Blog do Mauricio Stycer

Arquivo : Globo

Livro apresenta tudo que você queria saber sobre trilha sonora de novela
Comentários Comente

Mauricio Stycer


Entender a história da música popular através da teledramaturgia brasileira é a ousada proposta de “Teletema”, de Guilherme Byran e Vincent Villari. Segundo os autores, nenhum outro tipo de programa de televisão foi “tão determinante para a construção do cenário musical brasileiro da década de 1970 em diante como a telenovela”.

Trata-se de uma impressionante pesquisa, tão minuciosa e detalhada que não coube em um único livro. O que acaba de ser publicado, com 512 páginas, é o primeiro volume, que abarca o período de 1964 a 1989. Um segundo ainda vai ser lançado.

TeletemaautoresBryan é jornalista e professor. Villari é igualmente jornalista e autor de novelas. O seu mais recente trabalho, em parceria com Maria Adelaide Amaral, foi a novela “Sangue Bom” (2013).

A dupla mostra em detalhes como as trilhas sonoras de novelas nasceram e se desenvolveram, até se tornarem elementos fundamentais para a tramas. Não menos importante, “Teletema” (Editora Dash, 512 págs., R$ 69,00) também demonstra como a própria criação músical se adaptou para atender a indústria de telenovelas.

Inicialmente visto com maus olhos, fazer trilha sonora de novelas foi se tornando um negócio atraente e rentável para emissoras, gravadoras e artistas. Bryan e Villari mostram que o “pulo do gato” do negócio foi dado em 1975, à época de “Pecado Capital”.

Guto Graça Mello se torna diretor musical de teledramaturgia da Globo e entende que as músicas de novelas devem estar umbilicalmente ligadas aos lançamentos dos artistas. É essa visão mais comercial que leva as trilhas a incluírem sempre “músicas de trabalho” de discos lançados no mesmo período das tramas.

TeletemacapaÉ neste período, também, que a Globo cria plataformas de exposição para os músicos brasileiros, os programas “Globo de Ouro” e “Fantástico”, que ajudam a promover as músicas incluídas nas novelas.

Não bastasse essa análise densa, Bryan e Villari se dedicam também ao trabalho inacreditavelmente detalhista de descrever cada trilha sonora de novela lançada no Brasil, em todas as emissoras. Para isso entrevistaram mais de 100 pessoas, entre autores, músicos, produtores e executivos de gravadoras.

Para quem pesquisa o assunto, ou precisa de alguma informação relacionada a música e novela, “Teletema” é não apenas indispensável, como seguramente o mais completo trabalho a respeito já feito. Lamento apenas que não conte com um índice onomástico, essencial em um estudo deste tipo.

No álbum de fotos no alto deste texto, os autores do livro “Teletema” comentam discos de dez novelas emblemáticas.

Leia também
“Teletema” mostra força das trilhas de novelas
Livro mostra como a novela fez trilha sonora do Brasil entre anos 60 e 80

O blog está no Twitter, Facebook e Google+.


Detetive Vê TV: Microfone da Globo some e só fica o da Record no “SPTV”
Comentários Comente

Mauricio Stycer

DetetiveVeTVRecordnaGlobo

Momento curioso, e rápido, observado por alguns espectadores do “SPTV – 1ª Edição”, nesta terça-feira (09). Numa reportagem sobre um crime ocorrido pela manhã em São Paulo, a certa altura, o microfone da repórter da Globo desapareceu e restou apenas o da Record. Alguém que estivesse distraído, poderia achar que estava assistindo ao telejornal da emissora concorrente.


“Hora Um” aproxima jornalismo da Globo do rádio e da TV paga
Comentários Comente

Mauricio Stycer

HoraUmMonalisaPerrone
Em busca de uma audiência rotativa, volátil, o jornalismo feito para rádio adota sem pudor o princípio da repetição de noticias. O ouvinte que permanece sintonizado numa única estação por mais de 20, 30 minutos, acaba ouvindo as mesmas notícias em “looping”.

Na TV paga, as emissoras “all news”, dedicadas exclusivamente a notícias, também abusam do expediente – no caso, não somente em busca de audiência rotativa, mas também por falta de novidades ou recursos profissionais para alimentar as muitas horas ao vivo no ar.

