Blog do Mauricio Stycer http://mauriciostycer.blogosfera.uol.com.br Espaço para reflexões e troca de informações sobre os assuntos que interessam a este blogueiro, da alta à baixa cultura, do esporte à vida nas grandes cidades, sempre que possível com humor. Sat, 19 Jan 2019 07:01:03 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=4.7.2 Como o velho “Chaves” foi do SBT à Globo passando pelo Multishow http://mauriciostycer.blogosfera.uol.com.br/2019/01/19/como-o-velho-chaves-foi-do-sbt-a-globo-passando-pelo-multishow/ http://mauriciostycer.blogosfera.uol.com.br/2019/01/19/como-o-velho-chaves-foi-do-sbt-a-globo-passando-pelo-multishow/#respond Sat, 19 Jan 2019 07:01:03 +0000 http://mauriciostycer.blogosfera.uol.com.br/?p=44535

Marcio Vita, Marcelo Adnet e Luana Martau na sátira de “Chaves” exibida pelo “Tá no Ar”, na Globo

No final de 2015, em uma entrevista, o ator e comediante Marcelo Adnet me falou do seu sonho de refazer o seriado “Chaves”. “A Globo tinha que fazer uma parceria com o SBT, que não tem elenco para isso. A Globo cede os atores e o programa passa nas duas emissoras”, disse. Nada disso aconteceu até hoje, mas o veterano “Chaves” não parou de produzir notícias desde então – e acabou na Globo.

Nascido no México na década de 1970, “Chaves” está ar no SBT desde agosto de 1984. Já trocou de horário infinitas vezes nestes 34 anos e já foi tirado do ar em algumas ocasiões, mas mantém um fã-clube fiel e apaixonado. Atualmente, o programa é exibido sete evzes por semana – de segunda a sexta, das 14h às 15, dentro do “Bom Dia & Cia”, aos sábados, às 6h da manhã, e aos domingos, às 9h.

Em 2018, o Multishow comprou os direitos de exibição de “Chaves”. Para surpresa geral, o canal pago do grupo Globo enxergou no velho seriado potencial para atrair um novo público. Em tempo de “BBB19”, “Chaves” é exibido tarde da noite, em horários variados (com reprise às 18h no dia seguinte) e “Chapolin” passa em seguida, já de madrugada (com reprise às 13h).

A chegada de “Chaves” à TV por assinatura não foi sem percalços. O Multishow censurou um episódio para não exibir uma piada vista como homofóbica e foi alvo da fúria dos fãs. O canal posteriormente pediu desculpas pela decisão.

Esta semana, “Chaves” fez uma aparição triunfante na Globo. Uma versão satírica do seriado foi tema de um quadro do humorístico “Tá no Ar”. Marcelo Adnet, que sonhava recriar o programa, surgiu como um militar autoritário, que manda prender os desocupados moradores da mítica vila mexicana.

Imitando o presidente Jair Bolsonaro, o personagem de Adnet diz: “É isso daí! Eu sou o novo dono dessa vila, Jair. Depois de anos de incompetência e má administração, eu vim resolver essa ‘cuestão’. Seu Madruga, melhor já ir pagando os 14 meses de aluguel que você deve”, diz, antes de mandar prender o “va-ga-bun-do”.

Ainda não é a recriação do “Chaves” tal como Adnet imaginou há três anos, mas o caminho para isso acontecer parece mais aberto do que nunca.

Originalmente, este texto foi acessado apenas por quem está inscrito na newsletter UOL Vê TV, que é enviada às quintas-feiras por e-mail. Excepcionalmente, estou reproduzindo o conteúdo aqui no blog. Para receber, gratuitamente, é só se cadastrar aqui.

