Blog do Mauricio Stycer

Arquivo : Globo

“Retratos Brasileiros” acompanha 11 eleitores indecisos de 2010 por 4 anos
Comentários Comente

Mauricio Stycer

retratosbrasileirosA GloboNews está exibindo desde o início desta semana uma série original, na qual tenta mostrar como grandes questões  estruturais do país, como segurança, educação, previdência e saúde, afetam o cotidiano de diferentes pessoas.

Jornalistas da Globo acompanharam por quatro anos 11 eleitores que, na condição de indecisos, participaram do último debate presidencial de 2010, entre Dilma Rousseff e José Serra, exibido pela emissora.

Entre o final de 2010 e o primeiro semestre de 2014, cada um destes 11 eleitores recebeu oito visitas de equipes da Globo, uma média de duas por ano. Trata-se de um esforço jornalístico, até onde eu sei, inédito no Brasil.

Os repórteres tentam mostrar como as preocupações que os eleitores tinham em 2010, expostas nas perguntas que fizeram, se refletiram em suas vidas e nas de suas famílias nos anos seguintes.

Como o título da série já diz, “Retratos Brasileiros” não se propõe a fazer um exercício sociológico, buscando apontar tendências ou sugerir conclusões de maior alcance. O programa se limita – e é daí que extrai o seu maior interesse – a exibir perfis pessoais, mesclados com dados reais sobre os problemas que enfrentam.

Exibidos os cinco primeiros programas, o resultado é muito impressionante. O caso mais dramático é o da costureira de Fortaleza, que vive em um bairro extremamente violento da cidade e não consegue, nestes quatro anos, melhorar de vida para deixar o local.

As outras histórias, em sua maioria, são mais edificantes. Há o pequeno comerciante de Recife, que progride a ponto de tirar os seus funcionários da informalidade. Ou o funcionário público em Porto Alegre, que não seguiu o trabalho agrícola do pai e quitou o imóvel próprio. Ou, ainda, o vendedor de Curitiba, que viu a vida melhorar significativamente nos últimos anos.

Ao mesmo tempo, “Retratos Brasileiros” mostra como alguns problemas relatados nas perguntas feitas no debate presidencial de 2010 não se modificaram, ou evoluíram pouco. Certamente, serão temas da eleição de 2014.

Cada documentário tem 23 minutos. Vai ao ar de segunda a sexta, às 19h30, na GloboNews. Merecia um lugar na TV aberta.


Detetive Vê TV: créditos na abertura de “Império” têm três erros
Comentários Comente

Mauricio Stycer

imperioerroaberturaUm erro bobo, nos créditos de abertura de “Império”, virou assunto nas redes sociais. A grafia do sobrenome de Marina Ruy Barbosa, depois de três capítulos, segue aparecendo com uma letra errada (veja à direita). Com bom humor, a própria atriz riu da situação, postando no Twitter uma imagem de Ney Latorraca caracterizado com o personagem Barbosa, de “Fogo no Rabo”, a genial paródia de novela feita pelo saudoso “TV Pirata”.

O leitor Leonardo Montino me alerta que um outro erro de grafia alterou ligeiramente o nome da atriz-mirim Julia Belmont (nos créditos ela aparece como “Julia Belmonte”).

Um terceiro erro, não tão bobo, chamou menos atenção. O nome de Chay Suede, que vive o protagonista da trama na fase inicial, aparece nos créditos abaixo da palavra “apresentando”. Este é um crédito que se dá, tanto na televisão quanto no cinema, para estreantes – uma forma de informar ao público que se trata de alguém que nunca trabalhou antes como ator.

Chay Suede não é um estreante. Em 2011, depois de ter participado do show de talentos “Ídolos”, ele foi escalado pela Record como um dos protagonistas da novela “Rebelde”. Em fevereiro deste ano, também apareceu em um episódio da série “Milagres de Jesus”, da mesma emissora.

Vários leitores observaram nos comentários que a Globo já fez isso antes e tratou como estreantes atores que já tinham feito trabalhos em outras emissoras. Lembro que a repetição de um erro, mesmo que como um padrão, não o diminui.

Atualizado às 14h48.


UOL Vê TV: Globo parte para o tudo ou nada com a novela “Império”
Comentários Comente

Mauricio Stycer

Nesta edição do programa “UOL Vê TV”, falo sobre a importância da nova novela das 21h, “Império”, para a Globo. A atração, que tem a missão de resgatar a audiência do horário nobre, chegou até a ser notícia no “Jornal Nacional”.

