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Blog do Mauricio Stycer

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Autor de “Amor e Revolução” questiona medição do Ibope do último capítulo

Mauricio Stycer

17/01/2012 06h01

Tiago Santiago prometeu que mudaria de nome se "Amor e Revolução" não subisse no Ibope em sua reta final. Perdeu a aposta e diz ao UOL que está cogitando assinar o seu próximo trabalho como "Tiago X. Santiago". Veremos. Em todo caso, ele levanta dúvidas sobre o resultado apresentado no último capítulo. A repercussão que percebeu no Twitter "não condiz com a audiência medida pelo Ibope", diz.

Nesta breve entrevista ao blog, o autor também comenta a iniciativa de deixar na mão do público o poder de decidir o destino de três personagens, por meio de enquetes no site do SBT.

A que mobilizou mais gente (51.232 votos) foi a que envolvia o destino do casal de mulheres formado durante a novela. Marcela ficou com Marina graças aos votos de 82%, contra 18% que achavam que ela deveria ficar com Mario. Já Jandira acabou com Batistelli devido ao voto de 59% dos eleitores (total de 12.675 votos), contra 41% que defendiam um final com Bartolomeu. E, por fim, padre Inácio ficou com Marília graças ao voto majoritário de 85% (total de 4.971 votos), conta apenas 15% que defendiam que não largasse a batina.

As três cenas resolvidas por enquetes com os espectadores tiveram o resultado esperado?
A interatividade ficou restrita à internet, e não pela TV, como no "Você Decide" ou no final da novela "Prova de Amor", na Record. Sei que 85% votaram para o Padre Inacio largar a batina. Esperava sim que Jandira (Lucia Verissimo) ficasse com o marido Batistelli (Licurgo), como aconteceu, e torcia pelo casal lésbico, que efetivamente ficou junto no final.

Na recriação do atentado do Riocentro, tão conhecido, por que se optou por alterar duas características marcantes, o carro (um Puma) e o número de militares (dois)?
A novela foi apenas inspirada na realidade. Mudanças foram realizadas até para evitar problemas jurídicos com familiares ainda vivos das pessoas envolvidas nos fatos em questão. O carro foi escolhido pela direção de arte, em consonância com o diretor-geral. Talvez não fosse fácil achar a carcaça de um Puma para explodir (foto no alto). E usei a cena para dar destino aos torturadores do Dops, que cometeram vários crimes contra direitos humanos durante toda a novela. Pode-se falar em semelhanças com a realidade, mas não em simulação ou recriação dos fatos reais, que seriam mais apropriadas a um documentário ou um programa jornalístico. De qualquer forma, a cena da novela guarda semelhanças suficientes com o caso do Riocentro para evocar esta lembrança.

E a promessa que você fez de mudar de nome? O que você vai dizer aos que estão te cobrando?  
É a primeira novela que escrevi em 35 anos de carreira que não subiu de média no final. Fechou com média 5, ao longo destes 10 meses, com picos de 12, no seu momento máximo, e teve média 6 com pico de 8 no último capítulo. A prova de que a novela foi um sucesso foi que Filinto e #umnovonomeparaTiagoSantiago ficaram no topo dos TTs no twitter. Isto não condiz com a audiência medida pelo Ibope. É possível que assine um próximo trabalho como Tiago X Santiago. Assim aproveito para divulgar meu twitter @tiagoxsantiago. Estou ainda pensando sobre o assunto.

Sobre o autor

Mauricio Stycer, jornalista, nascido no Rio de Janeiro em 1961, mora em São Paulo há 30 anos. É repórter especial e crítico do UOL. Assina, aos domingos, uma coluna sobre televisão na "Folha de S.Paulo". Começou a carreira no "Jornal do Brasil", em 1986, passou pelo "Estadão", ficou dez anos na "Folha" (onde foi editor, repórter especial e correspondente internacional), participou das equipes que criaram o diário esportivo "Lance!" e a revista "Época", foi redator-chefe da "CartaCapital", diretor editorial da Glamurama Editora e repórter especial do iG. É autor dos livros "Topa Tudo por Dinheiro - As muitas faces do empresário Silvio Santos" (editora Todavia, 2018), "Adeus, Controle Remoto" (Arquipélago, 2016), “História do Lance! – Projeto e Prática do Jornalismo Esportivo” (Alameda, 2009) e "O Dia em que Me Tornei Botafoguense" (Panda Books, 2011).

Contato: mauriciostycer@uol.com.br

Sobre o blog

Um espaço para reflexões e troca de informações sobre os assuntos que interessam a este blogueiro, da alta à baixa cultura, do esporte à vida nas grandes cidades, sempre que possível com humor.