Blog do Mauricio Stycer http://mauriciostycer.blogosfera.uol.com.br Espaço para reflexões e troca de informações sobre os assuntos que interessam a este blogueiro, da alta à baixa cultura, do esporte à vida nas grandes cidades, sempre que possível com humor. Tue, 17 Jan 2017 04:09:49 +0000 pt-BR hourly 1 http://wordpress.org/?v=4.2.5 Repórter é agredida durante entrada ao vivo em cobertura de rebelião http://mauriciostycer.blogosfera.uol.com.br/2017/01/17/globonews-exibe-ao-vivo-agressao-a-reporter-em-cobertura-de-rebeliao/ http://mauriciostycer.blogosfera.uol.com.br/2017/01/17/globonews-exibe-ao-vivo-agressao-a-reporter-em-cobertura-de-rebeliao/#comments Tue, 17 Jan 2017 02:27:50 +0000 http://mauriciostycer.blogosfera.uol.com.br/?p=34310

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— Ricardo S (@RickSouza) 17 de janeiro de 2017

A repórter Larissa Carvalho foi vítima de uma agressão enquanto falava, ao vivo, sobre uma rebelião em um presídio em Ribeirão das Neves, na região metropolitana de Belo Horizonte (MG). A agressora a derrubou e, em seguida, foi detida por um policial. A cena foi exibida no “Jornal GloboNews – Edição da Meia-noite” por volta de 0h10 desta terça-feira (17).

A reportagem foi interrompida e a imagem voltou para o estúdio, onde estava o apresentador Bernardo Menezes. Pelo relato que a jornalista fazia no momento em que foi empurrada, supõe-se que foi uma parente de preso que a atacou.

Alguns minutos depois Larissa retornou, protegida por policiais, para informar que estava bem: “Tá tudo bem. Foi um susto, mas tá tudo bem, sim”. A agressão, segundo o seu relato, ocorreu depois que alguns parentes de presos não concordaram com uma informação que ela havia dado — de que, conforme a PM, não há feridos dentro do presídio.

Ainda segundo Larissa, a presença de uma ambulância se explicaria pelo excesso de fumaça dentro do local, o que pode ter causado intoxicação em algum preso. A jornalista informou também que o número de presos em Ribeirão das Neves é o dobro da capacidade da prisão.

Veja abaixo, a segunda entrada de Larissa, alguns minutos depois da agressão:

Uma hora depois, em nova edição do “Jornal da GloboNews”, o noticiário sobre a rebelião em Ribeirão das Neves foi exibido sem entradas ao vivo de Larissa. A emissora não fez nenhuma referência ao caso neste telejornal.

Também já de madrugada, a jornalista apareceu no “Jornal da Globo” falando da rebelião. Foi uma reportagem gravada, não ficou claro se antes ou depois do incidente exibido ao vivo pela GloboNews. Em todo caso, William Waack, que apresenta o telejornal da Globo ao vivo, não fez menção nenhuma à agressão sofrida por Larissa.

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Por que os telejornais da Globo não citam o nome do PCC e de outras facções http://mauriciostycer.blogosfera.uol.com.br/2017/01/16/por-que-os-telejornais-da-globo-nao-citam-o-nome-do-pcc-e-de-outras-faccoes/ http://mauriciostycer.blogosfera.uol.com.br/2017/01/16/por-que-os-telejornais-da-globo-nao-citam-o-nome-do-pcc-e-de-outras-faccoes/#comments Mon, 16 Jan 2017 11:58:49 +0000 http://mauriciostycer.blogosfera.uol.com.br/?p=34273

A cobertura jornalística do assassinato de 60 presos em um presídio em Manaus no primeiro dia de 2017 chamou a atenção, mais uma vez, para a postura dos telejornais da Globo. Por conta de uma regra interna, a emissora não menciona o nome de nenhuma facção criminosa.