Dos 36 pontos, em média, de “Amor à Vida” para os 30 de “Em Família”, registrou-se uma uma das maiores quedas de audiência já ocorridas no horário. Foi noticiado, por isso, que a Globo teria prometido ao mercado publicitário uma audiência de 35 pontos para “Império”, o que ela nega.

A queda de audiência no horário é uma realidade já há bastante tempo. Em 28 de junho de 2004, estreava na Globo a novela “Senhora do Destino”, de Aguinaldo Silva. Encerrada em março do ano seguinte, depois de 221 capítulos, foi a última novela da emissora a ter uma média acima de 50 pontos.

Em dez anos, e 16 novelas, o Ibope do horário mais nobre da Globo caiu, até chegar ao seu nível mais baixo este ano, com “Em Família”. Chamo a atenção nesta curva descendente para dois momentos. “A Favorita”, de João Emanuel Carneiro, exibida entre 2008 e 2009, foi a última produção a alcançar a média de 40 pontos. E “Fina Estampa”, de Aguinaldo Silva, apresentada entre 2011 e 2012, foi a que mais perto chegou, até hoje, de alcançar novamente este número, com média de 39,1.

É preciso levar em conta, naturalmente, que os números do Ibope são atualizados constantemente com base em critérios demográficos. Em 2006, em São Paulo, um ponto equivalia a 47 mil domicílios. Hoje vale 65.201 domicílios.

Também é preciso levar em conta que nos últimos anos mudou a forma de ver televisão. Vem ocorrendo uma migração cada vez maior para canais pagos, outras mídias (como smartphones) e também têm aumentado o número de aparelhos desligados.

Veja abaixo a audiência média das novelas das 21h nos últimos dez anos:
“Senhora do Destino”, Aguinaldo Silva – 50,49 pontos
“América”, Gloria Perez – 49,21
“Belíssima”, Silvio de Abreu – 48,43
“Páginas da Vida”, Manoel Carlos – 47,10
“Paraíso Tropical”, Gilberto Braga/Ricardo Linhares – 42,91
“Duas Caras”, Aguinaldo Silva – 41,11
“A Favorita”, João Emanuel Carneiro – 39,53
“Caminho das Índias”, Gloria Perez – 38,69
“Viver a Vida”, Manoel Carlos – 35,72
“Passione”, Silvio de Abreu – 35,23
“Insensato Coração”, Gilberto Braga/Ricardo Linhares – 35,9
“Fina Estampa”, Aguinaldo Silva – 39,1
“Avenida Brasil”, João Emanuel Carneiro – 38,8
“Salve Jorge”, Gloria Perez – 34,00
“Amor à Vida”, Walcyr Carrasco – 35,57
“Em Família”, Manoel Carlos – 29,8

Obs: Agradeço ao Fábio Dias, do site O Cabide Fala, pelos números exatos.


“O Rebu” é uma boa novela, mas o seu marketing é melhor
Comentários Comente

Mauricio Stycer


Poucas novelas recentes apresentaram uma diferença tão grande entre o que prometem ser e o que são, de fato, quanto “O Rebu”. A nova trama das 23h da Globo, lançada há uma semana, veio embalada por tanta fanfarra que chega a ser difícil analisá-la com clareza. É uma boa novela, mas não tão boa quanto o marketing que a cercou.

Como as três produções que a antecederam desde 2011 (“O Astro”, “Gabriela” e “Saramandaia”), trata-se de um misto de homenagem e “remake” de uma novela famosa exibida na década de 70, num momento em que a teledramaturgia começava a se firmar como o principal produto da Globo.

Escrita por Bráulio Pedroso (1931-1990), “O Rebu” foi ao ar em 1974. Toda a história se concentrava em torno de um crime ocorrido durante uma festa oferecida por um milionário à elite do Rio.

Ao longo de 112 capítulos, a novela avançava para mostrar a investigação policial e andava para trás para mostrar antecedentes dos personagens. Esta narrativa em três tempos, natural num romance policial, foi considerada de uma ousadia sem par na televisão, na época.

Segundo os registros, a audiência da novela ficou abaixo da expectativa, o que foi creditado justamente ao fato de a história se construir em três tempos e não de forma linear.

Curiosamente, no material de divulgação da nova versão e nas diversas entrevistas dadas a respeito, o diretor-geral (José Luiz Villamarin), os autores (George Moura e Sergio Goldemberg) e os principais atores trataram de enfatizar esta questão como uma espécie de troféu.

