Blog do Mauricio Stycer

Cada vez mais multimídia, Porta dos Fundos transforma peça em série de TV

Mauricio Stycer

07/03/2016 05h01

portadosfundosportatil
A trajetória do grupo Porta dos Fundos é admirável. Começou no You Tube, em agosto de 2012, com esquetes de três minutos, lançados duas vezes por semana. Logo no ano seguinte saiu um livro, com roteiros dos quadros de humor, e um DVD. Preparando o terreno para vôos mais altos, em 2014, os esquetes da internet foram parar na TV paga.

Em 2015, a primeira série de humor do grupo, “O Grande Gonzalez”, estreou na Fox, enquanto uma peça de teatro, “Portátil”, começava a rodar o Brasil. Um longa-metragem, “Contrato Vitalício”, foi filmado no início de 2016 e deve ser lançado nos cinemas ainda este ano. Na próxima semana, é a vez da estreia de um novo programa para a TV, também chamado “Portátil”, no canal Comedy Central, baseado no espetáculo teatral.

Em cinco episódios, a série retrata os bastidores da turnê de Gregório Duvivier, João Vicente, Luis Lobianco e Gustavo Miranda por dezenas de cidades do Brasil e de Portugal, onde encenaram o espetáculo.

Com direção de Barbara Duvivier, irmã de Gregório, a peça é um exercício de improvisação radical, ou de “longo formato”, como eles dizem. A partir de meia dúzia de perguntas a alguém da plateia (a principal é “Como os seus pais se conheceram?”), os quatro atores encenam uma história de uma hora, diferente a cada noite.

portatilinstagram“É um tipo de espetáculo que não tem no Brasil”, diz o colombiano Gustavo Miranda, especialista em improvisação. O formato mais conhecido no país é chamado de “jogos”, com esquetes criados a partir de alguma provocação, mas que se encerram em cinco ou dez minutos.

Convidado pelo Porta dos Fundos para “treiná-los”, Miranda acabou incorporado à trupe e participa da turnê. “A gente sabia que não sabia fazer”, conta João Vicente.

Quem já viu “Portátil” (no momento está em cartaz em São Paulo) sabe da dificuldade que os atores enfrentam. “O espectador entende o risco da coisa”, diz Gregório Duvivier. É realmente impressionante a exigência de raciocínio e entendimento rápidos entre os atores.

“Portátil” tem uma estrutura fixa, mas muito pouca coisa se repete a cada encenação – não mais que 10%, na avaliação dos atores

A convite do Comedy Central, assisti a um espetáculo no Rio, gravado para aparecer na série de TV, em dezembro de 2015. Mais recentemente, vi o primeiro episódio do programa, que estreia na próxima segunda-feira (14), no canal especializado em humor.

“Todos nós viemos do teatro, mas queríamos manter um pé no vídeo”, diz Lobianco. “Sempre ouvi dizer que teatro filmado não funciona. Isso nos motivou a levar a peça para a TV”, afirma Duvivier.

Os primeiros quatro episódios mostram mais os bastidores das gravações. Na estreia, o espectador acompanha o drama de João Vicente, que chega atrasado a Florianópolis para o espetáculo. O teatro já está cheio, à espera do início da peça, quando ele entra no táxi, no aeroporto. Duvivier é, então, convocado para fazer um stand up no palco, de maneira a entreter a plateia e fazer o tempo passar.

A série é dirigida por Ian SBF, um dos criadores do Porta dos Fundos. A julgar pelo primeiro episódio, o formato é bem tradicional, sem maiores ousadias. Como tantos outros documentários de bastidores, a câmera acompanha os quatro atores nos seus exercícios, em fragmentos das encenações e nas brincadeiras entre eles. Somente no último episódio, mais longo, o espectador verá a peça inteira.

O grupo está apresentando “Portátil” em São Paulo no Teatro Safra até 17 de abril, aos sábados (21h) e domingos (19h), com ingressos de R$ 30 a R$ 80. Na TV, “Portátil” será exibido de 14 a 18 de março, às 23h, no canal Comedy Central, com reprises em horários alternativos.

Abaixo, um teaser do programa:

Veja também
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Sobre o autor

Jornalista, nascido no Rio de Janeiro em 1961, mora em São Paulo há 29 anos. É repórter especial e crítico do UOL. Assina, aos domingos, uma coluna sobre televisão na “Folha de S.Paulo''. Começou a carreira no “Jornal do Brasil'', em 1986, passou pelo “Estadão'', ficou dez anos na “Folha'' (onde foi editor, repórter especial e correspondente internacional), participou das equipes que criaram o “Lance!'' e a “Época'', foi redator-chefe da “CartaCapital'', diretor editorial da Glamurama Editora e repórter especial do iG. É autor dos livros “Adeus, Controle Remoto'' (editora Arquipélago, 2016), “História do Lance! – Projeto e Prática do Jornalismo Esportivo” (Alameda, 2009) e “O Dia em que Me Tornei Botafoguense'' (Panda Books, 2011).
Contato: mauriciostycer@uol.com.br

Sobre o blog

Um espaço para reflexões e troca de informações sobre os assuntos que interessam a este blogueiro, da alta à baixa cultura, do esporte à vida nas grandes cidades, sempre que possível com humor.

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