Como a rebelião, a fuga e as mortes foram causados, tudo indica, por uma guerra entre diferentes facções, apresentadores e repórteres da Globo têm feito, desde então, um grande malabarismo vocabular (veja o vídeo acima). Tudo para não mencionar os nomes do PCC (Primeiro Comando da Capital) e da FDN (Família do Norte do Amazonas), acusados de estarem por trás da disputa que levou ao massacre. Esta mesma restrição se aplica ao noticiário de outras rebeliões ocorridas desde então.

Esta proibição existe na emissora desde a década de 1980, quando o Comando Vermelho, uma organização criminosa nascida no Rio, tomou o noticiário. A regra (não escrita) nasceu da percepção de que citar o nome destes grupos seria uma forma de dar publicidade a eles, valorizar ações criminosas, celebrizar a vida de pessoas acusadas por crimes graves e, eventualmente, estimular outras pessoas a seguirem o mau caminho.

Além da Rede Globo, a regra ainda é respeitada pelos telejornais da GloboNews, mas outros veículos do grupo já são mais flexíveis. Recentemente, o jornal “O Globo” passou a citar os nomes dos grupos criminosos. O site de notícias G1 também menciona. Em alguns casos, prevaleceu a ideia de que não é possível explicar uma guerra entre facções sem mencioná-las.

O blog tentou ouvir a emissora sobre o assunto, mas não obteve resposta. Seis jornalistas que trabalham ou já trabalharam no grupo me ajudaram com as informações aqui publicadas.

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Menos espontâneo, “The Voice Kids” tortura público e cantores com jurados indecisos http://mauriciostycer.blogosfera.uol.com.br/2017/01/15/menos-espontaneo-the-voice-kids-tortura-publico-com-jurados-indecisos/ http://mauriciostycer.blogosfera.uol.com.br/2017/01/15/menos-espontaneo-the-voice-kids-tortura-publico-com-jurados-indecisos/#comments Sun, 15 Jan 2017 18:09:01 +0000 http://mauriciostycer.blogosfera.uol.com.br/?p=34286


Um dos grandes acertos da Globo em 2016, o “The Voice Kids” apostou, corretamente, em crianças sendo crianças, reuniu um bom time de jurados e apresentou uma edição generosa, sem apelar para golpes baixos. O resultado fez a audiência disparar e, como disse o então apresentador Tiago Leifert, o “fofurômetro explodir”.

Parte da espontaneidade se perdeu nesta segunda edição, cuja estreia ocorreu no último dia 7. Meio por instinto, candidatos buscam agora mimetizar efeitos que deram certo no ano passado. Carlinhos Brown, Ivete Sangalo e a dupla Victor & Leo, igualmente, repetem frases e brincadeiras que, em 2016, pareciam originais.

thevoicekids20172Neste domingo, pelo menos cinco candidatos foram aprovados nos últimos segundos de suas apresentações. O padrão, que eleva a carga dramática do programa, pareceu ensaiado. Torturando quem está no palco e em casa, os jurados ficam se olhando, transmitindo indecisão, até que um deles aprova o cantor-mirim.

Falando sem parar, Brown perdeu o rumo várias vezes. “Aplausos para Campos do Jordão”, disse, sobre um dos candidatos, originário desta cidade. “Sua voz é uma luz”, exagerou Victor sobre uma das jovens cantoras.

André Marques, no lugar de Leifert, é uma novidade, mas ainda não teve a chance de mostrar nada no concurso. Tenso, talvez, não consegue disfarçar que está lendo o telepromter. Já Thalita Rebouças, também estreando este ano, parece desconfortável no difícil – e sem graça – papel de assistir o programa junto aos pais.

Como em 2016, mais do que o canto, é o excesso de fofura de alguns candidatos que mais diverte. Como o do menino Lucas Fernandes, de 9 anos, que confessou ter um problema: é emotivo demais. “Quero ganhar e ficar famoso, mas preciso arrumar esse negócio do choro”, disse ele.

