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Para tirar casquinha da faixa das 23h, SBT recicla o “Sabadão Sertanejo”
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Mauricio Stycer

sabadaocelsozezelucianoHorário antes relegado a filmes e séries, a faixa das 23h de sábado tem mostrado potencial de audiência e publicidade com programas de auditório. O sinal foi dado por “Legendários”, na Record. Lançado em 2010, a atração apresentada por Marcos Mion passou por várias mudanças até adotar a atual pegada, bem popular, com bons resultados.

Em 2013, a Globo alterou o horário do “Altas Horas”, tirando o programa de Serginho Groisman da madrugada para concorrer na mesma faixa da atração da Record. O duelo ganhou uma nova dimensão neste sábado (29), com a entrada em cena do SBT, que lançou seu próprio programa de auditório, “Sabadão”, sob o comando de Celso Portiolli.

Lançou é modo de dizer. A estreia do “Sabadão” mostra mais uma vez que, na TV brasileira, nada se cria, tudo se recicla. Sem uma ideia melhor, mas desejando tirar casquinha da faixa ocupada por suas duas concorrentes, a emissora reciclou um programa apresentado por Gugu Liberato, entre 1991 e 2002, o “Sabadão Sertanejo”, que posteriormente foi rebatizado como “Sabadão”.

Com todo jeito de ter sido lançado às pressas, sem qualquer projeto por trás além de enfileirar números musicais, “Sabadão” nem se preocupou em explicar para o público as suas intenções. Sessenta segundos depois de entrar no ar, Portiolli já chamou ao palco Zezé di Camargo e Luciano. E eles cantaram por 15 minutos sem parar.

A rigor, o “Sabadão” foi um “Especial Zezé di Camargo e Luciano”. A dupla Munhoz e Mariano participou cantando com os dois veteranos, bem como Dablio e Phillipe. Esta segunda dupla é formada por um ator do filme “Dois Filhos de Francisco” e pelo filho de Luciano.

Como se tivesse sido recém-lançado, o filme de 2005 foi tema de várias perguntas de Portiolli. Até sobre a repercussão do lançamento o apresentador quis saber.

Depois de quase 90 minutos com a dupla sertaneja, Portiolli recebeu no palco uma dupla de humoristas para comentar vídeos engraçados — e mais do que batidos — da internet. Resumiu-se a isso, basicamente, a estreia do novo programa.

Marcos Mion comentou o lançamento do “Sabadão” em sua conta no Instagram. “Horário que antes só tinha filme e nós o tornamos um dos mais disputados. Afinal, fomos os primeiros e, depois do nosso, as outras emissoras vieram atrás de uma fatia da torta.”

Pensando nos últimos cinco anos, o apresentador tem razão. Mas, a rigor, a falta de ideias é geral. Enquanto Zezé e Luciano cantavam no SBT, Victor e Leo se apresentavam na Record. E Lucas Lucco marcava presença na Globo. Sabadão sertanejo nas três emissoras.

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“Babilônia” termina com cenas ridículas, muitos clichês e nenhuma graça
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Mauricio Stycer

Não pretendia voltar a escrever sobre “Babilônia”, mas o desfecho da trama me obrigou a retornar ao assunto. Não me lembro de um último capítulo de novela das 21h tão ruim desde “Fina Estampa”, em 2012.

A diferença é que a novela de Aguinaldo Silva pecou por uma única cena ridícula – uma passagem crucial, diga-se, a do naufrágio do barco onde estavam a protagonista Teresa Cristina (Christiane Torloni) e Pereirinha (José Mayer). O autor nunca se esqueceu do vexame e, dois anos depois do fim da novela, criticou o diretor Wolf Maia pela “patacoada“.

Já a história de Gilberto Braga, Ricardo Linhares e João Ximenes Braga exibiu cenas mal construídas do início ao fim do capítulo.

Para início de conversa, o que foi a solução do “quem matou?” O malvadão Otavio (Herson Capri) matou Murilo (Bruno Gagliasso) por ciúmes, depois de ver uma cena em que o agenciador de garotas de programa seduzia Beatriz (Gloria Pires) com segundas intenções.

Na véspera, no penúltimo capítulo, Otavio já havia protagonizado outra cena ridícula, ao mandar Osvaldo (Werner Schünemann) sequestrar Diogo (Thiago Martins) com o único objetivo de descobrir como o saltador foi capaz de seduzir Beatriz. Só rindo.

