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Mauricio Stycer

Pornochanchada com Tony Ramos é uma das raridades da exposição de Silvio

Mauricio Stycer

12/12/2016 05h01

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Silvio Santos ainda apresentava o seu programa na Globo, em meados da década de 70, quando decidiu diversificar os negócios e investir em cinema. O primeiro – e, infelizmente, único – resultado desta iniciativa foi a pornochanchada "Ninguém Segura Essas Mulheres".

Para quem não conhecia ou se lembrava mais desta raridade, a exposição "Silvio Santos Vem aí!", no MIS, fez o favor de resgatar o cartaz e algumas imagens.

silviosantosmiscartazfilmeLançado em maio de 1976, o filme é dividido em quatro episódios independentes, "Marido que Volta Deve Avisar", "Desencontro", "Pastéis para uma Mulata" e "O Furo", cada um com um diretor e elenco próprio.

Foi um sucesso, nas lembranças de José Miziara, autor do argumento e do roteiro, bem como diretor de um dos quatro episódios. "Ganhei uma boa nota com os 10% do filme que eu tinha", contou ao blog.

Miziara relembrou, por telefone, algumas histórias curiosas que envolvem o longa-metragem, cuja produção executiva coube a Luciano Calegari, então um dos executivos mais próximos de Silvio Santos.

O título original do filme era "Os Trambiques", mas não agradou aos Estúdios Silvio Santos, conta ele. O Patrão teria ficado com receio que fizessem piada, associando o filme ao Baú da Felicidade, seu grande empreendimento comercial.

A escolha de "Ninguém Segura Essas Mulheres" teria sido do próprio Silvio, inspirado no slogan ufanista do governo militar, "Ninguém segura esse país".

ninguemseguraveraancelmodennisMiziara conta que leu o roteiro inteiro para Silvio e Calegari. Ele tinha a intenção de dirigir o filme, mas Silvio quis saber qual a experiência que tinha no ramo. Como a resposta foi "nenhuma", o empresário, então, sugeriu que ele dirigisse apenas um dos episódios e contratasse outros três diretores.

Assim, além de Miziara, assinam como diretores Anselmo Duarte (1920-2009), Jece Valadão (1930-2006) e Harry Zalkowistch. O elenco traz vários nomes conhecidos, como Jorge Doria, Vera Gimenez, Milton Moraes, Alzita Nascimento, Wilson Grey, Tony Ramos, Dennis Carvalho, Nadia Lippi e Zilda Mayo, entre outros.

Proibido para menores de 18 anos pela Censura Federal, "Ninguém Segura Essas Mulheres" ganhou o rótulo de pornochanchada, apesar de não ter nenhuma cena de sexo – apenas insinuações picantes. O filme fez 1.318.476 espectadores, segundo dados da Ancine – um resultado excelente que o qualificava, em 2008, como a 123ª maior bilheteria do cinema brasileiro na história.

ninguemsegurajecenadiaPor que, apesar do sucesso desta primeira experiência, os Estúdios Silvio Santos desistiram de produzir filmes? Miziara crê que Silvio Santos se desinteressou por conta da concessão da TVS, no Rio, em 1975. O canal 11 entrou no ar em março de 1976, pouco antes da estreia do filme nos cinemas.

O blog também procurou Luciano Calegari, mas não obteve sucesso. O ex-diretor do SBT tem carinho especial por este filme, que ajudou a produzir.

Para conseguir uma cópia do longa-metragem junto à Cinemateca Brasileira, a curadora da exposição, Gabrielle Araujo, teve que se desdobrar. A entidade pediu, entre outros documentos, uma carta da empresa que produziu o filme, autorizando o empréstimo. O problema é que esta empresa não existe mais. Ao final, uma cópia foi cedida.

Sobre as fotos: As imagens reproduzidas neste texto trazem a marca d´água da Cinemateca Brasileira, que as conserva.  A do alto, que mostra Tony Ramos e Alzita Nascimento em cena do episódio "Pasteis para uma Mulata", inclui na barra inferior as informações que acompanhavam as "fotos de divulgação" do filme tais como  eram enviadas para jornais e revistas. A segunda imagem mostra Vera Gimenez, Anselmo Duarte e Dennis Carvalho em cena do episódio "Marido que Volta Deve Avisar". A terceira tem Jece Valadão e Nadia Lippi em "O Furo". O autor das fotos aparece no site da Cinemateca como "José do Amaral (?)".

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Sobre o autor

Mauricio Stycer, jornalista, nascido no Rio de Janeiro em 1961, mora em São Paulo há 30 anos. É repórter especial e crítico do UOL. Assina, aos domingos, uma coluna sobre televisão na "Folha de S.Paulo". Começou a carreira no "Jornal do Brasil", em 1986, passou pelo "Estadão", ficou dez anos na "Folha" (onde foi editor, repórter especial e correspondente internacional), participou das equipes que criaram o diário esportivo "Lance!" e a revista "Época", foi redator-chefe da "CartaCapital", diretor editorial da Glamurama Editora e repórter especial do iG. É autor dos livros "Topa Tudo por Dinheiro - As muitas faces do empresário Silvio Santos" (editora Todavia, 2018), "Adeus, Controle Remoto" (Arquipélago, 2016), “História do Lance! – Projeto e Prática do Jornalismo Esportivo” (Alameda, 2009) e "O Dia em que Me Tornei Botafoguense" (Panda Books, 2011).

Contato: mauriciostycer@uol.com.br

Sobre o blog

Um espaço para reflexões e troca de informações sobre os assuntos que interessam a este blogueiro, da alta à baixa cultura, do esporte à vida nas grandes cidades, sempre que possível com humor.