Blog do Mauricio Stycer

Top 20: os erros, exageros, micos e polêmicas na televisão em 2015

Mauricio Stycer

16/12/2015 07h01

montagemtop20erros
A primeira retrospectiva de 2015 do blog agrupa duas dezenas de acontecimentos variados na televisão. Juntei na mesma lista erros crassos, situações exageradas, micos extraordinários e polêmicas ocorridas na tela este ano. Como toda relação deste tipo, esta minha é bem pessoal e aberta a sugestões, criticas e comentários dos leitores.

dezmandamentosextintor

Extintor de incêndio bíblico: Além das dez pragas enviadas por Deus ao Egito, a novela “Os Dez Mandamentos”, da Record, foi vítima de uma outra praga muito comum em estúdios de televisão – a distração: um extintor de incêndio foi esquecido em cena. Foi o erro mais comentado no ano. Mas não foi o único, é sempre bom lembrar.

ILoveSemChromaCadê a paisagem?: Gravada no Projac, no Rio, mas ambientada em São Paulo, “I Love Paraisópolis” frequentemente recorria a fundos falsos, feitos por computação gráfica, para dar realismo à trama. O recurso, conhecido como “chroma key”, deixou de ser usado, por engano, em uma cena na qual Gabo (Henri Castelli) conversa com seu assistente, Raul “Paletó” (Andre Loddi), no escritório da empresa que dirigia. A Globo explicou o erro crasso como uma “falha na finalização” da cena.

fatimachacrinha2“Cacino” do Chacrinha: Esta violência contra a língua portuguesa ocorreu no “Encontro com Fátima Bernardes”, na Globo. No fim do programa, um assistente da apresentadora, Marcos Veras, mencionou o erro e, brincando, disse que o autor do GC havia sido identificado. “Já está no RH”, falou. “Deslizes acontecem”, acrescentou Fátima.

Museu da Televisão: Com “I Love Lucy”, série da década de 50 do século passado, a emissora de Silvio Santos acrescentou mais um achado arqueológico à sua programação com cheiro de naftalina. A ideia “genial” de exibir o seriado de segunda a sexta durou apenas um mês. Constatado o erro, o SBT encostou o programa às 4h da manhã dos sábados.

quehoraselavolta

Reportagem refeita: Indicado para representar o Brasil no Oscar, o filme “Que Horas Ela Volta?” foi objeto de uma reportagem tão equivocada no “Fantástico” que, uma semana depois, o programa voltou a tratar do assunto, no esforço de corrigir a primeira abordagem. “A reportagem é um curioso caso em que se fez o marketing de um filme afirmando o contrário do que ele defende”, escreveu o crítico Ricardo Calil. O filme de Anna Muylaert mostra a difícil relação de uma empregada doméstica com seus patrões.

Cristiano Araujo Forever: A morte do cantor sertanejo, em um trágico acidente de carro, foi a senha para uma das coberturas mais longas e insanas já realizadas pela televisão brasileira. Da Globo à Gazeta, passando por Record, RedeTV! e SBT, Cristiano Araujo foi tema de dezenas de programas e centenas de horas de homenagens. “A Tarde É Sua”, apresentado por Sonia Abrão, bateu todos os recordes ao tratar do assunto, de segunda a sexta, por mais de dois meses – o Ibope da atração deu um salto.

MasterchefPaolacareta

Overdose de culinária: “Master Chef” (Band), “Batalha dos Confeiteiros” (Record), duas temporadas de “Hell´s Kitchen” (SBT, “Super Chef” (Globo), “Bake Off Brasil” (SBT), “Master Chef Kids” (Band)… Descobertos em 2014 como chamariz de audiência e publicidade, os programas de competição culinária tomaram a televisão em 2015. O exagero vai continuar no ano que vem – vem aí o “BBQ Brasil”, primeira competição de churrasqueiros na TV aberta.

