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Sem a Globo, faixa das 20h30 volta a ser horário nobre de novelas
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Mauricio Stycer

DezMandamentos1Ao anunciar a sua programação para 2015, no início de fevereiro, a Record informou que iria mudar a sua grade para lançar “Os Dez Mandamentos” em uma nova faixa, a das 20h30.

chiquititasA decisão de colocar a sua superprodução bíblica no horário do “Jornal Nacional”, e não no da novela das 21h15, pareceu inteligente. É uma oportunidade de oferecer realmente uma alternativa ao espectador. O SBT, com a novela infantil “Chiquititas”, atende a uma outra parcela da audiência.

mileumanoitesAntes de a Record estrear “Os Dez Mandamentos” nesta segunda-feira (23), porém, a Band se antecipou com uma mesma ideia. No último dia 9, a emissora lançou “Mil e Uma Noites”, uma novela turca, em 180 capítulos, lançada originalmente em 2007 e já exportada para uma dezena de países.

Assim, de uma hora para outra, a faixa das 20h30, que no passado era o horário da principal novela da Globo, é agora ocupada por três folhetins dos concorrentes. A faixa consagrada – e depois abandonada – pela líder de audiência voltou a ser “o” horário de novelas.

Somadas, nesta segunda-feira (23), as audiências de “Os Dez Mandamentos” (12,1), “Chiquititas”(12) e “Mil e Uma Noites” (3,2) superaram o “Jornal Nacional” (25,3) na Grande São Paulo, de acordo com dados consolidados do Ibope.

E, enquanto a Record evitou exibir sua novela no horário de “Babilônia”, o SBT decidiu apostar exatamente na faixa das 21h15, desde o último dia 16, para reapresentar um dos seus maiores sucessos recentes, a infantil “Carrossel”.

Sozinha, sem concorrência, mas com baixíssima audiência, a TV Brasil exibe, a partir das 23h, a novela angolana “Windeck”.

O ano de 2015 assiste, desta forma, a uma situação de variedade que não ocorria há muito tempo: cinco emissoras diferentes exibindo novelas. Para quem gosta, incluindo as reprises, são 13 por dia, de quatro nacionalidades – além das brasileiras, a oferta inclui mexicanas, uma turca e uma angolana.

15h15: Maria Esperança (SBT)
16h15: Coração Indomável (SBT)
16h30: O Rei do Gado (Globo)
17h: A Feia Mais Bela (SBT)
17h45: Malhação (Globo)
18h25: Sete Vidas (Globo)
19h35: Alto Astral (Globo)
20h25: Mil e Uma Noites (Band)
20h30: Os Dez Mandamentos (Record)
20h30: Chiquititas (SBT)
21h15: Babilônia (Globo)
21h15: Carrossel (SBT)
23h: Windeck – Todos os Tons de Angola (TV Brasil)

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Sete personagens que mudaram para pior e três acertos em “Império”
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Mauricio Stycer

Ao chegar ao final, depois de ser esticada para 203 capítulos, “Império” deixa um gosto de frustração no ar. A novela de Aguinaldo Silva apresentou vários motivos para merecer um crédito de confiança do espectador, mas largou no meio do caminho inúmeros bons assuntos que levantou.

Uma maneira de entender o que “Império” poderia ter sido, mas não foi, é analisando a trajetória de alguns personagens importantes. Reviravoltas são normais em novelas, mas é curioso observar que, na história de Aguinaldo Silva, elas afetaram especialmente os personagens polêmicos, que pretendiam discutir temas “difíceis”.

Na reta final, como já escrevi, “Império” parece ter virado outra novela. O autor resolveu, sem maiores explicações, uma série de conflitos e situações difíceis, além de ter dado uma solução rocambolesca à trama policial que apresentou.

Novela não tem compromisso com a realidade – um exemplo positivo disso, na minha opinião, foi a divertida cena do casamento de Vicente (Rafael Cardoso). Enquanto esperava a noiva Maria Clara (Andréia Horta), quem apareceu foi a irmã dela, Cristina (Leandra Leal).

O problema é quando uma história com tintas realistas deixa de lado a lógica e a coerência, “traindo” o espectador que acompanhava cada lance acreditando no que o autor estava propondo. Foi o que ocorreu, por exemplo, com a revelação de que Silviano (Othon Bastos) era um grande vilão sob as ordens de José Pedro (Caio Blat), também conhecido como Fabricio Melgaço.

