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Dos melhores do ano, Os Experientes merecia mais episódios e horário nobre
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Mauricio Stycer

osexperientesjoanaselmaExibido o último episódio, não é exagero dizer que “Os Experientes” se habilita a entrar na lista dos melhores programas de 2015. Produto da O2, de Fernando Meirelles, a série contou quatro histórias independentes ligadas pelo tema do envelhecimento.

osexperientesjucaCom roteiro de Antonio Prata (o primeiro) e de Marcio Alemão Delgado (os outros três) e direção dividida entre Meirelles e o filho Quico, “Os Experientes” abriu espaço para um timaço de atores veteranos brilharem.

De Beatriz Segall a Juca de Oliveira, passando por Selma Egrei, Joana Fomm, Otavio Augusto, Lima Duarte, Othon Bastos, entre outros, a série ofereceu espaço para variados solos dramáticos de atores que hoje, de uma maneira geral, só conseguem espaço como coadjuvante em novelas.

OsExperientesWilsondasNevesO episódio “Os Atravessadores do Samba” ousou ainda mais, ao escalar os veteranos músicos Germano Mathias, Wilson das Neves e Zé Maria e o jornalista Goulart de Andrade como protagonistas. A falta de traquejo como atores foi compensada pela comovente entrega dos intérpretes.

A rigor, foram quatro especiais, cada um contando uma história original, sempre em tom agridoce, tratando de pequenos dramas com pitadas de humor e auto-ironia. Como escrevi a respeito da estreia, é muito raro ver na TV aberta tão boa combinação de direção, edição, texto, trilha sonora e elenco, tudo funcionando muito bem para contar histórias emocionantes, sem ser piegas.

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O quarto capítulo, talvez o mais bonito e forte, ao apresentar um romance entre duas mulheres mais velhas, propôs algumas ligações entre os personagens que apareceram ao longo de toda a série. As personagens de Selma Egrei e Joana Fomm assistiram ao espetáculo de samba protagonizado pelos artistas do segundo episódio. O gerente de banco do primeiro capítulo, vivido por Eucir de Souza, era o filho da personagem de Egrei e o advogado do terceiro episódio, interpretado por Othon Bastos, era amigo da família.

O que estranho em relação a “Os Experientes” foi a hesitação da Globo em lançar o programa. Consta que estava pronto há pelo menos um ano. Segundo Roberto Irineu Marinho, presidente do Grupo Globo, em entrevista ao “Valor”, a série teria sido gravada há três anos e “estava na prateleira”.

O programa foi ao ar naquele que é considerado o pior horário da linha de shows da emissora – sextas-feiras, depois do “Globo Repórter”. Obteve audiência razoável, entre 12,7 pontos (na estreia) e 11,8 (no último dia 24).

“Os Experientes” merecia não apenas duração maior como um horário melhor na grade. Quem sabe a emissora não encomenda uma segunda temporada.

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Fátima Bernardes completou a transição do jornalismo para o entretenimento
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Mauricio Stycer

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Perto de festejar três anos à frente de um programa de auditório (estreou em 25 de junho de 2012), Fátima Bernardes pode considerar que completou de forma brilhante a transição do jornalismo para o entretenimento.

Neste período, ela mostrou total entrega à função de apresentadora, o que inclui descontração, falta de vergonha e disposição para se submeter a todos os “micos” e constrangimentos que a função exige.

Mais que isso, Fátima se tornou uma das maiores estrelas e um símbolo dentro da Globo. É chamada para todo o tipo de participação especial – já esteve nas novelas “Cheias de Charme” e “Geração Brasil”, no humorístico “Tá no Ar”, além de narrar os desfiles das escolas de samba do Rio.

Este ano, ela apresentou o “Show 50 Anos”, ao lado de Pedro Bial, e esteve entre os 16 profissionais da casa que relembraram, no “Jornal Nacional”, o cinquentenário do jornalismo da emissora.

Além disso, a apresentadora já apareceu como atriz em duas novelas que estão no ar, “Alto Astral” e “Babilônia”. Na primeira, contracenou com Claudia Raia, a Samantha. E na segunda, dividindo a cena com Fernanda Montenegro, interpretou o papel que costuma fazer em seu programa e entrevistou a advogada Teresa.

