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Petição com 30 mil assinaturas pede à Band a retirada do “Pânico” da grade

Mauricio Stycer

15/12/2015 07h01


Uma petição online coletou, ao longo de sete dias, 30 mil assinaturas pedindo à Band a retirada do "Pânico" da grade. A meta do abaixo-assinado virtual, ainda bem longe de ser alcançada, é conseguir 700 mil assinaturas.

O motivo da petição foi a (com aspas) "reportagem" do programa durante a Comic Con, exibida no último dia 6. Naquela ocasião, como foi amplamente divulgado, um "repórter" do programa lambeu uma entrevistada. "Não faz isso. Não tem a menor graça", chegou a pedir, sem sucesso, a jovem.

Considero que a pressão de espectadores sobre emissoras e patrocinadores é uma forma legítima e democrática de manifestar oposição a conteúdos veiculados. Faz parte do jogo. Cabe ao outro lado, neste caso, à Band, saber administrar este tipo de pressão – no famoso episódio da piada de Rafinha Bastos, a emissora fraquejou e afastou o apresentador.

A petição recorda o histórico de inconvenientes do "Pânico": "Já faz um tempo que o programa faz incentivo ao bullying e ao assédio físico e moral seja dos entrevistados, participantes e até mesmo telespectadores". Não acho que isso justifique o fim de um programa, mas entendo a reclamação.

O problema maior do "Pânico" hoje, creio, é não conseguir oferecer nada além deste tipo de constrangimento. Como bem observou Leandro Sarubo em seu blog, o humorístico da Band deixou de lado o que sabia fazer de melhor, um olhar crítico e irônico sobre o mundo das celebridade e da televisão, por ações pouco inspiradas, realizadas por produtores muito jovens, "artificiais, ocos e desesperados pela fama".

A petição online contra o "Pânico" é capaz até de provocar uma onda de simpatia pelo programa. Mas acho que ela tem a função, também, de fazer a cúpula do humorístico refletir um pouco sobre os seus passos atuais e a necessidade de encontrar novos caminhos.

Consultada, a Band informou que não comentará a petição.

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Sobre o autor

Mauricio Stycer, jornalista, nascido no Rio de Janeiro em 1961, mora em São Paulo há 30 anos. É repórter especial e crítico do UOL. Assina, aos domingos, uma coluna sobre televisão na "Folha de S.Paulo". Começou a carreira no "Jornal do Brasil", em 1986, passou pelo "Estadão", ficou dez anos na "Folha" (onde foi editor, repórter especial e correspondente internacional), participou das equipes que criaram o diário esportivo "Lance!" e a revista "Época", foi redator-chefe da "CartaCapital", diretor editorial da Glamurama Editora e repórter especial do iG. É autor dos livros "Topa Tudo por Dinheiro - As muitas faces do empresário Silvio Santos" (editora Todavia, 2018), "Adeus, Controle Remoto" (Arquipélago, 2016), “História do Lance! – Projeto e Prática do Jornalismo Esportivo” (Alameda, 2009) e "O Dia em que Me Tornei Botafoguense" (Panda Books, 2011).

Contato: mauriciostycer@uol.com.br

Sobre o blog

Um espaço para reflexões e troca de informações sobre os assuntos que interessam a este blogueiro, da alta à baixa cultura, do esporte à vida nas grandes cidades, sempre que possível com humor.


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