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Envelhecido, agente Dale Cooper aparece no novo teaser de “Twin Peaks” http://mauriciostycer.blogosfera.uol.com.br/2017/01/14/envelhecido-agente-dale-cooper-aparece-no-novo-teaser-de-twin-peaks/ http://mauriciostycer.blogosfera.uol.com.br/2017/01/14/envelhecido-agente-dale-cooper-aparece-no-novo-teaser-de-twin-peaks/#comments Sat, 14 Jan 2017 15:53:46 +0000 http://mauriciostycer.blogosfera.uol.com.br/?p=34276

Com estreia programada para 21 de maio, a volta da série “Twin Peaks”, de David Lynch, significa também o retorno à tela do agente do FBI Dale Cooper, papel que marcou a carreira do ator Kyle MacLachlan.

O personagem aparece, brevemente, no novo teaser divulgado nesta sexta-feira (13) pelo canal Showtime. É Cooper quem comanda as investigações do assassinato de Laura Palmer, o mote da história exibida originalmente em 1990.

Com 18 episódios, a terceira temporada de “Twin Peaks” se passa 25 anos depois dos acontecimentos que encerraram série. Ela terá direção de David Lynch, que comandou as primeiras temporadas.

A série conquistou três estatuetas do Globo de Ouro em 1991, incluindo o de melhor seriado de televisão de drama e melhor ator de drama para MacLachlan, mas chegou ao fim após duas temporadas.

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A cena da semana: “A fé é um alento”, diz a vilã Magnólia antes de matar http://mauriciostycer.blogosfera.uol.com.br/2017/01/14/a-cena-da-semana-a-fe-e-um-alento-diz-a-vila-magnolia-antes-de-matar/ http://mauriciostycer.blogosfera.uol.com.br/2017/01/14/a-cena-da-semana-a-fe-e-um-alento-diz-a-vila-magnolia-antes-de-matar/#comments Sat, 14 Jan 2017 07:01:46 +0000 http://mauriciostycer.blogosfera.uol.com.br/?p=34224 leidoamormagnoliaatira
“Sagrada Família”, o titulo original, expressava muito melhor do que “A Lei do Amor” o tema principal da novela de Maria Adelaide Amaral e Vincent Villari. Seria um título irônico, claro, pois não há nada de sagrado na família Leitão, em torno do qual gira toda a história.

O patriarca Fausto (Tarcísio Meira) tem um passado da pior espécie, envolvido em falcatruas e corrupção. Sua segunda mulher, Magnólia (Vera Holtz), é igualmente ardilosa, sem escrúpulos (tornou-se amante do genro) e suspeita de vários crimes. Hércules (Danilo Graghéia), um dos filhos do casal, é um idiota. Vitória (Camila Morgado), a outra filha, nunca teve equilíbrio emocional, além de desconhecer que a mãe tem um caso com seu marido. Pedro (Reynaldo Gianecchini) é o filho pródigo (de Fausto), que retorna para tentar encerrar o caos familiar.

Magnólia, desde o primeiro capítulo, deixa claro para o espectador que é uma pessoa da pior espécie. Além de todos os seus pecados, é hipócrita, pois tenta passar a imagem de beata e vive falando de Deus.

leidoamormagnoliavariasNo capítulo de terça-feira (10), o público testemunhou a vilã em ação, eliminando uma mulher, Beth (Regiane Alves), por quem seu amante se apaixonou. Foi uma das cenas mais fortes da novela até agora, com enquadramentos caprichados e um texto ousado, que expôs a hipocrisia da vilã.

Apontando a arma para Beth, que se desespera, Magnólia ensina: “Dignidade. Dignidade. A pior coisa é a pessoa que perde a dignidade antes de desencarnar. Mas, se você quiser, nós podemos fazer uma oração juntas.” Sublinhando cada palavra, Beth responde: “Eu não acredito em Deus”. Ao que a vilã diz antes de, finalmente, apertar o gatilho: “Que pena. A fé é um alento. Principalmente nestas horas.”

