!” O melhor resultado do piloto foi um quarto lugar.

A filosofia do “ié-ié”: Inspirado em “The Osbournes”, um programa sobre a vida de Ozzy Osbourne e seus familiares, Sergio Mallandro estreou um reality show sobre o seu cotidiano, acompanhado da ex-mulher e de um filho. Ensinando a “filosofia do ié-ié”, “Vida de Mallandro” foi um dos programas mais surreais exibidos em 2012. Espero que tenha uma segunda temporada no ano que vem.

A panicat careca: Sem motivo maior, a “panicat” Babi Rossi consentiu ficar careca, ao vivo, em rede nacional, levando o ibope do “Pânico” às alturas. Foi um dos momentos mais chocantes do ano. Mas não surpreendeu o público do programa: “O ‘Pânico’ gosta de sacanagem e o público também”, lembrou Emilio Surita.

Luciana Gimenez evoca o além:  Entre tantos momentos inesquecíveis do “SuperPop”, o melhor foi o debate em que a apresentadora quis saber se o espírito da irmã de Ângela Bismarchi a ajudou durante o reality “A Fazenda”: “Será que a pessoa que morreu tem o poder de voltar pra Terra e estar com a pessoa amada, ajudando ou prejudicando?”, perguntou Luciana ao vidente. Melhor não saber a resposta.

O topete de Justus e a cueca do Gugu: Ana Hickmann se revelou uma grande entrevistadora no “Programa da Tarde”, da Record. Primeiro, em uma investigação no banheiro de Roberto Justus, descobriu que o publicitário, contra todas as evidências, não tem topete. Depois, numa entrevista bombástica com Gugu Liberato, revelou que o apresentador veste cueca limpa depois do banho.

“Eu quero a minha mãe”: Depois de cinco edições da “Fazenda”, a Record resolveu investir numa edição “de verão”, com anônimos. Até agora, deu tudo errado. O melhor momento ocorreu durante uma confusão numa festa. Perdida, a candidata Bianca Luperini, Miss Araras, se desesperou e pediu ajuda da mãe. Veja aqui.

O fantasma do elevador: Muita gente pensava que “pegadinha” era um assunto do século passado. Silvio Santos mostrou que nada é mais atual do que uma armação tosca feita com jeito. A história de “menina-fantasma” dentro do elevador foi um dos sucessos mais surpreendentes do ano

Jornalistas ameaçam agredir repórter do CQC:  Das muitas e previsíveis confusões armadas por integrantes do programa da Band, esta foi a que mais chamou a atenção, por envolver a secretária de Estado americano Hillary Clinton e repórteres do primeiro time, em Brasília. Mauricio Meirelles ofereceu uma máscara de Carnaval para Hillary, bateu boca com jornalistas e quase apanhou.