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Bolsonaro e filho recebem no Planalto os sócios do futuro canal CNN Brasil http://mauriciostycer.blogosfera.uol.com.br/2019/01/18/bolsonaro-e-filho-recebem-no-planalto-os-socios-do-futuro-canal-cnn-brasil/ http://mauriciostycer.blogosfera.uol.com.br/2019/01/18/bolsonaro-e-filho-recebem-no-planalto-os-socios-do-futuro-canal-cnn-brasil/#respond Fri, 18 Jan 2019 19:35:54 +0000 http://mauriciostycer.blogosfera.uol.com.br/?p=44538

O deputado Eduardo Bolsonaro, Douglas Tavolaro, o presidente Jair Bolsonaro e Rubens Menin no Planalto

Num encontro programado desde a véspera, o empresário Rubens Menin e o jornalista Douglas Tavolaro, responsáveis pelo projeto da CNN Brasil, foram recebidos por Jair Bolsonaro na tarde desta sexta-feira (18) no Palácio do Planalto, em Brasília. O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) também participou do encontro.

Tavolaro deixou esta semana o cargo de vice-presidente de jornalismo da Record TV para ser o CEO da CNN Brasil. Menin, que é fundador e presidente do Conselho de Administração da MRV Engenharia, será o presidente do Conselho de Administração do novo canal.

Segundo a assessoria do futuro canal de notícias, a reunião durou cerca de 30 minutos. Menin e Tavolaro falaram ao presidente sobre o que, na visão, deles, significa a chegada da marca CNN ao país, incluindo um significativo investimento no setor de comunicação e a abertura de novas vagas de empregos para profissionais oriundos das mais diversas áreas.

A intenção da CNN Brasil é funcionar ainda em 2019. A empresa, que vai nascer do zero, terá sede em São Paulo e escritórios no Rio e em Brasília. Fala-se na contratação de 400 jornalistas. O tamanho do investimento para tal empreendimento não foi divulgado. Também não foi informado se, além de Menin e Tavolaro, há outros sócios por trás da CNN Brasil.

No dia do anúncio da criação da CNN Brasil, na última segunda-feira (14), Eduardo Bolsonaro manifestou-se no Twitter a respeito: “A CNN foi a responsável pela criação do termo FAKE NEWS. A expressão não veio internet e sim da imprensa. Após tantos anos de governo de esquerda, a CNN decide vir p Brasil num momento em que editoriais de esquerda estão demitindo seus jornalistas. Estranho…”, escreveu (veja abaixo).

A CNN Internacional não tem qualquer participação acionária no empreendimento de Menin e Tavolaro, mas o licenciamento inclui uma série de compromissos. A CNN Brasil vai poder usar parte do conteúdo da CNN Internacional e a empresa americana vai ajudar no treinamento dos profissionais. A linha editorial do canal brasileiro é totalmente independente do americano.

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“Globo Esporte” recria meme e vira piada para tentar dialogar com os jovens http://mauriciostycer.blogosfera.uol.com.br/2019/01/17/globo-esporte-recria-meme-e-vira-piada-para-tentar-dialogar-com-os-jovens/ http://mauriciostycer.blogosfera.uol.com.br/2019/01/17/globo-esporte-recria-meme-e-vira-piada-para-tentar-dialogar-com-os-jovens/#respond Thu, 17 Jan 2019 15:53:22 +0000 http://mauriciostycer.blogosfera.uol.com.br/?p=44530

Caio Ribeiro, Paulo Nunes e Ivan Moré no Globo Esporte desta quinta-feira (17)

A revolução digital afastou os jovens da televisão. Para trazê-lo de volta, as emissoras entendem que é necessário estar atualizado, “up to date”, com tudo que acontece nas redes sociais. É preciso conversar em pé de igualdade com quem passa o dia na internet. Tornou-se obrigatório gerar um momento que vire meme e prolongue a vida do programa depois que ele acabar.

É este esforço que explica brincadeiras como a exibida nesta quinta-feira (17) pelo “Globo Esporte” em São Paulo. O apresentador Ivan Moré e os comentaristas Caio Ribeiro e Paulo Nunes se vestiram imitando um meme que está circulando na internet, no qual um jovem americano posa para uma foto com um figurino semelhante.

