Blog do Mauricio Stycer

Ritmo intenso, texto e Magnólia são as maiores qualidades de A Lei do Amor

Mauricio Stycer

15/11/2016 12h40

leidoamormagnolia
Perto do capítulo 40, “A Lei do Amor” segue com audiência abaixo da média esperada do horário. Possivelmente, os autores serão pressionados a mudar a trama. Espero que não percam o controle da história. Destaco abaixo três aspectos muito positivos da novela, na minha opinião.

O primeiro bloco do capítulo desta segunda-feira (14) teve duração de oito minutos e 16 segundos. Ao longo deste período foram exibidas 11 cenas – uma média de 45 segundos por cena. O ritmo intenso é uma das características mais marcantes desta primeira incursão de Maria Adelaide Amaral e Vincent Villari no horário das 21h.

Outra marca é a qualidade do texto. “A Lei do Amor” é um novelão típico, que usa e abusa dos grandes clichês do folhetim, mas faz isso com uma preocupação “literária” acima da média, como se estivesse revisitando e “reescrevendo” outras novelas.

Não à toa, a toda hora os autores recorrem à metalinguagem para sinalizar que: 1. a novela é uma homenagem a outras; 2. é possível provocar o espectador com um texto menos óbvio.

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No capítulo desta segunda-feira houve duas cenas com referência a outras novelas. Na primeira, o tenso diálogo entre o vilão Tião (José Mayer) e a mocinha Helô (Claudia Abreu), foi evocado o próprio gênero, o melodrama quase mexicano, carregado nas tintas, que os autores têm oferecido ao público em algumas passagens:

Helô: Sua maldade é tão inacreditável que você parece um personagem de ficção.
Tião: Mas eu não sou o autor desta trama. A dona dessa história é você. Você construiu sozinha essa armadilha para si mesma. Você me conhece o suficiente para saber que eu jamais perderia a oportunidade de jogar a última pá de cal em cima do seu belo sonho de amor.

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Na outra cena, com a ajuda de seus assistente Gledson (Raphael Ganem), a ex-prostituta Luciane (Grazi Massafera) questionou Camila (Bruna Hamú), sua enteada, sobre o suspeito trabalho que ela arrumou, desconfiando se tratar de “book rosa” (prostituição):

Luciane: Começou a trabalhar, Camilete?
Camila: É. Fui numa agência aí, Clean Models, sabe?
Luciane: Conhece, Gledson?
Gledson: Clean Models? Esse nome não me é estranho, não. Mas não me parece top.
Camila: O que você tá falando aí? Fica quieto, bichinha!
Luciane: E já vai começar a trabalhar assim, tipo hoje?
Camila: É. Tô atrasado. Preciso tomar um banho e sair correndo.
Luciane: Se cuida, hein, Camila. Você se lembra de “Verdades Secretas”?
Camila: Você pensa que eu sou o quê?
Luciane: Uma tonta, capaz de qualquer coisa por uma bolsa de grife.
Camila: Fica tranquila que não tenho a menor intenção de concorrer com você no seu ramo profissional.
Luciane: Ah, amor, já saí do ramo, ó…

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Além da metalinguagem, Maria Adelaide e Vincent contam, também, com Magnólia (Vera Holtz) para funcionar com uma espécie de narradora, ajudando a explicar a trama intensa para os espectadores.

Principal personagem de “A Lei do Amor”, até o momento, a matriarca da família Leitão fala sempre de forma abrupta, dura, sem medo de chocar — e o efeito é explicar a história. Como nesta cena de segunda-feira, em que confrontou o genro Ciro (Thiago Lacerda), acusado de estar traindo a mulher, Vitoria (Camila Morgado), com Yara (Emanuelle Araujo):

Magnólia: Vocês homens são todos traidores. O que vocês veem nessas fulaninhas vulgares? Tiago abandonou a Letícia pra ficar com uma garçonete. Fausto me abandonar por causa da vadia da Suzana. Você com a mãe da Aline? E o Hercules nem se fala, com a vagabunda da Luciane!. Realmente, não sei o que você tem na cabeça. Santo Deus!

Há vários outros aspectos a mencionar sobre “A Lei do Amor”, inclusive os muitos problemas da novela. Mas deixo isso para um próximo texto.

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Sobre o autor

Jornalista, nascido no Rio de Janeiro em 1961, mora em São Paulo há 29 anos. É repórter especial e crítico do UOL. Assina, aos domingos, uma coluna sobre televisão na “Folha de S.Paulo''. Começou a carreira no “Jornal do Brasil'', em 1986, passou pelo “Estadão'', ficou dez anos na “Folha'' (onde foi editor, repórter especial e correspondente internacional), participou das equipes que criaram o “Lance!'' e a “Época'', foi redator-chefe da “CartaCapital'', diretor editorial da Glamurama Editora e repórter especial do iG. É autor dos livros “Adeus, Controle Remoto'' (editora Arquipélago, 2016), “História do Lance! – Projeto e Prática do Jornalismo Esportivo” (Alameda, 2009) e “O Dia em que Me Tornei Botafoguense'' (Panda Books, 2011).
Contato: mauriciostycer@uol.com.br

Sobre o blog

Um espaço para reflexões e troca de informações sobre os assuntos que interessam a este blogueiro, da alta à baixa cultura, do esporte à vida nas grandes cidades, sempre que possível com humor.

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