Abaixo a minha lista com sete personagens que mudaram para pior e três acertos em “Império”.

imperioclaudioleoClaudio: Casado, pai de dois filhos, o cerimonialista mantinha vida dupla, sendo amante de um outro homem. José Mayer trocou o eterno papel de galã para viver este personagem ousado, mas rapidamente Aguinaldo Silva recuou e fez Claudio desistir de Léo (Kleber Toledo) para viver com a mulher Beatriz (Suzy Rego). Na última semana da novela, sem explicação, Claudio resolver jogar tudo para o alto e não apenas voltar a viver com Léo como assumir publicamente a relação.

imperioenrico2Enrico: Filho de Claudio, o personagem de Joaquim Lopes se revelou homofóbico ao descobrir que o pai era gay. Por conta do seu preconceito, a vida virou um inferno. Perdeu a noiva, o restaurante em que era chef e a sanidade. Depois de um exílio na Europa, voltou para ver o pai quase ser assassinado por sua causa. O crime teve efeito incrível: de uma hora para a outra, por mágica, Enrico deixou de ser homofóbico.

imperiomagnoliaseveroMagnólia e Severo: Muito bem interpretados por Zezé Polessa e Tato Gabus Mendes, eles começaram a novela revelando como pais podem explorar de forma sórdida os próprios filhos. O ótimo tema, delicado e atual, provavelmente provocou repulsa do público. Para aliviar, o autor providenciou que a dupla ficasse milionária por acidente e protagonizasse cenas cômicas, em estilo “Zorra Total”. Na penúltima semana, Magnólia e Severo ficaram pobres. Sem nenhuma explicação, a mãe se tornou uma figura doce e legal, enquanto o pai foi punido com a perda da memória.

imperioteopereira3Téo Pereira: Por meio do jornalista interpretado por Paulo Betti, Aguinaldo Silva quis denunciar o pior tipo de jornalismo ainda praticado, o de fofocas. O personagem também mostrou os efeitos nefastos da invasão de privacidade causada por sites de celebridades. Cansado, talvez, do seu vilão, o autor o repaginou. Repentinamente, Téo virou um jornalista sério, respeitado.

imperioxanaXana Summer: Mais um caso de personagem ousado que, no meio da novela, andou para trás e, no final, de forma súbita, sofreu outra transformação espetacular. O cabeleireiro vivido por Ailton Graça se vestia e se comportava como mulher e tinha interesse em homens. O recuo começou quando a questão da sexualidade de Xana foi tratada como algo sem importância e revelou-se que ele gostava de mulher. Depois, para conseguir adotar uma criança, abandonou o seu modo de ser e vestiu-se como homem. E, no fim, voltou a ser liberal, vivendo um triângulo com Naná (Viviane Araujo) e Antonio (Lucci Ferreira).

imperiosilvianoSilviano: Por 180 capítulos, Othon Bastos interpretou um mordomo recatado, totalmente devotado à patroa, Maria Marta (Lilia Cabral). Sabíamos que havia um mistério entre os dois, mas a revelação pegou todo mundo de surpresa, inclusive o ator. Silviano foi, no passado, marido de Marta. Pior, alguns capítulos depois, a sua reviravolta foi ainda mais radical, ao se revelar que, na verdade, era um dos grandes vilões da história.

imperiocomendadorJosé Alfredo: O melhor de “Império”. Um raro personagem com muitas dimensões, contraditório e carismático. O comendador era bom e mau, honesto e pilantra, cheio de esqueletos no armário, manias engraçadas. Um anti-herói, como reza a boa dramaturgia, nada retilíneo. Vivido com brilho por Alexandre Nero, o personagem levou a novela nas costas e mostrou que Aguinaldo Silva é capaz, ainda, de grandes momentos.

imperiolorraineLorraine: Como sempre acontece em novela, a personagem ganhou vida e espaço muito em função do excelente desempenho de Dani Barros. Aguinaldo Silva recompensou o talento da atriz com inúmeros imperionana2desdobramentos, incluindo uma decisiva participação na reta final da trama.

Naná: A personagem teve pouco destaque em “Império”, mas mostrou-se um grande acerto a escalação de Viviane Araujo (à esq.), outra aposta do autor. Curiosamente, parte da história de uma outra personagem, a sambista Juju Popular (Cris Vianna) foi inspirada na vida de Viviane.

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“Tá no Ar” poderia rir da Globo por atrasar o programa para combater Gugu
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Mauricio Stycer


Depois de fazer uma ótima sátira da melodramática entrevista de Gugu Liberato com Suzana von Richthofen, acho que cabe agora ao “Tá no Ar” rir da própria Globo, que alterou o horário do humorístico para combater o programa da Record.

Como foi anunciado antes da estreia, a segunda temporada do “Tá no Ar” ganhou um lugar melhor na grade, começando por volta das 23h15. Isso ajudou, nos primeiros episódios, a levantar a audiência do programa.

Com a estreia de Gugu na Record, a Globo adotou a estratégia de esticar um pouco mais a novela “Império”, que está em sua reta final, com bons índices no Ibope, e atrasou todos os programas que são exibidos em sequência.

