Blog do Mauricio Stycer

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Qual cartaz você levaria num protesto por mais qualidade na TV?
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Mauricio Stycer

Imagine se, em meio a tantas manifestações ocorrendo no Brasil, alguém organizasse uma passeata para pedir mais qualidade na programação da TV brasileira. Na coluna que publico aos domingos na “Folha”, resolvi ajudar, pensando em alguns cartazes que poderiam ser exibidos neste protesto. Frases como: ‘Mais “Avenida Brasil’! Menos ‘Guerra dos Sexos’!”. Ou: “Gugu, cadê você? Quem é o próximo a deixar a nossa TV?” Ou ainda: “Datena + Marcelo Rezende = ‘Apocalipse Now’!”. Para quem gosta de esporte, sugiro: “Menos João Sorrisão! Mais informação!” O texto se chama Proteste já e pode ser lido aqui.

Alguma sugestão de cartaz?


Ana Maria Braga ignora lição de Boni e tortura o público com “barriga tanquinho”
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Mauricio Stycer

A visita de José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, ao “Mais Você”, de Ana Maria Braga, rendeu muitos comentários por causa de uma piada que fez com o filho (“se eu estivesse na TV Globo ainda, naturalmente colocaria Boninho no meu lugar”).

Pouco se falou, porém, de uma observação que Boni fez sobre o futuro da televisão:

Cada vez mais temos que ir para a programação ao vivo. Essa geração que vem da internet quer coisas rápidas, com outra velocidade, com muita diversificação. A tecnologia traz algumas mudanças importantes. Mas a coisa fundamental continua sendo o conteúdo. A TV aberta indo para os eventos, para programação ao vivo, para informação rápida, para um tipo de entretenimento que seja cada vez mais parecido com a cultura da internet, ela vai existir o tempo todo. Acredito no futuro da TV aberta.

Pelo que se viu nesta terça-feira, apenas dez dias depois da entrevista, Ana Maria Braga e sua equipe não prestaram atenção no que Boni falou. Só isso pode explicar o “Mais Você” ter dedicado 30 intermináveis minutos para falar sobre “barriga tanquinho”.

Ao vivo, três homens exibiram suas barrigas para Ana Maria e o Louro José. Em reportagens gravadas, atores da Globo passaram pelo constrangimento de levantar a camisa para mostrar os seus atributos físicos. Um repórter ainda foi à praia em busca de depoimentos engraçados sobre o tema. Por fim, a apresentadora trouxe um professor para dar lições aos interessados no assunto.

Em resumo, o oposto do que Boni recomendou.


Assistir TV ao vivo é hábito em queda nos EUA
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Mauricio Stycer

Jornalista especializado em mídia, David Carr escreveu nesta segunda-feira, no “New York Times”, que assistiu a apenas dois minutos e um segundo de televisão no mês de maio – o tempo de duração do famoso Kentucky Derby, transmitido pela NBC no último dia 5.

Como assim? Um crítico de mídia que não vê TV? Calma. Carr explica no texto que, em sua casa, todos continuam assistindo televisão. O que morreu foi o hábito de assistir ao vivo.  “Eu continuo sendo fã de alguns produtos das grandes redes de TV; eu só não os consumo mais quando eles são exibidos”, escreve.

Carr e sua família fazem parte de uma nova realidade – a dos consumidores que gravam as atrações que planejam assistir ou, quando é o caso, compram por diferentes sistemas “pay per view”, conectados diretamente à TV.

Segundo o crítico, 50% dos lares americanos terão algum sistema de gravação de TV até 2013. Hoje, metade das casas nos EUA já dispõe da possibilidade de ver programas em sistema “pay per view” (ou “on demand”).

O instituto Nielsen, que mede a audiência das TVs nos EUA, estima que até 2015 terão sido comercializados em todo o mundo cerca de 350 milhões de aparelhos que permitem conexão direta entre televisão e internet – tipo Apple TV.

Neste novo mundo, explica Carr, a medição da audiência não registra mais a realidade do que está sendo visto. Tanto o Nielsen quanto o Ibope, no Brasil, apontam o que o espectador está vendo ao vivo em determinado momento.

A queda crescente no número de aparelhos ligados não significa que menos gente esteja consumindo programas de TV – significa, com certeza, que há menos espectadores assistindo ao vivo.

Ainda assim, as grandes redes de TV seguem atraindo o grosso da publicidade. As quatro maiores redes americanas tiveram um faturamento de US$ 9 bilhões em 2011, um crescimento entre 2% e 4% no ano. As emissoras a cabo, que superaram as grandes redes pela primeira vez, faturaram US$ 9,6 bilhões.

Em tempo: David Carr é o personagem principal do documentário “Page One”, que retrata a luta do “New York Times” para sobreviver nestes tempos de jornalismo digital. Ele virá ao Brasil em julho, para participar do congresso da Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo). O texto que comento neste post pode ser lido aqui  (em inglês).


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