Blog do Mauricio Stycer

“Em São Paulo, parece que o público assiste pelo telefone”, diz Mick Jagger

Mauricio Stycer

03/03/2016 00h16

superpopmickluciana
Sonho de dez entre dez jornalistas que escrevem sobre música pop, entrevistar Mick Jagger é tarefa difícil, quase impossível. Não para Luciana Gimenez. Mãe de um filho com o músico, Lucas, a apresentadora da RedeTV! já havia entrevistado o líder dos Rolling Stones à época do show anterior da banda no Brasil, em fevereiro de 2006. E repetiu a dose nesta nova excursão do grupo ao país.

A entrevista foi exibida na noite de quarta-feira (02), dentro de um “Especial Rolling Stones” do “Superpop”. Apesar do excesso de pompa, a conversa do cantor com Luciana foi boa, com alguns momentos surpreendentes.

A maior surpresa ocorreu quando a apresentadora questionou Jagger sobre os shows no Rio, São Paulo e Porto Alegre. O cantor não foi muito diplomático ao falar do público paulista. “Em São Paulo, parece que o público assiste pelo telefone. É a cidade do telefone. Parece um mar de telefones”, disse, criticando a mania dos espectadores de não desgrudarem de seus smartphones.

A entrevista durou quase 20 minutos. Jagger falou bastante sobre “Vinyl”, série de TV que idealizou e produziu, em parceria com o cineasta Martin Scorsese, para o canal HBO (no ar aos domingos, às 23h). O programa trata do mundo musical, no início da década de 70, em Nova York.

Disse que sua ideia inicial era fazer um filme, mas não vingou. Ao ver a migração de bons diretores e atores para a televisão, se animou em desenvolver o projeto com a HBO. Um dos filhos do músico, James Jagger, atua na série.

Luciana arriscou algumas perguntas sobre a vida pessoal de Jagger e ouviu que ele gosta de reunir a família toda no Natal. Aos 72 anos, tem filhos, netos e acaba de ganhar uma bisneta. Lucas é o seu filho mais novo.

Jagger também revelou o que come antes e depois dos shows (massa) e falou brevemente sobre David Bowie (1947-2016), lamentando que estivesse há algum tempo sem conversar com ele.

Antes e depois da entrevista, o “Superpop” entupiu o público com informações enciclopédicas sobre os Rolling Stones. Em seu auditório, a apresentadora recebeu Kid Vinil, Supla e Tatola, do “Encrenca”. Quatro repórteres (um exagero) foram deslocados para reportagens externas – sobre o público, os famosos, o produtor de palco e a responsável pelo bufê dos músicos.

Tatola lembrou que os Stones foram presos várias vezes no início da carreira. “Vamos abafar isso, é o pai do meu filho”, pediu Luciana. Mostrando uma foto no LP “Sticky Fingers”, de 1971, Kid Vinil observou: “Dizem que essa é a cueca do Mick”. “Não vou dizer se é a cueca do Mick”, cortou a apresentadora.

Não foi, como prometeu a RedeTV!, “um programa que vai entrar para a história”, mas foi bom e divertido. O público mais fiel do “Superpop” deve ter estranhando a ausência do deputado Jair Bolsonaro e do cantor Agnaldo Timóteo, frequentadores habituais.

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Sobre o autor

Jornalista, nascido no Rio de Janeiro em 1961, mora em São Paulo há 29 anos. É repórter especial e crítico do UOL. Assina, aos domingos, uma coluna sobre televisão na “Folha de S.Paulo''. Começou a carreira no “Jornal do Brasil'', em 1986, passou pelo “Estadão'', ficou dez anos na “Folha'' (onde foi editor, repórter especial e correspondente internacional), participou das equipes que criaram o “Lance!'' e a “Época'', foi redator-chefe da “CartaCapital'', diretor editorial da Glamurama Editora e repórter especial do iG. É autor dos livros “Adeus, Controle Remoto'' (editora Arquipélago, 2016), “História do Lance! – Projeto e Prática do Jornalismo Esportivo” (Alameda, 2009) e “O Dia em que Me Tornei Botafoguense'' (Panda Books, 2011).
Contato: mauriciostycer@uol.com.br

Sobre o blog

Um espaço para reflexões e troca de informações sobre os assuntos que interessam a este blogueiro, da alta à baixa cultura, do esporte à vida nas grandes cidades, sempre que possível com humor.

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