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Blog do Mauricio Stycer

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Não se fazem mais bruxas e videntes em novelas como antigamente

Mauricio Stycer

23/02/2018 12h38


Fato não muito corriqueiro, duas novelas da Globo atualmente no ar contam com a presença de personagens com poderes mágicos ou divinos, cujas ações ajudam a movimentar as tramas.

Em “O Outro Lado do Paraíso”, há Mercedes (Fernanda Montenegro), a vidente que vê o futuro e tenta ajudar os mocinhos sobre os seus passos futuros. Já “Deus Salve o Rei”, ambientada em período medieval, conta com uma bruxa, Brice (Bia Arantes), que aceita encomendas para fazer o mal.

Por coincidência, nesta quinta-feira (22), tanto Mercedes quanto Brice vacilaram diante da realidade. A vidente, defensora da ideia de que as pessoas devem sempre fazer o bem, mudou de opinião e passou a admitir que Clara (Bianca Bin) leve adiante o seu plano de vingança, mesmo causando mortes. Já a bruxa, confrontada com falhas em um de seus feitiços, reconheceu que eles têm prazo de validade.

Com sentimento de culpa pela morte do delegado Vinícius (Flávio Tolezani), Clara procurou Mercedes. A vidente, primeiro, relativizou as noções de certo e errado. “Quando você falou esta história de vingança, eu não gostei. Eu descobri que eu é que estou errada. A gente divide a vida entre certo e errado. Aprendi assim. Agora eu vejo que não é. A vida é como duas manchas de tinta diferentes que se misturam. Tem hora que o certo é errado e o errado é o certo”.

Em seguida, ela “absolveu” Clara: “Ele ia continuar até o fim da vida dele. Não ia parar. Pensa, filha. Quantas meninas você salvou? Fortalecendo assim a decisão desta moça de denunciar esse danado, este padrasto dela. A vingança foi boa porque você salvou tantas meninas, tantas inocentes. Salvou”.

Mas o delegado morreu, lembrou Clara: “Culpa dele, pelo crime que ele cometeu. Esse homem cometeu um crime bárbaro. Não tem perdão. Crime contra uma criança não tem perdão. Você não tem culpa, não”, disse a vidente, justificando a morte de Vinícius, assassinado dentro da prisão.

Já em “Deus Salve o Rei”, Brice foi procurada por Virgílio (Ricardo Pereira), insatisfeito com o fato de que Amália (Marina Ruy Barbosa) está recuperando a memória. O feitiço da bruxa havia feito com que a mocinha se esquecesse do mocinho Afonso (Romulo Estrela) e retomasse o seu noivado com o vilão.

“O feitiço tem o tempo de começar e acabar”, justificou-se a bruxa. “Como acabar? Não foi isso que combinamos?”, reclamou Virgílio. “Não se fazem acordos no mundo da magia. E é assim porque o tempo prevalece sobre todas as coisas. É ele quem tudo determina. E é ele quem fará que o feitiço perca a sua força”, explicou Brice. “Isso não é justo”, protestou o vilão. “Nós nunca tratamos de justiça”, encerrou a bruxa. Sem ter poderes para resolver o problema de Virgílio, ela se rendeu e disse que a solução para o caso é matar Afonso…

Não se fazem mais bruxas e videntes como antigamente.

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Sobre o autor

Jornalista, nascido no Rio de Janeiro em 1961, mora em São Paulo há 29 anos. É repórter especial e crítico do UOL. Assina, aos domingos, uma coluna sobre televisão na “Folha de S.Paulo''. Começou a carreira no “Jornal do Brasil'', em 1986, passou pelo “Estadão'', ficou dez anos na “Folha'' (onde foi editor, repórter especial e correspondente internacional), participou das equipes que criaram o “Lance!'' e a “Época'', foi redator-chefe da “CartaCapital'', diretor editorial da Glamurama Editora e repórter especial do iG. É autor dos livros “Adeus, Controle Remoto'' (editora Arquipélago, 2016), “História do Lance! – Projeto e Prática do Jornalismo Esportivo” (Alameda, 2009) e “O Dia em que Me Tornei Botafoguense'' (Panda Books, 2011).
Contato: mauriciostycer@uol.com.br

Sobre o blog

Um espaço para reflexões e troca de informações sobre os assuntos que interessam a este blogueiro, da alta à baixa cultura, do esporte à vida nas grandes cidades, sempre que possível com humor.