Pouco antes de Otavio ser desmascarado, Beatriz confessou diante de vários personagens ter matado Cristovão (Val Perré), mas os autores ignoraram a própria cena e, momentos depois, Inês (Adriana Esteves) foi condenada por este crime.

Em tom de galhofa, Aderbal Pimenta (Marcos Palmeira) estava sendo empossado como governador do Rio quando a Polícia Federal chega e anuncia aos gritos a sua prisão. Consuelo (Arlete Salles), mãe do político, indicada como vice-governador, assume o cargo.

Também foi pouca inspirada a solução dada às vilãs Beatriz e Inês. Elas foram colocadas numa mesma cela da prisão (óbvio demais), onde se estapearam, e depois fugiram juntas, num carro, percorrendo uma estrada de terra. Naturalmente, brigaram de novo e o veículo despencou de uma ribanceira com as duas dentro.

Muita gente achou que era cópia do filme “Thelma e Louise”, que termina dessa forma, mas vi também inspiração em um dos segmentos do filme “Relatos Selvagens”. Original a cena não foi.

Houve alguma ousadia no desfecho do triângulo entre Valeska (Juliana Alves), Norberto (Marcos Veras) e Clovis (Igor Angelkorte). Casada com o primeiro, a morena terminou sua participação na novela fazendo sexo oral no segundo.

O casal formado por Teresa (Fernanda Montenegro) e Estela (Nathalia Timberg) voltou a dar um beijo na boca, como no primeiro capítulo. Ivan (Marcello Melo Jr) e Sergio (Claudio Lins) também selaram a sua união com um beijo. Só pode no último capítulo?

A novela terminou com declarações de amor dos dois casais “do bem”, ambos em clima idílico e açucarado – Rafael (Chay Suede) e Lais (Luisa Arraes) e Vinicius (Thiago Fragoso) e Regina (Camila Pitanga).

O último capítulo, em resumo, pareceu escrito às pressas, sem cuidado, com soluções mal ajambradas (o caso de Otavio), muitos clichês (Inês e Beatriz) e sem graça alguma (Vinicius e Regina). Uma decepção ainda maior do que foi “Babilônia” ao longo dos seus 143 capítulos. Para esquecer.

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“Cúmplices de um Resgate” tem melhor início de novela no SBT em 13 anos
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Mauricio Stycer

cumplicesresgate2O sucesso de “Os Dez Mandamentos”, na Record, acabou deixando em segundo plano um ótimo resultado do SBT. A novela infantil “Cúmplices de um Resgate” é o mais bem-sucedido lançamento da emissora desde 2002, quando estreou “Pequena Travessa”.

Exibidos os primeiros 15 capítulos (entre 3 e 21 de agosto), a trama registrou média em São Paulo de 13,1 pontos. No Painel Nacional de Televisão (PNT), que consolida a audiência em 15 centros urbanos, “Cúmplices de um Resgate” alcançou no mesmo período 12 pontos de média.

“Pequena Travessa”, nas primeiras três semanas, registrou média de 16,2 pontos em São Paulo e 13 no PNT. Desde então, o SBT já levou ao ar 15 novelas, nenhuma com um início tão bom quanto o da atual trama infantil, adaptada por Iris Abravanel de um sucesso da Televisa mexicana.

Mesmo com estes bons números, “Cúmplices de um Resgate” tem ficado sempre em terceiro lugar, atrás da Globo (“Jornal Nacional”) e da Record (“Os Dez Mandamentos”). Por conta disso, a própria emissora raramente informa à imprensa os dados de audiência da novela. O levantamento aqui publicado foi feito em resposta a um questionamento meu.

“Cúmplices de um Resgate” é a terceira novela infantil seguida que o SBT exibe, depois de “Carrossel” e “Chiquititas”.

Como tantas outras produções do SBT, “Pequena Travessa” foi um remake de uma novela da Televisa, intitulada “Mi Pequeña Traviesa”. Protagonizada por Bianca Rinaldi e Rodrigo Veronese, foi ao ar entre 4 de novembro de 2002 e 15 de abril de 2003.

