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Sugestão: por que “Sexo e as Negas” não faz piada com a mulata “Globeleza”?
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Mauricio Stycer

nayarajustinoQuem acompanha este blog sabe que lamentei a campanha feita contra “Sexo e as Negas”, cujo boicote foi pedido por militantes do movimento feminista e da defesa da igualdade racial antes mesmo da estreia do seriado.

Não vi racismo no programa. Ao contrário. Acho que Miguel Falabella colocou o dedo na ferida do problema ao apresentar as suas quatro protagonistas, moradoras de uma favela no Rio, como negras, batalhadoras e independentes, tanto em suas relações familiares como íntimas.

Uma das páginas no Facebook criadas em protesto contra o programa propunha, além do boicote à série, “refletir sobre a representação da mulher negra na TV”.

Entendo que esta seja uma reflexão importante a fazer, sempre. E, neste ponto, tendo a concordar com quem critica a forma como a Globo usa, para promover a sua cobertura de Carnaval, o estereótipo da imagem da mulher negra por meio da “Globeleza”.

O noticiário desta semana informa que a mais recente ocupante do posto, Nayara Justino (imagem acima), não teve seu contrato renovado. É a senha, possivelmente, para a Globo promover, como fez em outras ocasiões, um concurso para eleger uma nova titular para o cargo.

Seria interessante ver em “Sexo e as Negas” alguma piada sobre este surrado clichê da mulata “Globeleza”. Se entendi direito a série, as protagonistas devem ter uma boa ideia a respeito do que significa essa vinheta da emissora.


Zé Carioca ri da falta de bons entrevistados nos talk shows brasileiros
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Mauricio Stycer

ZeCariocaTalkShowsCom a estreia do “The Noite”, em março deste ano no SBT, a TV brasileira passou a oferecer três talk shows noturnos durante a semana. Exibido de segunda a sexta, o programa comandado por Danilo Gentili concorre com o decano deles, o “Programa do Jô”, também cinco vezes por semana, na Globo, e com o “Agora É Tarde”, apresentado por Rafinha Bastos, de terça a sexta, na Band.

Esta situação inédita estimula a concorrência, o que é ótimo, mas também revela um problema sério: não há tanta gente interessante assim para preencher a pauta de tantos programas parecidos.

ZeCariocaTalkShows3Jô Soares com muita freqüência recorre a artistas da própria Globo para montar o cardápio do seu talk show. O procedimento é adotado também, ainda que com mais dificuldades, porque os elencos da Band e do SBT são menores, por Rafinha Bastos e Danilo Gentili.

A disputa por entrevistados já produziu situações embaraçosas. Ao saber que a cantora Dulce Maria seria a convidada de Gentili numa determinada noite, a Band decidiu adiar a conversa dela com Bastos, programada para ir ao ar no mesmo dia. Disputado, também, pelos dois programas, o funkeiro MC Nego do Borel se viu na situação de ficar “preso” no SBT para não ir no concorrente.

Para minha surpresa, quem melhor soube rir desta disputa entre os três talk shows foi um personagem de HQ, o “Zé Carioca”. No número mais recente do gibi, nas bancas, ZeCariocaTalkShows2o personagem se vê no centro de um leilão promovido entre “Xô Xuarez”, “Vanilo Dentili” e “Patinha Pastos”.

Os três querem entrevistar, sem saber que se trata do Zé Carioca fantasiado, uma barata sambista, que ajuda a promover uma loja de comércio popular. A história prossegue irônica até o fim (não vou dar spoiler), mostrando o desespero dos três entrevistadores em arrumar qualquer pessoa para seus programas. É um retrato (roteiro de Denise Ortega; desenhos de Luiz Podavin) bem pouco lisonjeiro dos talk shows nacionais.


Mesmo abusando dos clichês, “Boogie Oogie” consegue parecer original
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Mauricio Stycer

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O horário das 18h tem sido, nos anos recentes, o mais bem servido pela Globo em matéria de novelas originais. Cito algumas entre as minhas preferidas: “Cordel Encantado” (2011), “A Vida da Gente” (2011/12), “Lado a Lado” (2012/13), “Meu Pedacinho de Chão” (2014).