O apocalipse zumbi: João Kleber continua fazendo suspense antes de revelar segredos “graves”, “gravíssimos”, “chocantes” ou “inacreditáveis” toda tarde, na RedeTV!. O problema é que o conteúdo do programa que apresenta nunca esteve tão escrachado. Este ano uma mulher revelou que foi sequestrada por um extraterrestre, dopada e possivelmente engravidado dele. Um homem confessou ao amigo ser um alienígena. E um rapaz previu a chegada do apocalipse zumbi. O apresentador reivindicou o Troféu Imprensa. Acho justo.

“Chato igual ao Faustão”: Mal começou o seu programa numa quarta-feira, Ratinho chamou o quadro “Como você está?” e apareceu a vinheta de outro quadro, o “Gente de fibra”. Irritado, ele interrompeu a exibição e reclamou, ao lado da repórter Magdalena Bonfiglioli: “Para o VT. Eu vou matar o Alex. De verdade. Tem horas que dá vontade de arrancar a cabeça de uma meia dúzia aqui dentro. É verdade. Eu tô ficando chato. Igual ao Faustão.” Exagero ou sinceridade?

sandy

Jurada cômica: Com novos jurados, a segunda temporada do “Superstar” foi tão decepcionante quanto a primeira. Estreando na função, a cantora Sandy acabou divertindo o público por causa da sua falta de jeito para a tarefa. Entre outras pérolas e micos, chegou a aprovar uma banda mesmo sem conseguir compreender o que eles cantavam: “Eu não votei pela letra porque não entendi quase nada, mas gostei do estilo”.

MariaAndreia

Figurantes fingem dramas na TV: Como outros figurantes, Maria Andréia se apresentou duas vezes no programa “Casos de Família”, do SBT, cada vez com um nome, contando histórias absolutamente diferentes – e convincentes.“Criei uma história com um amigo e resolvemos participar do ‘Casos de Família’. Ninguém foi à minha casa checar. As histórias são reais, mas no meu caso, a gente inventou. E criamos tão bem que o psicólogo não desconfiou”. Em vez de explicar o mico, a apresentadora Christina Rocha reclamou de “perseguição” ao programa dela.

Tim Maia “editado”: Exibido pela Globo em duas partes, nos primeiros dois dias do ano, “Tim Maia – Vale o que vier” provocou enorme polêmica. A série eliminou uma cena, presente no filme que deu origem à série, na qual Roberto Carlos humilhava o amigo. Por quê? A Globo não explicou o mico. “Aos seguidores que não viram ‘Tim Maia’ no cinema sugiro que não assistam essa versão que vai ao ar hoje e amanhã na Globo. Trata-se de um subproduto que não escrevi daquele modo, nem dirigi ou editei”, avisou o cineasta Mauro Lima.

mastercheffinalistas2015

Spoiler do MasterChef: Dois meses antes do fim, um jornalista do “Agora São Paulo” divulgou os nomes dos dois finalistas da competição de culinária da Band. O estraga prazeres jogou um balde de água fria em fãs que acompanhavam o programa em suspense e mostrou como é ruim gravar realities deste tipo com muita antecedência em relação à data de exibição. Como anunciado pelo spoiler, a final ocorreu entre os candidatos Raul e Isabel.

gloriaglendavestido

Economia no figurino: O vestido é bonito e, pelo visto, todo mundo no jornalismo da Globo quer usar. Glória Maria foi a primeira, em uma sexta-feira de setembro, apresentando o “Globo Repórter”, naquela noite dedicado à Áustria. A segunda a vestir o modelo, nove dias depois, em um domingo, foi Glenda Kozlowski, apresentadora do “Esporte Espetacular”. Quem será a terceira?

bonnerrenata2015

Senta, levanta, senta: O tradicional “Jornal Nacional” estreou novo cenário e nova atitude de seus apresentadores este ano. O que chamou mesmo a atenção foi a informalidade de William Bonner e Renata Vasconcellos, que agora caminham pelo cenário, entrevistam correspondentes e até dão notícias em pé. A moça do tempo, Maria Julia Coutinho, consagrou o estilo. A mudança causou muita polêmica. Criador do JN em 1969, Boni não gostou das mudanças. “O que o espectador precisa ver ali? Se aquilo é verdade. O cara tem que sentar lá e fazer sério. Agora, levantar, botar apelido, chamar de Maju, isso não tem sentido.”