A estreia do “Hora Um”, na Globo, traz para a TV aberta este recurso. No ar das 5h às 6h da manhã, o novo jornalístico repetiu algumas noticias até três vezes, em intervalos de 15 minutos.

O recurso, anunciado com antecedência, também foi tratado com transparência ao vivo. De forma a alertar os espectadores que acompanharam o telejornal do início ao fim, Monalisa Perrone avisava antes de cada repetição: “Para você que está acordando, o ‘Hora Um’ já mostrou…”.

Esta foi, talvez, a maior novidade do novo programa – além, claro, do seu horário. Trata-se de uma aposta ousada investir recursos, como fez a Globo, em um telejornal que vai ao ar às 5 da manhã, um período de baixa visibilidade e menor interesse comercial.

A estreia foi acompanhada de outra alteração importante na grade da emissora. Tanto o “Bom Dia” local quanto o “Bom Dia Brasil” tiveram suas durações estendidas, criando assim uma faixa de programas jornalísticos, ao vivo, das 5h às 9h.

É um esforço interessante. Mostra, por um lado, uma reação da Globo à concorrência e, por outro, uma aposta relevante no jornalismo.

A questão a verificar nos próximos meses é se há público interessado em consumir tanta notícia. Na estreia do “Hora Um”, por falta de alguma notícia de grande interesse a exibir, a repetição a cada 15 minutos, para quem seguiu o programa inteiro, deu um ar enfadonho ao telejornal.

Atualizado às 13h: Dados preliminares do Ibope apontam que o novo telejornal registrou 3,7 pontos na Grande São Paulo, um aumento de 85% na audiência da Globo no horário. Leia mais aqui.

Veja também
À frente do “Hora Um”, Monalisa Perrone conta que toma café da manhã à 1h
Agitação na madrugada
Ignorar Ibope da madrugada cria falsa percepção no mercado, diz SBT

O blog está no Twitter, Facebook e Google+.


Carreira de Chacrinha é marcada por acusação de cobrar “jabá”, mostra livro
Comentários Comente

Mauricio Stycer

Chacrinhanopalco
Do início ao fim de sua carreira, primeiro no rádio, depois na televisão, Abelardo Barbosa, o Chacrinha, conviveu com uma mesma acusação – a de que recebia dinheiro por fora para privilegiar artistas em seus programas.

ChacrinhaBiografiaCapaComo mostra o recém-lançado “Chacrinha – A Biografia”, de Denílson Monteiro, o apresentador enfrentou a situação de formas diferentes ao longo do tempo. Às vezes, a aceitou de bom grado, às vezes se sentiu incomodado e reagiu com fúria aos que o criticaram.

A prática, muito comum por décadas, tinha relação direta com as atividades em que Chacrinha se consagrou – a de discotecário e programador musical (ou “disc jockey”), no rádio, e de apresentador de programa de auditório, também no rádio e depois na TV.

Monteiro descreve inúmeras situações em que Chacrinha se viu obrigado a discutir publicamente este mau hábito. Em 1961, questionado a respeito por Oswaldo Sargentelli, na TV Rio, ele respondeu: “Eu fiz divulgação, mas você também já levou algum”.

O jornalista e pesquisador musical Sergio Cabral escreveu no “Jornal do Brasil” que Chacrinha fazia parte de um grupo de DJs que se reunia para decidir quanto cada um receberia de jabá das gravadoras. A resposta do apresentador, transcrita no livro, é reveladora:

“Eu sou tão desonesto quanto o senhor Sergio Cabral. Eu disse na televisão para todo mundo ouvir que já levei dinheiro de algumas fábricas de disco em troca de divulgação que fiz para as mesmas. Hoje sou divulgador da Chantecler, mas toco os discos de todas as fábricas. O senhor Sérgio Cabral, porém, recebe discos para criticar e depois vende-os aos sebos. E só comenta os discos das fábricas que o acarinham”.

Em sua primeira passagem pela Globo, entre 1967 e 1972, certa vez foi questionado pelo poderoso Boni a respeito do assunto: “Você está me chamando de ladrão? Eu nunca recebi nada de ninguém! Não sou ladrão! Não sou ladrão!”

