Blog do Mauricio Stycer

Rio-2016 marca transição de Globo e NBC da televisão para a Internet

Mauricio Stycer

03/08/2016 00h35

globovilaolimpicaOs Jogos Olímpicos de Londres, em 2012, foram vistos na televisão por um público estimado de 3,6 bilhões de pessoas. Esta conta inclui qualquer indivíduo que assistiu ao menos um minuto de TV durante os 17 dias de competição.

Não foi uma Olimpíada importante para quem prefere assistir televisão pela internet. Duas das mais poderosas empresas de comunicação, a americana NBC e a brasileira Globo, estavam com outras prioridades naquele ano. Quatro anos depois, a situação mudou radicalmente.

Em 2012, o grupo americano, responsável pelos maiores pagamentos de direitos de transmissão ao COI (Comitê Olímpico Internacional), tinha acabado de lançar o seu aplicativo online e ainda não sabia bem o que fazer com ele. Já o grupo brasileiro, o principal do país, fez uma cobertura burocrática e protocolar, já que os direitos de transmissão haviam sido adquiridos pela Record.

Se seguir a tendência dos últimos Jogos Olímpicos, a audiência global da Rio-2016 será ainda maior do que a de Londres. Mas a maior mudança será notada na forma de acompanhar os eventos. Pela primeira vez, a expectativa é que mais gente veja a cobertura das grandes emissoras por meio de aplicativos online do que pela própria televisão.

A NBC, que pagou US$ 1,3 bilhão (cerca de R$ 4 bilhões) pelos direitos de transmissão da Rio-2016, promete exibir 2 mil horas de conteúdo por meio de 11 canais de TV e mais 4.500 horas pelo seu aplicativo online e por seu site.

Em uma entrevista nos Estados Unidos, Rick Cordella, um dos executivos da área digital da NBC, informou que a emissora vai oferecer muito conteúdo exclusivo na internet. “As pessoas vão poder ver badminton ou marcha atlética, entre outras modalidades que historicamente você não podia ver na TV”, disse. “Outro aspecto é que você não fica diante da TV por 17 dias.”

A Globo não tem números exatos a respeito. Promete exibir 1.000 horas, entre TV e plataformas digitais, sem especificar. Mas é fácil constatar que também exibirá volume maior fora, incluindo conteúdo exclusivo de competições, via internet. O SporTV, canal pago do grupo, terá 16 canais na TV e 40 em seu aplicativo. A emissora promete, assim, transmitir 100% das competições.

A Globo é também patrocinadora do evento

Outra novidade da Globo é o fato de não apenas ter adquirido os direitos de transmissão, junto com Band, Record, ESPN e Fox, como também ter se associado ao COI na condição de patrocinador local dos Jogos.

A decisão da emissora foi tomada tardiamente, em junho de 2015 (outros patrocinadores são conhecidos desde 2013 e 14). Questionada pelo UOL sobre o que motivou a ser patrocinadora, a empresa informou: “O Grupo Globo adquiriu o patrocínio de mídia por entender que esta é uma boa oportunidade para a exposição de suas marcas, pela oportunidade de reforçar junto ao público a oferta de conteúdo olímpico em todas as mídias – TV, rádio e internet”.

Valores do negócio não foram revelados, assim como também não se sabe, oficialmente, quanto a emissora pagou pelos direitos de transmissão – a estimativa é que sejam US$ 200 milhões (cerca de R$ 650 milhões). Por ser uma empresa de capital fechado, a Globo não é obrigada a divulgar estes números.

Em todo caso, a proeminência da emissora em relação às outras que exibirão os Jogos é visível no Parque Olímpico, em Jacarepaguá. O vistoso estúdio da Globo foi erguido na alameda principal do local, entre as principais instalações esportivas. Alguém mais distraído poderá pensar até que é um local de competição.

Este texto foi publicado originalmente no UOL Esporte.

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Sobre o autor

Jornalista, nascido no Rio de Janeiro em 1961, mora em São Paulo há 29 anos. É repórter especial e crítico do UOL. Assina, aos domingos, uma coluna sobre televisão na “Folha de S.Paulo''. Começou a carreira no “Jornal do Brasil'', em 1986, passou pelo “Estadão'', ficou dez anos na “Folha'' (onde foi editor, repórter especial e correspondente internacional), participou das equipes que criaram o “Lance!'' e a “Época'', foi redator-chefe da “CartaCapital'', diretor editorial da Glamurama Editora e repórter especial do iG. É autor dos livros “Adeus, Controle Remoto'' (editora Arquipélago, 2016), “História do Lance! – Projeto e Prática do Jornalismo Esportivo” (Alameda, 2009) e “O Dia em que Me Tornei Botafoguense'' (Panda Books, 2011).
Contato: mauriciostycer@uol.com.br

Sobre o blog

Um espaço para reflexões e troca de informações sobre os assuntos que interessam a este blogueiro, da alta à baixa cultura, do esporte à vida nas grandes cidades, sempre que possível com humor.

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