“My frevo is not good”: O esforço de apelar para a informalidade também alcançou a Record. Tentando fazer uma graça, ao fim de uma reportagem sobre os Jogos Pan-Americanos, em Toronto, Adriana Araujo ensaiou uns passos de frevo. Mas ela própria reconheceu o insucesso da iniciativa: “My frevo is not good”, disse ao entrevistado. Em São Paulo, apresentando o “Jornal da Record”, Janine Borba concordou, com muita sinceridade: “Tchau Adriana, até amanhã! E sem frevo viu? Por que você é melhor jornalista”.

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“Paulista é esquisito”: Em uma rara entrevista que deu para tentar explicar o fracasso de “Babilônia”, Gilberto Braga saiu com essa, responsabilizando o público de São Paulo pela rejeição à novela. A entrevista é repleta de confissões sinceras, como as mudanças que foi obrigado a fazer na trama, bem como a tristeza que sentiu ao ver a novela das 19h, “I Love Paraisópolis”, superar a sua.

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“Preciso pagar as contas”: Na Globo desde 1978, Kadu Moliterno não teve o seu contrato renovado em 2015. “Senti o baque, claro, porque foram 35 anos de um vínculo, renovado de quatro em quatro anos”, disse o ator. Contratado para atuar em um novela da Record, explicou: “Estava no mercado e como qualquer profissional, eu tenho que trabalhar para ganhar dinheiro. Preciso pagar as contas. Tenho a certeza que vou ser feliz na minha nova casa assim como fui na Globo.”

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“Teste do sofá hétero”: Diretor de um dos grandes sucessos de 2015, a novela “Verdades Secretas”, o diretor Mauro Mendonça se atrapalhou ao explicar que, nos dias de hoje, atores homossexuais ainda são contratados se aceitam se submeter a caprichos sexuais de autores ou diretores. “O teste do sofá hétero” não existe mais, disse. Porém: ““Sim, as meninas já chegam com 18, 19 anos e ferram com nossas vidas, podem acabar com você, entendeu? Os meninos, os bofes, chegam e te dão uma espinafrada. Já os gays chegam com os olhos arregalados, o pessoal vai em cima direto.”

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Excesso de exposição: A passagem de Caio Castro pelo “Domingão do Faustão”, onde foi homenageado no quadro “Arquivo Confidencial”, foi repleta de polêmicas e constrangimentos. O ator se mostrou incomodado com a exposição da ajuda que deu a uma menina doente e não gostou nada de ouvir uma ex-professora falar que dormia em aula e cometia “erros de português grotescos”.

O blog está no Twitter e no Facebook.

Sobre o autor

Jornalista, nascido no Rio de Janeiro em 1961, mora em São Paulo há 29 anos. É repórter especial e crítico do UOL. Assina, aos domingos, uma coluna sobre televisão na “Folha de S.Paulo''. Começou a carreira no “Jornal do Brasil'', em 1986, passou pelo “Estadão'', ficou dez anos na “Folha'' (onde foi editor, repórter especial e correspondente internacional), participou das equipes que criaram o “Lance!'' e a “Época'', foi redator-chefe da “CartaCapital'', diretor editorial da Glamurama Editora e repórter especial do iG. É autor dos livros “Adeus, Controle Remoto'' (editora Arquipélago, 2016), “História do Lance! – Projeto e Prática do Jornalismo Esportivo” (Alameda, 2009) e “O Dia em que Me Tornei Botafoguense'' (Panda Books, 2011).
Contato: mauriciostycer@uol.com.br

Sobre o blog

Um espaço para reflexões e troca de informações sobre os assuntos que interessam a este blogueiro, da alta à baixa cultura, do esporte à vida nas grandes cidades, sempre que possível com humor.

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