Na década de 80, em sua segunda passagem pela emissora, a acusação reapareceu: para cantar no palco do “Cassino do Chacrinha” era preciso pagar. Leleco Barbosa, filho do apresentador, respondia, segundo o livro, que “a única coisa que havia era uma permuta entre a produção e os artistas, que participavam dos shows que Chacrinha fazia pelo subúrbio carioca e outros Estados”.

chacrinharadio2Como muitos outros apresentadores da era de ouro do rádio, entre as décadas de 30 e 50, Chacrinha sempre foi responsável pela própria captação de anúncios para os seus programas. O hábito foi levado para a TV e aceito de bom grado pelos executivos das principais emissoras pelas quais passou – TV Rio, Tupi (duas vezes), Band e Record (em São Paulo). Só na Globo, segundo Monteiro, ele recebeu salário.

A proximidade com os anunciantes está na origem de duas assinaturas de Chacrinha. Um dos patrocinadores de seu programa no rádio, nos anos 50, era uma marca de água sanitária, chamada Clarinha. Para promovê-la, o apresentador inventou de gritar o nome no meio de suas transmissões. Quando o fabricante faliu, Chacrinha inventou um nome qualquer, com sonoridade semelhante, para continuar gritando. Assim nasceu o célebre grito de “Terezinha, u-uuuuu!!!!”

Chacrinhachacretes2Já a ideia de atirar postas de bacalhau para o auditório surgiu depois que um de seus mais fieis patrocinadores, o dono dos supermercados Casas da Banha, se viu com um estoque encalhado do produto. Venâncio Veloso pediu uma ajuda ao Velho Guerreiro que, num estalo, teve a ideia: “Vocês querem bacalhau???” Reza a lenda que o estoque do supermercado acabou em poucos dias.

“Chacrinha – A Biografia” passa rapidamente pelo nascimento, em 1917, em Surubim (PE), pela infância em Caruaru e depois Campina Grande (PB), e pela juventude em Recife, onde chegou a estudar medicina. Denilson Monteiro descreve Abelardo Barbosa como um rapaz inquieto, que largou os estudos para se aventurar pela carreira artística no Rio, mas não consegue explicar claramente o que o levou para este mundo do rádio.

Da mesma forma, a biografia falha ao não conseguir mostrar como Chacrinha desenvolveu o seu gênio, a sua incrível capacidade de comunicação, o seu talento para a improvisação, o seu gosto por extravagâncias e a sua facilidade em pegar ideias alheias e adaptá-las em seus programas.

chacrinhagesto“Chacrinha – A Biografia” é eficiente ao mostrar que, como poucos, ele entendeu que a comunicação de massa deve ser extremamente popular. É este talvez o seu maior legado. Por outro lado, o livro não deixa de lembrar de muitos episódios em que, para alcançar os seus objetivos de audiência, meteu os pés pelas mãos, explorando a miséria alheia, humilhando convidados e constrangendo o seu público.

O livro descreve Chacrinha como um tipo inseguro, altamente competitivo por audiência e grosseiro com os seus comandados. Mas falta apuração do autor para explicar uma série de incidentes ocorridos em sua trajetória, que são tratados como fofocas.

Monteiro é também autor das biografias de Carlos Imperial (“Dez, Nota Dez!”) e de Ronaldo Bôscoli (“A Bossa do Lobo”). O livro sobre Chacrinha, em algumas passagens, não tem o mesmo cuidado visto nos trabalhos anteriores.

O lançamento de “Chacrinha – A Biografia” (Casa da Palavra, 368 págs., R$ 49,90) coincide com a estreia, no Rio, do musical “Chacrinha”, de Pedro Bial e Rodrigo Nogueira, com direção de Andrucha Waddington.

Esta é a terceira biografia de Chacrinha. As duas anteriores, “Chacrinha É o Desafio” (1969), de Péricles Amaral, e “Quem Não se Comunica se Trumbica” (1995), de Florinda Barbosa e Lúcia Rito, estão esgotadas, mas são encontradas em sebos. Há um bom documentário sobre Chacrinha, chamado “Alô Alô Terezinha” (2009), de Nelson Hoineff. Chacrinha morreu em 1988.

Veja também
Musical sobre Chacrinha causa comoção na estreia para convidados famosos
Em musical sobre Chacrinha, Boni aparece como vilão
Artistas conferem a estreia do musical “Chacrinha”
Filho de Chacrinha quer relançar Cassino e detona ‘cópia’ de Casé

O blog está no Twitter, Facebook e Google+.


