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Mais do que disputa, “Dança da Galera” parece ação de relações públicas da Globo

Mauricio Stycer

16/04/2012 14h57

Apesar da semelhança de nomes, "Dança da Galera", quadro que estreou neste domingo no "Domingão do Faustão", não tem relação alguma com "Dança dos Famosos", exibido desde 2005.

Bem diferente da competição entre celebridades que anima os domingos, a nova atração parece destinada a enaltecer valores pouco comuns na televisão comercial brasileira.

Uma semana antes da estreia, ao anunciar o quadro, Faustão prometeu: "Você vai ver a mobilização, o espírito de união, para todas as classes, todas as idades".

Neste domingo, repetiu o discurso, enfatizando as palavras "mobilização", "união" e "todas as classes" em diferentes momentos da apresentação. "O Brasil mostra a sua cara aqui", disse.

Como ele próprio explicou, a ideia da "Dança da Galera" é atrair cidades de até 100 mil habitantes "que são mobilizadas pela grande equipe do 'Domingão' a apresentar uma dança com 800, mil, duas mil pessoas".

A cada semana, duas cidades "competem". A vencedora fica com R$ 100 mil e a outra leva R$ 25 mil – o dinheiro é destinado a algum projeto local apoiado pela Pastoral da Criança.

Além de escolher as cidades, a Globo fornece todo o aparato necessário para a realização da coreografia, o que inclui os figurinos (9 mil metros de tecido no caso de Aracati, que participou da estreia), os coreógrafos, as equipes técnicas, helicópteros para filmar as coreografias do alto, e estrelas da emissora (Daniele Suzuki e Joaquim Lopes) nos locais para ajudar na "mobilização".

Competição? Entretenimento? "Dança da Galera" se mostrou, sem muita sutileza, um esforço de relações públicas da Globo. Só faltou Faustão dizer: "Estamos juntos, galera!"

Sobre o programa deste domingo, leia também: No Faustão, Cláudia Raia chora ao falar da força de Gianecchini ao enfrentar câncer

Sobre o autor

Mauricio Stycer, jornalista, nascido no Rio de Janeiro em 1961, mora em São Paulo há 30 anos. É repórter especial e crítico do UOL. Assina, aos domingos, uma coluna sobre televisão na "Folha de S.Paulo". Começou a carreira no "Jornal do Brasil", em 1986, passou pelo "Estadão", ficou dez anos na "Folha" (onde foi editor, repórter especial e correspondente internacional), participou das equipes que criaram o diário esportivo "Lance!" e a revista "Época", foi redator-chefe da "CartaCapital", diretor editorial da Glamurama Editora e repórter especial do iG. É autor dos livros "Topa Tudo por Dinheiro - As muitas faces do empresário Silvio Santos" (editora Todavia, 2018), "Adeus, Controle Remoto" (Arquipélago, 2016), “História do Lance! – Projeto e Prática do Jornalismo Esportivo” (Alameda, 2009) e "O Dia em que Me Tornei Botafoguense" (Panda Books, 2011).

Contato: mauriciostycer@uol.com.br

Sobre o blog

Um espaço para reflexões e troca de informações sobre os assuntos que interessam a este blogueiro, da alta à baixa cultura, do esporte à vida nas grandes cidades, sempre que possível com humor.

Mauricio Stycer