Blog do Mauricio Stycer

Relançada, biografia de Silvio em HQ mantém erros e traz 5 lições de vida

Mauricio Stycer

25/09/2017 05h01


Silvio Santos já era uma celebridade em 1969, quando Rubens Francisco Luchetti sugeriu escrever a sua biografia na forma de uma história em quadrinhos. Para sua surpresa, o apresentador topou.

Biógrafo e biografado se reuniam uma vez por semana, nos estúdios da Radio Nacional. “O Silvio recebia-me numa minúscula sala, colocava o relógio sobre a mesa e, durante dez minutos, relatava-me episódios de sua vida”, conta Luchetti. “Eu ia anotando tudo apressadamente. E decorridos exatamente dez minutos, ele dava por encerrada a entrevista”.

Foram quatro ou cinco encontros, recorda-se o autor, até que Silvio disse: “Daqui em diante, tudo quanto você criar será minha biografia oficial”. Luchetti garante, porém, que não fez isso: “Encerrei-a no ponto em que ele terminou de me contar”.

“Silvio Santos – Vida. Luta e Glória” (Avec Editora, 48 págs., R$ 29,90) é a primeira biografia de Silvio. Um trabalho de restauração dos desenhos, de Sérgio M. Lima, permitiu a reedição da HQ, publicada agora tal como em 1969, mas como uma pequena introdução na qual Luchetti conta os detalhes do seu contato com Silvio.

Naquela época, por acreditar que devia manter mistério sobre a sua vida pessoal, o apresentador omitia informações sobre o seu estado civil (era casado) e mentia abertamente sobre a idade, entre outros detalhes.

O livro, por exemplo, sugere que Silvio era de uma família cristã (é judeu) e nasceu em 12 de dezembro de 1935 – cinco anos depois do seu nascimento, de fato. O erro foi mantido na reedição, o que dá valor histórico à obra, mas algum alerta aos leitores deveria ter sido incluído para evitar confusões.

A HQ descreve os primeiros passos de Silvio, a carreira como camelô, os negócios na barca Rio-Nitéroi, o serviço militar na Aeronáutica, a vinda para São Paulo, o bar que abriu na cidade, a caravana do Peru que Fala, o trabalho na rádio e a compra do Baú da Felicidade.

Não há nada de muito revelador em “Silvio Santos – Vida. Luta e Glória”, mas cinco lições e confidências do Patrão, algumas em chave de auto-ajuda, chamam a atenção. São elas:

1. O sorriso é a melhor arma para inspirar confiança. O homem que sorri é um homem confiante, de quem toda gente gosta.

2. Público e leão são a mesma coisa. Se a gente tem medo, ele nos engole. (lição que recebeu de um domador de circo).

3. Nunca soube de alguém que morreu de trabalhar.

4. Sempre fui de falar e sempre fui louco por dinheiro.

5. Lembre-se que eu comecei minha vida como camelô. Já viu algum camelô ter dificuldade de vender alguma coisa?

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Sobre o autor

Jornalista, nascido no Rio de Janeiro em 1961, mora em São Paulo há 29 anos. É repórter especial e crítico do UOL. Assina, aos domingos, uma coluna sobre televisão na “Folha de S.Paulo''. Começou a carreira no “Jornal do Brasil'', em 1986, passou pelo “Estadão'', ficou dez anos na “Folha'' (onde foi editor, repórter especial e correspondente internacional), participou das equipes que criaram o “Lance!'' e a “Época'', foi redator-chefe da “CartaCapital'', diretor editorial da Glamurama Editora e repórter especial do iG. É autor dos livros “Adeus, Controle Remoto'' (editora Arquipélago, 2016), “História do Lance! – Projeto e Prática do Jornalismo Esportivo” (Alameda, 2009) e “O Dia em que Me Tornei Botafoguense'' (Panda Books, 2011).
Contato: mauriciostycer@uol.com.br

Sobre o blog

Um espaço para reflexões e troca de informações sobre os assuntos que interessam a este blogueiro, da alta à baixa cultura, do esporte à vida nas grandes cidades, sempre que possível com humor.

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