Blog do Mauricio Stycer

Detetive Vê TV: Luzia não pode ver sangue, mas na primeira fase podia

Mauricio Stycer

03/06/2018 10h23


João Emanuel Carneiro lançou no capítulo deste sábado (02) de “Segundo Sol” a primeira isca para Luzia (Giovanna Antonelli) e Valentim (Danilo Mesquita) perceberem que têm algo forte em comum – são mãe e filho, mas não sabem disso. No camarim da DJ, depois de levar uma surra, o rapaz contou que não consegue ver sangue. “Dor aguento, só não posso ver sangue. Fico nervoso. Frescura, né?”, disse.

Luzia, então, respondeu: “Isso é mais comum do que você imagina. Eu também tenho isso. Hematofobia que chama”, ensinou. “Eu não posso ver. Fico suando toda. Eu quase desmaio, me tremo… Eu tremo mais que um tambor de olodum. Sim… Juro que é verdade. Aguente firme daí que eu tô aguentando firme daqui”.

Insensível ao problema de Luzia, Valentim quis saber: “Mas tá sangrando muito”. Ao que a DJ, virando a cara, respondeu: “Ai, menino! Não quero olhar! Você acha que vou olhar uma coisa dessa? Vira pra lá! Respire fundo que vai passar. Segure daí que eu seguro daqui, que é o que eu tô fazendo pra não desmaiar.”

A cena, bonita, mostrou a sintonia entre os dois. Segundo alguns pesquisadores, a hematofobia pode estar associada a uma predisposição genética.

O único problema, como lembrou o leitor Mr. Novela, é que Luzia não sofria de hematofobia na primeira fase da novela. Edilei (Paulo Borges), seu marido, havia voltado da cadeia e passou mal diante dela. Tossindo muito, cuspiu sangue. Olhando para o pano encharcado de sangue, sem manifestar qualquer repulsa (imagem acima), ela perguntou: “Isso é o quê? Tá cuspindo sangue?”

Alguns espectadores argumentam que Luzia pode ter adquirido a fobia depois que matou, acidentalmente, o marido do alto de um penhasco – a câmera mostrou uma poça de sangue junto ao corpo. Mas isso é algo que a novela ainda precisará explicar para eliminar a dúvida deixada pela cena deste sábado.

Esse tipo de erro, ou contradição, não afeta em nada a experiência de quem está assistindo e gostando da novela. Nem é a minha intenção que isso ocorra. Mas há espectadores que notam essas coisas. E há outros que acham interessante ou divertido serem informados de detalhes como esse. É para isso que criei a seção Detetive Vê TV do blog.

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Sobre o autor

Jornalista, nascido no Rio de Janeiro em 1961, mora em São Paulo há 29 anos. É repórter especial e crítico do UOL. Assina, aos domingos, uma coluna sobre televisão na “Folha de S.Paulo''. Começou a carreira no “Jornal do Brasil'', em 1986, passou pelo “Estadão'', ficou dez anos na “Folha'' (onde foi editor, repórter especial e correspondente internacional), participou das equipes que criaram o “Lance!'' e a “Época'', foi redator-chefe da “CartaCapital'', diretor editorial da Glamurama Editora e repórter especial do iG. É autor dos livros “Adeus, Controle Remoto'' (editora Arquipélago, 2016), “História do Lance! – Projeto e Prática do Jornalismo Esportivo” (Alameda, 2009) e “O Dia em que Me Tornei Botafoguense'' (Panda Books, 2011).
Contato: mauriciostycer@uol.com.br

Sobre o blog

Um espaço para reflexões e troca de informações sobre os assuntos que interessam a este blogueiro, da alta à baixa cultura, do esporte à vida nas grandes cidades, sempre que possível com humor.

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