O bom humor combina com o estilo do “Globo Esporte”, há muito tempo equilibrando-se entre o jornalismo e o entretenimento. Mas, para a piada funcionar, não basta a vontade de parecer jovem e sintonizado. É preciso conseguir dialogar naturalmente, sem parecer forçado ou falso.

Conseguiu?

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“O Tempo Não Para” tinha fôlego para ser uma boa série, não uma novela http://mauriciostycer.blogosfera.uol.com.br/2019/01/16/o-tempo-nao-para-tinha-folego-para-ser-uma-boa-serie-nao-uma-novela/ http://mauriciostycer.blogosfera.uol.com.br/2019/01/16/o-tempo-nao-para-tinha-folego-para-ser-uma-boa-serie-nao-uma-novela/#respond Wed, 16 Jan 2019 07:01:03 +0000 http://mauriciostycer.blogosfera.uol.com.br/?p=44527

“O Tempo Não Para” termina daqui a duas semanas, completando seis meses no ar. A novela de Mario Teixeira, saudada inicialmente pela sua originalidade, logo mostrou que não tinha fôlego. Mesmo os maiores fãs concordam que a trama teria rendido uma boa série, até com mais de uma temporada, mas não uma novela. Este é o tema do “UOL Vê TV” desta semana (veja o vídeo acima).

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Editora Escala anuncia o retorno da revista “Tititi” às bancas http://mauriciostycer.blogosfera.uol.com.br/2019/01/15/editora-escala-anuncia-o-retorno-da-revista-tititi-as-bancas/ http://mauriciostycer.blogosfera.uol.com.br/2019/01/15/editora-escala-anuncia-o-retorno-da-revista-tititi-as-bancas/#respond Tue, 15 Jan 2019 13:03:06 +0000 http://mauriciostycer.blogosfera.uol.com.br/?p=44524 Cinco meses após anunciar o fechamento de uma dezena de revistas, a editora Escala está comunicando ao mercado que a “Tititi” voltará a circular na última semana de janeiro (à dir. a capa da última edição que circulou).

Um dos principais títulos da editora, dedicado à cobertura de assuntos de televisão e celebridades, “Tititi” voltará sob o comando da jornalista Marcia Piovesan, que dirigia a revista até o seu fechamento, e uma nova equipe de redação.

O comunicado da editora informa: “Uma forte crise no até então principal grupo editorial do Brasil (refere-se à Abril) teve sérios reflexos na distribuição de revistas, comprometendo a circulação de diversos títulos de várias editoras e criando uma nuvem escura que assombrou todo o mercado. Mas isso é passado. A Editora Escala fez o que devia fazer e agora retoma sua trajetória”.

A Escala não informou se outros títulos encerrados em agosto de 2018 voltarão às bancas.

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“Criação do ‘Tá no Ar’ nasce do caos absoluto”, conta chefe da redação http://mauriciostycer.blogosfera.uol.com.br/2019/01/15/criacao-do-ta-no-ar-nasce-do-caos-absoluto-conta-chefe-da-redacao/ http://mauriciostycer.blogosfera.uol.com.br/2019/01/15/criacao-do-ta-no-ar-nasce-do-caos-absoluto-conta-chefe-da-redacao/#respond Tue, 15 Jan 2019 07:01:25 +0000 http://mauriciostycer.blogosfera.uol.com.br/?p=44513

Parte da equipe de criação do “Tá no Ar”: atrás (a partir da esquerda), Thiago Gadelha, Léo Lanna, Alexandre Pimenta, Wagner Pinto e Marcelo Martinez. À frente, Daniela Ocampo, Luiza Yabrudi e Renata Corrêa (além de Adnet e Melhem no pôster). Foto: Globo/Divulgação.

Uma casa no Jardim Botânico, não muito distante do prédio do jornalismo, na zona sul do Rio, abriga as equipes de criação dos programas de humor da Globo. No segundo andar, no maior espaço, reúne-se o time de 13 redatores que escreve o “Tá no Ar”. A sala conta com uma mesa de totó (ou pebolim), para diversão, e uma grande mesa, onde cada piada é discutida e aprimorada até ganhar uma versão final. Ao fundo, na parede, são “montados” os episódios, com plaquinhas coloridas que indicam os tipos de piadas.

