Blog do Mauricio Stycer

Guinada na novela é a chance de Walcyr corrigir os muitos erros da 1ª fase

Mauricio Stycer

27/11/2017 05h01


No ar desde 23 de outubro, “O Outro Lado do Paraíso” chega nesta segunda-feira (27) ao 30º capítulo. Trata-se de um momento crucial – o ponto em que a trama dará um salto de dez anos e a sofrida mocinha, Clara (Bianca Bin), vai começar a se vingar de todos que a prejudicaram.

O fim desta primeira fase está sendo visto na Globo com alívio. Com a difícil missão de substituir “A Força do Querer”, uma novela muito bem-sucedida, a trama de Walcyr Carrasco tem sido, até agora, uma decepção. A prometida guinada nesta segunda fase é tudo que o folhetim precisa neste momento.

É preciso dizer que as intenções do autor, na primeira fase, foram as melhores possíveis. Por meio da vilã Sophia (Marieta Severo), Carrasco procurou expor uma certa elite podre e corrompida de uma capital da região Norte do país. Seus três filhos, Gael (Sergio Guizé), Livia (Grazi Massafera) e Estela (Juliana Caldas) são, igualmente, ótimos personagens — todos atormentados pela mãe poderosa e com diferentes problemas.

Outros temas importantes, como racismo e preconceito de classe, estão na pauta da novela. Igualmente merece elogios o espaço dado a dois personagens com idade avançada, Mercedes e Josafá, e a oportunidade de ver em ação, em bons papéis, Fernanda Montenegro e Lima Duarte.

Mas os erros são, até o momento, maiores que os acertos. “O Outro Lado do Paraíso” parece estar sendo escrita e feita às pressas, sem cuidado. Não dá a impressão de ser uma novela planejada durante meses.

É surpreendente constatar que algumas tramas são totalmente calcadas em histórias muito conhecidas. Como já mostrei aqui no blog, o drama de Elizabeth/Duda (Gloria Pires) é uma releitura, para não dizer cópia, do melodrama “Madame X”.

A história de Clara, igualmente, está longe de ser original. O drama no hospício é inteiramente “inspirado” em “O Conde de Monte Cristo”, de Alexandre Dumas. Também há elementos de “La Patrona”, novela da Telemundo, e “Revenge”, a série da rede americana ABC. E mais: para os fãs de “Game of Thrones”, a “lista de Clara”, com os nomes das pessoas que a prejudicaram, e vão pagar por isso, lembrou a “lista de Arya”.

Além de tantas “inspirações”, o autor pesou a mão nos dramas de Clara e Elizabeth. Para a história avançar rapidamente, Carrasco precisou apresentar as duas personagens como cretinas absolutas, parvas. É uma muleta típica de histórias mal construídas.

Outro problema é a falta de cuidado com o texto. Nada de diálogos inteligentes ou provocativos. Tudo é dito de forma meio grosseira, sem sutileza. Esta dificuldade já havia aparecido nas duas novelas “adultas” recentes de Carrasco, “Amor à Vida” e “Verdades Secretas”, mas ressurgiu de forma ainda mais gritante em “O Outro Lado do Paraíso”.

Esta primeira fase, também, abusou do desperdício de talentos. Falo, por exemplo, de Gloria Pires, Juca de Oliveira e Laura Cardoso. Os três atores emprestaram seus nomes para a novela, mas ganharam papéis fracos, até o momento.

Como ocorreu em “Amor à Vida”, Carrasco atira em várias direções, para causar polêmica, mas não aprofunda nenhum assunto. Parece ser só para chocar: racismo, nanismo, violência contra mulher, o homossexual enrustido, uso de eletrochoque em clínica psiquiátrica etc etc

Enfim, tomara que estes problemas fiquem para trás a partir desta segunda-feira. Ao entrar em nova fase, espero que “O Outro Lado do Paraíso” encontre o prumo e se torne o bom entretenimento que o espectador aguarda da novela das 21h da Globo.

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Sobre o autor

Jornalista, nascido no Rio de Janeiro em 1961, mora em São Paulo há 29 anos. É repórter especial e crítico do UOL. Assina, aos domingos, uma coluna sobre televisão na “Folha de S.Paulo''. Começou a carreira no “Jornal do Brasil'', em 1986, passou pelo “Estadão'', ficou dez anos na “Folha'' (onde foi editor, repórter especial e correspondente internacional), participou das equipes que criaram o “Lance!'' e a “Época'', foi redator-chefe da “CartaCapital'', diretor editorial da Glamurama Editora e repórter especial do iG. É autor dos livros “Adeus, Controle Remoto'' (editora Arquipélago, 2016), “História do Lance! – Projeto e Prática do Jornalismo Esportivo” (Alameda, 2009) e “O Dia em que Me Tornei Botafoguense'' (Panda Books, 2011).
Contato: mauriciostycer@uol.com.br

Sobre o blog

Um espaço para reflexões e troca de informações sobre os assuntos que interessam a este blogueiro, da alta à baixa cultura, do esporte à vida nas grandes cidades, sempre que possível com humor.

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