The Voice: Decote da jurada chama mais a atenção que a voz dos candidatos
Comentários Comente

Mauricio Stycer

TheVoiceClaudiaLeitteComo acontece quase sempre, os jurados do “The Voice Brasil” chamaram mais a atenção do que os candidatos do concurso de talentos da Globo. E como ocorre com frequência, também, Claudia Leitte brilhou mais que os demais, com um decote espetacular, diante do qual não era possível prestar atenção em mais nada.

Tirando o decote da cantora, o primeiro programa ao vivo da temporada correu dentro da normalidade. Daniel fez uma comparação sem propósito entre o Dia da Consciência Negra, celebrado na quinta-feira (20), e a necessidade de o público votar de forma consciente no “The Voice”. “Não somos o dono da verdade, vamos votar com consciência”, disse.

Lulu Santos apostou na redundância: “Vou continuar na minha técnica de destacar quem eu acho que de fato se destacou”. Carlinhos Brown filosofou: “Hoje é o Dia da Consciência Negra. Que esse dia nos revele outras consciências: que esse é um país miscigenado.”

E Tiago Leifert, com toda a pompa possível, deu uma importante notícia ao público: pela primeira vez na história do “The Voice Brasil”, um casal foi formado por participantes. O apresentador também não economizou nos elogios a Claudia Leitte: “Você está muito bonita hoje. Você está demais. Claudia Leitte está excelente hoje”.

Quatro cantores (Kim Lirio, Lui Medeiros, Romero Ribeiro e a dupla Danilo Reis e Rafael) foram escolhidos por voto do público e outros quatro (Jésus Henrique, Leandro Bueno, Rose Oliver e Edu Camargo) foram salvos pelos jurados.

Atualizado às 16h: Na primeira noite ao vivo, “The Voice Brasil” registrou a pior audiência desta temporada, 21 pontos. Leia mais aqui.

Veja também
“The Voice Brasil” inicia nova fase e perde queridinhos da internet


Mudança na estrutura da Globo reflete transformação dos hábitos do público
Comentários Comente

Mauricio Stycer

GloboEntretenimento
Em pé (da esq. para dir.), a diretora de Desenvolvimento Artístico, Monica Albuquerque, o diretor-geral, Carlos Henrique Schroder, e o diretor de Produção, Eduardo Figueira; sentados, os diretores de gênero Ricardo Waddington, Silvio de Abreu, Guel Arraes e Boninho

A Globo anunciou nesta segunda-feira (17) o desmembramento do poderoso cargo de diretor de Entretenimento em quatro diretorias, divididas segundo gêneros, formatos e horários de programas. Sai Manoel Martins, que desde 2008 dava a palavra final em toda a produção de conteúdo de entretenimento da emissora, e entram quatro novos diretores.

Silvio de Abreu será responsável por Dramaturgia Diária (novelas); Guel Arraes vai comandar a Dramaturgia Semanal (séries); e a área de Variedades terá dois diretores, Boninho (para programas diários e realities) e Ricardo Waddington (para atrações noturnas e de fins de semana).

A estrutura se completa com duas diretorias que já existiam: Produção, comandada por Eduardo Figueira, e Desenvolvimento Artístico, dirigida por Monica Albuquerque.

A mudança mais importante está em uma das frases do comunicado: “A área passará por uma transformação: deixará de ser centralizada para ser orientada pelo conteúdo”. Ou, como disse o diretor-geral, Carlos Henrique Schroder: “Com esse modelo, colocamos todo o talento e capacidade da Globo a serviço do conteúdo, gerando produtos mais focados em cada especialidade para nossa audiência.”

Trata-se, obviamente, de uma alteração importante na estrutura de poder da emissora, reflexo da troca na direção-geral ocorrida em janeiro de 2013 com a saída de Octavio Florisbal e a chegada de Schroder.

Mas vai além. É uma mudança que parece fazer sentido quando se pensa nas transformações tecnológicas e de hábito que já afetam – e vão afetar cada vez mais – a forma de consumir TV no Brasil. O público tende a se orientar cada vez menos pela ideia de “grade” e mais pela possibilidade de ver os programas que deseja, no horário e no aparelho (TV, laptop, smartphone) que bem entender.