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Ousada, “Rock Story” dá as costas à música que faz sucesso hoje no Brasil http://mauriciostycer.blogosfera.uol.com.br/2017/01/13/ousada-rock-story-da-as-costas-a-musica-que-faz-sucesso-hoje-no-brasil/ http://mauriciostycer.blogosfera.uol.com.br/2017/01/13/ousada-rock-story-da-as-costas-a-musica-que-faz-sucesso-hoje-no-brasil/#comments Fri, 13 Jan 2017 06:01:31 +0000 http://mauriciostycer.blogosfera.uol.com.br/?p=34253 rockstoryguinopalco
Na lista das cem músicas mais tocadas em rádio no Brasil em 2016, 89 foram sertanejas. O ranking se completa com pop e pagode, informou Adriana de Barros em sua coluna no UOL.

Não há nenhum rock no Top 100, o que torna ainda mais ousada a opção de “Rock Story”, uma novela protagonizada por um velho roqueiro, Gui Santiago (Vladimir Brichta), cuja trilha sonora é recheada de antigos sucessos de Legião Urbana, Titãs e Cazuza, entre outros.

rockstoryguiebandadofilhoNa atual fase da história, Gui está sendo o tutor de uma banda formada por quatro garotos, um deles seu filho, chamada Quatro Ponto Quatro. O que tocam os adolescentes? Rock dos anos 80. Atualmente, estão ensaiando “Sonífera Ilha”.

Trata-se, claramente, de uma homenagem, quase um manifesto da autora, Maria Helena Nascimento, a um momento de muita criatividade do rock brasileiro. Mas acho que vai além da nostalgia. Ao seguir na contracorrente do mercado musical, “Rock Story” manda uma mensagem ao público.

O tributo à boa música não se limita aos clássicos do rock oitentista. Gui, quando estava gravando seu disco, chegou a cantar até “Para Lennon e McCartney”, de Milton Nascimento, dos anos 70.

Já por meio de Laila (Laila Garin), a namorada de Gordo (Herson Capri), dono da gravadora alternativa Som Discos, “Rock Story” está abrindo espaço para outros clássicos. No capítulo desta quinta-feira (12), por exemplo, ela cantou “Panis et Circenses”, imortalizada pelos Mutantes no fim dos anos 60.

rockstoryleoregisNão deixa de ser sintomático que o antagonista de Gui Santiago seja um jovem cantor romântico, Leo Regis (Rafael Vitti), mais preocupado com a fama do que com a qualidade do que canta.

Leo encomenda e paga para músicos criarem canções e assume os créditos. Está longe de ter uma boa voz – suas fãs deliram mais com o seu jeito e estilo. De origem humilde, é deslumbrado com bens de consumo e tem raiva e inveja de Gui, de quem roubou a mulher, Diana (Alinne Moraes).

“Rock Story” toma partido de Gui e do rock em um momento que este gênero musical está em baixa e não tem a mesma relevância comercial de antes. Por meio do protagonista, a novela valoriza também uma “atitude” que não está na moda – o artista criativo, mais preocupado com música do que com dinheiro, idealista e sonhador. É uma aposta notável.

Vale lembrar, por fim, que a última novela das 19h com temática musical foi a divertida “Cheias de Charme” (2012). Diferentemente de “Rock Story”, porém, a trama de Filipe Miguez e Izabel de Oliveira levou para o palco (e a tela) os principais nomes das vertentes mais populares da música brasileira.

