Blog do Mauricio Stycer

Um dos melhores diretores da TV, Villamarim estreia no cinema com Redemoinho

Mauricio Stycer

11/02/2017 06h01

redemoinhocenadaponte
Mineiro de Três Marias, criado em Belo Horizonte, onde se formou em economia na PUC, José Luiz Villamarim sonhava ser cineasta, mas acabou se tornando um dos diretores de TV mais importantes em atividade. Esta semana, estreia o seu primeiro longa-metragem, “Redemoinho”, realização de um sonho antigo, muitas vezes adiado pela atribulada vida no Projac.

Villamarim está na Globo desde o início dos anos 90, levado por Dennis Carvalho para ser estagiário em “Anos Rebeldes” (1992). Entre inúmeras novelas, destaco duas: trabalhou como assistente de Luiz Fernando Carvalho em “O Rei do Gado” (1996) e dividiu a direção-geral de “Avenida Brasil” (2012) com Amora Mautner.

JusticaCauaVillamarimNos últimos anos, o diretor consolidou o seu nome assinando uma série de trabalhos importantes e originais, a saber: “O Canto da Sereia” (2013), “Amores Roubados” (2014), “O Rebu” (2014), “Justiça” (2016) e “Nada Será como Antes” (2016).

“Redemoinho” não lembra em nada o trabalho de Villamarim na TV. É muito mais ambicioso, mas ajuda a entender por que o diretor se tornou uma referência em matéria de qualidade na Globo.

O filme reúne parte da “turma” de Villamarim na emissora: o roteirista George Moura e o diretor de fotografia Walter Carvalho. No elenco, rostos conhecidos da TV por interpretações originais: Irandhir Santos, Julio Andrade, Cássia Kis e Dira Paes.

“Redemoinho” é inspirado em uma história do livro “O mundo inimigo (Inferno provisório – Vol. II)”, de Luiz Ruffato. O filme é sobre o reencontro, na véspera do Natal, de dois amigos de infância, em Cataguases (MG).

Redemoinhoirandhircassia
Luzimar (Irandhir) ficou na cidade, onde se casou com uma ex-prostituta (Dira) e trabalha numa fábrica de tecidos. Gildo (Julio Andrade) vive em São Paulo, onde progrediu um pouco, e ajuda a mãe, Marta (Cássia), que permaneceu em Cataguases.

RedemoinhojulioirandhirHá anos sem se encontrar, Luzimar e Gildo vão beber muita cerveja ao longo do dia e, à medida em que o tempo passa, evocar lembranças mais duras, até chegar a uma tragédia ocorrida na infância.

Em uma boa entrevista à revista “Trip”, Villamarim explicou o que o atraiu na história de Ruffato:

“A obra do Luiz Ruffato lida com personagens que eu chamo de invisíveis e que eu quis trazer para o primeiro plano. São milhões de brasileiros que fazem parte dessa classe operária, que está acima da linha de pobreza, tem desejos e aspirações, mas muitas vezes está condenada a ficar no mesmo lugar. Ruffato conhece bem esse universo: é filho de uma lavadeira e um pipoqueiro e trabalhou como operário. São pessoas que vivem questões existencialistas, como a abordada no filme, e que, no fundo, é universal: quem fez a melhor escolha, o que ficou na cidadezinha ou o que foi embora?”

Delicado, lento, sem música, sem malabarismos, “Redemoinho” leva o espectador a mergulhar num drama forte e a sentir, como diz Villamarin, a crise existencial daqueles personagens. É um filme “difícil” na medida em que não oferece válvulas de escape óbvias ou alívios cômicos.

Claramente na contramão de um tipo de produção que tem feito sucesso, o filme ajuda a compreender melhor o próprio Villamarim e explica por que a sua produção para a TV também se destaca em meio à falta de originalidade geral.

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Sobre o autor

Jornalista, nascido no Rio de Janeiro em 1961, mora em São Paulo há 29 anos. É repórter especial e crítico do UOL. Assina, aos domingos, uma coluna sobre televisão na “Folha de S.Paulo''. Começou a carreira no “Jornal do Brasil'', em 1986, passou pelo “Estadão'', ficou dez anos na “Folha'' (onde foi editor, repórter especial e correspondente internacional), participou das equipes que criaram o “Lance!'' e a “Época'', foi redator-chefe da “CartaCapital'', diretor editorial da Glamurama Editora e repórter especial do iG. É autor dos livros “Adeus, Controle Remoto'' (editora Arquipélago, 2016), “História do Lance! – Projeto e Prática do Jornalismo Esportivo” (Alameda, 2009) e “O Dia em que Me Tornei Botafoguense'' (Panda Books, 2011).
Contato: mauriciostycer@uol.com.br

Sobre o blog

Um espaço para reflexões e troca de informações sobre os assuntos que interessam a este blogueiro, da alta à baixa cultura, do esporte à vida nas grandes cidades, sempre que possível com humor.

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