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Pesquisa tenta entender o que leva o espectador a ver uma série até o fim

Mauricio Stycer

23/09/2015 11h00

Quantas vezes você já não começou a assistir a uma série e desistiu depois de alguns episódios? Com a oferta cada vez maior, a situação não é nada incomum. Mais difícil é gostar ao ponto de ir até o fim e ainda querer ver uma nova temporada.

Este é o espectador dos sonhos e, para tentar entendê-lo, a Netlfix fez uma pesquisa em 16 países, incluindo o Brasil. O serviço de streaming procurou determinar em que momento de uma série a pessoa decide que vai vê-la até o último episódio – o chamado "episódio-gancho". O resultado está sendo divulgado de forma simultânea nesta quarta-feira (23).

A Netflix analisou os dados globais de streaming da primeira temporada de 20 séries buscando sinais que mostrassem quando os espectadores foram fisgados. O episódio fundamental, segundo a empresa, é aquele que, depois de visto, levou pelo menos 70% dos espectadores a completarem a temporada.

No caso da célebre "Breaking Bad", por exemplo, os dados indicam que os clientes da Netflix foram fisgados no segundo episódio. Por quê? Não dá para determinar exatamente, mas analisando aquele capítulo da série é possível especular. Uma das cenas mais marcantes (atenção, spoiler) é aquela em que os protagonistas, Walter White e Jesse Pinkman, precisam se livrar do corpo de Krazy 8 e o afundam numa banheira com ácido – o produto corrói o piso e a banheira despenca (veja o gif no alto).

A pesquisa é importante para a empresa porque a possibilidade que oferece ao espectador de ver todos os episódios de uma só vez, e não mais de acordo com a programação de uma emissora, altera o comportamento de quem está diante da tela.

Mais que isso, a própria criação das séries está passando por transformações por causa disso. Roteiristas têm menos preocupação hoje em criar um gancho espetacular ao fim de um bloco ou de um episódio porque sabem que o próximo já está ali, à mão de quem assiste.

"Dada a natureza do horário nobre na TV tradicional, o episódio piloto é indiscutivelmente o ponto mais importante na vida de uma série", diz Ted Sarandos, diretor de conteúdo da Netflix, no material que a empresa divulgou.

"Na nossa pesquisa, com mais de 20 séries em 16 países, descobrimos que ninguém nunca foi fisgado no episódio piloto. Isso nos dá confiança de que disponibilizar todos os episódios de uma só vez para os nossos assinantes está mais alinhado em como surgem os fãs", observa o executivo.

Na tabela abaixo (clique em cima para ampliar), a Netflix expõe os resultados da pesquisa em relação a dez séries, comparando os dados globais com os obtidos por seus clientes no Brasil:
netflixquadro

Segundo a empresa, os dados do levantamento foram coletados a partir de contas de assinantes que começaram a assistir à primeira temporada das séries selecionadas entre janeiro e julho de 2015 no Brasil, Bélgica, Canadá, Dinamarca, Finlândia, França, Alemanha, Irlanda, México, Países Baixos, Noruega, Suécia, Reino Unido e EUA, e entre abril e julho de 2015 na Austrália e Nova Zelândia. O episódio definido como "gancho" é aquele que, ao ser assistido, levou 70% dos espectadores a completarem a temporada. Os episódios-gancho foram identificados primeiro por país; em seguida, foi calculada a média para chegar ao episódio-gancho global. Não há relação entre os episódios-gancho, o total de espectadores ou desistência.

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Sobre o autor

Mauricio Stycer, jornalista, nascido no Rio de Janeiro em 1961, mora em São Paulo há 30 anos. É repórter especial e crítico do UOL. Assina, aos domingos, uma coluna sobre televisão na "Folha de S.Paulo". Começou a carreira no "Jornal do Brasil", em 1986, passou pelo "Estadão", ficou dez anos na "Folha" (onde foi editor, repórter especial e correspondente internacional), participou das equipes que criaram o diário esportivo "Lance!" e a revista "Época", foi redator-chefe da "CartaCapital", diretor editorial da Glamurama Editora e repórter especial do iG. É autor dos livros "Topa Tudo por Dinheiro - As muitas faces do empresário Silvio Santos" (editora Todavia, 2018), "Adeus, Controle Remoto" (Arquipélago, 2016), “História do Lance! – Projeto e Prática do Jornalismo Esportivo” (Alameda, 2009) e "O Dia em que Me Tornei Botafoguense" (Panda Books, 2011).

Contato: mauriciostycer@uol.com.br

Sobre o blog

Um espaço para reflexões e troca de informações sobre os assuntos que interessam a este blogueiro, da alta à baixa cultura, do esporte à vida nas grandes cidades, sempre que possível com humor.