“Com certeza, hoje, o telespectador está mais preparado para assistir a ‘O Rebu’ por estar mais familiarizado com este tipo de narrativa que modifica a lógica do tempo real”, disse, por exemplo, Villamarin.

Ora, se esta inovação ocorreu há 40 anos, por que tanta preocupação em explicá-la em 2014? Será que a emissora tem a percepção de que o público, ao longo deste tempo, segue incapaz de compreender uma história não linear?

“O Rebu” de 2014 terá apenas 36 capítulos, um número que, na tradição brasileira, até dificulta classificá-la como novela. Com esta duração, um terço da original, corre-se menos riscos em caso de dificuldades com a audiência.

Outro cartão de visitas da nova novela é a equipe formada em torno de Villamarin, responsável por dois trabalhos recentes de excelente padrão, de fato, as séries “O Canto da Sereia” (2013) e “Amores Roubados” (2014). É como se este selo de qualidade prévio garantisse a qualidade de “O Rebu”.

Não foi bem isso que ocorreu, na minha opinião. O efeito de luz obtido na novela, que busca enfatizar o tom de mistério da trama, não impressiona. A câmera na mão, em algumas cenas na mansão, ajuda a dar um ar teatral, exagerado, a diálogos que, em tese, deveriam ser naturais. O mesmo acontece com a interpretação de alguns atores, como Cássia Kis Magro e Sophie Charlotte, que têm merecido closes de forma indiscriminada.

A trama é atraente, mas nada original. Como qualquer romance policial centrado no “quem matou”, todos os personagens têm um bom motivo para cometer o crime. Enquanto panorama da elite brasileira, “O Rebu” pouco mostrou até agora.

A condução da trama em três tempos tem sido bem feita, mas não há muito mérito nisso. Aliás, cabe uma crítica pela demora na chegada da polícia à cena do crime – depois de cinco capítulos, ela ainda não ocorreu.

A trilha sonora, resgatando velhos e não tão velhos sucessos, talvez seja o maior trunfo da novela até agora. O excelente desempenho de Patricia Pillar e Tony Ramos não surpreende ninguém. Mariana Lima, Julio Andrade, Daniel de Oliveira, Jean Pierre Noher e Camila Morgado já tiveram excelentes momentos.

“O Rebu” tem se mostrado um ótimo entretenimento, mas está longe de representar uma ousadia, uma novidade ou mesmo um trabalho com a qualidade de “Amores Roubados” e “O Canto da Sereia”.

A audiência, até o momento, tem oscilado ao sabor do horário. Os números da Grande São Paulo, a principal referência do mercado, mostram isso. Às segundas-feiras, exibida mais cedo, logo depois da novela das 21h, “O Rebu” obteve 24 pontos na estreia (14/7) e 22 uma semana depois. Nos demais dias, caiu bastante: 16 pontos na terça (15/7), 13 na quinta e 14 na sexta.


Apresentador ajuda Neymar a fazer propaganda de óculos no “Fantástico”
Comentários Comente

Mauricio Stycer

neymarfantastico

Garoto-propaganda de uma marca italiana de óculos, o jogador Neymar usou um modelo aparentemente de grau durante a entrevista que deu ao “Fantástico”, exibida neste domingo (20). A exposição do produto ao longo de 13 minutos foi realçada por um diálogo do atacante com o jornalista Tadeu Schmidt, um dos apresentadores do programa:

Tadeu Schmidt: “Você usa óculos mesmo ou é só charme?”
Neymar: “Isso é só um estilinho.”

Segundo o site da ESPN Brasil, o contrato com a marca rende R$ 15,4 milhões ao ano para o jogador. Neymar usou óculos da marca em diferentes momentos da campanha da seleção brasileira na Copa do Mundo – quase sempre um modelo semelhante ao que exibiu na entrevista dada ao “Fantástico”.

Questionada pelo blog se o apresentador e a emissora ignoravam que o jogador estava expondo um produto durante a entrevista, a Globo disse que a pergunta de Schmidt foi ” espontânea, uma curiosidade do jornalista ao ver Neymar usando o óculos”.

