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Mauricio Stycer

Top 10: Os bons programas e os melhores momentos da televisão em 2016

Mauricio Stycer

26/12/2016 05h01

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Esta segunda lista de 2016 apresenta os programas que mais gostei no ano e os momentos que mais me chamaram a atenção positivamente. Além dos dez selecionados, incluí ao final uma "menção honrosa" a três programas. Como toda relação deste tipo, a minha é muito pessoal e, por isso, os leitores estão convidados a comentarem, criticarem e apresentarem as suas sugestões.

1. "Velho Chico" lembrou que novela não tem que ser como o público espera
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Com um pé no melodrama, um "Romeu e Julieta" no sertão, e outro no drama político, o do apogeu e queda de um típico coronel, "Velho Chico" se propôs a mostrar um lado atrasado do Brasil, mas fez isso de maneira absolutamente original. Dirigida de forma artesanal por Luiz Fernando Carvalho ("não faço da TV um bico"), a novela exigiu do espectador que acompanhasse muitas cenas quase sem diálogos, closes em detalhes que não acrescentavam nada objetivo, uma narrativa não convencional, enfim. Diante da pressão para mudar a trama, o criador da história, Benedito Ruy Barbosa, disse: "Na minha novela o Silvio de Abreu não põe a mão". "Velho Chico" revelou atores como Lucy Alves, e até um novo autor, Bruno Luperi. Ao final, diante da trágica morte de Domingos Montagner, o público enxergou parte da trama com os olhos do personagem.

2. Fábio Porchat apontou o caminho da renovação dos talk shows

Fábio Porchat é inteligente, simpático, engraçado, sabe rir de si mesmo, tem raciocínio rápido e se comunica bem com o público. Com uma produção caprichada e um roteiro inteligente e bem-humorado,demonstrou que o seu talk show na Record, lançado em agosto, tem tudo para se firmar como uma nova referência no gênero. Na melhor tradição dos atuais talk shows americanos, que tratam as entrevistas quase como elemento acessório dos programas, os convidados de Porchat estão sempre protagonizando brincadeiras inesperadas. Com liberdade, o apresentador quebrou alguns tabus na Record, seja fazendo piadas com a emissora, seja mencionando seguidamente a Globo e outros concorrentes.

3. Com novelas infantis e série jovem, SBT ofereceu opção ao público adulto
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Exibindo novelas infantis em seu horário nobre desde 2012, o SBT fez uma experiência interessante com "A Garota da Moto", uma série destinada a um público saído da adolescência. Tanto os folhetins infantis quanto a série para pós-adolescentes encontraram um público parecido, em sua maioria formado por adultos. Os maiores de 25 anos representam cerca de 60% dos espectadores de todas as tramas. O mesmo fenômeno se repetiu com "Carinha de Anjo", lançada no fim do ano. Com uma "teledramaturgia fofa", a novela agradou em cheio aos adultos.

4. No "Superpop", Mick Jagger reclamou da atitude dos paulistas em shows

Com pautas a cada dia mais óbvias e repetitivas, sempre buscando causar polêmica a qualquer preço, o programa de Luciana Gimenez na RedeTV! anda difícil de assistir. Em meio à má fase, a boa entrevista com Mick Jagger, exibida em março, salvou o ano do "Superpop". A maior surpresa ocorreu quando a apresentadora questionou Jagger sobre os shows no Rio, São Paulo e Porto Alegre. O cantor não foi muito diplomático ao falar do público paulista. "Em São Paulo, parece que o público assiste pelo telefone. É a cidade do telefone. Parece um mar de telefones", disse, criticando a mania dos espectadores de não desgrudarem de seus smartphones.

5. "The Voice Kids" acertou com Ivete no júri e aposta em fofura

A versão infantil do "The Voice" não foi exatamente um concurso musical, como prometia, mas ofereceu um entretenimento da melhor qualidade, perfeito para quem estava diante da TV no início da tarde aos domingos. "The Voice Kids" provocou encanto sempre que apostou no desempenho infantil mais genuíno, sem preocupação com profissionalismo ou "crianças-prodígio", com jeito de adultas. Espontânea, inteligente e engraçada, Ivete Sangalo se destacou entre os jurados. Com tiradas ótimas, fez esquecer a sua desastrada passagem pelo "Superstar".

6. Divertido e tosco, "Power Couple" substituiu a "Fazenda" com glória
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Sem a "Fazenda", cuja produção é muito cara, a Record recrutou o apresentador e o diretor do reality, Roberto Justus e Rodrigo Carelli, para tocarem "Power Couple", uma competição bem mais simples e, divertidamente, tosca. Formato israelense, já vendido para meia dúzia de países, é um jogo disputado por oito casais "famosos". Os participantes brasileiros, em sua maioria celebridades no ocaso da glória, como Gretchen, o ex-jogador Tulio, a ex-paquita Andrea Sorvetão, o ex-pugilista Acelino Freitas, o Popó, e a cantora Simony, deram show de entretenimento. Os menos conhecidos Laura Keller e Jorge Sousa venceram a competição, mostrando incrível determinação e nenhum constrangimento nas provas mais difíceis.

