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Mauricio Stycer

O tênis pode explicar a vida, mostra trama da novela das 18h

Mauricio Stycer

01/02/2012 06h02

Se o futebol explica o mundo, como tentou demonstrar o jornalista americano Franklin Foer num livro saboroso, é possível pensar que o tênis ajuda a compreender a vida? Licia Manzo, autora de "A Vida da Gente", acredita que sim. Nesta quarta-feira vai ao ar a conclusão de uma trama interessantíssima, envolvendo o esporte e relações familiares na novela das 18h da Globo.

De um lado estão Vitória (Gisele Froes), professora de tênis rigorosa, e Cecília (Polliana Aleixo, à dir. na foto do alto), sua aluna determinada. Do outro, estão Ana (Fernanda Vasconcelos), ex-aluna da professora, agora começando uma carreira como instrutora, e Sofia (Alice Wegmann, à esq na foto acima), filha de Vitória, que rejeitou a tutela da mãe para viver com o pai.

Desde a segunda-feira, 23, Licia Manzo tem discutido questões relativas ao tênis e suas implicações em outros campos da vida. Ana defende junto a Sofia que a relação entre treinador e aluno deve ser de cumplicidade, não de submissão. "Não sou sua chefe", diz no primeiro treino. Vitória, ao contrário, crê num tipo de relação muito diferente. "Vamos combinar uma coisa: eu penso e você joga", diz a Cecília.

Ana (dir.) defende o princípio do prazer no esporte. "É o ingrediente principal", diz. E estimula a criatividade de sua pupila. "O jogo cauteloso ele é mais garantido… Isso todo mundo já sabe. Não precisa ser treinadora para saber disso. Na Bolsa de Valores eles sabem disso. A questão é: se a gente não puder correr riscos, não puder se divertir, qual é a graça, Sofia? Me fala, qual é a graça de jogar se a gente não puder se surpreender?"

Vitória pensa de forma oposta. "Bota uma coisa na sua cabeça, de uma vez por todas, Cecília. Ousar, correr risco, é para outro tipo de jogadora. Não é pra você. Se o que importa pra você é ganhar o jogo, e não dar show, faz o que você sabe porque vai dar certo. Conta com o que você sabe fazer de melhor. Pra quem não é a jogadora mais bem dotada do planeta, o jogo cauteloso é o melhor caminho."

Ao longo da última semana, Ana e Vitória deram diferentes lições para suas alunas. Esta semana, Sofia e Cecília entraram em quadra. Cada uma venceu as suas adversárias até chegarem à final do torneio, cujo desfecho será exibido nesta quarta-feira.

Ana disse para Sofia: "Você chegou à final do seu primeiro torneio e, o mais importante, jogando o seu jogo. Sério, concentrado, criativo…. Não ganhar não significa uma tragédia. Não é a perda de tudo que a gente conquistou."

Já Vitória (esq.) ensinou a Cecília: "Nós estamos trabalhando duro há muitos meses, você sabe disso. E eu me pergunto: o que aconteceu com tudo que a gente fez até agora? Eu vou arriscar uma explicação. Você tá com medo de enfrentar a minha filha e a Ana Fonseca? Do outro lado da quadra você vai estar enfrentando uma menina que não tem um milésimo do seu empenho, da sua disciplina. Tirando a treinadora dela, que é uma sequelada, que prioriza acima de tudo a falta de foco…"

Não leia a partir daqui se você não quiser saber o que vai ocorrer no capítulo desta noite.

Cecília vai vencer Sofia. Vitória tripudiará da filha, mas ouvirá uma lição de Ana: "Perder faz parte do jogo, Vitória, faz parte do aprendizado de cada jogador. E a Sofia é perfeitamente capaz de passar por isso porque tem maturidade, fair play, jogo de cintura. Com tantos anos de carreira, você deveria ter aprendido isso também".

Tudo indica que "A Vida da Gente" continuará usando o tênis para outras lições. Espero que sim. A autora está conseguindo discutir questões interessantes e importantes sem chatice ou didatismo em excesso.  Tiro o chapéu para o excelente texto de Licia Manzo, de longe o mais bem escrito hoje entre as novelas em cartaz na Globo.

Sobre o autor

Mauricio Stycer, jornalista, nascido no Rio de Janeiro em 1961, mora em São Paulo há 30 anos. É repórter especial e crítico do UOL. Assina, aos domingos, uma coluna sobre televisão na "Folha de S.Paulo". Começou a carreira no "Jornal do Brasil", em 1986, passou pelo "Estadão", ficou dez anos na "Folha" (onde foi editor, repórter especial e correspondente internacional), participou das equipes que criaram o diário esportivo "Lance!" e a revista "Época", foi redator-chefe da "CartaCapital", diretor editorial da Glamurama Editora e repórter especial do iG. É autor dos livros "Topa Tudo por Dinheiro - As muitas faces do empresário Silvio Santos" (editora Todavia, 2018), "Adeus, Controle Remoto" (Arquipélago, 2016), “História do Lance! – Projeto e Prática do Jornalismo Esportivo” (Alameda, 2009) e "O Dia em que Me Tornei Botafoguense" (Panda Books, 2011).

Contato: mauriciostycer@uol.com.br

Sobre o blog

Um espaço para reflexões e troca de informações sobre os assuntos que interessam a este blogueiro, da alta à baixa cultura, do esporte à vida nas grandes cidades, sempre que possível com humor.