“Boogie Oogie” se enquadra nesta categoria, mas de um jeito torto. Há muito tempo não via uma novela utilizar com tamanha sem-cerimônia os recursos mais batidos do folhetim e conseguir, mesmo assim, passar a impressão de frescor (veja abaixo, no álbum de fotos, 10 truques e clichês de “Boogie Oogie”).

Há algumas explicações para isso. Nilson Xavier, em seu blog, apontou uma: a trama ágil. “Para manter o telespectador fisgado na história, o autor parece dar uma guinada na trama a cada bloco de capítulos. ‘Boogie Oogie’ é uma das poucas novelas em que se tem a sensação de que perder um capítulo faz falta sim”, escreveu, com muita propriedade.

Acrescento a este ponto um outro, correlato: a edição intensa da novela. Repare que as cenas de “Boogie Oogie” duram muito pouco, raramente mais do que um minuto. Quando a cena precisa ser mais longa, ela é dividida, sendo intercalada com outras. O recurso também não é original, mas obriga o espectador a ficar muito atento.

boogieoogiediscussaoTodo capítulo de “Boogie Oogie” tem drama, correria, briga, gritaria, entra-e-sai, revelação, vai-vém, separação, mais drama, outra revelação, mais correria, tudo temperado com uma trilha sonora repleta de hits dos anos 70. É uma novela que exige preparo físico emocional para acompanhar (risos).

O texto de Rui Vilhena, assim como a estrutura da novela, consegue agradar mesmo reproduzindo o que há de mais comum nos diálogos. Inteligente, o autor reserva sempre boas tiradas para alguns personagens, em especial para a vilã Carlota (Giulia Gam) e para Tadeu (Fabrício Boliveira), o filho da empregada que, ajudado pela patroa, se formou em direito.

Vilhena também tem o mérito de, trabalhando sobre alguns tipos pouco originais, conseguir transformá-los em personagens com aparência nova. É o caso de Claudia (Giovanna Rispoli), por exemplo. Já houve muitas “pestinhas” em novela, mas nenhuma tão doida e objetiva quanto ela. É também o caso de Fernando (Marco Ricca), o marido rico e adúltero, que “administra” três mulheres ao mesmo tempo com uma cara de pau impressionante.

Depois de dois meses no ar, “Boogie Oogie” me parece escrita com o objetivo de provar que não é preciso, necessariamente, inovar para cativar o público. Dito de outra forma, é uma novela velha usando uma roupa nova que lhe cai muito bem.


Ignorar Ibope da madrugada cria falsa percepção no mercado, diz SBT
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Mauricio Stycer

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A Record divulgou nesta quinta-feira (02) que fechou o mês de setembro na vice-liderança do Ibope, atrás da Globo. No acumulado de 2014, a emissora informou que também está em segundo lugar.

Os dados da Record se referem à audiência diária no período das 7h da manhã à meia-noite. E é aí, justamente, que mora a divergência. O SBT considera que avaliar os dados da audiência com base nesta faixa horária cria uma “falsa percepção no mercado”. Segundo José Roberto Maciel, vice-presidente-executivo da emissora, o correto é analisar os dados do Ibope nas 24 horas do dia.

Por essa ótica, quem ocupa a vice-liderança no mercado desde julho de 2014 é o SBT, deixando a Record em terceiro lugar (veja o gráfico acima). Por que ocorre essa diferença?

A principal explicação é que, entre 1h15 e 6h15 da manhã, a grade da Record é ocupada por programação da Igreja Universal, o que derruba a audiência da emissora. Já o SBT, assim como a Globo, tem programação normal que entra madrugada adentro. “A Record tenta consolidar no mercado a importância desse horário das 7h à meia-noite porque ela não pode falar sobre a sua madrugada”, diz Maciel.

daniliogentilithenoiteA aposta da emissora de Silvio Santos no horário cresceu depois que o contrato com a Warner, que fornecia filmes e séries com exclusividade, foi interrompido. O “The Noite”, com Danilo Gentili, que alcança uma audiência média de 5 pontos, e o “Okay Pessoal”, com Otavio Mesquita, são fruto deste novo investimento na faixa que começa depois da 0h. Entre os dois, a emissora ainda apresenta um telejornal.

