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Mauricio Stycer

"Trama não precisa mais do concurso", dizem os autores de Totalmente Demais

Mauricio Stycer

26/02/2016 05h01

totalmentedemaisconcurso
Há duas semanas, considerando que "Totalmente Demais" estava se tornando previsível e repetitiva, fiz alguns comentários no Twitter e publiquei um texto a respeito no blog. Rosane Svartman, que divide com Paulo Halm a autoria da novela, respondeu brevemente a um dos meus questionamentos, dando início a um diálogo.

totalmentedemaisrosenapauloPropus fazer uma entrevista com os dois autores, na qual eles pudessem expor os seus pontos de vista. Os fãs de "Totalmente Demais", tenho certeza, vão apreciar o resultado da conversa.

Chegando ao capítulo 100 com audiência em alta, a novela das 19h30 é um sucesso como há muito não se via. Rosane e Halm defendem a importância do concurso na trama, mas contam que ele vai acabar. Os autores adiantam os próximos passos da história, avaliam os maiores acertos até agora e revelam que alteraram a sinopse para dar mais espaço aos personagens de Humberto Martins e Viviane Pasmanter. Abaixo, a entrevista:

Li que haverá um salto no tempo e o concurso chegará à final. Vocês sentiram necessidade de encurtar esta história?
Paulo Halm e Rosane Svartman
: Não é a trama que segue o concurso e sim o concurso que ajuda a narrativa. Ele proporciona encontros de personagens, exacerbação de conflitos e também momentos de superação de traumas e passos na transformação de Eliza — como nos mitos, nos contos de fada.

totalmentedemaiselizaarthurChegamos a um ponto da trama em que todos os personagens estão em momentos bem diferentes do início da novela: Jonatas tem um emprego formal e está com Leila; Arthur está encantado por Eliza, que o transformou também; Germano está pagando pelos seus erros; Lili, saindo do luto; Carol se tornando menos amante e mais rival de Arthur; e, principalmente, Eliza se tornando menos ingênua, mais sofisticada e dona do seu nariz. A trama não precisa mais do concurso e por isso ele pode terminar.

Vocês não imaginaram que a trama poderia ficar cansativa ancorada basicamente no concurso?
Não acreditamos que a trama está ancorada no concurso… da mesma forma que não está ancorada na aposta entre Arthur e Carol…

Encerrada esta etapa, o que vocês podem adiantar sobre os próximos passos da novela?
O final do concurso coincide com uma virada na novela. Eliza, por exemplo, finalmente vai estar novamente diante de seu padrasto – não como uma garota assustada, mas sim como uma mulher que sabe dos seus direitos. Ela vai conhecer também seu pai verdadeiro, que não é o caminhoneiro que supostamente morreu na estrada.

Por experiência própria, sei que vocês acompanham com atenção os comentários nas redes sociais. As torcidas em favor de um ou outro casal estão influenciando ou vão ter influência nos rumos da trama?
Adoramos dialogar com quem assiste a novela, mas isso não significa que modificamos a trama para agradar o público das redes sociais, até porque são tantas opiniões que isto seria impossível. Mas achamos que este diálogo ajuda a gente a refletir sobre a história que estamos contando sim.

Há várias situações românticas em aberto. Vocês podem adiantar algum quem vai ficar com quem no final?
Uma das coisas que mais curtimos em uma novela, em detrimento de obras fechadas como o cinema, é a possibilidade de mudar de ideia. Muitas vezes, a direção, na sua leitura do texto, e os atores trazem nuances novas aos personagens, por exemplo. São casais que funcionam e têm química – ou não.

Quando assistimos a novela diariamente, nos tornamos espectadores, e ver nosso texto no ar sempre traz surpresas. Nos vemos torcendo por personagens ou com vontade de assistir mais cenas de certa trama. Então, muitas vezes modificamos o planejado. Tudo isso pra dizer que a gente está justamente discutindo o final da novela no momento.

totalmentedemaisgermanoliliO que mais está impressionando vocês em termos de repercussão da novela? Algum personagem? Alguma trama em particular?
Achávamos que a trama principal iria funcionar, já que tínhamos grandes atores para contar esta história: Juliana Paes, Fábio Assunção, Felipe Simas e Marina Ruy Barbosa- e estamos muito felizes com o resultado. Mas quando Humberto Martins e Viviane Pasmanter se tornaram Germano e Lili, nós imediatamente modificamos a sinopse para dar mais possibilidades para estes talentos. Mesmo assim, a repercussão da trama deles é surpreendente.

A Juliana Paiva é nossa atriz fetiche, e sabíamos que ela ia brilhar como Cassandra. Adoramos ver o Aílton Graça, cujo humor incendeia cada cena em que participa. Da mesma forma, é um prazer ver a Malu Galli brilhando como uma mulher do povo, batalhadora, durona, desbocada, acho que é a primeira vez que ela faz um personagem assim, em tv. E como faz bem!

totalmentedemaisgloriamenezes2É uma honra poder contar com a deliciosa participação da Gloria Menezes e do Reginaldo Farias, atores que dispensam comentários, mas que não podemos deixar de elogiar e reverenciar. Precisamos também mencionar Pablo Sanábio, que tem um carisma incrível. Mas é melhor parar por aqui porque seriamos (e estamos sendo) injustos com um elenco formado por atores tão talentosos.

A opção por fazer homenagens a filmes famosos e citar novelas e séries de TV não é uma novidade. Mas há muito tempo não via uma produção esbanjar tanta cultura audiovisual. O grande público, na opinião de vocês, entende esta metalinguagem?
É preciso dizer que não fazemos referências apenas à cultura audiovisual, mas à literatura, música, quadrinhos, cultura pop, mídias sociais. Através de Arthur citamos poesias, os personagens cantam, às vezes escrevemos diálogos inteiros extraídos de letras de músicas ou de memes da internet. Isso porque não somos somente produtores, somos consumidores vorazes de cinema, literatura, quadrinhos, internet, música, e nosso trabalho absorve, digere e reproduz essa matéria cultural que consumimos.

Nunca subestimamos nosso público. Aliás esta é uma lição que vem de Malhação. É um prazer ver nas redes sociais, por exemplo, quando o público reconhece as referências ou quando vemos espectadores curiosos para conhecer mais da obra que citamos.

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Sobre o autor

Mauricio Stycer, jornalista, nascido no Rio de Janeiro em 1961, mora em São Paulo há 30 anos. É repórter especial e crítico do UOL. Assina, aos domingos, uma coluna sobre televisão na "Folha de S.Paulo". Começou a carreira no "Jornal do Brasil", em 1986, passou pelo "Estadão", ficou dez anos na "Folha" (onde foi editor, repórter especial e correspondente internacional), participou das equipes que criaram o diário esportivo "Lance!" e a revista "Época", foi redator-chefe da "CartaCapital", diretor editorial da Glamurama Editora e repórter especial do iG. É autor dos livros "Topa Tudo por Dinheiro - As muitas faces do empresário Silvio Santos" (editora Todavia, 2018), "Adeus, Controle Remoto" (Arquipélago, 2016), “História do Lance! – Projeto e Prática do Jornalismo Esportivo” (Alameda, 2009) e "O Dia em que Me Tornei Botafoguense" (Panda Books, 2011).

Contato: mauriciostycer@uol.com.br

Sobre o blog

Um espaço para reflexões e troca de informações sobre os assuntos que interessam a este blogueiro, da alta à baixa cultura, do esporte à vida nas grandes cidades, sempre que possível com humor.