Blog do Mauricio Stycer

Suspense com apelo e roteiro básico explicam sucesso de minissérie da Globo

Mauricio Stycer

19/01/2018 05h01


Com a exibição, em sequência, dos últimos dois episódios, “Treze Dias Longe do Sol” encerra nesta sexta-feira (19) uma história de muito sucesso. Com média em São Paulo de 29,5 pontos até o sétimo capitulo, vai superar com folga o resultado de “Dois Irmãos”, que a Globo apresentou neste mesmo período, em 2017, e teve média de 21 pontos.

A minissérie de Elena Soárez e Luciano Moura, produzida pela O2 para a Globo, apostou numa história de suspense, de apelo fácil, e em um roteiro sem profundidade, com personagens rasos e descartáveis.

Na esteira da excelente audiência de “O Outro Lado do Paraíso”, “Treze Dias Longe do Sol” nadou de braçada, atraindo um ótimo público, incluindo a parcela pouco disposta a enfrentar dramas mais densos e complexos.

A história girou em torno do desabamento de um prédio comercial em São Paulo. Embaixo da terra, acompanhamos o sofrimento de uma dezena de sobreviventes soterrados, enquanto acima se averiguava as causas do acidente e as culpas pela tragédia.

Inspirada no formato de suspenses americanos de baixo orçamento, “Treze Dias Longe do Sol” contou dezenas de histórias, sem explicar muito bem nenhuma. Personagens entravam e saíam de cena a todo momento, deixando fragmentos narrativos no ar, sem que seus dramas fossem retomados depois – falo, por exemplo, da história do calculista da obra assim como a do operário que o assassinou.

Mesmo a trama principal, a mais óbvia e que fisga o público, a do resgate dos soterrados, me pareceu mal elaborada. Há inúmeros conflitos entre as vítimas do desabamento, mas eles foram poucos desenvolvidos e muitas vezes soaram gratuitos. Não vou citar exemplos aqui para evitar spoilers nesta reta final.

Já o que poderia ser um diferencial da minissérie, o desenvolvimento da história de erros e golpes no interior da construtora, com alusões a acertos com o governo municipal, ficou igualmente na superfície, sem qualquer densidade.

Um grande elenco, tanto de atores consagrados na TV quanto de rostos menos conhecidos, foi desperdiçado, a meu ver, nesta minissérie. Cito alguns: Lima Duarte, Enrique Diaz, Camila Márdila, Pedro Wagner, Demick Lopes, Carolina Dieckmann.

A destacar, apenas, como já observou o crítico Nilson Xavier, o desempenho de Debora Bloch, ótima como a diretora financeira da empresa – não por acaso, o personagem mais complexo da minissérie.

Por outro lado, esperava mais de Selton Mello no papel do protagonista, o engenheiro responsável pela obra e uma das vítimas do desabamento. Um dos principais atores da sua geração, na minha opinião, criou um tipo com muito menos nuances do que seria esperado para um personagem tão problemático quanto o que viveu em “Treze Dias Longe do Sol”.

Já assisti aos últimos dois episódios que vão ao ar nesta sexta-feira e recomendo: deixe o lenço por perto. A minissérie entrega, nos últimos 30 minutos, tudo que preparou nos primeiros nove capítulos.

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Sobre o autor

Jornalista, nascido no Rio de Janeiro em 1961, mora em São Paulo há 29 anos. É repórter especial e crítico do UOL. Assina, aos domingos, uma coluna sobre televisão na “Folha de S.Paulo''. Começou a carreira no “Jornal do Brasil'', em 1986, passou pelo “Estadão'', ficou dez anos na “Folha'' (onde foi editor, repórter especial e correspondente internacional), participou das equipes que criaram o “Lance!'' e a “Época'', foi redator-chefe da “CartaCapital'', diretor editorial da Glamurama Editora e repórter especial do iG. É autor dos livros “Adeus, Controle Remoto'' (editora Arquipélago, 2016), “História do Lance! – Projeto e Prática do Jornalismo Esportivo” (Alameda, 2009) e “O Dia em que Me Tornei Botafoguense'' (Panda Books, 2011).
Contato: mauriciostycer@uol.com.br

Sobre o blog

Um espaço para reflexões e troca de informações sobre os assuntos que interessam a este blogueiro, da alta à baixa cultura, do esporte à vida nas grandes cidades, sempre que possível com humor.

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