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“Super Chef”, de Ana Maria Braga, é o programa certo na hora errada
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Mauricio Stycer

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A culinária na TV começou como prestação de serviços, com lições para espectadoras de meia idade, mas descobriu sua maior vocação como fonte de entretenimento, por meio de concursos e disputas que agregam os mais variados segmentos de espectadores.

O “Mais Você”, de Ana Maria Braga, exemplifica bem esta transição. No ar desde 1999, o programa sempre apostou em culinária. Depois de alguns anos, porém, as lições e dicas de Ana Maria passaram a ter a companhia de competições de cozinha.

Em 2008, o programa estreou o “Super Chef”. Inicialmente, uma disputa entre gente interessada em faturar um prêmio de R$ 50 mil, o quadro foi alterado, em 2012, para uma sucessão de provas entre famosos – artistas da própria Globo, atletas e músicos conhecidos.

É neste formato que o “Super Chef Celebridades” estreou a sua quarta edição agora em agosto. Divertido, bem produzido, com um bom elenco, o reality segue um formato já consolidado, sem maiores surpresas.

superchefdivulgacaoA principal novidade está fora do Projac. Trata-se da descoberta de que programas deste tipo fazem sucesso no horário nobre. Primeiro com o “Master Chef”, lançado pela Band em setembro de 2014, depois com o “Cozinha Sob Pressão”, exibido pelo SBT a partir de outubro do ano passado, as competições de culinária se tornaram uma febre na televisão.

O sucesso foi tanto que Band e SBT se apressaram, em 2015, para lançar a segunda edição de seus programas ainda no primeiro semestre do ano. Empolgada com o resultado comercial, a emissora de Silvio Santos já colocou no ar uma outra competição, o “Bake Off”, dedicada a sobremesas. A Record lançará no próximo mês a sua, o “Cake Boss”. E a Band já prepara um “MasterChef Kids”.

Neste contexto atual, desconfio que a Globo está apresentando o programa certo na hora errada. A emissora desperdiça este novo público, seduzido pelas competições de culinária, ao manter o seu bom “Super Chef” no período da manhã. O quadro seria uma ótima alternativa, por exemplo nas noites de domingo. Fica a dica.

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Xuxa estreia sem assunto, mas com boas piadas de Twitter e ataque à Globo
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Mauricio Stycer

xuxaestreia2Com a promessa de “escrever uma nova história”, depois de 30 anos na Globo, Xuxa estreou na noite desta segunda-feira (17) na Record. Feliz, à vontade, com autonomia e diante de um belo cenário, a apresentadora pediu paciência ao público com os possíveis erros.

Para sua tranquilidade, é possível dizer que, com exceção da sonoplastia, sofrível, e de falhas de enquadramento, aceitáveis ao vivo, nenhum grande erro ocorreu. Os problemas que chamaram a atenção na estreia foram de outra ordem: falta de ideias e pobreza de assuntos.

xuxaellenestreiaA maior contratação da história recente da emissora ganhou uma atração que leva o seu nome, “Programa Xuxa Meneghel”, mas assume ter como modelo um programa da TV americana, o “Ellen DeGeneres Show”. Até uma entrevista simulada com a “colega” mereceu espaço.

Entre as principais atrações da estreia, Xuxa mostrou o cenário do programa, exibiu um quadro no qual visita fãs e, supostamente, entrevistou quatro atores de “Os Dez Mandamentos”. Digo “supostamente” porque a rigor não sobrou nada digno de nota da conversa.

Não surpreende que um dos destaques do cardápio de estreia tenha sido um merchan do novo “Missão Impossível”, com direito a uma mensagem de Tom Cruise e a oferta a todos os integrantes da plateia de um ingresso para o filme. Também foi destaque um número musical de Alexandre Pires.

Outra atração foi a presença de uma mulher chamada Erica, protagonista de uma cena famosa da época em que Xuxa era apresentadora infantil. Foi para ela que a “rainha dos baixinhos” disse a famosa frase: “Aham, senta lá, Claudia”.

Prometendo ser espontânea em sua primeira experiência ao vivo (“Deus me perdoe se eu falar alguma coisa errada”), Xuxa ensaiou algumas piadas de duplo sentido, uma delas claramente ensaiada, com o namorado, o ator Juno Andrade: “Descobri porque você é sapo: adora uma perereca”.

xuxagloboNa sequência, fez uma referência à Globo, sugerindo que não poderia ter feito a piada com Juno em sua “velha casa”: Se fosse no outro já cortavam. Eu não podia falar essas coisas”.

