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Narradores da Globo não notaram que União da Ilha homenageou Londres por causa da Olimpíada

Mauricio Stycer

23/02/2012 15h40

Oitava colocada, a União da Ilha desfilou na segunda-feira com um enredo chamado "De Londres ao Rio: Era uma vez uma… Ilha". No site da escola, o carnavalesco Alex de Souza explicou o argumento do seu Carnaval: "A cada quatro anos o mundo se une para o grande momento do esporte e para celebrar a paz. A cidade anfitriã faz em sua abertura uma representação artística de sua história e sua cultura. No ano de 2012, Londres será a sede desse evento."

Na "sinopse", Souza acrescentou: "Inventaram com a bola nos pés a nossa maior paixão. Hoje convidam a todos para um encontro onde pessoas do mundo inteiro mostram o que é superação, exaltando a cultura de paz."

Não parece haver dúvidas de que a Olimpíada de 2012, em Londres, é uma chave fundamental para compreender o enredo da Ilha. Luiz Roberto e Glenda Kozlowski, porém, não notaram isso. A primeira – e rara – menção aos Jogos foi feita por Fernanda Abreu, depois de 30 minutos de desfile.

A dupla de narradores preferiu explorar as relações do enredo com o futebol, que aparece, de fato, no samba. "Na minha terra tem o reino da folia. Futebol que contagia…É gol!" (foto no alto). Mas e o refrão? "A minha ilha é ouro é prata. Tem o bronze da mulata".

No 54º minuto da transmissão, Glenda fez uma menção ao assunto, mas referindo-se aos Jogos do Rio, em 2016. "Olha aí os anfitriões da Olimpíada de 2016!!!" Luiz Roberto em seguida falou dos 100 países representados pelos pierrôs". "Países que normalmente participam das Olimpíadas", acrescentou sua colega.

Vários espectadores enxergaram nesta desatenção dos narradores da Globo uma relação com o fato de a emissora ter perdido os direitos de transmissão dos Jogos de 2012 para a Record. Será? É tão absurdo que acho difícil de acreditar.

Gravei um vídeo no UOL sobre a cobertura de Carnaval na TV. Abaixo:

[uolmais type="video" ]http://mais.uol.com.br/view/12539709[/uolmais]

Sobre o autor

Mauricio Stycer, jornalista, nascido no Rio de Janeiro em 1961, mora em São Paulo há 30 anos. É repórter especial e crítico do UOL. Assina, aos domingos, uma coluna sobre televisão na "Folha de S.Paulo". Começou a carreira no "Jornal do Brasil", em 1986, passou pelo "Estadão", ficou dez anos na "Folha" (onde foi editor, repórter especial e correspondente internacional), participou das equipes que criaram o diário esportivo "Lance!" e a revista "Época", foi redator-chefe da "CartaCapital", diretor editorial da Glamurama Editora e repórter especial do iG. É autor dos livros "Topa Tudo por Dinheiro - As muitas faces do empresário Silvio Santos" (editora Todavia, 2018), "Adeus, Controle Remoto" (Arquipélago, 2016), “História do Lance! – Projeto e Prática do Jornalismo Esportivo” (Alameda, 2009) e "O Dia em que Me Tornei Botafoguense" (Panda Books, 2011).

Contato: mauriciostycer@uol.com.br

Sobre o blog

Um espaço para reflexões e troca de informações sobre os assuntos que interessam a este blogueiro, da alta à baixa cultura, do esporte à vida nas grandes cidades, sempre que possível com humor.