A Record argumenta que o “mercado” não considera o horário da madrugada relevante, do ponto de vista da publicidade. Maciel apresenta dados que apontam em uma direção oposta.

Segundo o executivo do SBT, a faixa de 0h às 2h da manhã da emissora fatura cerca de 30% a mais do que a faixa matinal, das 6h às 12h. Ainda segundo Maciel, a concentração de espectadores das classes A, B e C1, o supra-sumo para o mercado publicitário, é maior de madrugada do que de manhã.

Levantamento da emissora feito na madrugada da última quarta-feira (01) mostra que o SBT difundiu anúncios de 28 marcas entre 0h e 2h, contra 25 da Globo e 10 da Record.

O total de aparelhos ligados entre 23h e 2h (35,5%) também é maior do que na faixa das 6h às 12h (25,7%), mostram os dados apresentados pelo SBT, referentes ao mês de setembro.

Procurei Walter Zagari, vice-presidente comercial da Record, para comentar o assunto, mas ele não me respondeu até o momento. Em outubro de 2013, quando questionei a emissora sobre este mesmo assunto, a resposta foi: “Quase a totalidade dos investimentos em publicidade é feito neste horário (das 7h à meia-noite)”.

Leia também (dois textos de 2013 sobre o tema)
Ibope acha “natural” as emissoras só valorizarem dados positivos
A arte de valorizar os bons números do Ibope e esconder os piores


Participante que mais grita na “Fazenda” aparece mudo em “Dupla Identidade”
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Mauricio Stycer

diegocristofazendadiegocristoduplaidentidadeProtagonista das maiores brigas e confusões na sétima edição da “Fazenda”, na Record, o ator Diego Cristo fez uma rápida aparição na noite desta sexta-feira (26) também na tela da Globo, no seriado “Dupla Identidade”.

Cristo contracenou com Luana Piovani, que faz a psiquiatra forense Vera, em duas cenas. Na primeira, na praia, os dois trocaram olhares. Na segunda, no apartamento de Vera, eles se despediram com um beijo rápido.

A cena na praia foi gravada em 18 de agosto, quase um mês antes da estréia da “Fazenda”,  que ocorreu em 14 de setembro.

Diferentemente do que ocorre no reality da Record, onde grita com quase todos os participantes, Cristo entrou mudo e saiu calado do seriado da Globo.


Não vi racismo, mas acusação pautou primeiro olhar sobre “Sexo e as Negas”
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Mauricio Stycer

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Pertinente ou não, a campanha que condenou “Sexo e as Negas” como racista e sexista antes mesmo da estreia teve a sua eficácia. Foi impossível assistir ao primeiro episódio da série sem pensar no assunto.

É evidente que um programa abertamente inspirado em “Sex and the City” seria julgado por este ângulo, também. Mas o pedido de boicote feito previamente pautou, para não dizer que contaminou, o olhar de muitos espectadores.

Narrada pelo próprio autor, Miguel Falabella, “Sexo e as Negas” usou a estreia mais para apresentar as suas quatro protagonistas, Lia (Lilian Valeska), Soraia (Maria Bia), Zulma (Karin Hills) e Tilde (Corina Sabbas), moradoras da favela Cidade Alta, em Cordovil, na zona norte do Rio.

As quatro são negras, distantes do padrão “globeleza”, mas com auto-estima lá em cima. Uma é cozinheira, outra trabalha como camareira em um teatro, a terceira é recepcionista em uma churrascaria. Batalham para ganhar a vida e, em alguns casos, ajudar ou manter os familiares – filhos, pais etc.

No cotidiano, enfrentam racismo, mais ou menos velado – assim como sofrem assédio de caráter sexual, igualmente sutil. O programa as mostrou como vítimas, o que de fato são. Já à noite, colocam a melhor roupa, namoram e, como avisa o título da série, fazem sexo com os parceiros que escolhem.

No primeiro episódio, as quatro se uniram para tentar comprar um carro velho e tentar atenuar o problema de transporte que enfrentam. A poupança que reuniram, R$ 2.800, era insuficiente, então recorreram ao jogo do bicho – e, ao final do programa, saíram da “loja” com um carrinho.