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Após perder vários personagens, “A Lei do Amor” tem um novo: o porteiro confuso http://mauriciostycer.blogosfera.uol.com.br/2017/01/12/apos-perder-varios-personagens-a-lei-do-amor-tem-um-novo-o-porteiro-confuso/ http://mauriciostycer.blogosfera.uol.com.br/2017/01/12/apos-perder-varios-personagens-a-lei-do-amor-tem-um-novo-o-porteiro-confuso/#comments Fri, 13 Jan 2017 01:51:12 +0000 http://mauriciostycer.blogosfera.uol.com.br/?p=34262 leidoamorporteiro
Como sabem os espectadores de “A Lei do Amor”, a novela vem passando por um enxugamento radical em seu elenco. Inúmeros personagens morreram, desapareceram ou foram esquecidos totalmente nas últimas semanas.

Em meio a esta limpa geral, não é que surgiu um novo personagem na história. Ele ainda não tem nome, mas teve papel fundamental nos capítulos de quarta (10) e quinta-feira (11). Trata-se do porteiro do prédio onde mora o vilão da história, o milionário Tião Bezerra (José Mayer).

No final do capítulo de quarta-feira, graças justamente à sua ausência, Flavia (Maria Flor) conseguiu entrar no prédio sem incomodar ninguém e foi parar no apartamento de Tião. Enquanto abria a porta, o vilão disse: “Será a nova empregada?” Ao que ela, em uma entrada triunfal, respondeu: “Não, não é a tua nova empregada. É a tua filha!” Uau!!!

Todo mundo se perguntou como Flavia entrou no prédio. O mistério não foi esclarecido, mas nesta quinta, quando Salete (Claudia Raia) tentou passar pela portaria, o porteiro apareceu e disse: “Dona Salete, infelizmente o nome da senhora não está na lista das pessoas autorizadas a subir”.

Ora, ora, o prédio tem uma lista com quem pode subir. Mas e a Flavia? Essa ficou sem explicação. Para piorar, o porteiro sem nome foi convencido a deixar Salete subir sem avisar a Tião. Vamos ver se os autores da novela vão manter ou sumir com este carismático personagem nos próximos capítulos.

Em tempo: este assunto já havia sido objeto de uma piada dos autores em outubro. Em uma cena no apartamento de Elio (João Campos), a campainha tocou e o jornalista comentou com Isabelle (Alice Wegman): “Isso aqui tá parecendo prédio de novela. Ninguém mais avisa antes de subir”. Ele abre a porta, Tiago (Humberto Carrão) entra e o agride com um soco.

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Não é de hoje que a sigla SBT significa “Silvio Brincando de Televisão” http://mauriciostycer.blogosfera.uol.com.br/2017/01/12/nao-e-de-hoje-que-a-sigla-sbt-significa-silvio-brincando-de-televisao/ http://mauriciostycer.blogosfera.uol.com.br/2017/01/12/nao-e-de-hoje-que-a-sigla-sbt-significa-silvio-brincando-de-televisao/#comments Thu, 12 Jan 2017 06:01:47 +0000 http://mauriciostycer.blogosfera.uol.com.br/?p=34243 silviosantosrindo
Mesmo de férias, na Flórida, Silvio Santos foi a figura mais citada esta semana no mundo da televisão brasileira. As idas e vindas na programação do SBT atingiram um clímax na terça-feira (10), quando a emissora informou, num intervalo de quatro horas, a estreia e o cancelamento de um telejornal vespertino na grade no lugar do “Chaves”.

Quem acompanha Silvio Santos sabe que tudo ainda pode acontecer – desde a estreia do “Primeiro Impacto” na próxima semana, em outro horário, até mesmo o cancelamento, para sempre, da ideia.

Na qualidade de dono da emissora, Silvio não está nem aí para o fato de que as suas decisões (ou seriam indecisões?) afetam a credibilidade da emissora e deixam os seus diretores (programação, jornalismo, artístico e comercial) com cara de tacho. O empresário preza a sua intuição e, justificadamente, considera que entende mais do qualquer um sobre televisão.

