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Blog do Mauricio Stycer

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O que Zé Celso está fazendo no programa de Silvio Santos?

Mauricio Stycer

24/11/2011 06h01

"Um Milhão na Mesa", o game-show do SBT. Quarta-feira à noite. Um casal chega à sétima – e última pergunta – com R$ 600 mil. O tema escolhido é "guerras". Silvio Santos lê a questão: Qual guerra foi comandada por Antonio Conselheiro? Duas são as opções: Canudos ou Farrapos. Nesta etapa do jogo, os candidatos só podem escolher uma das respostas. Eles escolhem a primeira.

Nos próximos segundos, enquanto todos aguardam o anúncio do resultado, Silvio Santos usa o seu habitual talento para esticar ao máximo a agonia dos candidatos e a curiosidade do público. Faz, então, um comentário que poucos entendem: "Zé Celso me mandou uns vídeos de uma guerra dessas, não lembro se era Canudos ou Farrapos, uma coisa que ele faz lá no teatro dele".

Silvio Santos e José Celso Martinez Correa têm um contencioso que já dura quase 30 anos. O dono do SBT sonha construir um shopping num terreno em torno do Teatro Oficina, que Zé Celso criou e mantém há décadas no Bixiga, em São Paulo. Umas das mais recentes produções do teatro foi a trilogia "Os Sertões", criada a partir da obra de Euclides da Cunha sobre a Guerra de Canudos, liderada por Antonio Conselheiro.

Com R$ 600 mil no bolso, o maior valor até hoje conseguido por algum candidato no programa, o casal foi para casa feliz. Silvio Santos preferia outro desfecho para o jogo. Ele disse que sonhava vê-los faturar R$ 1 milhão. "Ia ser ótima publicidade. O SBT fez 11 milionários em 2011".

Zé Celso, que não tem nada a ver com isso, sai da história com uma boa e uma má notícia. A boa é que Silvio Santos fala dele com carinho; a má é que o dono do SBT não assistiu aos vídeos que o diretor lhe enviou.

Foto de Zé Celso: Lenise Pinheiro/UOL

Sobre o autor

Jornalista, nascido no Rio de Janeiro em 1961, mora em São Paulo há 29 anos. É repórter especial e crítico do UOL. Assina, aos domingos, uma coluna sobre televisão na “Folha de S.Paulo''. Começou a carreira no “Jornal do Brasil'', em 1986, passou pelo “Estadão'', ficou dez anos na “Folha'' (onde foi editor, repórter especial e correspondente internacional), participou das equipes que criaram o “Lance!'' e a “Época'', foi redator-chefe da “CartaCapital'', diretor editorial da Glamurama Editora e repórter especial do iG. É autor dos livros “Adeus, Controle Remoto'' (editora Arquipélago, 2016), “História do Lance! – Projeto e Prática do Jornalismo Esportivo” (Alameda, 2009) e “O Dia em que Me Tornei Botafoguense'' (Panda Books, 2011).
Contato: mauriciostycer@uol.com.br

Sobre o blog

Um espaço para reflexões e troca de informações sobre os assuntos que interessam a este blogueiro, da alta à baixa cultura, do esporte à vida nas grandes cidades, sempre que possível com humor.