Blog do Mauricio Stycer

Ousada, “Rock Story” dá as costas à música que faz sucesso hoje no Brasil

Mauricio Stycer

13/01/2017 04h01

rockstoryguinopalco
Na lista das cem músicas mais tocadas em rádio no Brasil em 2016, 89 foram sertanejas. O ranking se completa com pop e pagode, informou Adriana de Barros em sua coluna no UOL.

Não há nenhum rock no Top 100, o que torna ainda mais ousada a opção de “Rock Story”, uma novela protagonizada por um velho roqueiro, Gui Santiago (Vladimir Brichta), cuja trilha sonora é recheada de antigos sucessos de Legião Urbana, Titãs e Cazuza, entre outros.

rockstoryguiebandadofilhoNa atual fase da história, Gui está sendo o tutor de uma banda formada por quatro garotos, um deles seu filho, chamada Quatro Ponto Quatro. O que tocam os adolescentes? Rock dos anos 80. Atualmente, estão ensaiando “Sonífera Ilha”.

Trata-se, claramente, de uma homenagem, quase um manifesto da autora, Maria Helena Nascimento, a um momento de muita criatividade do rock brasileiro. Mas acho que vai além da nostalgia. Ao seguir na contracorrente do mercado musical, “Rock Story” manda uma mensagem ao público.

O tributo à boa música não se limita aos clássicos do rock oitentista. Gui, quando estava gravando seu disco, chegou a cantar até “Para Lennon e McCartney”, de Milton Nascimento, dos anos 70.

Já por meio de Laila (Laila Garin), a namorada de Gordo (Herson Capri), dono da gravadora alternativa Som Discos, “Rock Story” está abrindo espaço para outros clássicos. No capítulo desta quinta-feira (12), por exemplo, ela cantou “Panis et Circenses”, imortalizada pelos Mutantes no fim dos anos 60.

rockstoryleoregisNão deixa de ser sintomático que o antagonista de Gui Santiago seja um jovem cantor romântico, Leo Regis (Rafael Vitti), mais preocupado com a fama do que com a qualidade do que canta.

Leo encomenda e paga para músicos criarem canções e assume os créditos. Está longe de ter uma boa voz – suas fãs deliram mais com o seu jeito e estilo. De origem humilde, é deslumbrado com bens de consumo e tem raiva e inveja de Gui, de quem roubou a mulher, Diana (Alinne Moraes).

“Rock Story” toma partido de Gui e do rock em um momento que este gênero musical está em baixa e não tem a mesma relevância comercial de antes. Por meio do protagonista, a novela valoriza também uma “atitude” que não está na moda – o artista criativo, mais preocupado com música do que com dinheiro, idealista e sonhador. É uma aposta notável.

Vale lembrar, por fim, que a última novela das 19h com temática musical foi a divertida “Cheias de Charme” (2012). Diferentemente de “Rock Story”, porém, a trama de Filipe Miguez e Izabel de Oliveira levou para o palco (e a tela) os principais nomes das vertentes mais populares da música brasileira.

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Sobre o autor

Jornalista, nascido no Rio de Janeiro em 1961, mora em São Paulo há 29 anos. É repórter especial e crítico do UOL. Assina, aos domingos, uma coluna sobre televisão na “Folha de S.Paulo''. Começou a carreira no “Jornal do Brasil'', em 1986, passou pelo “Estadão'', ficou dez anos na “Folha'' (onde foi editor, repórter especial e correspondente internacional), participou das equipes que criaram o “Lance!'' e a “Época'', foi redator-chefe da “CartaCapital'', diretor editorial da Glamurama Editora e repórter especial do iG. É autor dos livros “Adeus, Controle Remoto'' (editora Arquipélago, 2016), “História do Lance! – Projeto e Prática do Jornalismo Esportivo” (Alameda, 2009) e “O Dia em que Me Tornei Botafoguense'' (Panda Books, 2011).
Contato: mauriciostycer@uol.com.br

Sobre o blog

Um espaço para reflexões e troca de informações sobre os assuntos que interessam a este blogueiro, da alta à baixa cultura, do esporte à vida nas grandes cidades, sempre que possível com humor.

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