O que os mais jovens não sabem, ou não lembram, é que Silvio sempre foi assim. Em 10 de julho de 1997, há quase 20 anos, pouco depois de Boris Casoy trocar a emissora pela Record, publiquei na “Folha” uma reportagem sobre um processo de reestruturação administrativa e de programação do SBT. Reproduzo a seguir alguns trechos:

A ordem e o horário dos programas do SBT a partir de 28 de julho foram definidos na última sexta-feira por Silvio Santos e seus assessores. Em seguida, o empresário entrou de férias.

Em conversas informais com a reportagem da Folha, funcionários e ex-funcionários do SBT manifestaram a desconfiança generalizada de que essa nova grade pode sofrer ainda muitas alterações.

Sob o compromisso de não terem os seus nomes revelados, essas pessoas relatam que Silvio Santos adota, às vezes, uma forma intempestiva e errática de gestão.

boriscasoysbtHá programas, como os de Serginho Groisman e Boris Casoy, que mudaram de horário mais de 20 vezes em alguns anos.

A história da emissora está repleta de programas que foram ao ar durante dois ou três meses – há até o caso de um jornalístico exibido por apenas três semanas.

Na semana passada, o programa “Jornal do SBT”, que era apresentado por Leila Cordeiro e Eliakim Araújo, saiu do ar. Ninguém na emissora sabe informar se o programa voltará a ser exibido. A surpreendente justificativa oficial é que os dois estão de férias.

De volta a 2017. Nesta semana, depois da confusão causada pela estreia e cancelamento do “Primeiro Impacto”, muita gente lembrou da piada sobre o significado da sigla SBT. No lugar de Sistema Brasileiro de Televisão, o mais correto seria “Silvio Brincando de Televisão”. A questão, como mostrei, é que isso não é de hoje.

E mais. Mesmo brincando de fazer televisão, investindo pouco na produção de conteúdo original, reprisando “Chaves” e várias novelas mexicanas, o SBT segue firme na vice-liderança, à frente da Record, que tem investido bem mais em sua grade.

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“A Lei do Amor” ousou com três relações inter-raciais, mas depois recuou http://mauriciostycer.blogosfera.uol.com.br/2017/01/11/a-lei-do-amor-ousou-com-tres-relacoes-inter-raciais-mas-depois-recuou/ http://mauriciostycer.blogosfera.uol.com.br/2017/01/11/a-lei-do-amor-ousou-com-tres-relacoes-inter-raciais-mas-depois-recuou/#comments Wed, 11 Jan 2017 06:00:21 +0000 http://mauriciostycer.blogosfera.uol.com.br/?p=34231

Apesar dos seus muitos problemas, a atual novela das 21h enfrentou um dos grandes tabus da teledramaturgia brasileira: romances protagonizados por casais inter-raciais. Já rolaram três, até o momento. O problema é que até nesta questão, parece, “A Lei do Amor” está dando pra trás. Este foi o tema do “UOL Vê TV” desta semana (vídeo acima).

leidoamorzelitowesleyO primeiro e mais polêmica casal foi formado por Zelito (Danilo Ferreira) e Wesley (Gil Coelho). O DJ sofria duplo preconceito – por ser negro e gay. E o seu namoro com o frentista do posto de gasolina não durou muito. Ele foi assassinado a mando do vilão Tião Bezerra.

Outro casal era formado por Aline (Arianne Botelho) e Marcão (Paulo Lessa). A vilã júnior da novela, porém, sumiu. Alguns capítulos depois, seu namorado, que era traído por ela, também desapareceu. Não sabemos se vão reaparecer.

leidoamormileidejaderO terceiro casal é cômico. É formado pela sensitiva Milaide (Heloisa Perissê) e pelo enfermeiro Jader (Erico Brás). Tudo estava muito engraçado até ela descobrir as mãos do massagistas Sansão (Arlindo Lopes). Desde então não quer mais saber de Jader.

Será uma pena se nenhum destes três casais vingar. Será que estão sofrendo rejeição do público? Não será a primeira vez que isso ocorre. Existem vários relatos sobre isso desde a década de 60 do século passado.

