Blog do Mauricio Stycer

Entregaria o SNL para quem sabe fazer esquete na TV aberta, diz Rafinha Bastos sobre o fim do programa

Mauricio Stycer

28/02/2013 16h48

Versão brasileira de um dos programas de humor mais longevos da televisão, o “Saturday Night Live” exibido pela RedeTV! durou apenas uma temporada. Nesta quarta-feira, a emissora anunciou o fim da atração, realizada em parceria com a Endemol. Até o site do “SNL” foi tirado do ar.

Convocado em março de 2012 para ser o produtor-executivo do programa, o humorista Rafinha Bastos ficou na emissora até outubro, sem conseguir superar uma série de dificuldades que surgiram no caminho.

Apesar de ter a palavra “sábado” no título, o “SNL” brasileiro foi ao ar aos domingos. Depois de um tempo, deixou de exibir quadros “ao vivo”, como prometia. E nunca conseguiu boa audiência – estreou com 0,8 no Ibope e teve médias de 2 pontos.

Em entrevista ao blog, nesta quinta-feira, Rafinha fez um balanço da experiência e reconheceu alguns erros cometidos. “Não toparia fazer no domingo e entregaria ele nas mãos de quem sabe fazer esquete cômica pra TV aberta.”

Segundo Rafinha, ao deixar a RedeTV!, ouviu da direção que o “SNL” teria uma segunda temporada. “Não sei o que ocorreu”, diz. Abaixo, a íntegra da entrevista, feita numa troca de e-mails.

Como você recebeu a notícia do fim do “SNL”?
Rafinha Bastos – Olha, sou amigo de todo o elenco e sempre senti que a minha função ali era fazer meus parceiros brilharem (eu aparecia, no máximo, cinco minutos por programa). Quando saí do projeto, há cinco meses, tive a confirmação através da emissora que o programa teria uma segunda temporada. Fiquei feliz, mas infelizmente não aconteceu. Não sei o que ocorreu, mas ok. De qualquer forma, foi uma experiência incrível para todos nós.

Você participou do projeto na origem. O que você faria diferente, se pudesse começar o SNL novamente?
Não toparia fazer no domingo e entregaria ele nas mãos de quem sabe fazer esquete cômica pra TV aberta.

Colocar o programa na grade aos domingos foi um erro grave?
Foi apenas um dos erros, mas foi sim um dos grandes. Culpa total minha de ter topado. Tentei muito mudar ele pra qualquer outro horário. A Endemol me ajudou nesta briga, mas não adiantou. O programa estreou ao lado de “Fantástico”, “Fazenda”, “Domingo Espetacular”, Sílvio Santos e “Pânico” que é o programa jovem de humor mais assistido da história da TV brasileira. Estreou mal de audiência. A emissora passou a achar que o programa tinha que popularizar a linguagem para buscar um público mais amplo, o que é extremamente compreensível, afinal, não estávamos na MTV. Rapidamente fomos atrás desta tal popularização. Aí nós perdemos o foco completamente.

Fazer o programa “ao vivo” dificultou? A RedeTV! tinha recursos para isso? Você e os demais humoristas estavam preparados para fazer um programa com estas características?
Não estávamos preparados. Não tínhamos experiência alguma em esquete ao vivo. E ainda tem um grande problema: o humor ao vivo em TV aberta foi destruído pelos formatos ultrapopulares que foram ao ar décadas atrás. Ficou com cara de coisa velha. Não acho que foram somente as carências técnicas da RedeTV! que derrubaram o programa.

Há algum programa ou artista que você considere exemplar?
Não sou especialista no assunto, mas se a pergunta envolve as esquetes cômicas, vejo o “Zorra Total” e “A Praça É Nossa” como dois exemplos de sucesso de humor na TV aberta. Estão no ar há muitos anos apresentando excelentes números (infelizmente o foco das emissoras).

Há alguém ou algum modelo que você gostaria de ser seguir ou desenvolver na TV aberta?
A TV aberta carrega uma ciência muito interessante, que me interessa muito, mas não tenho nada em vista. Gosto do formato de bancada. Talvez sozinho, talvez com colegas, talvez sendo jurado de algo… não sei. Antes de sair da Band eu queria mesmo era fazer ficção. Aprender a escrever série, atuar. Tô tendo estas aulas agora. Tô satisfeito. O que sei é que se for abraçar outro projeto, tenho que estar na frente das câmeras. Produção executiva e direção em TV aberta não é pro meu fígado. Quero me divertir e não enlouquecer mais a minha mulher em casa.

Você acha que cabe na TV aberta brasileira um programa com as características do SNL?
A princípio achava que não, mas li a notícia que o Ibope vai começar a contabilizar os acessos dos programas pela web. Dependendo da forma de contabilização, o quadro pode mudar radicalmente.

Qual o saldo positivo que o programa deixou?
Foi um aprendizado incrível. Foi divertido demais trabalhar com tanta gente boa. Fui fazer algo que eu não dominava e não me arrependo de ter tentado. Foi muito legal.

Quais são os projetos que você está tocando atualmente? “A Vida de Rafinha Bastos” está pronto? Vai ar quando?
Estou super focado na minha série e em produção pra web. Acabo de reestrear o meu canal do Youtube. Farei atualizações duas vezes por semana (segundas e quintas). Hoje mesmo (28/2) coloquei uma entrevista no ar com o Carlos Alberto de Nóbrega que ficou muito legal. A previsão do canal FX pra colocar a série no ar é julho. Já estamos correndo com a edição. Tô bem feliz com o resultado final.

Sobre o autor

Jornalista, nascido no Rio de Janeiro em 1961, mora em São Paulo há 29 anos. É repórter especial e crítico do UOL. Assina, aos domingos, uma coluna sobre televisão na “Folha de S.Paulo''. Começou a carreira no “Jornal do Brasil'', em 1986, passou pelo “Estadão'', ficou dez anos na “Folha'' (onde foi editor, repórter especial e correspondente internacional), participou das equipes que criaram o “Lance!'' e a “Época'', foi redator-chefe da “CartaCapital'', diretor editorial da Glamurama Editora e repórter especial do iG. É autor dos livros “Adeus, Controle Remoto'' (editora Arquipélago, 2016), “História do Lance! – Projeto e Prática do Jornalismo Esportivo” (Alameda, 2009) e “O Dia em que Me Tornei Botafoguense'' (Panda Books, 2011).
Contato: mauriciostycer@uol.com.br

Sobre o blog

Um espaço para reflexões e troca de informações sobre os assuntos que interessam a este blogueiro, da alta à baixa cultura, do esporte à vida nas grandes cidades, sempre que possível com humor.

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