Leia também
Para Neymar, nota da seleção na Copa foi suficiente para “passar de ano”


Cinco mistérios não solucionados no último capítulo de “Em Família”
Comentários Comente

Mauricio Stycer

emfamiliatiro
Novela é ficção, sem muito compromisso com a realidade, e “Em Família” não é exceção. Em todo caso, muitos espectadores sentiram falta de respostas para algumas questões que ficaram em aberto na novela encerrada na sexta-feira (18). As principais reclamações que vi foram as seguintes:

1. Verônica (Helena Ranaldi) e Silvia (Bianca Rinaldi) souberam que estavam grávidas praticamente ao mesmo tempo. Mas no final, o público só viu o filho da mulher de Felipe (Thiago Mendonça). Nada da criança que a pianista teve com Cadu (Reynaldo Gianecchini).

2. Qual foi a responsabilidade de Juliana (Vanessa Gerbelli) na morte de Gorete (Carol Macedo), sua empregada? Em diferentes momentos da novela, Manoel Carlos insinuou que este caso poderia ser esclarecido, mas a novela terminou sem menção ao assunto. O médico que poderia ajudar no caso fez uma rápida aparição no capítulo final, mas o assunto não foi abordado.

3. Laerte (Gabriel Braga Nunes) morre ao ser baleado por Lívia (Louise D’ Tuani) na porta da igreja logo após o casamento com Luiza (Bruna Marquezine). Por que ninguém chamou por socorro? A pianista aparece com a arma na mão, depois é levada por um PM e ponto final. O que aconteceu com ela?

4. Laerte não merecia um enterro? A viúva (Luiza) não deveria chorar por alguns dias a morte do marido? Helena (Julia Lemmertz) não poderia ter feito algum comentário sobre a tragédia, uma quase repetição da sua própria história? Manoel Carlos optou por uma passagem de tempo, incluindo apenas uma cena da mãe do vilão, Selma (Ana Beatriz Nogueira), no cemitério, ao lado da lápide do filho e do marido.

5. Clara (Giovanna Antonelli) e Marina (Tainá Müller) tinham o plano de adotar uma criança. O assunto morreu também.

Veja também
Fim de “Em Família” tem críticas e hashtag RIP Laerte nas redes sociais
Gabriel Braga Nunes lamenta pouco conflito entre Helena, Virgílio e Laerte
Confesso que fui otimista demais com “Em Família”


Confesso que fui otimista demais com “Em Família”
Comentários Comente

Mauricio Stycer

emfamilialuizahelena
Relendo os muitos textos que escrevi sobre “Em Família”, me dou conta que o prólogo da novela me levou a ter uma visão positiva, talvez otimista demais, em relação ao que o folhetim prometia.

Manoel Carlos planejou uma longa abertura, em dois tempos. Primeiro, focada na infância dos três protagonistas – Helena, Laerte e Virgílio. Depois, na juventude deles. Sem preocupação com o ritmo, o autor pensou em apresentar quase todos os principais personagens e os conflitos mais sérios neste prólogo.

Assustada com a baixa audiência deste início, a Globo determinou uma redução no tempo dedicado à introdução, mutilando-a. Em vez dos dez capítulos previstos, a introdução terminou no sétimo.

emfamiliahelenalaertejovensOlhando agora, tudo indica que o público não reagiu de forma negativa ao formato escolhido para introduzir a história, mas à trama propriamente. Para piorar, assim que “Em Família” entrou na fase contemporânea, houve um segundo e ainda mais barulhento movimento de rejeição – desta vez à escalação do elenco.

Ana Beatriz Nogueira como mãe de Gabriel Braga Nunes; Julia Lemmertz como sobrinha de Vanessa Gerbelli e filha de Natalia do Valle… Pouca gente “comprou” essa liberdade que só a ficção permite.

Num sinal de excesso de confiança, ou de que não estava com os sentidos afiados, Manoel Carlos deu de ombros para esta reclamação generalizada, dizendo que com o passar do tempo o público iria se acostumar com o elenco. O que nunca aconteceu.

Temas apresentados na introdução foram mal desenvolvidos na “fase adulta” da novela. O ciúme doentio de Laerte desapareceu (ou hibernou) por uma centena de capítulos, só reaparecendo na reta final. A ambiguidade da primeira Helena, apaixonada por Laerte, mas sempre seduzindo Virgílio, deu lugar a uma personagem inexpressiva na fase adulta.

