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Mauricio Stycer

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De improviso, filhas de Silvio transformam o Teleton em “culto evangélico”

Mauricio Stycer

27/10/2019 00h01

As irmãs Rebeca, Silvia e Patrícia Abravanel substituem o pai no Teleton 2019

Silvia, Patrícia e Rebeca Abravanel tiveram uma noite inesquecível neste sábado (26). Escaladas de última hora, as três substituíram o pai, Silvio Santos, no comando do Teleton 2019. Uma situação inédita e, de certa forma, impensável.

Não se pode negar que as três encararam o desafio com enorme boa vontade e disposição, apesar do nervosismo visível. Mas, como todos viram, deixaram muito a desejar.

A participação da cantora gospel Aline Barros, prolongada a pedido das filhas de Silvio Santos, imprimiu um clima diferente ao programa beneficente em prol da AACD (Associação de Assistência à Criança Deficiente). "O pessoal deve estar se perguntando o que acontece que a gente está fazendo praticamente um culto evangélico", reconheceu Patrícia.

"Gente, não foi nada planejado. Se tem uma verdade, é que não foi nada planejado. A gente teve que entrar as três juntas, de improviso, de última hora. E a gente pediu para a Aline ficar", explicou a filha de Silvio.

"Aqui no SBT a gente não tem uma religião. A gente não prega nada. Mas algo que faz a diferença em nossas vidas é a gente ter fé em Deus", concluiu.

É verdade que até o último momento Silvio Santos garantiu que participaria do encerramento do Teleton 2019. Apesar de gripado, o apresentador informou à produção do programa que teria condições de estar presente. Só às 21h30, uma hora antes da sua entrada, é que foi confirmada a sua ausência.

Decidiu-se, então, no lugar do patrão, escalar as três filhas de Silvio que apresentam programas. O problema, porém, é que não havia roteiro escrito para Silvia, Patrícia e Rebeca comandarem a parte final da atração. Isso foi feito de forma improvisada. O que ficou nítido para quem assistia ao programa.

Patrícia, a mais experiente, parecia a mais nervosa. Ela falou abertamente do problema no ar: "Tá todo mundo vendo a gente pagar um pouco de mico na TV. Mas faz parte do aprendizado!!!", gritou, a certa altura, indecisa sobre o que fazer no palco.

Rebeca, igualmente, expôs ao público as dificuldades, perguntando para qual câmera deveria olhar e ler o teleprompter. Ao apresentar um malabarista, Patrícia explicou que o artista faz o seu número com "aquele negócio que a gente vê no farol".

Eliana e Celso Portiolli ainda estavam no SBT quando se soube que Silvio não iria. Eles poderiam ter sido convocados a permanecer no ar e seguir no comando do Teleton até o final. Ambos têm experiência e jogo de cintura de sobra, qualidades que visivelmente faltam às filhas do dono do SBT.

Na reta final, o programa contou com a ajuda do leiloeiro Mauro Zukerman, amigo de Silvio, que trabalhou no SBT nos anos 1980 e 90. Bem mais desenvolto que as filhas do patrão, ele conduziu o Teleton até o anúncio do resultado alcançado, R$ 32.427.330, acima da meta de R$ 30 milhões.

* * *

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre o autor

Mauricio Stycer, jornalista, nascido no Rio de Janeiro em 1961, mora em São Paulo há 30 anos. É repórter especial e crítico do UOL. Assina, aos domingos, uma coluna sobre televisão na "Folha de S.Paulo". Começou a carreira no "Jornal do Brasil", em 1986, passou pelo "Estadão", ficou dez anos na "Folha" (onde foi editor, repórter especial e correspondente internacional), participou das equipes que criaram o diário esportivo "Lance!" e a revista "Época", foi redator-chefe da "CartaCapital", diretor editorial da Glamurama Editora e repórter especial do iG. É autor dos livros "Topa Tudo por Dinheiro - As muitas faces do empresário Silvio Santos" (editora Todavia, 2018), "Adeus, Controle Remoto" (Arquipélago, 2016), “História do Lance! – Projeto e Prática do Jornalismo Esportivo” (Alameda, 2009) e "O Dia em que Me Tornei Botafoguense" (Panda Books, 2011).

Contato: mauriciostycer@uol.com.br

Sobre o blog

Um espaço para reflexões e troca de informações sobre os assuntos que interessam a este blogueiro, da alta à baixa cultura, do esporte à vida nas grandes cidades, sempre que possível com humor.

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