Por tudo isso, a cena exibida esta manhã (01) em seu programa não chega a surpreender. Ao contrário, era até previsível. Mostrando o trabalho de dançarinas que praticam pole dance, Fátima foi convidada a subir no poste. É óbvio que foi.

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UOL Vê TV: Globo comemora 50 anos, mas nada dá certo no “Vídeo Show”
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Mauricio Stycer

UOL Vê TV – Globo comemora 50 anos, mas nada dá certo no Vídeo Show

Em pleno aniversário de 50 anos da Globo, o “Vídeo Show”, programa que fala exclusivamente sobre a programação da própria emissora, passou novamente por uma série de mudanças, mas nada parece estar dando certo.

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“Jornal Nacional” muda para reforçar a aposta na informalidade
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Mauricio Stycer

bonnerrenata2015Os créditos de encerramento do “Jornal Nacional” já apareciam quando William Bonner e Renata Vasconcellos se levantaram da bancada e caminharam em direção à tela. Um pouco antes de desaparecerem de vista, o apresentador fez uma saudação, com a mão, para alguém escondido à direita (imagem acima), enquanto sua colega de bancada abria um grande sorriso.

A informalidade deste momento final foi apenas a cereja no bolo da edição de segunda-feira (27). O programa marcou a apresentação de um cenário reformado, novos recursos tecnológicos (em especial, um telão lateral maior) e movimentos de câmera originais no enquadramento de Bonner e Renata.

jnmariajuliaUm dos efeitos interessantes foi provocar a impressão de que os jornalistas que falavam à distância estavam em um mesmo cenário do que os apresentadores. Veja na imagem ao lado, por exemplo, a interação entre Renata e Maria Julia Coutinho, que estreou como apresentadora da previsão do tempo no JN, falando de São Paulo.

Mais do que tudo isso, porém, o que chamou mesmo a atenção foi a informalidade de Bonner e Renata. Em diferentes momentos, eles caminharam pelo cenário, entrevistaram correspondentes e até deram notícias em pé.

Estas novidades reforçam um movimento que já ocorre há alguns anos, no sentido de tornar o “Jornal Nacional” menos sisudo (sonolento?) e mais próximo do espectador.

A troca de olhares entre os apresentadores, iniciada ainda com Fátima Bernardes na bancada, já sinalizava este esforço de dar um ar de normalidade a quem lê as notícias, como que dizendo que eles são “gente como a gente”.

E o conteúdo? Imagino que muitos estão se perguntando isso. Cada vez mais, como se sabe, a embalagem é um elemento tão ou mais fundamental. Em tempo de incessante fuga de audiência da TV aberta, manter o espectador preso diante da tela ouvindo notícias, muitas delas já vistas durante o dia na internet, é um desafio e tanto.

Resta ver se este esforço do JN, legítimo, vai ter sucesso.

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Sem roteiro, “Show 50 anos” diverte, mas não conta a história da Globo
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Mauricio Stycer

A Globo reapresenta nesta sexta-feira, (01), às 14h50, o especial.

É difícil resumir em 90 minutos os 50 anos de uma emissora de televisão. Ainda mais da Rede Globo, fundada em 1965, líder de mercado desde 1971 e uma referência fundamental, para o bem e para o mal, na história do entretenimento e do jornalismo do país.

A tarefa de quem produziu e dirigiu o “Show 50 Anos”, exibido na noite de sábado (25), não era fácil. Seria preciso, antes de mais nada, ter uma ideia. O que sintetiza esse período? Quais são as histórias mais importantes que a Globo contou nestas cinco décadas? O que diferencia a emissora de outras?

Respondendo a estas perguntas, ou a outras semelhantes, teria sido possível esboçar um roteiro para um show comemorativo deste porte. Mas quem assistiu ao espetáculo notou que, infelizemente, ele não teve roteiro algum.

“Show 50 anos” foi um amontoado de esquetes, organizados por temas (novelas, humor, jornalismo, esporte, séries etc), sem nenhuma conexão entre eles, nem maior conteúdo, além da evocação, saudosista, de alguns ícones da programação da emissora.

Fátima Bernardes e Pedro Bial, na função de narradores, deixaram claro, também, que não tinham nenhuma história para contar. O papel de ambos se limitou, basicamente, a anunciar os nomes que apareciam no palco – substituindo as legendas que costumam surgir na tela nessas horas.