Em outro instante, exibiu duas pessoas na plateia com máscaras, representando pessoas da Globo que ela convidou para a estreia, mas não foram autorizadas a comparecer – “nem no Facebook elas puderam me desejar boa sorte”, disse. Curiosamente, a apresentadora abriu o programa pedindo aos fãs para não falarem mal da Globo.

Ao falar do desejo de ter Silvio Santos em seu programa, Xuxa exibiu um vídeo famoso, de 1988, no qual o dono do SBT, respondendo a Aracy de silviosantos1988Almeida (1914-1988), desabafa: “Quando o ser humano está com a razão, Deus é o seu advogado. Ninguém vence o ser humano quando ele tem razão. Quando o ser humano não está com a razão, Deus é o juiz e o demônio é advogado de quem está sem razão. Quem tem razão, forte ou fraco, vence sempre. O bem sempre vence o mal.”

Naquela época, Silvio Santos estava em guerra com a Globo. Alguns meses antes, dirigindo-se a Roberto Marinho (1904-2003), ele havia pedido que a concorrente veiculasse anúncios protagonizados por artistas de outras emissoras.

No melhores momentos do programa, Xuxa mostrou o mesmo talento de alguns usuários do Twitter, com comentários curtos, desbocados e atrevidos – todos com vocação para virar “memes” nas redes sociais.

Depois de reconhecer que vai copiar abertamente o programa da apresentadora americana Ellen DeGeneres, Xuxa observou: “Tanta gente já se inspirou em mim”, mandando uma “indireta” para inúmeras apresentadoras que se lançaram depois dela com programas infantis.

Ao falar “amém”, por exemplo, se lembrou de uma instrução recebida e disse: “Tenho que diminuir isso”. Uma semana antes, em entrevista, Xuxa havia revelado que não poderia falar de religião em seu programa.

A certa altura, recebendo os atores de Os Dez Mandamentos”, ela foi informada que a novela será estendida em um mês. E fez piada: “Os Doze Mandamentos”, riu.

Só espero que, tal como ocorreu no passado, ao se irritar com comentários de usuários do Twitter, Xuxa não abandone o seu programa ao ler as primeiras críticas a ele.

Em tempo: Segundo dados prévios do Ibope, o “Programa Xuxa Meneghel” registrou média de 10 pontos, deixando a Record na vice-liderança no horário. Comparando com outras estreias da emissora em 2015, foi bem menos que o primeiro programa de Gugu Liberato (17 pontos), mas igual ao capítulo inicial de “Os Dez Mandamentos” (10).

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Revista feminina comum, “É de Casa” depende da química dos apresentadores
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Mauricio Stycer

A estreia de “Encontro com Fátima Bernardes”, em junho de 2012, representou uma importante mudança na estratégia de programação da Globo. Com mais de duas horas, a atração dedicada ao público feminino adulto ocupou o lugar que por anos era consagrado às crianças.

O “TV Globinho”, na grade desde 2000, deixou de ser exibido de segunda a sexta e permaneceu na programação aos sábados. Há uma semana, com a estreia de “É de Casa”, a emissora abriu mão definitivamente de sua atração infantil.

As razões para esta guinada são conhecidas – e a Globo não está sozinha nesta. As limitações legais à publicidade infantil transformaram os departamentos comerciais das emissoras da TV aberta em inimigos de programas destinados a este público (um levantamento recente da “Folha” mostra que a redução da programação infantil atinge todas as emissoras; veja aqui).

Esta é a lógica que levou a Globo a envolver seis conhecidos apresentadores, além das equipes de dois programas, o próprio “Encontro” e o “Mais Você”, para desenvolver uma “revista” nas manhãs de sábado. Ainda que tenha sido anunciado como “para a família”, o alvo mais claro tem sido, até agora, o público feminino .

A cada semana, quatro dos seis apresentadores vão participar do programa. Neste sábado (15) foram Ana Furtado, Patricia Poeta, Tiago Leifert e Zeca Camargo — Cissa Guimarães e André Marques (este no “Criança Esperança”) ficaram fora da casa.