“Passo dos Ventos”, de Janete Clair, em 1968, causou polêmica ao exibir um casal inter-racial. Igualmente, “Corpo a Corpo”, de Gilberto Braga, em 1985 (Zezé Motta e Marcos Paulo). Ou “Baila Comigo”, de Manoel Carlos, em 1981 (Milton Gonçalves e Beatriz Lyra). Em todas estas novelas, atores relataram ter sofrido hostilidades dos público por causa da história.

Um exemplo bem-sucedido ocorreu em 2004, com “Da Cor do Pecado”, de João Emanuel Carneiro. É a primeira telenovela da Globo protagonizada por uma atriz negra, Tais Araujo, cuja personagem, Preta, vive um romance com o milionário Paco (Reynaldo Gianecchini).”Xica da Silva” (1996), na Manchete, com a mesma Taís, foi a primeira telenovela com uma protagonista negra.

Taís Araujo, aliás, também foi a primeira Helena negra da série de novelas de Manoel Carlos. “Em Viver a Vida”, de 2009, ela é uma modelo de fama internacional que, no auge da carreira, decide largar a profissão para se casar com Marcos (José Mayer).

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“JN” trata de forma desigual protestos de artistas contra Trump e Temer http://mauriciostycer.blogosfera.uol.com.br/2017/01/10/jn-trata-de-forma-desigual-protestos-de-artistas-contra-trump-e-temer/ http://mauriciostycer.blogosfera.uol.com.br/2017/01/10/jn-trata-de-forma-desigual-protestos-de-artistas-contra-trump-e-temer/#comments Tue, 10 Jan 2017 06:00:53 +0000 http://mauriciostycer.blogosfera.uol.com.br/?p=34214

O protesto da atriz Meryl Streep contra o presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, durante a cerimônia de entrega do Globo de Ouro, em Los Angeles, ganhou o mundo inteiro nesta segunda-feira (09). Foi o evento do gênero com maior repercussão internacional desde que, em maio do ano passado, a equipe do filme “Aquarius” fez uma manifestação, em Cannes, contra o presidente Michel Temer.

protestoglobodeouroO principal telejornal do país, o “Jornal Nacional”, deu tratamento caprichado em sua edição desta segunda-feira (09) ao assunto. “A 12 dias de tomar posse, o presidente eleito foi criticado pela atriz Meryl Streep”, informou Renata Vasconcellos, chamando a reportagem do correspondente Alan Severiano.

Por dois minutos e meio, o jornalista descreveu os acontecimentos, exibiu trechos traduzidos da fala de Streep, explicou o contexto das duras críticas a Trump, mostrou a resposta do presidente eleito e ainda lembrou que a atriz deve voltar a ser vista em público na cerimônia de entrega do Oscar.

jnprotestocannes3Em maio de 2016, o “JN” deu tratamento muito diferente ao protesto realizado pela equipe do filme “Aquarius”, de Kleber Mendonça Filho, em Cannes, o principal festival de cinema do mundo. Naquela ocasião, o diretor, a atriz Sonia Braga e outros membros da equipe passaram pelo tapete vermelho com cartazes dizendo que “houve um golpe no Brasil”.

William Bonner, na noite de 17 de maio, resumiu o assunto em 30 segundos – cinco vezes menos tempo do que o dedicado ao protesto de Meryl Streep. Foram exibidas algumas imagens, mas nenhum áudio do protesto. O apresentador informou que a presidente afastada Dilma Rousseff agradeceu o apoio e que o então presidente em exercício Michel Temer não quis se manifestar.

Temer não é Trump, mas me parece desproporcional, ao menos no principal telejornal brasileiro, o espaço dado aos dois eventos. O fato de a Globo ter se manifestado em editoriais contra a tese de que Dilma foi objeto de um golpe não deveria ser justificativa para tanta timidez – como ficou patente agora – na cobertura jornalística do protesto em Cannes.

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