“É tudo muito discutido junto. Não tem uma ideia que seja inteira de alguém. Realmente o programa é de todos”, conta Dani Ocampo, que se define como “uma espécie de chefe de redação” do “Tá no Ar”. Ela é também supervisora dos novos projetos de humor encaminhados à Globo, uma posição abaixo do chefe, Marcius Melhem.

Dani descreve a rotina de criação do programa, cuja sexta e última temporada estreia nesta terça-feira (15): “A criação do ‘Tá no Ar’ nasce do caos absoluto. A gente é muito ‘assembleísta’. É o lugar mais coletivo que eu já trabalhei de criação”, diz ela ao UOL.

“A montagem de uma equipe é muito importante para um programa. E o Marcius faz isso muito bem. Saber quais são os talentos que aquele programa pede. O ‘Tá no Ar’ tem talentos muito ecléticos. Tem gente especializada em futebol, rádio, novela, seriado americano.Tem designer, autor de novelas, autor do ‘Sensacionalista’. A gente tem os olhares muito variados lá dentro”, diz.

Para ir ao ar em janeiro, os roteiros precisam estar prontos em agosto do ano anterior. É quando começa a pré-produção. “Isso faz com que a gente tenha tudo escrito até julho. A gente passa um mês fazendo pente fino em tudo que foi escrito. Frase a frase. Treze programas. Quando chega em agosto, o que ficou é o que todo mundo adora e concorda”, conta. “Se uma cena não for do agrado de todo mundo, ela cai. Pode ser ideia do Adnet, do Marcius, se alguém não gostou, cai”.

Em 2020, um novo programa de humor, com direção de Lilian Amarante, substituirá o “Tá no Ar”. A equipe de redação deve ser a mesma, mas a atração não ocupará, necessariamente, o mesmo espaço na grade.

Em tempo: Na foto acima, estão presentes oito dos redatores do programa, além de Adnet e Melhem (em imagem). Faltaram três: Carolina Warchavsky, Edu Krieger e Maurício Rizzo (também ator do “Tá no Ar”).

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Negociações para criação da CNN Brasil duraram mais de um ano http://mauriciostycer.blogosfera.uol.com.br/2019/01/14/negociacoes-para-criacao-da-cnn-brasil-duraram-mais-de-um-ano/ http://mauriciostycer.blogosfera.uol.com.br/2019/01/14/negociacoes-para-criacao-da-cnn-brasil-duraram-mais-de-um-ano/#respond Mon, 14 Jan 2019 18:31:39 +0000 http://mauriciostycer.blogosfera.uol.com.br/?p=44505 O interesse da CNN Internacional em licenciar a sua marca no Brasil é antigo. Vários supostos interessados foram mencionados nos últimos anos, mas nunca se chegou nem perto de um acordo.

O anúncio do acordo de licenciamento com o empresário Rubens Menin (abaixo) e o jornalista Douglas Tavolaro (à dir.) pegou muita gente de surpresa, mas as conversas com a CNN já vinham ocorrendo há mais de um ano, segundo uma fonte do blog.

Tavolaro atuará como CEO da CNN Brasil e Menin como presidente do Conselho de Administração. O futuro executivo do canal de notícias era, até esta segunda-feira (14), vice-presidente de jornalismo da Record. O empresário é fundador e presidente do Conselho de Administração da MRV Engenharia, a maior construtora residencial e imobiliária do Brasil, do Banco Inter e da LOG Commercial Properties.

Poucas informações foram divulgadas até o momento. A intenção da CNN Brasil é funcionar ainda em 2019. A empresa, que vai nascer do zero, terá sede em São Paulo e escritórios no Rio e em Brasília. Fala-se na contratação de 400 profissionais.

