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Mauricio Stycer

O que Aguinaldo Silva pensa sobre beijo gay em novela? Não dá para saber

Mauricio Stycer

29/07/2014 12h49

imperioleonardoclaudio
Mal estreou e "Império" já provoca discussão por conta de uma cena que envolveria um beijo entre dois homens. Aguinaldo Silva teria escrito a cena, mas ele mesmo e o diretor, Rogério Gomes, teriam optado por não gravá-la, disse a Globo ao site Noticias da TV.

A cena envolve os personagens Cláudio (José Mayer) e seu amante, Leonardo (Klebber Toledo), e seria exibida no capítulo que vai ao ar na próxima segunda-feira (4). Casado com Beatriz (Suzy Rego) e pai de Enrico (Joaquim Lopes), Claudio está apavorado com a perspectiva de que seu romance com Leonardo seja divulgado pelo blogueiro Téo Pereira (Paulo Betti).

É difícil saber se Aguinaldo Silva planeja mesmo exibir este beijo logo no início de "Império" ou se está apenas provocando mais uma polêmica destinada a manter a novela na mídia. Suas opiniões sobre o assunto têm mudado de acordo com a ocasião e muitas vezes aparentam incoerência. Veja alguns exemplos abaixo:

Na quarta-feira, 16 de julho, a cinco dias da estreia de "Império", Aguinaldo Silva foi questionado no Twitter pela usuária @monicegabrielly: "Qual capítulo vai ser o beijo gay nessa novela?" A resposta do autor foi: "Comprei um spray de pimenta. Ele vai ser minha resposta direta a quem perguntar se vai ter beijo gay na minha novela."

aguinaldosilvamaisvc2Duas semanas antes, em encontro com jornalistas para tratar do assunto, a questão havia sido feita, igualmente, e a sua resposta foi: "Acho que como autor, eu tenho que escrever o que a maioria quer assistir. E a maioria do público é hétero. São 90% dos telespectadores que querem ver beijo hétero, não querem beijo gay. Eu adoraria ver um beijo entre esses dois homens maravilhosos, mas não é o meu gosto pessoal que importa",

Em junho, em entrevista à revista "Marie Claire", Aguinaldo deu uma resposta mais ambígua à questão: "Brinquei com o Zé Mayer e disse para ele agarrar o Klebber (Toledo) e beijá-lo na primeira cena e acabar logo com isso. Falando sério, nunca descrevo uma cena – hétero ou gay. Escrevo: começam a se amar. Isso vai da sensibilidade dos atores e do diretor. Mas, se tiver, vou adorar".

Em fevereiro, depois que "Amor à Vida" terminou com um beijo entre os personagens de Mateus Solano e Thiago Fragoso, Aguinaldo observou no Twitter: "Continuo mantendo o que sempre disse: nada de beijo gay nas minhas novelas, beijo gay só se for aqui em casa".

A frase havia sido dita originalmente em 2011, em uma entrevista ao UOL antes da estreia de "Fina Estampa": "Beijo gay só lá em casa. Não é uma questão da emissora. Fiz uma enquete e 75% das pessoas disseram não querer ver beijo gay na televisão. Então acho que esse assunto deve ficar em banho-maria por uns 25 anos".

Meses depois, com "Fina Estampa" já no ar,  Aguinaldo Silva colocou na boca de uma das personagens da novela, a vilã Teresa Cristina (Christiane Torloni), uma frase sobre o assunto ("Beijo gay ta proibido mesmo…"), mas ela não foi ao ar.

O pensamento do autor evoluiu, de qualquer forma, em relação ao que pensava antes. Em 2010, por exemplo, escreveu: "Digam o que disserem meus colegas tolinhos eu reafirmo, porque sei de fonte fidedigna: nunca haverá um beijo gay no horário nobre da tevê."

Em 2009, em uma entrevista publicada no livro "A Seguir, Cenas do Próximo Capítulo", observou: "Há telespectador da Globo que nem sabe que homossexualismo existe". E acrescentou, então: "A Globo é muito responsável para deixar passar esse tipo de coisa. E acho que ela está certa ao agir assim. Não se trata de censura, trata-se de responsabilidade".

Sobre o autor

Mauricio Stycer, jornalista, nascido no Rio de Janeiro em 1961, mora em São Paulo há 30 anos. É repórter especial e crítico do UOL. Assina, aos domingos, uma coluna sobre televisão na "Folha de S.Paulo". Começou a carreira no "Jornal do Brasil", em 1986, passou pelo "Estadão", ficou dez anos na "Folha" (onde foi editor, repórter especial e correspondente internacional), participou das equipes que criaram o diário esportivo "Lance!" e a revista "Época", foi redator-chefe da "CartaCapital", diretor editorial da Glamurama Editora e repórter especial do iG. É autor dos livros "Topa Tudo por Dinheiro - As muitas faces do empresário Silvio Santos" (editora Todavia, 2018), "Adeus, Controle Remoto" (Arquipélago, 2016), “História do Lance! – Projeto e Prática do Jornalismo Esportivo” (Alameda, 2009) e "O Dia em que Me Tornei Botafoguense" (Panda Books, 2011).

Contato: mauriciostycer@uol.com.br

Sobre o blog

Um espaço para reflexões e troca de informações sobre os assuntos que interessam a este blogueiro, da alta à baixa cultura, do esporte à vida nas grandes cidades, sempre que possível com humor.