7. Em gesto raro, Ratinho divulgou no SBT o "Criança Esperança" da Globo

O apresentador do SBT deu um belo exemplo em junho, ao promover em seu programa a campanha "Criança Esperança", da Globo. Ratinho deu até os números de telefone oferecidos para as contribuições. O gesto foi uma resposta à Record e à Band, que no ano anterior vetaram a participação de seus artistas no Teleton (a Record acabou reconsiderando a decisão). No "Video Show", Otaviano Costa agradeceu à iniciativa de Ratinho.

8. Mesmo irregular, "Justiça" foi produção muito acima da média na TV aberta

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Fãs de séries de qualidade, disponíveis na TV paga ou em serviços de streaming, fizeram muitas restrições à "Justiça". Mas é preciso avaliar a minissérie dentro do meio em que foi apresentada – o da TV aberta brasileira. Neste contexto, é possível afirmar que foi um dos destaques da programação no ano. Apesar do texto excessivamente didático de Manuela Dias e da vontade de chocar o espectador a qualquer preço, o programa exibiu um acabamento de muita qualidade, atores "entregues" à história, direção de cena sofisticada e a coragem, pelo encadeamento de quatro situações, de exigir do espectador mais do que ele está habituado. As quatro histórias tiveram desfechos poucos convencionais.

9. "Êta Mundo Bom" promoveu esperança em tempos de crise e desencanto

Com números de audiência de novela das 21h, "Êta Mundo Bom" foi um dos grandes sucessos do ano. Mérito total de Walcyr Carrasco, o mais prolífico novelista da atualidade, que acertou o tom nesta comédia de simplicidade espantosa, dedicada a transmitir uma mensagem positiva ao público. Abrindo mão de qualquer ousadia ou polêmica, a novela das 18h30 mostrou que há uma parcela considerável da audiência ansiosa exatamente por isso: entretenimento sem esforço. E a garantia de que o bem vencerá o mal, o amor superará as barreiras, o esforço será recompensado e há motivos para ser otimista com o mundo. Escapismo, em resumo.

10. "Xou da Xuxa" no Porta e no Porchat salvou o ano da apresentadora

Em maio, rindo do insucesso de seu programa em um vídeo do Porta dos Fundos, e em dezembro, imitando Eliana "Dedinhos" no "Programa do Porchat", Xuxa deu "xou". Mostrou uma naturalidade e espontaneidade que não consegue exibir no comando do seu auditório. Ao dublar Eliana e Angélica, e rir de si mesma, transmitiu um bom humor que também falta quando está à frente de sua atração. Mais divertida na casa dos outros do que como anfitriã, Xuxa precisa levar este espírito para o seu próprio programa.

E também… Menção honrosa para:
tanoarteprendinatv21. A terceira temporada do "Tá no Ar": O programa de Mauricio Farias, Marcius Melhem e Marcelo Adnet manteve o alto padrão em 2016. Não aliviou para ninguém e riu, com coragem, de tudo que há de exagerado, sensacionalista e ridículo na TV brasileira. Na reta final, ainda prestou grande homenagem a Carlos Alberto de Nóbrega.

escrravamaecasal2. O novo horário de novelas da Record: Com "Escrava Mãe", a Record estabeleceu um novo horário de novelas em sua grade, às 19h40, mostrando disposição de ir além da teledramaturgia bíblica. A emissora correu riscos ao levar ao ar uma trama inteiramente gravada com antecedência, mas a audiência reagiu bem. Tomara que siga com o projeto.

bbb16anapaularetro20163. Ana Paula no "BBB16": Em um formato que parecia desgastado e com Ibope em queda, ao chegar à 16ª edição o "Big Brother Brasil" mostrou fôlego para se reinventar. Muito do sucesso do programa se deve a Ana Paula, uma participante com energia incomum, que transmitiu eletricidade ao reality.

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Sobre o autor

Mauricio Stycer, jornalista, nascido no Rio de Janeiro em 1961, mora em São Paulo há 30 anos. É repórter especial e crítico do UOL. Assina, aos domingos, uma coluna sobre televisão na "Folha de S.Paulo". Começou a carreira no "Jornal do Brasil", em 1986, passou pelo "Estadão", ficou dez anos na "Folha" (onde foi editor, repórter especial e correspondente internacional), participou das equipes que criaram o diário esportivo "Lance!" e a revista "Época", foi redator-chefe da "CartaCapital", diretor editorial da Glamurama Editora e repórter especial do iG. É autor dos livros "Topa Tudo por Dinheiro - As muitas faces do empresário Silvio Santos" (editora Todavia, 2018), "Adeus, Controle Remoto" (Arquipélago, 2016), “História do Lance! – Projeto e Prática do Jornalismo Esportivo” (Alameda, 2009) e "O Dia em que Me Tornei Botafoguense" (Panda Books, 2011).

Contato: mauriciostycer@uol.com.br

Sobre o blog

Um espaço para reflexões e troca de informações sobre os assuntos que interessam a este blogueiro, da alta à baixa cultura, do esporte à vida nas grandes cidades, sempre que possível com humor.