Como em “Pé na Cova”, também de Falabella, há humor, mas o tom é mais agridoce do que engraçado. A narração do autor e a presença de Jesuína (Claudia Gimenez), dona de um bar e de uma rádio comunitária, que também pontua a narrativa, ajudam a equilibrar a série entre estes dois pólos.

Respondendo a quem pautou a recepção desta estreia, não vi racismo algum no programa. Ao contrário, houve uma clara denúncia sobre o tema. Também não vi uma exploração da imagem das mulheres como objeto sexual maior do que a que se vê na novela das 21h, por exemplo.

A questão central, para mim, é outra. “Sexo e as Negas” é bom entretenimento? E as perguntas que me faço sobre a série são outras. É original? Bem dirigida? O elenco é bom? Cumpre o que prometeu? Gostaria de ver mais alguns episódios para responder.

Audiência: “Sexo e as Negas” marcou 14 pontos em São Paulo (e 18 no Rio). É uma audiência um pouco maior da que a emissora vinha alcançando com “O Rebu” às terças (média de 13 em São Paulo e 15 no Rio).


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“Sexo e as Negas” estreia com cenas quentes e divide opiniões na web


Mudança na bancada do “JN” gera especulações, mas não faz muita diferença
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Mauricio Stycer

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Renata Vasconcelos será a nova apresentadora do “Jornal Nacional” a partir de novembro, no lugar de Patrícia Poeta. Poliana Abritta ocupará o posto de Renata no Fantástico. Patrícia se dedicará a um novo projeto, na área de entretenimento, ainda a ser desenvolvido.

O anúncio feito às 8h30 da manhã desta segunda-feira pela Globo procura ressaltar que não há surpresa no fato mais surpreendente – a saída de Patrícia Poeta do JN apenas três anos depois de substituir Fátima Bernardes na bancada do telejornal.

O comunicado inclui a seguinte frase da apresentadora: “Quando aceitei com muita alegria o convite para ancorar o JN, propus esse prazo. Acreditava, então, que estar na bancada do mais importante telejornal brasileiro seria uma experiência única, enriquecedora, algo que me aprimoraria de uma maneira sem igual.”

Aceitar que uma nova apresentadora estabeleça o próprio prazo de permanência e entenda o trabalho como forma de “aprimoramento” me parece desmerecer o “Jornal Nacional”. Difícil de acreditar…

Por que, afinal de contas, Patrícia Poeta está saindo do “Jornal Nacional”? A mudança está gerando as mais variadas especulações no mercado. Tenho dúvidas, porém, se o burburinho é sinal da importância do telejornal ou apenas uma expressão do prazer da fofoca.

A rigor, não consigo ver diferença alguma, de fundo, num telejornal apresentado por Fátima Bernardes, Patrícia Poeta ou Renata Vasconcelos. Você vê? Por favor, me explique…

Este questionamento não vale, por outro lado, para o cargo de apresentadora do “Fantástico”. Na sua mistura de jornalismo com entretenimento, com apresentadores descontraídos, andando no estúdio, não basta saber ler notícias no teleprompter com competência. Neste ambiente no qual a personalidade do apresentador aflora de forma muito mais visível, Renata Vasconcelos claramente não parecia estar no lugar certo.

A outra questão que o comunicado da Globo levanta diz respeito ao movimento de aproximação do jornalismo com o entretenimento, cada vez mais claro. Se vingar, o projeto de Patrícia Poeta não será o primeiro. Os exemplos mais recentes foram as apostas em Fátima Bernardes (“Encontro…”), Tiago Leifert (“The Voice Brasil”) e Zeca Camargo (“Vídeo Show”).

Carlos Henrique Schroder, diretor-geral desde janeiro de 2013, é o primeiro jornalista a assumir o principal cargo executivo da emissora, antes ocupado por figuras oriundas da área comercial ou da publicidade.

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Patrícia Poeta deixará o “Jornal Nacional” em novembro

Observação: A foto no alto do texto foi postada nesta segunda-feira por William Bonner em seu perfil no Twitter. Mostra o apresentador entre Renata Vasconcelos e Patrícia Poeta. A selfie foi feita em março nos bastidores do prêmio “Melhores do Ano”, no “Domingão do Faustão”.


