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Blog do Mauricio Stycer

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Sem razão para festejar, Vídeo Show fez bem em acabar sem programa especial

Mauricio Stycer

12/01/2019 13h11

Causou algum furor nas redes sociais a opção da Globo de encerrar o "Vídeo Show" sem um programa especial, exibindo uma edição corriqueira nesta sexta-feira (11). Há duas explicações principais a respeito.

Primeiro, não houve tempo hábil para fazer um "funeral" à altura da história de 35 anos do programa. Gestada nos últimos meses, a decisão de tirar o "Vídeo Show" do ar foi anunciada na última terça-feira (08), meio de supetão, sem o conhecimento prévio de boa parte da própria equipe.

Mesmo assim, com correria e esforço, haveria tempo para colocar no ar na sexta-feira (11) material mais interessante e emocionante do que os quase 10 minutos da aula de culinária compartilhada por Felipe Titto e David Júnior ou os cinco minutos de papo furado entre Matheus Mazzafera e Regiane Alves, entre outros VTs frios exibidos no último programa.

Isso não foi feito, creio, justamente pela vontade de encerrar o "Vídeo Show" sem maior alarde. Fechar a tampa rapidamente e tocar o enterro. Vida que segue.

Por quê? Porque o "Vídeo Show" acabou pela incapacidade de a Globo conseguir renová-lo. Várias tentativas foram feitas nos últimos anos. Discordo de algumas opções, como a insistência em Sophia Abrahão como apresentadora, mas reconheço que a emissora fez o que estava ao seu alcance para tentar reviver o programa.

O "Vídeo Show" não foi "queimado", colocado no limbo ou sabotado intencionalmente. Houve divergências e disputas internas, como sempre ocorre numa empresa do tamanho da Globo. Mas houve esforço real de diferentes executivos para revitalizar e manter o programa no ar. Infelizmente, não deu. Não foi a encontrada a fórmula. Aceitou-se, finalmente, que não havia solução neste modelo de TV aberta.

Neste sentido, entendo a decisão de encerrar sem um "alegre funeral", para usar as palavras de Marcius Melhem sobre o clima da última temporada de "Tá no Ar", que começa na próxima terça-feira (15). Diferentemente do humorístico, que termina por cima, com a encomenda já de um substituto, não há mesmo o que comemorar no fim do "Vídeo Show". Logo, faz sentido economizar nas lágrimas e terminar como terminou.

Outras visões sobre o fim do "Vídeo Show"
Nilson Xavier: YouTube e fofoca mataram o "Vídeo Show"
Chico Barney: Com receita de lombo, Vídeo Show deu adeus exibindo a própria irrelevância
Cristina Padiglione: Seria um spoiler o último pensamento de Falabella no 'Vídeo Show'?
Luciano Guaraldo: Preguiçosa, morte do Vídeo Show mostra descaso da Globo com sua história

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Sobre o autor

Mauricio Stycer, jornalista, nascido no Rio de Janeiro em 1961, mora em São Paulo há 30 anos. É repórter especial e crítico do UOL. Assina, aos domingos, uma coluna sobre televisão na "Folha de S.Paulo". Começou a carreira no "Jornal do Brasil", em 1986, passou pelo "Estadão", ficou dez anos na "Folha" (onde foi editor, repórter especial e correspondente internacional), participou das equipes que criaram o diário esportivo "Lance!" e a revista "Época", foi redator-chefe da "CartaCapital", diretor editorial da Glamurama Editora e repórter especial do iG. É autor dos livros "Topa Tudo por Dinheiro - As muitas faces do empresário Silvio Santos" (editora Todavia, 2018), "Adeus, Controle Remoto" (Arquipélago, 2016), “História do Lance! – Projeto e Prática do Jornalismo Esportivo” (Alameda, 2009) e "O Dia em que Me Tornei Botafoguense" (Panda Books, 2011).

Contato: mauriciostycer@uol.com.br

Sobre o blog

Um espaço para reflexões e troca de informações sobre os assuntos que interessam a este blogueiro, da alta à baixa cultura, do esporte à vida nas grandes cidades, sempre que possível com humor.