O tamanho do investimento para tal empreendimento não foi divulgado. Também não foi informado se, além de Menin e Tavolaro, há outros sócios por trás da CNN Brasil.

A CNN Internacional tem uma divisão que cuida do licenciamento de sua propriedade. Países em que a empresa fechou negócios do mesmo tipo que o anunciado no Brasil incluem Argentina, México, Suíça, Indonésia, Filipinas, Índia.

As negociações entre a CNN Internacional e o grupo brasileiro foram longas, como costumam ser em negócios deste tipo. Antes de chegar a um acordo, a empresa americana submeteu os compradores a um processo de “due dilligence”, uma investigação sobre os sócios.

A CNN Internacional não tem qualquer participação acionária no empreendimento, mas o licenciamento da propriedade, e não apenas da marca, inclui uma série de compromissos. A CNN Brasil vai poder usar parte do conteúdo da CNN Internacional e a empresa americana vai ajudar no treinamento dos profissionais. A linha editorial é totalmente independente.

A distribuição do sinal da CNN Brasil nas operadoras de TV paga será feita pela Turner, empresa que é dona da CNN. Os canais CNN International e CNN en Español continuarão disponíveis no país e não fazem parte do licenciamento da CNN Brasil.

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Ex-chefão do jornalismo da Record, Douglas Tavolaro comandará CNN no Brasil

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Volta de “Cordel Encantado” lembra que as novelas precisam ser mais curtas http://mauriciostycer.blogosfera.uol.com.br/2019/01/14/volta-de-cordel-encantado-lembra-que-as-novelas-precisam-ser-mais-curtas/ http://mauriciostycer.blogosfera.uol.com.br/2019/01/14/volta-de-cordel-encantado-lembra-que-as-novelas-precisam-ser-mais-curtas/#respond Mon, 14 Jan 2019 12:38:59 +0000 http://mauriciostycer.blogosfera.uol.com.br/?p=44495

Timóteo (Bruno Gagliasso), Açucena (Bianca Bin) e Jesuíno (Cauã Reymond) em cena de “Cordel Encantado”

Pode ser apenas uma coincidência, mas algumas das melhores novelas das 18h exibidas nesta década tiveram duração abaixo da média. “Cordel Encantado” (2011), de Duca Rachid e Thelma Guedes, que estreia nesta segunda-feira (14) no Vale a Pena Ver de Novo, teve 143 capítulos.

Mesmo assim, esta encantadora novela não conseguiu evitar, como escrevi na época, a típica enrolação que acomete todo folhetim, a chamada “barriga”, nem foi capaz de desenvolver bons conflitos alternativos ao tema principal da trama – a luta do mocinho Jesuíno (Cauã Raymond) contra o vilão Timóteo (Bruno Gagliasso) pelo coração da princesa Açucena (Bianca Bin). Teria sido uma novela espetacular com duas dezenas de capítulos a menos.

De “Escrito nas Estrelas”, lançada em abril de 2010, até “Orgulho e Paixão”, encerrada em setembro de 2018, a Globo exibiu 17 novelas nesta faixa horária, nesta década. Somando os capítulos de todas, chega-se a uma duração média de 154 capítulos.

Outras tramas que também apreciei no período estão abaixo ou exatamente na média. São os casos de “A Vida da Gente” (2011-12), de Licia Manzo, que teve 137, “Meu Pedacinho de Chão” (2014), de Benedito Ruy Barbosa, a mais curta, contada em apenas 96 capítulos, e “Sete Vidas” (2015), também de Licia, com 106. Já “Lado a Lado” (2012-13), de João Xinenes Braga e Claudia Lage, teve 154.

Isso não quer dizer que novelas mais longas sejam necessariamente ruins. Também gostei de novelas com duração acima da média. São os casos de “Êta Mundo Bom” (2016), de Walcyr Carrasco, a mais longa neste período, com 190 capítulos, e “Novo Mundo” (2017), de Thereza Falcão e Alessandro Marson, que teve 160, além de “Joia Rara” (2013-14), também de Duca Rachid e Thelma Guedes, com 173.

