Blog do Mauricio Stycer

Entrevista reforça a imagem de Silvio Santos como homem simples e solitário

Mauricio Stycer

10/02/2014 12h46

silviosantoscapavejinha2A ótima entrevista de Silvio Santos ao repórter João Batista Jr., publicada na edição desta semana da “Veja São Paulo”, enriquece bastante o folclore em torno do dono do SBT, mas também ajuda a entendê-lo melhor.

Ao lado da mulher Iris, Silvio se expõe muito na entrevista. O objetivo mais aparente é o de reforçar uma imagem já conhecida – a do homem de hábitos comuns, “gente como a gente”, apesar de bilionário. “Eu levo a vida mais simples do mundo” é a frase que estampa a capa da revista, que o exibe na cozinha, lavando louça.

Quando falo em “reforçar uma imagem”, não estou dizendo que Silvio seja diferente do que mostra ser. Apenas acho curiosa esta a sua preocupação em realçar, sempre que pode, este jeito “simplão” de ser.

Na entrevista, ele conta que, além de lavar louça quando está em Orlando, compra roupas em redes populares, vê séries e filmes na TV à noite com a mulher, aprecia “batata assada com manteiga” e não gosta de comida saudável (um risoto de quinoa que Iris o obrigou a comer).

Outro aspecto deste seu jeitão é a insistência em se mostrar uma pessoa avessa a desperdícios. “Eu não jogo dinheiro fora. As passagens de primeira classe são muito caras. Por que vou andar na primeira classe se ela é igual à executiva?” Na entrevista ele conta que, certa vez, tentou pechinchar o valor (US$ 25) de uma multa de trânsito recebida nos EUA.

Silvio faz revelações sobre o seu estado de saúde (operou a próstata, retirou um câncer de pele da perna) e, num dos momentos mais tocantes, fala do seu desejo de morrer em casa: “Como sei que vou morrer, quero morrer sem ir para o hospital. Não chega a ser um sonho, mas uma coisa que desejo. Aos 83 anos, sei que posso embarcar a qualquer momento.”

Também não é novidade outra imagem que o dono do SBT reforça na entrevista, a de que é um “vendedor”, acima de tudo. Questionado sobre o que faria se tivesse 20 anos e recebesse uma herança de R$ 500 mil, ele diz: “Iria abrir qualquer negócio cujo principal foco fosse vendas, afinal sou vendedor desde os 14 anos de idade.”

Ao final, respondendo a uma pergunta objetiva sobre o seu círculo de amizades, Silvio sugere ser uma pessoa muito solitária. “Quem são os seus melhores amigos?”, pergunta o repórter: “O Jassa é quem mais tem contato comigo. Vou ao salão dele um dia sim, outro não. Só isso. Mas ele não viaja comigo, não vai à minha casa. Eu gosto do Jassa, o cabelo que ele faz em mim me modifica muito e é melhor do que cirurgia plástica.”

silviosantosfestaDOFIM2013Em matéria de reforço da imagem de Silvio, esta entrevista complementa a mensagem que ele tentou passar, no final de dezembro de 2013, em discurso de fim de ano aos funcionários do SBT.

Na ocasião, ele disse: “Eu sou o dono do SBT de direito. Mas de fato não me sinto dono. Me sinto colega de vocês. Eu chego aqui, faço os meus programas, eu vou embora… Eu não tenho conhecimento do que se passa nos bastidores, eu não tenho conhecimento do que se passa no escritório”.

Neste mesmo discurso, ele também falou da quebra do Banco Panamericano, de sua propriedade, com um rombo estimado de R$ 4 bilhões: “Todo mundo tomou conhecimento do que aconteceu no Banco Panamericano. Mas no banco Panamericano eu fui uma única vez. No Jequiti, que é aqui pertinho, eu fui uma vez. Porque eu considero essas empresas investimento meu para que meu dinheiro possa trazer mais emprego, mais progresso. Aqui no SBT, não. Aqui no SBT sou um colega de vocês.” Veja abaixo:

Sobre o autor

Jornalista, nascido no Rio de Janeiro em 1961, mora em São Paulo há 29 anos. É repórter especial e crítico do UOL. Assina, aos domingos, uma coluna sobre televisão na “Folha de S.Paulo''. Começou a carreira no “Jornal do Brasil'', em 1986, passou pelo “Estadão'', ficou dez anos na “Folha'' (onde foi editor, repórter especial e correspondente internacional), participou das equipes que criaram o “Lance!'' e a “Época'', foi redator-chefe da “CartaCapital'', diretor editorial da Glamurama Editora e repórter especial do iG. É autor dos livros “Adeus, Controle Remoto'' (editora Arquipélago, 2016), “História do Lance! – Projeto e Prática do Jornalismo Esportivo” (Alameda, 2009) e “O Dia em que Me Tornei Botafoguense'' (Panda Books, 2011).
Contato: mauriciostycer@uol.com.br

Sobre o blog

Um espaço para reflexões e troca de informações sobre os assuntos que interessam a este blogueiro, da alta à baixa cultura, do esporte à vida nas grandes cidades, sempre que possível com humor.

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