Blog do Mauricio Stycer

Com seu topete, clichês e sadismo, Justus revive o melhor do “Aprendiz”

Mauricio Stycer

02/10/2013 02h13

O retorno de Roberto Justus ao comando do reality “Aprendiz” é um reconhecimento merecido: sem o apresentador, o seu inseparável topete, o sorriso sádico que exibe diante dos “demitidos” e os clichês corporativos que oferece ao público, esse programa simplesmente não existe. A audiência, porém, não correspondeu – apenas 6 pontos (veja mais no fim do texto).

Se alguém ainda tinha dúvida de que os dois anos de João Doria Jr. à frente da atração, entre 2010 e 2011, foram uma espécie de intervalo, o primeiro episódio da nova temporada apagou esta impressão. Justus e “O Aprendiz” foram feitos um para o outro. Aliás, o próprio publicitário lembrou disso, ao anunciar o seu retorno. “Havia uma pressão muito grande para que eu voltasse. O programa  tem minha cara, minha pegada. O público se identificava mais comigo.”

A nova edição, depois de um hiato de um ano, conta com a participação apenas de derrotados em outras edições, e oferece um prêmio de R$ 1 milhão ao vencedor, além de um emprego com salário de R$ 20 mil.

Na primeira prova, vencia o grupo que conseguisse em 24 horas arrumar mais dinheiro. Homens contra mulheres. “Um desempenho pífio”, resumiu o apresentador sobre o resultado do grupo feminino.

As candidatas estabeleceram a meta de reunir R$ 100 mil. Duas tiveram a ótima ideia de vender uma Ferrari e ficar com a comissão. Coisa bem fácil. Outras quatro foram ainda mais brilhantes: resolveram vender bijuteria na rua. O fracasso foi retumbante, naturalmente, para diversão de quem assistiu.

Os homens, vencedores, foram premiados com ingressos para ver uma montagem brasileira de “O Rei Leão”, com a recompensa adicional de falar com os atores depois do espetáculo. Nenhum festejou. Ao final do musical, foram aos bastidores e ouviram de um dos atores, muito feliz com a presença deles: “Cadê as mulheres?”

A prova, apesar de intensa, foi resumida em não mais de 15 minutos. Como de hábito, o melhor do “Aprendiz” é a reunião que ocorre depois, com os derrotados diante do implacável Justus. “Tenho o maior prazer de estar nesta sala”, disse o apresentador.

Com o auxílio de seu assistente Walter Longo (esq.) e de Renato Santos (à dir. na foto acima), consultor do Sebrae, é o momento para Justus desfiar todos os clichês corporativos encontrados em livros de auto-ajuda ou em mesas de bar. “Falava o filósofo… Planejamento é como ir ao motel: o que você não resolve em duas horas, não resolve nunca mais”, ensinou às moças, antes de anunciar a “demissão” de Maura. E ainda acrescentou: “A ideia é como o gato e não como o cachorro: ela vem quando ela quer, e não quando você chama”.

Foi, enfim, uma grande estreia e que promete muito nos próximos meses. Cabe lamentar, apenas, o recorrente malabarismo que a Record tem feito com a sua grade, mostrando pouca preocupação com o espectador.

Primeiro, como tem ocorrido quase todo dia, a emissora interrompeu o episódio de “CSI” no meio, no instante em que terminou “Amor à Vida” na Globo, para começar a mostrar “Pecado Mortal”. A novela de Carlos Lombardi foi exibida sem intervalos comerciais por 45 minutos e saiu do ar sem a apresentação de sua “abertura”, com os créditos, para dar lugar ao “Aprendiz”, que começou cinco minutos ANTES do horário programado.

Será que, se pudesse, Justus demitiria quem fez isso?

Atualizado às 12h: “Aprendiz – O Retorno” estreou com audiência de apenas 6 pontos. Apesar do número baixo, foi o suficiente para deixar o programa na vice-liderança no horário, empatado com o SBT. Essa audiência é a mesma obtida nas estreias de 2010 e 2011, com João Dória. Em 2011, no último episódio da oitava edição, o reality registrou 7 pontos, o pior resultado em uma final desde a estreia da atração, em 2004.

Sobre o autor

Jornalista, nascido no Rio de Janeiro em 1961, mora em São Paulo há 29 anos. É repórter especial e crítico do UOL. Assina, aos domingos, uma coluna sobre televisão na “Folha de S.Paulo''. Começou a carreira no “Jornal do Brasil'', em 1986, passou pelo “Estadão'', ficou dez anos na “Folha'' (onde foi editor, repórter especial e correspondente internacional), participou das equipes que criaram o “Lance!'' e a “Época'', foi redator-chefe da “CartaCapital'', diretor editorial da Glamurama Editora e repórter especial do iG. É autor dos livros “Adeus, Controle Remoto'' (editora Arquipélago, 2016), “História do Lance! – Projeto e Prática do Jornalismo Esportivo” (Alameda, 2009) e “O Dia em que Me Tornei Botafoguense'' (Panda Books, 2011).
Contato: mauriciostycer@uol.com.br

Sobre o blog

Um espaço para reflexões e troca de informações sobre os assuntos que interessam a este blogueiro, da alta à baixa cultura, do esporte à vida nas grandes cidades, sempre que possível com humor.

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