Canal Viva muda após descobrir que público de novela não é só “mulherzinha”
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Mauricio Stycer

memoriatelevisivacapaLançado em maio de 2010, um ano depois o canal Viva descobriu que estava perseguindo o público errado. Dedicado a reprises da programação da Globo, o canal planejava atingir mulheres com mais de 35 anos de todas as classes sociais. Em 2011, observando os dados do Ibope e pesquisas internas, verificou-se que o Viva atingia tanto mulheres quanto homens, e mais jovens.

A descoberta levou a mudanças não na programação, mas na estratégia de marketing, mostra o recém-lançado livro “A Memória Televisiva como Produto Cultural”, de Julio Cesar Fernandes. “Em função disso, a gente está tentando uma comunicação menos mulherzinha”, diz Tassiana Farias, analista de marketing, sobre a comunicação da empresa.

“No primeiro trimestre de 2012, 83% do público já era formado por homens e mulheres com 25 anos ou mais”, diz o Viva, depois de rever a sua estratégia inicial. Em 2014, inclusive, o canal alterou a programação visual com este mesmo objetivo – atender um público mais jovem do que se imaginava e de ambos os sexos.

Além de descobrir que novelas antigas não interessam apenas às mulheres, o Viva se vê em vantagem diante de outros canais da Globosat (como Multishow e GNT) na luta para ampliar o seu público. Em depoimento ao autor do livro, dado em 2013, Clarisse Goulart, coordenadora de programação do canal, explica:

“Hoje em dia, qual é o desafio da TV por assinatura? É conseguir falar com a classe C, que é a classe que mais cresce dentro do universo da TV por assinatura. E qual é o diferencial do Viva? O Viva já nasceu sabendo falar para essa classe C, porque ele já nasceu com conteúdo de TV aberta, que já é uma TV para as massas”.

O livro de Fernandes, adaptação de uma dissertação de mestrado, se debruça sobre o canal Viva para tentar entender como a memória televisiva é recuperada e construída por um canal de TV por assinatura. O autor é jornalista e trabalha atualmente na Rede Globo.


“A Grande Família” tem final brilhante com homenagem ao elenco
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Mauricio Stycer


Os roteiristas de “A Grande Família” encontraram uma linda solução para concluir a série. No último episódio, exibido na noite de quinta-feira (11), a Rede Globo decide produzir um seriado baseado na vida da família Silva. Atores famosos são chamados para interpretar os personagens da série.

Tony Ramos é apresentado a Lineu (Marco Nanini) e passa a imitá-lo. Gloria Pires encarna Nenê (Marieta Severo), e assim por diante. Daniel Filho é chamado para dirigir o episódio e, irritado com Agostinho (Pedro Cardoso), decide excluí-lo da série.

Esse exercício de metalinguagem teve um propósito principal: deixar claro que nenhum ator seria capaz de dar conta da tarefa tão bem quanto os profissionais que encarnaram os personagens de “A Grande Família” por 14 temporadas.

No caso de Tonico Pereira, o Mendonça, a homenagem foi explícita. Tony Ramos disse ao personagem que só Tonico Pereira poderia interpretá-lo.

Foram várias as cenas emocionantes neste episódio final. Lineu (Nanini) sendo convencido por Tony Ramos que a sua família merecia uma série de TV. Andrea Beltrão (Marilda) se reencontrando com Nenê (Marieta Severo). Lucio Mauro Filho e Marcelo Adnet, ambos encarnando Tuco e fazendo imitações de Silvio Santos e Lula. Agostinho (Pedro Cardoso) discutindo com Daniel Filho e dizendo que ninguém na Globo seria capaz de impedir a participação do seu personagem no programa.

Foi, enfim, um final glorioso, que rendeu uma homenagem inteligente aos grandes atores e atrizes que deram vida ao seriado por 14 anos. Palmas para todos.

Audiência: O último episódio de “A Grande Família” alcançou 22 pontos no Ibope, na Grande São Paulo, e 29 no Rio. Em ambas as cidades foi a segunda maior audiência da Globo no dia, atrás apenas de “Império”, que marcou 30 em São Paulo e 36 no Rio.


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