A julgar pelos temas apresentados nos dois primeiros episódios, “É de Casa” busca agradar às fãs dos três programas matinais diários (incluo na lista o “Bem Estar” também). É uma tarefa complexa, ainda mais em uma atração ao vivo, com duração de três horas.

O cardápio do programa deste sábado dá uma boa ideia da ambição da nova atração: comentários sobre notícias leves da semana, muitas dicas de “como fazer” coisas em casa, uma aula didática sobre aplicativos usados para encontros (sem citar o nome de nenhum), uma reportagem sobre passeadores de cachorro, outra sobre grafiteiros, lições sobre como seduzir as crianças com refeições atraentes, entrevistas com Renato Aragão e Grazi Massafera e a “história de superação” de um ex-viciado em crack.

Nada de crise política ou chacina em São Paulo. O “É de Casa” esta semana falou sobre o preço da cebola (tema tratado por Ana Maria Braga há cinco dias), a separação de Ben Affleck e Jennifer Garner por causa da babá e o motorista que errou a manobra na garagem e ficou com o carro pendurado para fora do prédio.

O foco na prestação de serviços ficou mais evidente no segundo episódio. Primeiro, Tiago e Ana ensinaram o espectador a fazer pinturas caseiras de capa do celular e em bandejas. Depois, Patricia ensinou a fazer vela de citronela caseira. E Ana mostrou como lavar o carro usando um copo de água (e um produto não citado).

Decidida a extinguir a sua programação infantil, o que a Globo poderia colocar no lugar nas manhãs de sábado? Acho que esta é a questão principal. Mais um programa de auditório? Filmes? Reprises?

Acho elogiável o esforço de desenvolver um novo programa, com foco em um público específico, com potencial comercial – é disso, afinal, que vive a TV aberta.

Novo programa, diga-se, não é sinônimo de programa original. “É de Casa” é uma “revista feminina” como outras que a própria emissora e suas concorrentes fazem ou já fizeram.

Ainda que o chef Roberto Ravioli tenha derrubado um frango à parmegiana fora do prato, uma boa notícia é que o nervosismo da estreia foi superado no segundo episódio. Mas ainda há um longo caminho pela frente, como mostra a trajetória do “Encontro com Fátima Bernardes”, que precisou de mais de um ano para, com perdão do jogo de palavras, se encontrar.

Ainda que o seu resultado não seja original, “É de Casa” pode se tornar um programa diferente se a sua pauta ficar mais interessante e a reunião deste time de apresentadores resultar em algo especial, ou seja, se rolar uma “química” entre eles. Só o tempo dirá.

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Troféu Sinceridade: “Tô ficando chato igual ao Faustão”, diz Ratinho
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Mauricio Stycer

RatinhoMadalenaMal começou o seu programa nesta quarta-feira (12), Ratinho chamou o quadro “Como você está?” e apareceu a vinheta de outro quadro, o “Gente de fibra”. Irritado, ele interrompeu a exibição e reclamou, ao lado da repórter Magdalena Bonfiglioli:

“Para o VT. Eu vou matar o Alex. De verdade. Tem horas que dá vontade de arrancar a cabeça de uma meia dúzia aqui dentro. É verdade. Eu tô ficando chato. Igual ao Faustão. Eu tô ficando chato. Como é que pode?”

Faustão, como se sabe, é conhecido por reclamar publicamente de erros da produção do seu programa.

Veja o vídeo:
Ratinho: “Estou ficando chato igual ao Faustão”

Agradeço ao jornalista Paulo Pacheco pela dica.

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Xuxa aposta alto em programa ao vivo e inspiração em Ellen DeGeneres
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Mauricio Stycer

Xuxa FOTOMICHELANGELOOs temas mais polêmicos abordados por Xuxa na entrevista desta terça-feira (11), como religião, Globo, Silvio Santos e sexo, acabaram deixando em segundo plano o detalhamento do programa que ela estreia na próxima segunda-feira (17), na Record.

Em particular, merecem registro duas questões. A primeira, o fato de o “Programa Xuxa Meneghel” ser ao vivo e com participação de espectadores. “A plateia será parte ativa do show, o coração do programa”, descreve a Record no comunicado enviado à mídia. “Todos poderão participar de ações no palco e também gerar conteúdo ao programa.”