Creio que este assunto, a duração das novelas, está mais atual do que nunca. Saltam aos olhos os casos de novelas, em todas as faixas horárias, que têm sido esticadas além da conta. Isso implica em histórias sem força, repetições de tramas, desgaste de fórmulas, insistência em clichês surrados e, claro, rejeição do público.

Numa época como a atual, em que a produção de séries vive um momento de glória em todo o mundo, faz cada vez menos sentido a exibição de novelas longas demais.

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Sem razão para festejar, Vídeo Show fez bem em acabar sem programa especial http://mauriciostycer.blogosfera.uol.com.br/2019/01/12/sem-razao-para-festejar-video-show-fez-bem-em-acabar-sem-programa-especial/ http://mauriciostycer.blogosfera.uol.com.br/2019/01/12/sem-razao-para-festejar-video-show-fez-bem-em-acabar-sem-programa-especial/#respond Sat, 12 Jan 2019 15:11:50 +0000 http://mauriciostycer.blogosfera.uol.com.br/?p=44486

Causou algum furor nas redes sociais a opção da Globo de encerrar o “Vídeo Show” sem um programa especial, exibindo uma edição corriqueira nesta sexta-feira (11). Há duas explicações principais a respeito.

Primeiro, não houve tempo hábil para fazer um “funeral” à altura da história de 35 anos do programa. Gestada nos últimos meses, a decisão de tirar o “Vídeo Show” do ar foi anunciada na última terça-feira (08), meio de supetão, sem o conhecimento prévio de boa parte da própria equipe.

Mesmo assim, com correria e esforço, haveria tempo para colocar no ar na sexta-feira (11) material mais interessante e emocionante do que os quase 10 minutos da aula de culinária compartilhada por Felipe Titto e David Júnior ou os cinco minutos de papo furado entre Matheus Mazzafera e Regiane Alves, entre outros VTs frios exibidos no último programa.

Isso não foi feito, creio, justamente pela vontade de encerrar o “Vídeo Show” sem maior alarde. Fechar a tampa rapidamente e tocar o enterro. Vida que segue.

Por quê? Porque o “Vídeo Show” acabou pela incapacidade de a Globo conseguir renová-lo. Várias tentativas foram feitas nos últimos anos. Discordo de algumas opções, como a insistência em Sophia Abrahão como apresentadora, mas reconheço que a emissora fez o que estava ao seu alcance para tentar reviver o programa.

O “Vídeo Show” não foi “queimado”, colocado no limbo ou sabotado intencionalmente. Houve divergências e disputas internas, como sempre ocorre numa empresa do tamanho da Globo. Mas houve esforço real de diferentes executivos para revitalizar e manter o programa no ar. Infelizmente, não deu. Não foi a encontrada a fórmula. Aceitou-se, finalmente, que não havia solução neste modelo de TV aberta.

Neste sentido, entendo a decisão de encerrar sem um “alegre funeral”, para usar as palavras de Marcius Melhem sobre o clima da última temporada de “Tá no Ar”, que começa na próxima terça-feira (15). Diferentemente do humorístico, que termina por cima, com a encomenda já de um substituto, não há mesmo o que comemorar no fim do “Vídeo Show”. Logo, faz sentido economizar nas lágrimas e terminar como terminou.

Outras visões sobre o fim do “Vídeo Show”
Nilson Xavier: YouTube e fofoca mataram o “Vídeo Show”
Chico Barney: Com receita de lombo, Vídeo Show deu adeus exibindo a própria irrelevância
Cristina Padiglione: Seria um spoiler o último pensamento de Falabella no ‘Vídeo Show’?
Luciano Guaraldo: Preguiçosa, morte do Vídeo Show mostra descaso da Globo com sua história

