Blog do Mauricio Stycer

Novela sobre mulheres fortes, A Força do Querer tem melhor início desde 2013

Mauricio Stycer

05/05/2017 04h01


Quatro anos depois de “Salve Jorge”, uma trama policial confusa, desinteressante e involuntariamente risível, Glória Perez está de volta com uma novela bem estruturada, repleta de bons personagens e algumas ótimas histórias para contar.

Neste sábado (6), ao chegar ao capítulo 30, “A Força do Querer” vai festejar também a excelente aceitação junto ao público. Os números do Ibope relativos a São Paulo mostram que a novela está tendo o melhor início desde “Amor à Vida” (2013-14), de Walcyr Carrasco.

Com média de 30,9 pontos até o momento, a trama está começando melhor que as últimas seis novelas das 21h (veja o quadro no fim do texto). E tem tudo para continuar assim.

Sem maiores pirotecnias, pé no chão e poucos personagens, a autora ambienta “A Força do Querer” entre três mundos distintos, que já estão se cruzando – o universo de certa elite carioca, o da classe C de Niterói e o de imigrantes simples de uma cidadezinha do Pará. O denominador comum entre os três é o poder feminino. Quem manda na novela são as mulheres.

Tal configuração não constitui uma novidade, mas voltou em boa hora, em uma novela das 21h. Glória Perez desenhou uma personagem mais forte do que a outra – e um monte de homens poucos interessantes.

Ritinha (Isis Valverde) é a sereia que seduz dois homens, o chucro Zeca (Marco Pigossi) e o riquinho Ruy (Fiuk), e faz gato e sapato de ambos. Bibi (Juliana Paes) trocou um homem rico, Caio (Rodrigo Lombardi), por um pobretão, Rubinho (Emilio Dantas), por paixão. Jeiza (Paola Oliveira) é PM, luta MMA e não tem medo de cara feia.

E mais. Silvana (Lilia Cabral), jogadora compulsiva, ignora a pressão do marido rico e poderoso, Eurico (Humberto Martins). Joyce (Maria Fernanda Cândido) é a “perua” que dedicou a vida à futilidade com uma convicção de guerreira. Irene (Débora Falabella) parece ser uma maluca esclarecida, dedicada a viver uma “Atração Fatal” com o marido das outras.

Há ainda Edinalva (Zezé Polessa), a mãe de Ritinha, simplória, mas esperta – um tipo capaz de vender o Cristo Redentor a um turista. Aurora (Elisângela), a pragmática mãe de Bibi, entende o drama da filha, não aceita, mas faz qualquer coisa por ela. E Cândida (Gisele Fróes), a mãe de Jeiza, é divertidamente hedonista.

Por fim, mas não menos importante, há Ivana (Carol Duarte), a personagem a que Glória Perez tem dedicado mais carinho e atenção – a menina no processo de descoberta de que há uma inadequação entre o que sente e o seu corpo de mulher.

Há, ainda, várias outras personagens secundárias interessantes, como Shirley (Michelle Martins), Abigail (Marina Xavier) e Zuleide (Claudia Mello), mas vou deixar para outra oportunidade, pois o texto está ficando longo demais,

Diante destas mulheres, os homens de “A Força do Querer” são, em sua maioria, idiotas, otários e insensíveis. Uma única exceção, até agora, é Eugênio (Dan Stulbach), marido de Joyce, pai de Ruy, em vias de ser enredado por Irene. Ele é um advogado sensível e generoso, capaz de ouvir o que estas mulheres fortes têm a dizer sem se sentir ameaçado por elas.

Deve ser incorreto dizer que se trata de uma novela feminista. Mas claramente é uma história que busca criar empatia com o público feminino por meio de personagens poderosas, corajosas e indomáveis, ainda que contraditórias e fora do padrão em certos casos.

Sobre o elenco, um tipo de avaliação sempre um pouco subjetiva, eu diria que parece bem dirigido, sem nenhum problema mais gritante. Os atores que mais tem chamado a minha atenção positivamente, até o momento, são Isis Valverde, Maria Fernanda Cândido, Carol Duarte, Dan Stulbach e Emílio Dantas.

Sobre os excelentes números de audiência até agora, é importante registrar que “A Força do Querer” estreou em 3 de abril, quatro dias depois que os sinais de Record, SBT e RedeTV! saíram das principais operadoras de TV paga. É evidente que a novela se beneficiou desta situação, bem como dos bons números alcançados por “A Lei do Amor” em suas últimas três semanas (média de 32,6 pontos).

Ainda assim, é obrigatório reconhecer os méritos da trama. Mesmo que a novela não esteja gerando grande barulho nas redes sociais, as suas qualidades são evidentes e merecem ser festejadas. Quem suspeitou que “Salve Jorge” estivesse sinalizando um esgotamento criativo da autora, se enganou. Glória Perez mostra ainda ter muita lenha para queimar.

Audiência média dos primeiros 27 capítulos das últimas oito novelas das 21h

A Força do Querer: 30,9
A Lei do Amor: 25,9
Velho Chico: 29,2
A Regra do Jogo: 24,9
Babilônia: 25,2
Império: 30,5
Em Família: 30,8
Amor a Vida: 34

Agradeço ao pesquisador Fábio Dias pelos dados atualizados de audiência publicados neste texto.

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Sobre o autor

Jornalista, nascido no Rio de Janeiro em 1961, mora em São Paulo há 29 anos. É repórter especial e crítico do UOL. Assina, aos domingos, uma coluna sobre televisão na “Folha de S.Paulo''. Começou a carreira no “Jornal do Brasil'', em 1986, passou pelo “Estadão'', ficou dez anos na “Folha'' (onde foi editor, repórter especial e correspondente internacional), participou das equipes que criaram o “Lance!'' e a “Época'', foi redator-chefe da “CartaCapital'', diretor editorial da Glamurama Editora e repórter especial do iG. É autor dos livros “Adeus, Controle Remoto'' (editora Arquipélago, 2016), “História do Lance! – Projeto e Prática do Jornalismo Esportivo” (Alameda, 2009) e “O Dia em que Me Tornei Botafoguense'' (Panda Books, 2011).
Contato: mauriciostycer@uol.com.br

Sobre o blog

Um espaço para reflexões e troca de informações sobre os assuntos que interessam a este blogueiro, da alta à baixa cultura, do esporte à vida nas grandes cidades, sempre que possível com humor.

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