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Alguém ainda acredita que “reality show” mostra a “realidade”?

Mauricio Stycer

02/02/2013 12h21

Ainda que tenha deixado muito a desejar em matéria de audiência, o reality show "Fazenda de Verão", exibido ao longo de 93 dias pela Record, deixou uma marca. A edição será lembrada como aquela em que duas mulheres, Angelis e Manoella, formaram um casal – um fato inédito em programas do gênero no Brasil.

Como mostrar um romance entre pessoas do mesmo sexo num programa deste tipo? Como superar um tabu que vigora desde sempre na televisão brasileira?

Com a promessa de transmissão 24 horas por dia, seria impossível esconder o fato do público. O diretor do programa, Rodrigo Carelli (com Angelis, na foto), optou por minimizá-lo. Numa boa entrevista  a Natália Guaratto, do UOL, ele reconheceu:

"A gente deixou muito claro que era um casal, não escondeu a história das duas. Nada do que a gente não mostrou interferiu na percepção do telespectador, mostramos só o que era necessário".

Questionado se houve alguma recomendação da Record sobre como tratar a relação de Angelis e Manoella, Carelli afirmou que seguiu "a linha editorial da TV aberta". "Existe um limite para tudo, não só para mostrar casais homossexuais, como para os heterossexuais, sexo, nudez, e outras coisas".

Caso você esteja entre aqueles que, a esta altura, ainda acreditam que "reality show" mostra a "realidade", o problema enfrentado por Carelli certamente contribui para enterrar as suas esperanças.

Leia mais: Oito razões para a "Fazenda de Verão" não ter decolado.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre o autor

Mauricio Stycer, jornalista, nascido no Rio de Janeiro em 1961, mora em São Paulo há 30 anos. É repórter especial e crítico do UOL. Assina, aos domingos, uma coluna sobre televisão na "Folha de S.Paulo". Começou a carreira no "Jornal do Brasil", em 1986, passou pelo "Estadão", ficou dez anos na "Folha" (onde foi editor, repórter especial e correspondente internacional), participou das equipes que criaram o diário esportivo "Lance!" e a revista "Época", foi redator-chefe da "CartaCapital", diretor editorial da Glamurama Editora e repórter especial do iG. É autor dos livros "Topa Tudo por Dinheiro - As muitas faces do empresário Silvio Santos" (editora Todavia, 2018), "Adeus, Controle Remoto" (Arquipélago, 2016), “História do Lance! – Projeto e Prática do Jornalismo Esportivo” (Alameda, 2009) e "O Dia em que Me Tornei Botafoguense" (Panda Books, 2011).

Contato: mauriciostycer@uol.com.br

Sobre o blog

Um espaço para reflexões e troca de informações sobre os assuntos que interessam a este blogueiro, da alta à baixa cultura, do esporte à vida nas grandes cidades, sempre que possível com humor.