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Di Ferrero é o jurado mais confuso da história dos shows de talentos

Mauricio Stycer

22/09/2016 00h33

xfctordiferreroIndeciso, inseguro, incompreensível, o cantor Di Ferrero é o maior destaque no time de jurados da versão brasileira do "X Factor", exibido pela Band. Destaque negativo, diga-se. Talvez nunca um show de talentos tenha contado com um julgador tão confuso e incoerente.

Já vimos, em anos recentes, jurados muitos ruins em programas deste tipo. Caso, por exemplo, de Fábio Jr., na primeira edição do "Superstar", ou de Daniela Cicarelli no "Got Talent", da Record, ambos mais perdidos que David Luiz no 7 a 1.

Diferentemente destes dois, porém, Di Ferrero passa a impressão de que está envolvido com o concurso. Presta bastante atenção, demonstra interesse e parece refletir bastante antes de votar. O problema é que seus votos não fazem sentido nenhum.

Tem sido assim desde a estreia. O raciocínio do vocalista da banda NX Zero costuma deixar os espectadores perplexos. Reproduzo a seguir cinco exemplos de votos dados apenas na noite desta quarta-feira (21):

"Te adorei, mas hoje é não".

"Te achei meiga, super espontânea, mas tá claro que o rolou aqui não foi o seu melhor. Meu voto é sim"

"Sua apresentação foi morna. Meu voto é sim".

"Vocês são afinados, mas enquanto vocês cantavam, eu fiquei me perguntando: o que eles têm a mais? Voto sim."

"Achei sua apresentação muito pensada. Você tem que se encontrar. E isso leva tempo. Não."

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Mas nada exemplifica melhor o estilo confuso de Di Ferrero quanto o longo voto que ele deu para a cantora Ester:

"Na primeira música você deu uma escorregada, mas você tem 17 anos. A gente tem que falar a verdade aqui… Na segunda música, apesar de não ter entendido quase nenhuma palavra que você falou, você conseguiu me arrepiar… A melhor coisa de esta sentado aqui é ver tão pouca idade, mas tanta vontade de cantar. Muita gente boa já pisou neste palco. Preciso ser justo com todos os candidatos. Você tem muito a aprender ainda. Mas eu quero que você aprenda aqui. Meu voto é sim."

Em seu perfil no Twitter, o músico procurou explicar a sua incoerência – seria uma forma de incentivar os candidatos: "Às vezes a pessoa já tem três nãos e tenho a oportunidade de dar um sim de incentivo! Acredito que é uma boa pra continuar tentando!"

A certa altura da noite, avaliando o trabalho dos jurados até agora, a apresentadora Fernanda Paes Leme classificou Di Ferrero como o "sincerão" da turma. É uma maneira educada de tentar explicar os seus votos incompreensíveis.

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Sobre o autor

Mauricio Stycer, jornalista, nascido no Rio de Janeiro em 1961, mora em São Paulo há 30 anos. É repórter especial e crítico do UOL. Assina, aos domingos, uma coluna sobre televisão na "Folha de S.Paulo". Começou a carreira no "Jornal do Brasil", em 1986, passou pelo "Estadão", ficou dez anos na "Folha" (onde foi editor, repórter especial e correspondente internacional), participou das equipes que criaram o diário esportivo "Lance!" e a revista "Época", foi redator-chefe da "CartaCapital", diretor editorial da Glamurama Editora e repórter especial do iG. É autor dos livros "Topa Tudo por Dinheiro - As muitas faces do empresário Silvio Santos" (editora Todavia, 2018), "Adeus, Controle Remoto" (Arquipélago, 2016), “História do Lance! – Projeto e Prática do Jornalismo Esportivo” (Alameda, 2009) e "O Dia em que Me Tornei Botafoguense" (Panda Books, 2011).

Contato: mauriciostycer@uol.com.br

Sobre o blog

Um espaço para reflexões e troca de informações sobre os assuntos que interessam a este blogueiro, da alta à baixa cultura, do esporte à vida nas grandes cidades, sempre que possível com humor.

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