Blog do Mauricio Stycer

Por que o bebê usado na cena de parto de A Força do Querer não é um recém-nascido

Mauricio Stycer

31/05/2017 12h22


Antes comum em novelas, bebês recém-nascidos hoje não aparecem mais em cena. Limitações impostas pela Justiça impedem que crianças com menos de dois meses de vida sejam utilizadas como figurantes. Isso ficou claro no capítulo desta terça-feira (30) de “A Força do Querer”, que exibiu o dramático parto de Ritinha (Isis Valverde).

Nas poucas cenas em que o bebê apareceu parcialmente, foi possível observar que não se tratava de um recém-nascido (imagem ao lado). Diretora de novelas da Globo, hoje trabalhando em “Rock Story”, Maria de Medicis festejou no Twitter: “Muita gente reclamando do tamanho dos bebês em novelas. Hoje em dia a lei é muita mais rigorosa com relação a participação deles.E isso é ÓTIMO!”

A diretora ainda observou: “Um set tem no mínimo 60 pessoas, ar-condicionado, poeira. Portanto, um ambiente onde um bebê de menos de 3 meses NÃO DEVE transitar”.

Gloria Perez, autora de “A Força do Querer”, também falou a respeito: “O bebê tem 2 meses. Por mim seria maior! Amo quando usam o boneco. Antes de pensar em realismo, lembrem que ali está uma criança, como o filho de vocês”.

A diretora de “Rock Story” ainda escreveu: “Sempre achei um absurdo ter bebês de menos de 3 meses num set. É perigoso. Mas hoje em dia isso virou lei. E finalmente os bebês têm limite de tempo de gravação e de idade para gravar”.

A Justiça do Trabalho hoje costuma demorar mais de dois meses para dar permissão ao trabalho infantil. Isso torna impossível que um recém-nascido apareça em cena. Há, ainda, várias restrições a participação de crianças muito pequenas em novelas. Bebês podem permanecer no estúdio por, no máximo, uma hora.

Já crianças até 14 anos podem gravar entre 10h e 22h, mas por um período máximo de 6 horas por dia.

Na projeto de ampliação dos seus estúdios, no Rio, a Globo planeja construir uma área especial para atores mirins ficarem – hoje eles aguardam a hora de gravar acompanhados de responsáveis, mas no mesmo espaço que os adultos.

Como Malhação solucionou a questão

A atual temporada de “Malhação”, cujo primeiro episódio foi marcado por um parto dentro do metrô, também está enfrentando dificuldades por conta das limitações legais de gravar com bebês.

O menino não pode gravar cenas externas, fora do estúdio, e fica à disposição da equipe poucas horas por dia, como determina a legislação.

Algumas cenas consideradas essenciais serão mantidas graças a truques de edição. Também será usado um boneco, feito nos moldes do menino, para atenuar as limitações.

Antecedentes
Como revelou o jornalista Leo Dias, em “O Dia”, em abril, uma gravação de “A Força do Querer” no Pará, causou a internação de um bebê de três meses com hipotermia. O problema foi causado pela exposição da criança ao frio durante uma gravação próxima a um rio. Os funcionários envolvidos na gravação foram suspensos, segundo o jornalista.

Este acidente estaria na raiz da intensificação dos cuidados agora adotados para a gravação com bebês em produções da emissora.

Veja também
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Sobre o autor

Jornalista, nascido no Rio de Janeiro em 1961, mora em São Paulo há 29 anos. É repórter especial e crítico do UOL. Assina, aos domingos, uma coluna sobre televisão na “Folha de S.Paulo''. Começou a carreira no “Jornal do Brasil'', em 1986, passou pelo “Estadão'', ficou dez anos na “Folha'' (onde foi editor, repórter especial e correspondente internacional), participou das equipes que criaram o “Lance!'' e a “Época'', foi redator-chefe da “CartaCapital'', diretor editorial da Glamurama Editora e repórter especial do iG. É autor dos livros “Adeus, Controle Remoto'' (editora Arquipélago, 2016), “História do Lance! – Projeto e Prática do Jornalismo Esportivo” (Alameda, 2009) e “O Dia em que Me Tornei Botafoguense'' (Panda Books, 2011).
Contato: mauriciostycer@uol.com.br

Sobre o blog

Um espaço para reflexões e troca de informações sobre os assuntos que interessam a este blogueiro, da alta à baixa cultura, do esporte à vida nas grandes cidades, sempre que possível com humor.

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