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Blog do Mauricio Stycer

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Ao contrário de Glória Pires, Dira Paes é capaz de opinar sobre o Oscar

Mauricio Stycer

05/03/2018 02h56


Desde a morte de José Wilker (1944-2014), a Globo procura um nome de seu elenco de artistas para comentar a cerimônia do Oscar. Nos últimos três anos, foram testados Lázaro Ramos, Glória Pires e Miguel Falabella. O primeiro não empolgou, a segunda deu um vexame histórico e o terceiro foi prejudicado pelo fato de a emissora, em 2017, não ter exibido o programa no domingo, por causa do Carnaval, deixando para mostrar um compacto na tarde do dia seguinte.

Dira Paes foi a quarta tentativa em quatro anos – e, na minha opinião, a que se saiu melhor. Em companhia de Maria Beltrão e Artur Xexéo, a atriz encontrou um tom adequado para este tipo de programa, nem deslumbrada nem omissa.

Diferentemente de Glória Pires, Dira fez o dever de casa e se mostrou capaz de opinar sobre a maioria dos filmes que disputavam os prêmios. Além de opiniões, também tinha informações. Observou, no momento certo, que há uma música cantada por Carmem Miranda na trilha de “A Forma da Água”. Também lembrou que o prêmio de roteiro adaptado para o filme “Me Chame pelo seu Nome” contempla um brasileiro, o produtor do filme Rodrigo Teixeira.

E não perdeu a chance de fazer um comentário político, após ouvir Guillermo del Toro agradecer o Oscar por “A Forma da Água”. Falou da alegria de “ver o México dando uma resposta cultural à construção deste muro” – uma referência aos planos do presidente dos EUA, Donald Trump, para a fronteira com o México.

Não sei se a Globo pretende continuar com este rodízio de atores de seu elenco a cada ano, mas Dira Paes não fez feio na difícil tarefa de substituir o cinéfilo José Wilker.

Em tempo: a se lamentar, como sempre, a opção da emissora de não exibir um bom pedaço da cerimônia, priorizando a apresentação do “Fantástico'' e do “BBB18''.

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Sobre o autor

Jornalista, nascido no Rio de Janeiro em 1961, mora em São Paulo há 29 anos. É repórter especial e crítico do UOL. Assina, aos domingos, uma coluna sobre televisão na “Folha de S.Paulo''. Começou a carreira no “Jornal do Brasil'', em 1986, passou pelo “Estadão'', ficou dez anos na “Folha'' (onde foi editor, repórter especial e correspondente internacional), participou das equipes que criaram o “Lance!'' e a “Época'', foi redator-chefe da “CartaCapital'', diretor editorial da Glamurama Editora e repórter especial do iG. É autor dos livros “Adeus, Controle Remoto'' (editora Arquipélago, 2016), “História do Lance! – Projeto e Prática do Jornalismo Esportivo” (Alameda, 2009) e “O Dia em que Me Tornei Botafoguense'' (Panda Books, 2011).
Contato: mauriciostycer@uol.com.br

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