Blog do Mauricio Stycer

Ninho "7 Faces” é o personagem que mais mudou em “Amor à Vida”

Mauricio Stycer

26/11/2013 05h01

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Já vi muitos personagens de novela passarem por mudanças abruptas de personalidade ou de caráter. Mas creio que nenhum experimentou uma trajetória em ritmo de tobogã, com tantas rampas e solavancos, quanto o Ninho de “Amor à Vida”

O personagem de Juliano Cazarré é descrito assim no site da novela de Walcyr Carrasco: “Pai de Paula, fruto do relacionamento com Paloma, Ninho é um homem bonito, sedutor e aventureiro, mas que vive se metendo em situações complicadas.” É um resumo que não faz justiça às intermináveis mudanças de rumo que este personagem já sofreu nestes 163 capítulos.

O primeiro Ninho faz o gênero hippie. Mochileiro, conhece Paloma (Paolla Oliveira) em Machu Picchu e, falando de sonhos e estrelas, conquista a jovem. Os dois vivem um romance tórrido rodando a América do Sul, até que ela engravida. O casal, então, resolve voltar ao Brasil. Sem um tostão, Ninho é convencido por Alejandra (Maria Maya) a trazer drogas na viagem. É preso.

O segundo Ninho é o que surge em São Paulo, graças à ajuda de Felix (Mateus Solano), depois de passar meses na prisão. Paloma está perto de dar à luz e o ex-hippie perece calejado pela vida de presidiário. No dia do nascimento de Paulinha, porém, Ninho enche a cara e tem uma discussão feia com Paloma, dizendo que não quer formar uma família com ela.

amoravidaninho2O terceiro Ninho aparece no início da segunda fase da novela, depois de uma passagem de tempo de 12 anos. Ele virou vendedor de joias de prata nas ruas de Cusco. Ao reencontrar Alejandra (a responsável pela sua primeira prisão), dirá que ainda ama Paloma. Ele volta então ao Brasil, decidido a reconquistar a mulher da sua vida.

Logo, Paloma vai descobrir que ela e Ninho são os pais biológicos de Paulinha (Klara Castanho). Ele, então, tentará conquistar a menina, mas inicialmente vai assustá-la com seus dreadlocks.

Ninho tenta incorporar o quarto figurino, o do paizão, mas as coisas não dão muito certo. Ele então aceita uma sugestão de Felix: “Por que você não rapta a Paulinha? Vocês vão ter a chance de conviver melhor”, diz o vilão. “Se a Paulinha estiver com você em algum lugar bem distante, a Paloma vai atrás. Vocês passam um tempo juntos, vocês se reconciliam”.

amoravidaninhosequestroA partir desta ideia “genial” tem início uma longa trama sem sentido algum, que vai incluir o sequestro da menina, uma viagem ao Peru, a prisão de Paloma com drogas e a morte de Alejandra. Ao final, Ninho vai sumir novamente.

Depois de mais uma passagem de tempo, ele vai ressurgir com a sua quinta persona: o artista plástico bem-sucedido, de bom gosto, que passou uma temporada nos Estados Unidos.

Dedicado a conquistar Paulinha, o novo Ninho descobriu que “grana dá liberdade”. A relação entre pai e filha engrena, finalmente, com direito a diferentes programas e presentes, além de muitos ciúmes de Bruno (Malvino Salvador).

amoravidaninho3A situação, porém, desanda quando Ninho faz uma exposição em São Paulo e não vende nenhum quadro. É o pretexto para o nosso herói levar a filha para uma noitada animada, com direito a bebida alcoólica e garotas de programa.

O sexto Ninho está começando a dar as caras na novela por estes dias. Ele vai se relacionar com Aline (Vanessa Giácomo), a mulher de Cesar (Antonio Fagundes). Pelo que revelam os spoilers, o personagem vai matar, a golpes de tesoura, Mariah (Lucia Veríssimo), tia de Aline, e também quase acabará com a vida de Cesar.

Cazarré, um bom ator, tem feito o que pode. Ele deve saber que, como ainda há dois meses de novela pela frente, é possível esperar muitas novidades vindas de Ninho, este personagem que muda de personalidade como quem troca de roupa. Só um traço do perfil do ex-hippie não se altera, coitado: é burro demais.

Leia também (contém spoilers)
Carrasco diz que planejava a união de Ninho e Aline desde o começo
Em “Amor à Vida”, Ninho se torna amante de Aline e os dois planejam roubar César
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Sobre o autor

Jornalista, nascido no Rio de Janeiro em 1961, mora em São Paulo há 29 anos. É repórter especial e crítico do UOL. Assina, aos domingos, uma coluna sobre televisão na “Folha de S.Paulo''. Começou a carreira no “Jornal do Brasil'', em 1986, passou pelo “Estadão'', ficou dez anos na “Folha'' (onde foi editor, repórter especial e correspondente internacional), participou das equipes que criaram o “Lance!'' e a “Época'', foi redator-chefe da “CartaCapital'', diretor editorial da Glamurama Editora e repórter especial do iG. É autor dos livros “Adeus, Controle Remoto'' (editora Arquipélago, 2016), “História do Lance! – Projeto e Prática do Jornalismo Esportivo” (Alameda, 2009) e “O Dia em que Me Tornei Botafoguense'' (Panda Books, 2011).
Contato: mauriciostycer@uol.com.br

Sobre o blog

Um espaço para reflexões e troca de informações sobre os assuntos que interessam a este blogueiro, da alta à baixa cultura, do esporte à vida nas grandes cidades, sempre que possível com humor.

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