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“Amor & Sexo” se arrisca ao abraçar a importante bandeira da diversidade

Mauricio Stycer

24/01/2016 07h01

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Programa que vem anunciando o seu fim desde 2013, "Amor & Sexo" estreou uma nova temporada – a nona – neste sábado (23) com a clara disposição de debater temas relacionados a diversidade sexual e combater a intolerância.

A atração sempre foi ousada e desbocada mesmo tratando de temas sérios – sexo seguro, machismo, violência contra a mulher etc. Este ano, a julgar pela estreia, parece decidido, mais do que nunca, a ser lembrada pela responsabilidade social.

Um novo quadro, "Bishow", se propõe justamente a discutir temas ligados ao universo gay. "É um quadro a favor da diversidade e a gente pensa neles de uma forma muito lúdica, muito colorida. Vamos apresentar pessoas muito maravilhosas para o Brasil", disse Fernanda Lima ao "Vídeo Show".

Na estreia, três homens foram instruídos por três drag-queens a se vestirem e andarem como mulheres – incluindo uma aula, bem didática, sobre como disfarçar o pênis em uma roupa feminina.
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amoresexodoishomensA preocupação com a diversidade também foi nítida em outro quadro, no qual jovens se conheciam no palco e tinham alguns segundos para decidir se trocariam um beijo na boca. Várias duplas se submeteram à brincadeira, incluindo uma formada por duas mulheres e outra por dois homens. Todos se beijaram.

O horário do programa, creio, alivia a Globo da acusação, comum em meios mais conservadores, de estar querendo impor uma agenda liberal aos espectadores. O sábado à noite deixa a emissora mais à vontade para tratar abertamente de temas necessários e tabus ainda enraizados.

É verdade que o entretenimento ficou em segundo plano em alguns momentos da estreia, mas entendo que vale a pena correr este risco. "Amor & Sexo" abraçou uma bandeira importante em 2016.

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Sobre o autor

Mauricio Stycer, jornalista, nascido no Rio de Janeiro em 1961, mora em São Paulo há 30 anos. É repórter especial e crítico do UOL. Assina, aos domingos, uma coluna sobre televisão na "Folha de S.Paulo". Começou a carreira no "Jornal do Brasil", em 1986, passou pelo "Estadão", ficou dez anos na "Folha" (onde foi editor, repórter especial e correspondente internacional), participou das equipes que criaram o diário esportivo "Lance!" e a revista "Época", foi redator-chefe da "CartaCapital", diretor editorial da Glamurama Editora e repórter especial do iG. É autor dos livros "Topa Tudo por Dinheiro - As muitas faces do empresário Silvio Santos" (editora Todavia, 2018), "Adeus, Controle Remoto" (Arquipélago, 2016), “História do Lance! – Projeto e Prática do Jornalismo Esportivo” (Alameda, 2009) e "O Dia em que Me Tornei Botafoguense" (Panda Books, 2011).

Contato: mauriciostycer@uol.com.br

Sobre o blog

Um espaço para reflexões e troca de informações sobre os assuntos que interessam a este blogueiro, da alta à baixa cultura, do esporte à vida nas grandes cidades, sempre que possível com humor.