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“Alegre funeral” do Tá no Ar vai ter morte de personagens e “Família Armas” http://mauriciostycer.blogosfera.uol.com.br/2019/01/11/alegre-funeral-do-ta-no-ar-vai-ter-morte-de-personagens-e-familia-armas/ http://mauriciostycer.blogosfera.uol.com.br/2019/01/11/alegre-funeral-do-ta-no-ar-vai-ter-morte-de-personagens-e-familia-armas/#respond Fri, 11 Jan 2019 07:02:39 +0000 http://mauriciostycer.blogosfera.uol.com.br/?p=44473

Renata Gaspar, Luana Martau, Marcius Melhem e Marcelo Adnet gravam o quadro “Quem Quer Ser Bilionário”

“A gente se esforçou muito para não ser melancólico. Para a gente brincar com o fim. Fazer o que chamamos de um alegre funeral”, diz Marcius Melhem sobre a última temporada de “Tá no Ar”, que estreia na próxima terça-feira (15).

Um dos criadores do programa, lançado em 2014, e hoje responsável por todos os programas de humor da Globo, Melhem conversou com o UOL na última sexta-feira (4) caracterizado como Rick Matarazzo. É uma pausa da gravação das últimas cenas em que seu personagem contracena com Marcelo Adnet no papel de Tony Karlakian.

Nesta temporada, eles vão encenar um gameshow, “Quem Quer Ser Bilionário”. Rick é o apresentador e Tony ajuda os participantes com dicas. “Quanto tempo leva para conseguir licença ambiental para construir um hotel 6 estrelas numa reserva ecológica?” é a pergunta do dia. As opções são “um ano”, “dois anos” e “um dia”. Não preciso dizer qual é a correta, segundo a lógica do milionário Tony.

Durante as primeiras tomadas, Melhem pede ao diretor João Gomez que altere o roteiro e permita que se aproxime de Adnet para gravar uma das cenas. “Hoje estou vendo o Tony pela última vez. A gente vai gravar as últimas cenas. Lógico que vou sentir falta. Por isso forcei a barra de chegar perto dele para fazer a cena. Não dá para fazer de longe”, explica.

Como sempre, Adnet coloca “cacos” (improvisos) no roteiro. “Não ria tanto assim desde que aquele botox que coloquei em Zurique deu errado”, diz Tony, provocando gargalhadas de Rick.

Encerrada a primeira etapa da gravação, vamos para o camarim 10 do estúdio F, no Projac, um local que faz Melhem lembrar de Mauricio Sherman, por mais de 15 anos diretor de “Zorra Total”, entre muitos outros programas. “Quando ele me chamava aqui era para dar bronca”, conta ele, que foi redator do humorístico. “Grande figura”.

Por “alegre funeral” do “Tá no Ar”, o espectador pode esperar a morte de pelo menos um dos personagens que apareceram ao longo dos últimos anos. Quem dá o spoiler (que eu não vou compartilhar) é Dani Ocampo, redatora do “Tá no Ar” e supervisora artística de programas de humor da Globo.

“A gente tem que saber a hora de acabar pra fechar bem”, diz “Muitos programas simplesmente saem do ar. Muito gostoso pra redação poder matar o seu personagem, terminar o seu programa”, diz.

Dani revela uma mudança no tom da última temporada. “A redação achou a temporada passada um pouco bélica. A gente sentiu que estava lacrando demais nas cenas. A gente ficou incisivo às vezes. A mão ficou um pouco mais pesada”, diz.

“Este ano, a nossa primeira procura foi pelo nonsense. Voltar a cenas nonsense, que a gente ama. Voltar ao humor universal do Monty Phyton. Tentar pegar umas cenas muitos simples, que são engraçadas em si, idiotas e sem grande conteúdo político”.

São exemplos deste olhar as piadas com “Chaves” e “Teletubbies”. Estes últimos vão virar “teleyoutubers”, criaturas que querem “likes”.

Mesmo assim, o espectador pode aguardar por cenas que façam piadas com a realidade política brasileira. A proposta de alterar a legislação sobre posse de armas, por exemplo, inspirou uma versão da “Família Adams” intitulada “Família Armas”.

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