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Blog do Mauricio Stycer

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Sem querer chocar ou rir, novela vê o drama da mãe e de sua filha lésbica

Mauricio Stycer

06/07/2018 00h16


Por acidente, ouvindo uma mensagem na secretária eletrônica (quem ainda usa?), Nice (Kelzy Ecard) descobriu que sua filha Maura (Nanda Costa) ama outra mulher. A cena, exibida no capítulo de terça-feira (03) de “Segundo Sol”, deu início a um drama com vários desdobramentos.

João Emanuel Carneiro parece claramente decidido a não chocar o público, como ocorreu em “Babilônia”, nem fazer galhofa com a situação, como se viu em “O Outro Lado do Paraíso”. A abordagem do assunto, como o público assistiu no capítulo desta quinta-feira (05), mostrou a enorme sensibilidade do autor, assim como a qualidade do seu texto.

Numa primeira cena, mãe e filha conversaram longamente sobre a situação.

Maura: Isso não é o fim do mundo, não, mãe. Eu não cometi nenhum crime. Eu não fiz mal a ninguém.
Nice: Fez sim. Você fez mal a mim. E vai matar o seu pai do coração quando ele descobrir. Onde já se viu, Maura, uma mulher namorar outra mulher?
Maura: Mãe, a senhora acha que eu fiz isso por querer? Você acha que eu quis ser assim? Não, minha mãe. Mãe, eu sempre lutei contra isso. Mas chega uma hora em que o meu sentimento por Selma ficou mais importante do que tudo, entendeu? Meu amor por Selma é maior do que a minha vontade de me esconder. Eu não sei quem eu sou.
Nice: Isso não é amor, minha filha. Você tá confusa. Você tá misturando tudo. Esquece Selma. Ainda dá tempo, minha filha, de você voltar a ser normal.
Selma: Mãe, a senhora não consegue imaginar o quanto eu estou cansada de ter que parecer normal.
Nice: Minha filha, você pode falar o quanto você quiser, mas isso não é natural.

Maura, então, diz que compreende a dificuldade da mãe em aceitar a situação e que levará algum tempo até que isso ocorra.

Em outra cena, Rosa (Letícia Colin) sai em defesa da irmã Maura e fala para Nice: “A senhora não é fã de várias cantoras que são casadas com mulheres? São suas ídolas. Isso nunca foi problema nenhum. Por que agora é? Gente gosta de gente, minha mãe. Pode ser homem, pode ser mulher. Não importa. A senhora tem que abrir a cabeça.''

Vem mais drama por aí. Agenor (Roberto Bonfim), o pai de Maura, representa o estereótipo do machista. Não aceita que a mulher trabalhe e, seguramente, vai enlouquecer quando descobrir que a filha é lésbica. Estou curioso para ver como Carneiro vai mostrar a situação.


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Sobre o autor

Jornalista, nascido no Rio de Janeiro em 1961, mora em São Paulo há 29 anos. É repórter especial e crítico do UOL. Assina, aos domingos, uma coluna sobre televisão na “Folha de S.Paulo''. Começou a carreira no “Jornal do Brasil'', em 1986, passou pelo “Estadão'', ficou dez anos na “Folha'' (onde foi editor, repórter especial e correspondente internacional), participou das equipes que criaram o “Lance!'' e a “Época'', foi redator-chefe da “CartaCapital'', diretor editorial da Glamurama Editora e repórter especial do iG. É autor dos livros “Adeus, Controle Remoto'' (editora Arquipélago, 2016), “História do Lance! – Projeto e Prática do Jornalismo Esportivo” (Alameda, 2009) e “O Dia em que Me Tornei Botafoguense'' (Panda Books, 2011).
Contato: mauriciostycer@uol.com.br

Sobre o blog

Um espaço para reflexões e troca de informações sobre os assuntos que interessam a este blogueiro, da alta à baixa cultura, do esporte à vida nas grandes cidades, sempre que possível com humor.