Blog do Mauricio Stycer

“Vídeo Show” exibe como sendo da Globo imagens de Silvio na Tupi ou Record

Mauricio Stycer

22/10/2015 14h11

VideoShowSilvioSantos

Não é fácil a vida de quem pesquisa e escreve sobre a história da televisão brasileira. Registros incompletos, arquivos sem informações exatas e testemunhos contraditórios tornam árdua a tarefa de resgatar a memória de fatos ocorridos em um passado não muito distante. A recente homenagem do “Vídeo Show” a Silvio Santos é exemplar desta confusão. Ao resolver investigar a dúvida levantada por um leitor, me vi enredado em um enorme quiproquó.

Na última segunda-feira (19), Monica Iozzi e Otaviano Costa imitaram o apresentador, reproduziram os seus bordões e comentaram a respeito da aparição de Wellington Muniz, o Ceará, no “Tomara que Caia”, na véspera (18), fazendo justamente a sua imitação de Silvio Santos.

Para coroar a lembrança, o “Vídeo Show” exibiu um trecho do “Programa Silvio Santos” – “imagens raras do homem do baú aqui na emissora do plim-plim”, como disse Mônica. O único problema é que, para muita gente, as imagens exibidas são de 1979 ou 1980, quando Silvio já não apresentava o seu programa na Globo.

A Globo exibiu o programa de Silvio entre 1965 e 1976. A partir de então o “Programa Silvio Santos” passou a ser transmitido, em São Paulo, primeiro, pela extinta Tupi e, a partir de 1980, pela Record.

O leitor Adão Jesus da Rosa e outros três pesquisadores com quem conversei têm certeza que a Globo exibiu como suas imagens que não foram exibidas originalmente na emissora. Três são as evidências, segundo eles, que apontam este erro:

silviosantostupi1. O Programa Silvio Santos na Globo sempre foi em preto-branco, diferentemente das imagens exibidas, nas quais Silvio aparece com um vistoso paletó vermelho. Apenas o programa de despedida foi em cores. Quando ele se mudou para a Tupi, em meados de 1976, a emissora anunciou: “Agora o nosso domingo é todo colorido” e “Agora em cores”.

2. As imagens exibidas são do “Domingo no Parque”, competição exibida nas manhãs de domingo dentro do “Programa Silvio Santos”, que estreou em novembro de 1977, mais de um ano depois de Silvio ter deixado a Globo. Um pesquisador acha que a cena em questão é de 1979. Outro pesquisador, que publicou este mesmo trecho no You Tube, diz que é de 1980.

3. Ao mostrar o auditório, é possível ver o mezanino característico do Teatro Silvio Santos, na zona norte de São Paulo, utilizado a partir de 1978, diferente do Teatro Globo na praça Marechal Deodoro, no centro, onde eram feitas as gravações até 1976.

As imagens exibidas pelo “Vídeo Show” estão também no site do projeto Memória Globo como sendo da emissora. Um dos pesquisadores com quem conversei acredita que elas foram cedidas pelo SBT para o Especial “TV 50 Anos”, exibido pela Globo em 2000.

Procurei a Globo na terça-feira (20), por volta das 11h. A emissora inicialmente garantiu que as imagens eram dela. Nem o “Video Show” nem o Cedoc (Centro de Documentação) reconheceram o erro. Não aceitei a resposta e transmiti para a emissora todas as informações que constam deste texto. Depois de 48 horas de investigação, o Cedoc finalmente reconheceu o erro.

A emissora confirmou nesta quinta-feira (22) que a imagem foi cedida à Globo para o especial “TV 50 anos”. “Quando indexaram esta imagem, deve ter ocorrido um erro pois foi arquivada como se fosse da Globo, já que estavam no especial”, informou a assessoria de Comunicação. “Sobre esta imagem do Silvio de paletó, eles pesquisaram por lá e de fato não era na Globo. Eles acreditam que pode ser da Tupi, mas não têm esta certeza.”

Já o SBT não fala oficialmente sobre o assunto. As pessoas com quem conversei dizem ter certeza que as imagens são do “Domingo no Parque”, mas não querem polemizar por entenderem que foi uma homenagem a Silvio Santos.

Veja abaixo o trecho que o “Video Show” exibiu como sendo da Globo:

Veja também
Após “Tomara Que Caia”, “Vídeo Show” também faz homenagem a Silvio Santos
Imitação de Silvio Santos chega à Globo no horário do “patrão” no SBT

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Sobre o autor

Jornalista, nascido no Rio de Janeiro em 1961, mora em São Paulo há 29 anos. É repórter especial e crítico do UOL. Assina, aos domingos, uma coluna sobre televisão na “Folha de S.Paulo''. Começou a carreira no “Jornal do Brasil'', em 1986, passou pelo “Estadão'', ficou dez anos na “Folha'' (onde foi editor, repórter especial e correspondente internacional), participou das equipes que criaram o “Lance!'' e a “Época'', foi redator-chefe da “CartaCapital'', diretor editorial da Glamurama Editora e repórter especial do iG. É autor dos livros “Adeus, Controle Remoto'' (editora Arquipélago, 2016), “História do Lance! – Projeto e Prática do Jornalismo Esportivo” (Alameda, 2009) e “O Dia em que Me Tornei Botafoguense'' (Panda Books, 2011).
Contato: mauriciostycer@uol.com.br

Sobre o blog

Um espaço para reflexões e troca de informações sobre os assuntos que interessam a este blogueiro, da alta à baixa cultura, do esporte à vida nas grandes cidades, sempre que possível com humor.

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