Luiza (Bruna Marquezine) herdou o espírito da Helena jovem (vivida pela mesma atriz), enquanto a Helena adulta (Lemmertz) se transformou numa figura de uma cor só, pálida, chata e reclamona. O público também não digeriu essa mudança.

emfamiliajuliananandoA complexidade da relação entre as irmãs Chica e Selma foi igualmente esquecida. O problema com bebida do jovem Felipe evoluiu para o alcoolismo do médico, mas o autor não conseguiu evitar que o público ficasse com a impressão de que se tratava de “mais um personagem bêbado” em novela.

Shirley, a criança malvada e invejosa do prólogo, não evoluiu como se espera de uma vilã. Aliás, nem ela nem Laerte, que também poderia ter sido um bom catalisador para a raiva do público – elemento essencial num folhetim.

Algumas boas tramas foram desenvolvidas. A melhor, na minha opinião, foi a obsessão de Juliana (Vanessa Gerbelli, acima) em ter filhos.A personagem cresceu e Manoel Carlos soube criar uma história intrincada ao redor dela.

emfamiliacasamentoclaramarinaOutro bom tema, a da descoberta tardia da sexualidade da pacata dona de casa Clara (Giovana Antonelli), mereceu um tratamento acanhado, possivelmente por medo de provocar ainda mais rejeição do público.

A questão dos maus tratos aos idosos de uma casa de repouso oscilou entre o tom de denúncia e o de comédia, nenhum dos dois causando impacto. Da mesma forma, a busca de Alice (Erika Januza) pelo estuprador da mãe e a de Andre (Bruno Gissoni) por seus pais verdadeiros não conseguiram empolgar, talvez por serem muito batidos.

emfamilialuizalaerte3Contra todas as recomendações de bom senso, Luiza (Bruna Marquezine) se apaixonou por Laerte (Gabriel Braga Nunes), o homem que foi o amor de juventude de sua mãe e tentou assassinar seu pai. Situação absurda, mas aceitável num folhetim, foi mais uma a provocar rejeição do público sem reverter em boa audiência para a novela.

Manoel Carlos defendeu até o fim a ideia de que “Em Família” foi, como todas as suas novelas, uma história baseada em diálogos de qualidade. Não enxergou, porém, que desta vez faltaram boas histórias e uma direção mais intensa. Sobraram conversas longas e cansativas.

Pecado mortal, “Em Família” não repercutiu, não provocou polêmica (com exceção do “beijo lésbico”) e, muitas vezes, deu sono.

Alguns textos que escrevi sobre a novela
1. Ótimo prólogo de “Em Família” podia ter sido uma minissérie
2. Navegando em águas calmas demais, “Em Família” ainda não pegou no Twitter
3. Sem barraco, mas com “flashback” e beijo, “Em Família” sai do marasmo
4. Irritação do público com Luiza é ponto a favor de “Em Família”
5. Usado para promover “Em Família”, beijo entre mulheres não significou nada


É proibido torcer para a Argentina?
Comentários Comente

Mauricio Stycer

A rivalidade entre brasileiros e argentinos por causa do futebol é um fato, mas por alguma razão ela vem sendo exagerada na televisão. Abaixo, um texto que escrevi sobre o assunto, publicado originalmente no blog UOL Esporte Vê TV:

bonnerpatricia


“Jornal Nacional” corta elogios de Neymar a Messi

Um dos momentos mais inesperados da entrevista de Neymar na tarde de quinta-feira (10) na Granja Comary foi a resposta sobre para qual seleção torceria na final da Copa do Mundo. O jogador driblou com inteligência a rivalidade de brasileiros com argentinos e, elogiando Messi, deu uma contundente declaração de apoio aos “hermanos”. Veja:

“Se você parar para pensar: um brasileiro torcendo pela Argentina? Não, não tô torcendo pela Argentina. Tô torcendo para dois companheiros… Uma pessoa que eu passei a admirar ainda mais por estar ao lado dele todos dias. É um jogador que eu tinha como espelho, um ídolo, admirava de longe, por suas qualidades dentro de campo. E ali (no Barcelona) eu passei a admirá-lo como pessoa, como jogador, e ver que nos treinos ele é tão ou mais especial do que nos jogos. É por isso que minha torcida é sempre pro Messi. Eu sou Messi Futebol Clube. Eu torço por ele. Pela história que ele e o Mascherano têm no futebol, eles merecem.”

O “Jornal Nacional” editou radicalmente esta resposta à noite. O repórter Tino Marcos falou: “Sobre a final de domingo, (Neymar) não disse que vai torcer pela Argentina, mas pelos companheiros de Barcelona, Messi e Mascherano”. Em seguida, a fala de Neymar foi reduzida a uma linha: “Um brasileiro torcendo pela Argentina? Não, não tô torcendo pela Argentina. Tô torcendo pra dois companheiros.”