No Twitter, onde este tipo de evento da TV costuma provocar euforia, muita gente comparou o “Show 50 Anos” ao especial “Criança Esperança”, pela sucessão, meio sem razão de ser, de números musicais com cantores populares.

Aliás, banda Malta, Thiaguinho, Paulo Ricardo, Gaby Amarantos, Roupa Nova, Latino, Gustavo Lima, Joelma e Chimbinha, Michel Teló e Seu Jorge, entre outros, ganharam um destaque que figuras fundamentais para a história da emissora não tiveram.

Pelo limitado papel que coube à dupla de apresentadores, na visão de muitos espectadores, Fátima de Bial lembraram narradores de desfile de escola de samba – uma comparação não de todo injusta.

Vistos isoladamente, alguns quadros foram mais bem realizados do que outros. A homenagem a Chico Anysio, com seus personagens desfilando pelo palco, foi um grande momento. Galvão Bueno narrando eventos esportivos exibidos no telão também provocou um belo efeito.

No conjunto, a sequência de números musicais e homenagens produziu bom entretenimento. Ágil e divertida, foi uma superprodução que não ofereceu tempo para o espectador respirar. Mas que ficou longe de contar a história dos 50 anos da Globo.

Em tempo: muito mais ousada e divertida foi a homenagem que o “Tá no Ar” fez, em seu último episódio, ao cinquentenário da emissora.

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“Tá No Ar” volta, mas só em 2016
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Mauricio Stycer

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A turma que faz o melhor humorístico da TV volta a se reunir em outubro para gravar uma nova temporada, a ser exibida em janeiro de 2016, informa nesta sábado (25) a colunista Patricia Kogut, de “O Globo”.

Para quem, como eu, esperava que o “Tá No Ar” virasse um atração fixa na grade da Globo, ou ao menos que apresentasse uma nova temporada ainda este ano, a notícia é um pouco frustrante.

Em dez episódios, a segunda temporada foi exibida entre fevereiro e abril de 2015. Em todo caso, é positivo saber que o programa não acabou e voltará a ser apresentado no ano que vem.

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Globo se apresenta como vítima da censura em especial sobre os 50 anos
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Mauricio Stycer

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Nas comemorações dos 50 anos da Globo, o “Jornal Nacional” está exibindo esta semana uma retrospectiva sobre o jornalismo da emissora. Apresentada por William Bonner e comentada, em uma mesa redonda, por 16 profissionais da casa, a série tratou na segunda-feira (20) do período 1965-1974 e no dia seguinte dos anos entre 1975 e 1984.

O primeiro episódio, com 20 minutos de duração, dedicou menos de 90 segundos à ditadura militar, iniciada um ano antes da inauguração da emissora. Rapidamente, Bonner observou que “é impossível tratar do nascimento do ‘JN’ (ocorrido em 1º de setembro de 1969) sem tratar desse tema” e alguns jornalistas lembraram que o noticiário estava submetido a censura prévia na época.

No segundo episódio, por outro lado, censura e ditadura foram os temas principais. Nos primeiros cinco minutos, de um total de 22, Bonner lembrou cinco situações dramáticas, realçando sempre um mesmo ponto: a dificuldade do jornalismo da emissora de retratar a realidade por culpa da censura.

“As mortes tanto de Juscelino quando de Jango (ambas ocorridas em 1976) foram censuradas. Não se podia dizer, por exemplo, que Jango tinha sido cassado na cobertura sobre a morte dele”, disse. Já o repórter Francisco José observou: “Quantas vezes eu não tentei chegar junto desse general (Ernesto Geisel, presidente entre 1974 e 79) nas visitas que ele fazia para aparecer na seca, mas ele não falava. Na hora em que eu tentava falar, eles afastavam. Isso aconteceu várias vezes, em todos os Estados do Nordeste.”

Bonner se vangloriou que, em 1979, promulgada a lei da anistia, o “JN” exibiu reportagens mostrando a volta de alguns exilados, como Betinho, Leonel Brizola e Fernando Gabeira. “Isso foi pro ar, foi ao ar na televisão”, festejou.

