Blog do Mauricio Stycer

De irritante a perigosa, transição de Bibi é crucial para A Força do Querer

Mauricio Stycer

21/06/2017 14h30


Foi uma longa preparação. Por 66 capítulos, “A Força do Querer” mostrou que Bibi (Juliana Paes) ama o marido, Rubinho (Emilio Dantas), acima de qualquer coisa na vida. Até que Gloria Perez finalmente colocou a personagem diante da esperada notícia bombástica: ele não é o bom homem que ela sempre imaginou, mas um traficante de drogas.

Nesta terça-feira (20), com Bibi iniciando uma nova fase, “A Força do Querer” bateu recorde de audiência. A novela registrou média de 38 pontos em São Paulo – o recorde anterior, em 6 de junho, era de 35,5 (cada ponto equivale a 199.309 indivíduos).

A revelação foi feita de forma engenhosa. Bibi desconfiou que estava sendo traída por Rubinho. Pressionado, ele foi obrigado a confessar que o site de namoros descoberto pela mulher em seu laptop servia, na verdade, de fachada para o comércio de drogas.

Bibi ama tanto Rubinho que ficou aliviada com a informação. E não só. Colocada diante da possibilidade de a polícia descobrir mais dados comprometedores sobre o marido, ela decidiu ser cúmplice dele e cometeu um crime para ocultar provas.

Bibi é uma personagem muito irritante. Apaixonada demais, é incapaz de enxergar o que se passa a dez centímetros dos seus olhos. A cegueira a emburrece. E, a partir de agora, a levará a trocar uma carreira como advogada pela vida no crime.

A todo momento é lembrado que a história da personagem é baseada no livro “Perigosa”, de Fabiana Escobar, no qual ela relata a sua experiência como mulher de um traficante da Rocinha, no Rio. Ser inspirado em “fatos reais” deveria ajudar o espectador a aceitar que exista uma mulher como Bibi. Mas não é fácil.

Juliana Paes, até o momento, está defendendo com grande garra esta personagem implausível. Em termos racionais, todo o seu comportamento é inaceitável, mas deve ser justificável pelo fato de ela ouvir apenas o coração.

O grande desafio de Gloria Perez, desde o início, tem sido fazer com que o público “compre” esta personagem. Não é preciso concordar ou se identificar com Bibi, mas entender os seus atos, aceitar que uma mulher possa agir como ela está agindo.

Isso é essencial para “A Força do Querer” funcionar. Os ótimos índices de audiência da novela sugerem que a autora, até agora, foi muito bem-sucedida e conta com a cumplicidade dos espectadores.

No momento em que a personagem está começando a transição para virar Bibi Perigosa, o desafio é ainda maior – para a autora, para a atriz e para o público. Vai ser legal acompanhar.

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Sobre o autor

Jornalista, nascido no Rio de Janeiro em 1961, mora em São Paulo há 29 anos. É repórter especial e crítico do UOL. Assina, aos domingos, uma coluna sobre televisão na “Folha de S.Paulo''. Começou a carreira no “Jornal do Brasil'', em 1986, passou pelo “Estadão'', ficou dez anos na “Folha'' (onde foi editor, repórter especial e correspondente internacional), participou das equipes que criaram o “Lance!'' e a “Época'', foi redator-chefe da “CartaCapital'', diretor editorial da Glamurama Editora e repórter especial do iG. É autor dos livros “Adeus, Controle Remoto'' (editora Arquipélago, 2016), “História do Lance! – Projeto e Prática do Jornalismo Esportivo” (Alameda, 2009) e “O Dia em que Me Tornei Botafoguense'' (Panda Books, 2011).
Contato: mauriciostycer@uol.com.br

Sobre o blog

Um espaço para reflexões e troca de informações sobre os assuntos que interessam a este blogueiro, da alta à baixa cultura, do esporte à vida nas grandes cidades, sempre que possível com humor.

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