Blog do Mauricio Stycer

Oito problemas, lacunas e absurdos no capítulo final de "A Força do Querer"

Mauricio Stycer

21/10/2017 05h01

Fiz muitas brincadeiras no Twitter, critiquei aqui no blog vários aspectos da trama, mas espero ter deixado claro que considerei “A Força do Querer” uma baita novela. O saldo final, e não falo apenas de audiência, é altamente positivo. Gloria Perez contou uma ótima história, com um pé firme na realidade e outro no folhetim, repleta de elementos interessantes e polêmicos.

Esta mesma avaliação vale para o último capítulo, exibido nesta sexta-feira (20). Foi longo (102 minutos), eletrizante, repleto de soluções originais e deixou algumas boas mensagens e lições.

Ainda assim, o episódio foi também frustrante e difícil de entender em vários momentos. Sem desmerecer a novela, listo abaixo oito problemas, lacunas e absurdos do episódio final de “A Força do Querer”.

1. Rapto de Simone: Não há novela que consiga escapar deste clichê: o sequestro no último capítulo. É verdade que a vítima não foi a mocinha, e sim uma coadjuvante (Juliana Paiva), mas precisava desta repetição? E o que aconteceu com o porteiro, baleado pelo agiota? Esqueceram dele.

2. Heroína onipresente: A super Jeiza (Paolla Oliveira) apareceu para salvar Simone. É a única PM do Rio de Janeiro. E ainda contou com a ajuda do vilão, um dos mais cretinos dos últimos tempos, que acreditou no surgimento de um “repórter” para entrevistá-lo.

3. As iluminações de Eurico: O empresário foi um pateta por 172 capítulos. No último, descobriu que Nonato (Silvero Pereira) era também Elis Miranda e que Silvana (Lilia Cabral) era viciada em jogo. Era para ele ter infartado, no mínimo. Mas Eurico (Humberto Martins) reagiu numa boa a ambas as situações. Difícil de acreditar.

4. “O Clone” em “A Força do Querer”
: Carine (Carla Diaz) já havia citado o bordão de Khadija em “O Clone” no capítulo da última sexta-feira (13). Neste último episódio, a personagem dançou para Rubinho (Emílio Dantas) como se estivesse na outra novela. Por quê? Qual o sentido da cena? Homenagem à atriz ou autoreferência, vaidosa, da autora?

5. Inimigos íntimos
: O momento mais difícil de engolir foi a transformação de Zeca (Marco Pigossi) e Ruy (Fiuk) em “irmãos”. Foram reaproximados pelo novo acidente no rio e pela ajuda, mais uma vez, do mesmo índio que os socorreu quando eram crianças. Fumaram o cachimbo da paz e pronto. Fácil assim? E Ruy não foi punido por atirar em Zeca? A Justiça se esqueceu do crime?

6. Sereia mágica: Ritinha (Isis Valverde) disse que um jornalista a ajudou a viajar para os Estados Unidos. Que jornalista mais generoso… Como ela conseguiu ir para o exterior com uma criança pequena? O pai autorizou? E todos os demais personagens a perdoaram? E o processo de bigamia? E ela aceitou ficar sem Ruyzinho numa boa?

7. Personagens sem fim: O que aconteceu com Zu (Claudia Mello), Heleninha (Totia Meirelles), Marilda (Dandara Mariana), Mira (Maria Clara Spinelli), Dita (Karla Karenina), Cândida (Gisele Fróes), Alessia (Hylka Maria)? Esqueceram de mim…

8. O tempo voa: Não deu para entender a cronologia deste último capítulo. Ruy e Zeca viajaram atrás de Ritinha, mas só chegaram depois que houve uma passagem de tempo. Bibi (Juliana Paes) não deixou a prisão muito rápido? Caio (Rodrigo Lombardi) ficou quanto tempo em Israel? Enfim, foi preciso “voar” bastante nesta reta final.

Não dá para citar todo mundo que colaborou com este texto. Agradeço às centenas de comentários no Twitter durante este último capítulo e às mensagens por email.

A força de Bibi e outros nove acertos e erros da novela de Gloria Perez

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Sobre o autor

Jornalista, nascido no Rio de Janeiro em 1961, mora em São Paulo há 29 anos. É repórter especial e crítico do UOL. Assina, aos domingos, uma coluna sobre televisão na “Folha de S.Paulo''. Começou a carreira no “Jornal do Brasil'', em 1986, passou pelo “Estadão'', ficou dez anos na “Folha'' (onde foi editor, repórter especial e correspondente internacional), participou das equipes que criaram o “Lance!'' e a “Época'', foi redator-chefe da “CartaCapital'', diretor editorial da Glamurama Editora e repórter especial do iG. É autor dos livros “Adeus, Controle Remoto'' (editora Arquipélago, 2016), “História do Lance! – Projeto e Prática do Jornalismo Esportivo” (Alameda, 2009) e “O Dia em que Me Tornei Botafoguense'' (Panda Books, 2011).
Contato: mauriciostycer@uol.com.br

Sobre o blog

Um espaço para reflexões e troca de informações sobre os assuntos que interessam a este blogueiro, da alta à baixa cultura, do esporte à vida nas grandes cidades, sempre que possível com humor.

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