Trata-se, como é possível imaginar, de um convite para gafes e confusão. Durante a entrevista, Xuxa manifestou preocupação. “Calma a vocês que escrevem. Não sei fazer programa ao vivo, estou aprendendo”, disse, sabendo que erros vão acontecer.

A segunda questão que deve ser destacada é o fato de ser abertamente inspirado na estrutura do “Ellen DeGeneres Show” – tanto o talk show com famosos quanto as brincadeiras com a plateia. Xuxa vai adaptar ou copiar várias brincadeiras da atração americana.

Xuxa afirma já ter conversado com De Generes, por Skype, mas pretende ter um encontro pessoal com a apresentadora americana e, quem sabe, levá-la ao seu programa.

Ela também pretende, como Ellen DeGeneres, ser generosa com os participantes. “Ninguém entrará no ‘Programa Xuxa Meneghel’ sem a esperança de sair premiado. Essa interação com a plateia através de games será uma marca do programa”, informa a emissora.

Um quadro criado por Xuxa é de visitas surpresa a casas de fãs pelo Brasil. A apresentadora vai chegar sem avisar e comentar histórias contadas pelos fãs nas redes sociais.

O texto de divulgação do programa garante que o “Programa Xuxa Meneghel” será “sem cortes, sem censura, falando o que quer e como quer.” A própria apresentadora, porém, disse que não poderá falar de religião, uma frase entendida por muitos como de censura ou restrição.

A verdade é que religião não é um assunto que combina muito com um programa de auditório nos moldes do que está sendo divulgado. A observação de Xuxa pode dizer respeito aos convidados para entrevistas.

Em março, ao conversar com jornalistas na sede da Record sobre o seu acerto com a emissora, ela havia dito que teria liberdade total para convidar os seus amigos, padres Marcelo Rossi e Fábio de Melo. Ao dizer, cinco meses depois, que não poderá falar de religião, ela está sugerindo que mudou de ideia ou foi convencida a mudar.

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Xuxa diz que não poderá falar de religião e que convidará “todos da Globo”

Foto: Michel Angelo/Record

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Marketing de “A Regra de Jogo” inclui exposição inédita da diretora
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Mauricio Stycer

No esforço de esquecer a sucessão de recordes negativos de audiência batidos por “Babilônia”, a Globo está promovendo de forma intensa a próxima novela das 21h, “A Regra do Jogo”.

Faltando ainda três semanas para a estreia, no dia 31, a emissora já divulgou duas chamadas diferentes da nova trama em sua programação – ambas destacando que se trata de uma novela “do mesmo autor de ‘Avenida Brasil’.”

Também já começou, como é de praxe, a acertar com alguns veículos de mídia entrevistas do autor, João Emanuel Carneiro”, e do protagonista, Alexandre Nero.

AmoraMautner2Chama a atenção neste processo de promoção o protagonismo assumido pela diretora da novela. Amora Mautner foi objeto de um perfil elogioso de “Veja” em julho, ganhou a capa de “O Globo” neste sábado (08) e é a estrela de um vídeo incomum que a emissora divulgou nesta segunda-feira (10) no You Tube.

Em pouco mais de dois minutos, o vídeo documenta o trabalho de Amora durante as gravações de “A Regra do Jogo”. Ela revela que a novela será influenciada pela estética dos reality shows. “Pedi a consultoria do Boninho, que é um expert de realities aqui na Globo, que eu admiro e respeito muito”, diz. A novela, conta, terá oito câmeras no estúdio (normalmente são quatro), algumas delas escondidas dos atores.

Amora Mautner assinou, junto com Jose Luiz Villamarin, a direção-geral de “Avenida Brasil” (2012), ambos subordinados ao então diretor de núcleo Ricardo Waddington. Em 2014, promovida a diretora de núcleo, ela foi designada para cuidar deste novo trabalho de João Emanuel Carneiro. “Quero revolucionar”, disse, então, em uma entrevista à “Caras”.

A três semanas da estreia,  “A Regra do Jogo” representa a última esperança da Globo de emplacar um sucesso em seu horário nobre no ano do 50º aniversário. É muita responsabilidade, mas a novidade é que o peso parece não recair apenas sobre o autor, mas também sobre a diretora.

Abaixo, o vídeo com o making of da novela:

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