O repórter Ernesto Paglia lembrou a cobertura das greves no ABC paulista, ocorridas naquele período: “Nós ainda vivíamos sob alguma forma de censura… Pressões para que a Globo não noticiasse o movimento. Nós tínhamos 30 segundos para colocar aquilo no ar. Não era uma censura, tipo ‘não pode falar da greve’, mas é óbvio que em 30 segundos você é obrigado a resumir e o peso que aquilo tem na cobertura é muito menor.”

Por fim, Andre Luiz Azevedo comentou a cobertura do atentado ao Riocentro, em 1981: “Havia essa disputa entre abertura e o fechamento e a gente cobria esse fato dando a versão oficial; claro, a gente era obrigado a dar. Mas sempre demonstrando, como nesse caso do Riocentro, como essa era uma mentira deslavada, onde os fatos eram grosseiramente forjados.”

Não vi inverdades neste relato, mas é uma narrativa destinada a convencer o espectador de que a Globo foi vítima – e não aliada – do regime militar que dirigiu o país entre 1964 e 1985. O especial omite muitos fatos que poderiam deixar esta narrativa mais equilibrada. Cito um: o programa “Amaral Neto, o Repórter”, por exemplo, que por 15 anos (1968-1983) ocupou espaço na grade da emissora louvando os feitos do governo.

Nos últimos sete minutos do especial de terça-feira, Bonner tratou de um erro a respeito do qual figuras da emissora já fizeram “mea culpa” público há anos: a timidez e a omissão de fatos no início da cobertura da campanha pelas eleições diretas para presidente, a partir de 1983.

O fato-símbolo desta postura foi a apresentação de uma reportagem sobre um comício em São Paulo, em janeiro de 1984. “Um dia de festa em São Paulo”, disse o apresentador Marcos Hummel. Bonner explicou: “Isso aí foi visto durante muitos anos como uma tentativa da Globo de esconder as Diretas. E, obviamente, depois de muitos anos também, foi reconhecido como um erro.”

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Não queremos bunda, anões e gincanas, diz Adnet sobre briga por ibope
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Mauricio Stycer

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Chega ao fim nesta quinta-feira (16) a segunda temporada de “Tá No Ar – a TV na TV”, o mais ousado programa humorístico exibido pela Globo desde “TV Pirata”, em 1988.

O programa final será uma homenagem aos 50 anos da Globo e contará com participações de  Alexandre Nero e Antônio Fagundes. As tradicionais zapeadas vão brincar com cenas históricas destes 50 anos. O personagem Militante Revoltado sai, finalmente, de seu quarto e revela “50 verdades” sobre a Rede Globo.

Rindo com inteligência e, aparentemente, sem limites do universo da televisão, a atração criada por Marcius Melhem, Marcelo Adnet e Mauricio Farias conquistou um público fiel – ainda que modesto, em matéria de audiência.

Nesta entrevista exclusiva ao UOL, Adnet faz um balanço da segunda temporada e realça um dos maiores trunfos do humorístico – o fato de o “Tá No Ar” atirar para todos os lados: “Apenas os menos acostumados à democracia são capazes de se ofender”, diz.

Comentando a disputa com “A Praça É Nossa”, do SBT, que vai ao ar em um horário próximo, Adnet afirma que o programa “não vai se curvar” à briga pela audiência. “Se quiséssemos priorizar o Ibope, o programa não teria zapeada, não citaria a ‘concorrência’, teria menos inovações e não teria críticas e subversões que exigem bastante atenção da audiência. Teríamos bunda, anões e gincanas”, diz.

Abaixo, a íntegra da entrevista, realizada por e-mail:

Qual é a avaliação que vocês fazem desta segunda temporada?
Marcelo Adnet: Excelente. Profissionalmente, fomos felizes porque acreditamos muito em cada piada que fizemos, desde a ideia até a realização. Os quadros do programa são como nossos filhos, pois nasceram de algo muito íntimo e inviolável – nossa criatividade! Acho que é uma vitória não só pra nós como para o humor na TV. E ainda pessoalmente somos todos – redação, equipe, elenco e até figurantes e executivos da casa – muito amigos e cúmplices e vibramos juntos. Assistimos ao programa juntos aplaudindo, gritando e cantando.

