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Por causa de Sergio Guizé, novela das 18h merecia ter se chamado “Candinho"

Mauricio Stycer

29/07/2016 06h01

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Batendo recordes de audiência atrás de recordes, "Êta Mundo Bom" vai entrar em agosto, seu último mês, com números que a Globo não registrava no horário desde 2007, quando exibiu o final de "O Profeta". Um bom naco do sucesso da novela de Walcyr Carrasco pode ser creditado ao desempenho excepcional de Sérgio Guizé, na pele do protagonista Candinho.

O nome do personagem, aliás, iria servir de título para a novela, assim como batizou o filme de Abílio Pereira de Almeida, protagonizado por Mazzaropi, em 1954. O roteiro do longa-metragem é inspirado em "Cândido, ou o Otimismo", de Voltaire.

Em "Êta Mundo Bom", Candinho não apenas dita o ritmo, mas o tom da narrativa. A sua ingenuidade exagerada serve de parâmetro para todos os personagens. Nenhum é tão bom quanto ele. E os maus, por contraste, ficam ainda piores diante dele. O público não apenas torce, como quer cuidar, orientar, Candinho.

mazzaropi2Guizé tomou emprestado alguns tiques de Mazzaropi, para deixar claro que o seu personagem vem de algum lugar anterior, possui uma linhagem, digamos assim. Mas, até por ter um tipo físico diferente do ator que personificou o Jeca Tatu, deu um jeito próprio ao seu Candinho.

O ator protagonista de "Êta Mundo Bom" mergulhou mesmo no personagem. É uma entrega que chama a atenção. Candinho poderia soar ridículo se mal construído e levar a novela para um outro caminho.

À medida em que a história avançava, o domínio do ator foi ficando mais nítido, a ponto de hoje ser visível que Guizé está se divertindo na pele do personagem.

Com uma carreira mais dedicada ao teatro, o ator emendou três papéis seguidos na Globo como protagonista – primeiro como João Gibão em "Saramandaia" (2013), depois como Caíque em "Alto Astral" (2014) e agora este na novela das 18h.

etamundobompancracioAlém de Guizé, creio que Marco Nanini foi o outro ator fundamental para balizar o tom da comédia de "Êta Mundo Bom". Meio sábio, meio trapalhão, o seu Pancrácio (Pangloss, no texto de Voltaire) compôs perfeitamente com Candinho.

Não que a novela não conte com outros atores em grandes momentos, mas Guizé e Nanini serviram, na minha opinião, como referências do elenco.

Em outubro de 2015, quando Walcyr Carrasco deu uma entrevista ao "UOL Vê TV", perguntei a ele por que a novela havia mudado de nome, de "Candinho" para "Êta Mundo Bom". A sua resposta faz sentido (veja abaixo). Mas hoje, quase dez meses depois, é possível dizer que não seria injusto, muito pelo contrário, se a trama tivesse como título o nome de seu protagonista.

"Há um risco quando você joga uma novela no nome de um personagem só"


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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre o autor

Mauricio Stycer, jornalista, nascido no Rio de Janeiro em 1961, mora em São Paulo há 30 anos. É repórter especial e crítico do UOL. Assina, aos domingos, uma coluna sobre televisão na "Folha de S.Paulo". Começou a carreira no "Jornal do Brasil", em 1986, passou pelo "Estadão", ficou dez anos na "Folha" (onde foi editor, repórter especial e correspondente internacional), participou das equipes que criaram o diário esportivo "Lance!" e a revista "Época", foi redator-chefe da "CartaCapital", diretor editorial da Glamurama Editora e repórter especial do iG. É autor dos livros "Topa Tudo por Dinheiro - As muitas faces do empresário Silvio Santos" (editora Todavia, 2018), "Adeus, Controle Remoto" (Arquipélago, 2016), “História do Lance! – Projeto e Prática do Jornalismo Esportivo” (Alameda, 2009) e "O Dia em que Me Tornei Botafoguense" (Panda Books, 2011).

Contato: mauriciostycer@uol.com.br

Sobre o blog

Um espaço para reflexões e troca de informações sobre os assuntos que interessam a este blogueiro, da alta à baixa cultura, do esporte à vida nas grandes cidades, sempre que possível com humor.