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Sete motivos que ajudam a explicar o sucesso de “Os Dez Mandamentos"

Mauricio Stycer

02/06/2015 11h34

dezmandamentosmoisesEntrando em sua terceira fase, depois que Moisés foi condenado à morte pelo faraó e fugiu do palácio real, "Os Dez Mandamentos" se consolida como a melhor aposta da Record em teledramaturgia em muitos anos.

A novela ostenta uma média de 11,5 pontos (com 18% de share) no chamado Painel Nacional de Televisão (PNT), que reúne e consolida a audiência nos 15 grandes centros metropolitanos medidos pela Ibope. Em São Paulo a média é de 12,6 pontos (19% de share), no Rio vai a 13,5 (com 21%) e em Belém, onde tem a melhor média, chega a 17,3 (e 28% de share)

dezmandamentosmoisesefilhofaraoExibidos os primeiros 45 capítulos, dados obtidos pelo blog mostram que, depois de muito tempo, a Record conseguiu retomar, na faixa de exibição da novela, entre 20h30 e 21h30, o segundo lugar no PNT, à frente dos chamados "outros canais", que registraram 11,3. A Globo lidera com 25,2 e o SBT marcou 10.

dezmandamentosfarao3"Os Dez Mandamentos" é, ainda, responsável por um crescimento significativo da Record nesta faixa. A emissora elevou em 83% a sua audiência, comparada ao mesmo período no ano passado, enquanto a Globo registrou uma queda de 17% neste horário, no mesmo período da comparação.

Abaixo, aponto sete motivos que ajudam a explicar o sucesso da novela:

O horário: A Record acertou em cheio ao exibir a novela às 20h30. O folhetim se tornou, de fato, uma alternativa no horário, competindo com atrações muito diferentes, o "Jornal Nacional", da Globo, e a novela infantil "Chiquititas", do SBT. A emissora já havia testado esta faixa antes, mas sem o mesmo sucesso, com "Rebelde", por exemplo.

Temática: A emissora redescobriu um nicho importante com a adaptação de histórias ou lendas bíblicas. Antes de chegar à novela, produziu cinco séries: "A História de Ester" (2010), "Sansão e Dalila" (2011), "Rei Davi" (2012), "José do Egito (2013) e "Milagres de Jesus" (2014-15). Certamente, isso contribuiu para a formação de um público fiel.

Público-alvo: Não disponho de dados estatísticos, mas parece claro que existe hoje uma parcela do público em busca de uma programação mais conservadora e fantasiosa na TV aberta. O SBT foi o primeiro a se dar conta disso com as suas novelas infantis. Trata-se de um universo que dá sinais de rejeitar tramas mais ousadas ou a discussão de temas calcados na realidade. A novela bíblica da Record estreou em um momento especialmente adequado, neste sentido.

dezmandamentostrio"Não é documentário": Mais do que em qualquer outra produção bíblica, em "Os Dez Mandamentos", a autora Vivian de Oliveira se permitiu total liberdade de criação, seja em relação à linguagem, seja ao texto. A novela usa e abusa de diálogos coloquiais, bem como não tem pudor algum em inventar personagens e histórias sem qualquer relação com a Bíblia. "A gente pode usar a licença poética e fazer algumas alterações em alguns casos senão não tem o suficiente para 150 capítulos", explicou Vivian.

dezmandamentosyunet2História simples: "Os Dez Mandamentos" não exige muita reflexão do público. A história, além de já ser conhecida, é desenvolvida de forma linear, sem sutileza ou ambiguidade alguma. Tudo é muito bem explicado e claro. Não há dúvidas sobre o caráter e a intenção dos personagens. A principal vilã, Yunet, por exemplo, é desenhada com tintas de caricatura.

Muito romance: Dando asas à imaginação, Vivian de Oliveira tem caprichado no drama e, especialmente, nas possibilidades de romance entre os protagonistas. Excluindo a natureza bíblica da história, muita vezes "Os Dez Mandamentos" é apenas um melodrama açucarado, como muitas outras novelas.

Produção: A emissora desenvolveu o talento necessário e investiu recursos abundantes para conferir qualidade à produção. Ainda que cause estranhamento num primeiro momento, pelos figurinos e maquiagem deslocados da realidade, "Os Dez Mandamentos" é uma novela agradável de assistir, muito bem dirigida, apesar das limitações do elenco.

Os Dez Mandamentos
Os Dez Mandamentos

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre o autor

Mauricio Stycer, jornalista, nascido no Rio de Janeiro em 1961, mora em São Paulo há 30 anos. É repórter especial e crítico do UOL. Assina, aos domingos, uma coluna sobre televisão na "Folha de S.Paulo". Começou a carreira no "Jornal do Brasil", em 1986, passou pelo "Estadão", ficou dez anos na "Folha" (onde foi editor, repórter especial e correspondente internacional), participou das equipes que criaram o diário esportivo "Lance!" e a revista "Época", foi redator-chefe da "CartaCapital", diretor editorial da Glamurama Editora e repórter especial do iG. É autor dos livros "Topa Tudo por Dinheiro - As muitas faces do empresário Silvio Santos" (editora Todavia, 2018), "Adeus, Controle Remoto" (Arquipélago, 2016), “História do Lance! – Projeto e Prática do Jornalismo Esportivo” (Alameda, 2009) e "O Dia em que Me Tornei Botafoguense" (Panda Books, 2011).

Contato: mauriciostycer@uol.com.br

Sobre o blog

Um espaço para reflexões e troca de informações sobre os assuntos que interessam a este blogueiro, da alta à baixa cultura, do esporte à vida nas grandes cidades, sempre que possível com humor.

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