O que vocês esperavam alcançar e não conseguiram?
Nada, porque não criamos expectativa alguma. Queremos apenas ser fiéis ao nosso gosto, estilo, ideias. E isso nós atingimos. Nosso programa vai na contramão da TV tradicional.

tanoarsilviosongsO que você acha que foi o melhor do programa este ano?
Que difícil! Muitas coisas, mas acho que pela simplicidade e apelo popular, destaco o “Silvio’s Greatest Songs”. O programa já estava todo gravado e, um dia, de brincadeira, mandei áudios no nosso grupo de whatsapp com o Silvio cantando canções. Logo pensamos: “Por que não transformar isso em um quadro de canal musical? Não precisamos de imagem, só áudio”. No mesmo dia, elaboramos uma lista de canções e nosso músico genial Marcio Lomiranda produziu as bases rapidamente. Dia seguinte gravei todas as músicas selecionadas e dias depois o quadro estava no ar.

E o que não funcionou?
Acho que a gente só bota no ar o que a gente acha que funciona. E funcionar é algo subjetivo. As pessoas gostam mais e menos de alguns quadros. Não há uma unanimidade sobre nenhum quadro ou programa. Não consigo achar algo que não tenha funcionado, pois como acompanhamos todo o processo de edição, se achamos que algo não está bom, mudamos ali mesmo. Portanto, como nosso ponto de vista está sempre presente, pra gente tá tudo funcionando.

tanoargalinhaconvertidinhaImagino que o programa receba muitas reclamações. O que incomodou mais ao público este ano?
Por incrível que pareça, o fato de o “Tá No Ar” atirar para todos os lados – evangélicos, umbandistas, muçulmanos, judeus, a própria Globo, a publicidade, o sensacionalismo, a televisão como um todo – apenas os menos acostumados à democracia são capazes de se ofender. Acho que o programa oferece diversas carapuças e fica feio pra quem veste a carapuça e reclama, pois falta a estes senso de humor e autocrítica. E o público reconhece isso. Portanto, o programa, ao contrário do que se imagina, recebe muitos elogios por seu estilo politicamente incorreto e inovador, e pouquíssimas reclamações. Existem críticas, que são pontuais, e não as considero reclamações. Você mesmo, Maurício, escreveu que “Tá No Ar” deveria rir da própria Globo que atrasa a programação. Aceito sua crítica e a vejo como relevante, porém acho que em um episódio do “Tá No Ar” criticamos mais a Globo do que em anos de programação. Acho saudável o programa despertar reações diversas nas pessoas.

Algum quadro deixou de ir depois de gravado por ser considerado “forte” demais? O programa é aprovado por instância superior antes de ir ao ar?
Nenhum! Ele é aprovado antes de ir ao ar, mas de forma leve e descontraída, como tem que ser. Agradeço muito a Carlos Henrique Schroder (diretor-geral da Globo) que bancou e apoiou a ousadia do nosso projeto desde o início. Somos livres pra criar.

tanoargugu1Como a equipe viu o “Tá no Ar” ser atrasado na grade em função de uma disputa de audiência com o programa do Gugu, da Record?
Ficamos esperando uns minutos a mais. Somos ansiosos e queremos que comece sempre mais cedo. Não posso afirmar que esse foi o motivo de eventual atraso (o horário do programa sempre apresentou flutuação, desde a primeira temporada). Respeitamos as decisões, contanto que não nos podem artisticamente. E isso nunca aconteceu.

Como você vê o fato de o “Tá no Ar” disputar duramente no Ibope com “A Praça É Nossa”, do SBT?
Você que está dizendo isso, não é verdade. Não perdemos para a “Praça” em nenhum dos nove episódios desta temporada. Respeitamos muito o pessoal da “Praça” tanto que já a citamos duas vezes de forma elogiosa, enquanto ela estava no ar, ao mesmo tempo que a gente! Há público para todos. Não fazemos programa priorizando dar Ibope, pensamos na qualidade. Estamos errados em priorizar a qualidade? Se quiséssemos priorizar o Ibope, o programa não teria zapeada, não citaria a “concorrência”, teria menos inovações e não teria críticas e subversões que exigem bastante atenção da audiência. Teríamos bunda, anões e gincanas. Não, não queremos isso. Não vamos nos curvar a isso.

Vai ter terceira temporada? Quando?
Não sabemos ainda. Por mim amanhã!

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