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No fim, “O Sétimo Guardião” cometeu o maior dos pecados: gerou indiferença

Mauricio Stycer

18/05/2019 05h02

"O Sétimo Guardião" não foi uma novela de extremos. Não provocou maior amor. Não gerou ódio. Não irritou. Não tratou de temas polêmicos. Não se arriscou. Não ousou. Cometeu, enfim, o maior dos pecados: gerou indiferença.

Assistindo ao último dos 161 capítulos, me dei conta que estava totalmente desinteressado pelo destino daqueles personagens. Não me decepcionei com nada, porque não esperava nada. Não torci por ninguém, nem contra nem a favor.

Vá lá. Fiquei chateado com UMA coisa. Esperava que Mirtes (Elizabeth Savalla) tivesse sido má até o fim da novela e sofresse por isso. Foi uma ótima personagem, estragada pela inexplicável decisão do autor de redimi-la após a morte de Milu (Zezé Polessa).

O capítulo final de "O Sétimo Guardião" foi besta. Tiros pra cá, tiros pra lá… O vilão Olavo, sem o menor jeito para bandido armado, levou um tiro de Valentina e morreu falando "que merda é essa?". Gabriel, o herói mais chato da história da teledramaturgia, morreu para proteger a amada de um tiro – e ninguém reclamou ou se emocionou com isso.

O prefeito levou um tiro no peito e reapareceu numa boa, além de ter colocado o filho em seu lugar. O gato Leon ressurgiu. O imbecil do Nicolau chamou a filha Milu de "Neymara".

Enfim, nem vou me alongar sobre as situações sem sentido e os personagens esquecidos nesta resta final. Nada disso me incomodou. E acho que Aguinaldo Silva não estava nem um pouco preocupado com isto.

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Sobre o autor

Mauricio Stycer, jornalista, nascido no Rio de Janeiro em 1961, mora em São Paulo há 30 anos. É repórter especial e crítico do UOL. Assina, aos domingos, uma coluna sobre televisão na "Folha de S.Paulo". Começou a carreira no "Jornal do Brasil", em 1986, passou pelo "Estadão", ficou dez anos na "Folha" (onde foi editor, repórter especial e correspondente internacional), participou das equipes que criaram o diário esportivo "Lance!" e a revista "Época", foi redator-chefe da "CartaCapital", diretor editorial da Glamurama Editora e repórter especial do iG. É autor dos livros "Topa Tudo por Dinheiro - As muitas faces do empresário Silvio Santos" (editora Todavia, 2018), "Adeus, Controle Remoto" (Arquipélago, 2016), “História do Lance! – Projeto e Prática do Jornalismo Esportivo” (Alameda, 2009) e "O Dia em que Me Tornei Botafoguense" (Panda Books, 2011).

Contato: mauriciostycer@uol.com.br

Sobre o blog

Um espaço para reflexões e troca de informações sobre os assuntos que interessam a este blogueiro, da alta à baixa cultura, do esporte à vida nas grandes cidades, sempre que possível com humor.

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