Por que este corte? Só vejo uma razão. A fala tão simpática de Neymar em defesa de Messi destoa radicalmente da postura que o próprio “Jornal Nacional” adotou um dia antes.

Na quarta-feira (09), a notícia da vitória da Argentina sobre a Holanda foi tratada pelo telejornal como um fato doloroso. A primeira frase do JN, lida por Patricia Poeta, foi: “A dor da nossa derrota é agravada por nossos rivais”. Em seguida, comentando a volta da apresentadora à bancada, William Bonner disse: “É a única noticia boa trazida pela Copa do Mundo nas últimas 24 horas”.

A insistência em lamentar a classificação da Argentina para a final prosseguiu quando Cleber Machado quis saber de Bonner se ele considerava a derrota da Holanda uma má notícia: “E já que você perguntou, Cleber, não, eu não gostei da vitória da Argentina”, disse o apresentador.

“Mas eu gosto muito da Argentina, gosto do povo, é um povo alegre, são nossos vizinhos… Eu só não consigo torcer muito pra Argentina no futebol”, acrescentou Bonner. “É compreensível”, disse Patricia Poeta.

Bonner, então, pela quarta vez retomou o tema: “E você, Mauro Naves, gostou do resultado da Argentina?”. Ao que o repórter, em Teresópolis, respondeu: “Não, não gostei. E por aqui também gostaram pouco.”

Em resumo, Bonner e equipe podem torcer contra a Argentina. Mas os elogios de Neymar a Messi não têm espaço no telejornal.

Leia também
Brasil x Argentina, a história de uma rivalidade
10 motivos para entender a rivalidade entre Brasil e Argentina
Copa mostra acirramento da rivalidade Brasil-Argentina, afirma sociólogo


Globo ganha exclusiva com Felipão e Band é compensada com Parreira
Comentários Comente

Mauricio Stycer

parreiramilton

Detentora dos direitos de transmissão da Copa do Mundo, a Globo recuperou, em 2014, alguns dos privilégios que havia perdido quatro anos atrás, quando Dunga dirigiu a seleção brasileira. Jogadores e integrantes da comissão técnica voltaram a ficar mais acessíveis e entrevistas exclusivas retornaram ao cardápio dos programas da emissora.

No último sábado (05), no dia seguinte à vitória do Brasil sobre a Colômbia e da notícia da fratura de Neymar, o “Jornal Nacional” foi quase inteiramente dedicado à Copa do Mundo, em especial ao drama do jogador. Uma das cerejas do bolo foi a entrevista exclusiva dada por Luiz Felipe Scolari a Galvão Bueno e Patricia Poeta, ao vivo, direto da Granja Comary, em Teresópolis.

O técnico da seleção se dirigiu ao local da entrevista acompanhado do auxiliar Flavio Murtosa, do coordenador Carlos Alberto Parreira e do assessor de imprensa Rodrigo Paiva. Acontece que o estúdio da Globo fica ao lado dos da ESPN, Fox e Band, e muita gente viu que o técnico ia falar com o “JN”.

Diante da turma, o repórter Fernando Fernandes tomou a iniciativa de convidar Parreira a entrar ao vivo no programa “Band na Copa”, apresentado por Milton Neves. Com o consentimento de Paiva, o coordenador da seleção deu entrevista a Neves simultaneamente à conversa de Felipão com Galvão e Patricia. O privilégio concedido à Globo acabou tendo uma compensação para a Band.

felipaojnEnquanto a entrevista com o técnico no “JN” foi quase sempre amena (excetuando um questionamento de William Bonner sobre a seleção), a participação do coordenador no “Band na Copa” provocou uma faísca. Deu-se quando Neves disse que a comissão técnica da seleção errou ao não tirar Neymar de campo enquanto a partida contra a Colômbia estava 2 a 0.

“Por que vocês não tiraram o Neymar???” O apresentador da Band falou tão alto que os presentes no estúdio da Globo olharam para o lado. Parreira, calmo, foi elegante na resposta: “Depois de ter passado, é muito fácil falar”. Neves ainda provocou, dizendo que Neymar deveria ter sido substituído por “deficiência técnica”, mas o coordenador da seleção não caiu: “Ele é craque. Pode fazer a diferença em um lance.”

Este texto foi publicado originalmente no blog UOL Esporte Vê TV.