Nesta quinta-feira (05), não apenas “Império” foi prolongada, como também a edição do “BBB15”. Era dia de prova do líder e, na esteira da novela, a audiência do reality estava muito boa. Assim, a Globo manteve o programa ao vivo, numa clara enrolação, até depois da meia-noite.

“Tá no Ar” só começou na madrugada de sexta-feira, por volta de 0h05. Marcelo Adnet e Marcius Melhem encenaram ser dois dos “ninjas” do “BBB” e contracenaram com Pedro Bial na abertura do humorístico.

Mudar a grade para enfrentar a concorrência é uma arma legitima, mas a estratégia da Globo claramente prejudica os fãs do “Tá no Ar” – obrigados a ficar acordados até mais tarde. Como o programa faz piada com tudo que diz respeito ao universo da TV, não seria gratuito comentar essa situação.

Em tempo: No embalo da boa audiência de “Império” e do “BBB15”, o “Tá no Ar” conseguiu um bom resultado, apesar do horário tardio. Segundo dados prévios do Ibope, marcou 13 pontos de média, um índice superior ao semana passada (11), mas inferior ao da estreia (14) e do segundo episódio (15). A primeira temporada, em 2014, marcou 12 pontos na estreia e teve uma média geral em torno de 9 pontos.

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Fachada de cenário de “Boogie Oogie” muda de um dia para o outro
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Mauricio Stycer

Boogieoogieminfazenda

Não canso de me surpreender com a atenção que os espectadores dedicam aos menores detalhes exibidos na televisão. Veja esta observação do “detetive” Fernando Guimarães (‏@Fernando_Guima_) referente à novela “Boogie Oogie”.

No capítulo de quarta-feira (04), finalmente, começou o julgamento de Suzana (Alessandra Negrini), responsável por um dos dramas da novela, a troca de bebês na maternidade como forma de se vingar de Fernando (Marco Ricca), de quem era amante.

Ao mostrar os primeiros personagens chegando para o julgamento, foi exibido como cenário um palacete antigo com a inscrição “Ministério da Fazenda” no alto da fachada (imagem acima). Já na quinta-feira (05), ao exibir alguns personagens deixando o mesmo local, a inscrição no alto mudou para “Ministério da Justiça” (imagem abaixo). Mistério…

Outros leitores, como Diogo Cavalcante ‏(@diogo_cc), também notaram a mudança na fachada.

boogieoogieminjustica


Troféu Sinceridade: “Se eu fizer baixaria, ganho do Gugu”, ameaça Ratinho
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Mauricio Stycer

RatinhoPanico
O “Pânico” marcou um golaço neste domingo (01) ao entrevistar, ainda que brevemente, Gugu Liberato e Carlos Massa, o Ratinho, protagonistas de uma estridente disputa pela audiência na última quarta-feira (25). O apresentador da Record, que estreava naquela noite, levou enorme vantagem, vencendo não apenas o rival do SBT como também a Globo em parte da noite.

Rodrigo Scarpa (o Repórter Vesgo) e Eros Prado (o Inconveniente) fizeram as entrevistas, fantasiados de Gugu e Ratinho, respectivamente. A conversa com o apresentador do SBT foi a mais interessante.

“Não foi você que ganhou”, disse Ratinho, dirigindo-se a Vesgo. “Foi a Richtofen. Se eu tivesse ganhado, seria a Dona Florinda”, observou, referindo-se às entrevistas que os dois exibiram naquela noite — Gugu fez uma exclusiva, exibida em duas partes, na quarta e quinta-feira, com Suzane Richtofen dentro do presídio, enquanto Ratinho trouxe do México a atriz Florinda Meza, viúva de Roberto Bolaños, criador das séries “Chaves” e “Chapolin”, falecido em novembro do ano passado.

Em seguida, Ratinho prometeu: “Gugu, se eu resolver fazer o que você está fazendo, eu ganho de você de novo”. “O que ele está fazendo?”, quis saber o repórter: “Baixaria. Tipo o que eu fazia”.

Prado perguntou, então: “O que nós vamos fazer para dar uma segurada no Gugu?” A resposta de Ratinho pareceu sincera: “Vamos partir para a baixaria. Eu acho, Gugu, que nós vamos ter que disputar as baixarias a partir de agora. Vamos mostrar bunda, baixaria, vamos fazer banheira, tudo.”

Ainda que em tom de brincadeira, Ratinho claramente fez uma ameaça, sugerindo que se o rival seguir na toada dos primeiros dias vai desencadear uma guerra pela audiência da pior forma possível.

Mais contido, Gugu procurou ser diplomático ao falar com os repórteres do “Pânico”: “Tem público para nós dois”, disse. E ainda deu uma dica para Silvio Santos: “Conversei com Ratinho sobre essa concorrência. É bom. Assim o SBT pode dar dinheiro para ele fazer um programa melhor”.

Veja abaixo a reportagem do “Pânico”:
Ratinho diz que Gugu está fazendo baixaria na TV

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