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Babaioff revela a complexa construção do vilão da melhor novela no ar

Mauricio Stycer

27/10/2019 10h01

No papel de Diogo, Armando Babaioff deu vida a um dos melhores personagens de Bom Sucesso

Estou entre os muitos espectadores que consideram "Bom Sucesso" a melhor novela hoje no ar. Mas o que ela tem de especial? O que faz dela uma trama de qualidade? São muitos os fatores envolvidos na criação de uma novela e, às vezes, é difícil apontar uma ou outra razão isoladamente.

Um depoimento recente do ator Armando Babaioff sobre como compôs o personagem Diogo, o vilão da trama, ajuda a visualizar a complexidade envolvida na criação de uma novela.

Durante um debate na Globo com a presença dos autores, Rosana Svartman e Paulo Halm, foi observado que Diogo é um vilão que não fuma, contrariando um clichê clássico. A sua marca é estar sempre mascando um chiclete.

Babaioff contou: "O personagem fumava no texto (da novela). Logo no início, acendi um cigarro, mas o diretor (Luiz Henrique Rios) disse que não podia, por causa da classificação indicativa". Recomendada para maiores de 12 anos, a trama das 19h30 poderia ter a sua indicação de idade alterada se mostrasse um personagem constantemente fumando.

Prossegue Babaioff: "Perguntei pro Luiz: pode ser um ex-fumante? Pode, ele disse. Pode mascar chiclete de nicotina? É o que ele masca de verdade", contou o ator.

Paulo Halm acrescentou uma informação que ajuda a explicar o misto de raiva e graça que o personagem provoca: "Também há um traço infantil, moleque, que suaviza o vilão.". Rosana Svartman lembrou que o personagem "não é infalível" (os seus planos nem sempre dão certo). "Este personagem é um parque de diversões", disse o ator.

Babaioff sublinhou, também, a excelente interação com as duas atrizes com quem mais contracena na novela, Fabíula Nascimento (Nana) e Sheron Menezzes (Gisele), além da menina Valentina Vieira (Sofia).

Outro toque interessante surgiu de uma sugestão da figurinista, contou Babaioff: o personagem não usa meias. É, de fato, algo que chama a atenção, realçado pela movimentação de pernas do ator em cena.

E, por fim, Babaioff revelou que pediu para usar cuecas vermelhas, e não pretas, como sugerido pela figurinista, nas cenas "quentes" em que aparece. Foi, disse, uma homenagem a Antônio Fagundes, um dos protagonistas da novela. Fagundes diz que, por sugestão de Ney Latorraca, só usa cuecas vermelhas em cena, porque isso daria sorte.

Concluiu Babaioff: "Faço novelas aqui há 13 anos, mas é a primeira vez que me deram um personagem com esse jeito. Tudo que eu sonhei em fazer".

Em resumo, este breve relato mostra como a construção de um dos melhores personagens da novela se deve ao próprio ator, claro, mas também aos autores, ao diretor, à figurinista e a lendas contadas nos bastidores.

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Sobre o autor

Mauricio Stycer, jornalista, nascido no Rio de Janeiro em 1961, mora em São Paulo há 30 anos. É repórter especial e crítico do UOL. Assina, aos domingos, uma coluna sobre televisão na "Folha de S.Paulo". Começou a carreira no "Jornal do Brasil", em 1986, passou pelo "Estadão", ficou dez anos na "Folha" (onde foi editor, repórter especial e correspondente internacional), participou das equipes que criaram o diário esportivo "Lance!" e a revista "Época", foi redator-chefe da "CartaCapital", diretor editorial da Glamurama Editora e repórter especial do iG. É autor dos livros "Topa Tudo por Dinheiro - As muitas faces do empresário Silvio Santos" (editora Todavia, 2018), "Adeus, Controle Remoto" (Arquipélago, 2016), “História do Lance! – Projeto e Prática do Jornalismo Esportivo” (Alameda, 2009) e "O Dia em que Me Tornei Botafoguense" (Panda Books, 2011).

Contato: mauriciostycer@uol.com.br

Sobre o blog

Um espaço para reflexões e troca de informações sobre os assuntos que interessam a este blogueiro, da alta à baixa cultura, do esporte à vida nas grandes cidades, sempre que possível com humor.

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