Marcelo Rezende diz que tentou convencer a Globo a não atacar Edir Macedo
Comentários Comente

Mauricio Stycer

MarceloRezendaMacedo
A pretexto do seu aniversário de 63 anos, festejado no último dia 11, o jornalista Marcelo Rezende ganhou uma homenagem especial da Record neste domingo (16). Por duas horas e dez minutos, ele ouviu elogios de colegas, amigos e fãs no palco do “Domingo Show”, além de ter sido objeto de uma visita da equipe do programa, previamente gravada, em sua casa.

O ápice da bajulação se deu no final, quando o apresentador Geraldo Luis lhe entregou um vaso de flores e leu uma carta repleta de elogios assinada por Edir Macedo, líder da Igreja Universal e dono da Rede Record. “Essas flores vêm de um homem de uma grande alma e de uma coragem extraordinária”, disse o apresentador do “Domingo Show”.

“É a primeira vez, em 43 anos, que o dono de uma empresa me manda uma carta”, disse Rezende, antes de iniciar um discurso de quase 10 minutos, concluído com um beijo ao patrão (imagem acima).

Rezende surpreendeu ao afirmar que, em 1992, trabalhando na Rede Globo, foi convocado a uma reunião para discutir a realização de um “Globo Repórter” com o objetivo de atacar Macedo. Abaixo a transcrição do que disse:

“Era uma reunião para sentar o pau no bispo Macedo. Era pra fazer uma reportagem, todo mundo. Eu tô olhando a reunião. Eu tô lá, os caras esperando pra ver o que eu tenho pra dizer. Mudo eu tava, mudo eu fiquei. Quando acabou aquela reunião, para fazer um ‘Globo Repórter’, pra sentar a borduna no bispo Macedo e na igreja, eu olhei. ‘Posso falar uma coisa?’ Tava todo mundo esperando que eu falasse. ‘Vocês vão cometer dois erros. O primeiro erro é que vocês vão bater na fé das pessoas. Quem entra, em busca de uma palavra, ela vai buscar um algo pra confortar o seu coração, e vocês vão agredir todas essas pessoas. A segunda coisa é uma reflexão’. Aí ficou todo mundo me olhando. ‘A reflexão é a seguinte. Um homem mente. Ele mente pra um, ele mente pra 50, ele mente pra 50 milhões. É possível um homem mentir pra 200 países?’ Será? Esse homem, que fez essa carta pra mim, com essa generosidade, é um homem que pode chegar e mentir pra todo mundo? Não. Não pode.”

Rezende não revelou se convenceu os seus interlocutores na Globo a desistirem do programa, nem qual foi a reação às suas palavras. O apresentador do “Cidade Alerta” prosseguiu em sua defesa de Macedo, dizendo que a construção do Templo de Salomão é a maior prova da honestidade do criador da Igreja Universal:

“Todo mundo esculhamba o sujeito porque ‘é um ladrão, rouba dinheiro dos outros’. A pergunta que te faço é: pra que ele ia investir tanto dinheiro pra fazer aquele Templo de Salomão? Pra quê? Se o dinheiro já tava lá, ficava com o dinheiro pra ele. Mas ele fez.”

O apresentador relatou a sua visita ao templo: “Quando você olha o Templo de Salomão aqui no Brás você fica impactado. Aquilo é grande, tem uma dimensão gigantesca. Quando você entra naquela santuário, você entende a dimensão, você se vê diante de Deus e você se sente feliz.”

E voltou a fazer elogios a Macedo, pela “missão espinhosa e difícil” que ele tem, de levar “a palavra de Deus para aquelas pessoas que precisam”. Ao final, disse: “Eu quero agradecer o senhor de coração. Vou lhe jogar um beijo. Primeira vez que eu jogo um beijo pro patrão.”

Adendo (atualizado às 11h): Questionada pelo blog, a Globo afirma desconhecer o episódio a que Marcelo Rezende se refere e, por isso, não vai comentá-lo. A emissora afirma ainda: “O nosso jornalismo se pauta pela isenção, correção e agilidade, de acordo com o que pregam nossos princípios editoriais. Assim, fazemos matérias sobre fatos de interesse público e não para desqualificar o que ou quem quer que seja”.

Memória
Record abraça “guerra religiosa” e mostra enriquecimento de bispo rival de Edir Macedo