Blog do Mauricio Stycer

Arquivo : Tadeu Schmidt

“Fantástico” leva a sério piada sobre fantasmas
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Mauricio Stycer

Só nesta terça-feira assisti a “Phantasmagoria”, quadro de 24 minutos que o “Fantástico” estreou no domingo. Achei tão ridículo que resolvi, apesar do atraso, fazer um comentário.

A proposta da atração, explicou o apresentador Tadeu Schmidt, é “investigar os lugares assombrados do Brasil”. Ao seu lado, na empreitada, está um mágico, chamado Kronnus.

Na estréia, a dupla investigou fenômenos ocorridos no castelo Eldorado, em Marilândia do Sul, no Paraná. Voluntários se submeteram a verificar ruídos, sombras, cheiros e luzes diferentes do habitual notados no local.

A conclusão, apresentada com toda seriedade pela dupla Schmidt-Kronnus: “Existem explicações científicas para tudo de estranho que acontece lá”.

Fosse um quadro de humor, como a série de filmes “Os Caça-Fantasmas”, por exemplo, “Phantasmagoria” poderia até divertir. Mas levado a sério, como foi, é constrangedor.

Mais informações sobre a serie podem ser lidas aqui.


Sem o apoio dos jogadores, João Sorrisão seria apenas uma ideia cretina
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Mauricio Stycer

As gracinhas de Tadeu Schmidt no “Fantástico”, as piadas de Tiago Leifert no “Globo Esporte” e o João Sorrisão no “Esporte Espetacular” são sinais evidentes de uma mudança de postura, mas não necessariamente de rumo, do jornalismo esportivo da Rede Globo.

Os índices de audiência e as pesquisas internas devem estar corroborando estas iniciativas. O seu impacto, porém, ainda não está claro e é motivo de muita discussão entre jornalistas e, também, estudantes de jornalismo.

Já fui questionado diversas vezes, em palestras com estudantes, sobre o que penso. Também já escrevi alguns textos a respeito. Recentemente, o jornalista Felipe Paranhos me procurou para falar sobre o assunto. A reportagem, que inclui uma opinião minha, foi publicada na revista eletrônica “Só”.

Com o consentimento de Paranhos, publico abaixo a íntegra da nossa conversa, ao longo da qual, acho, consigo esclarecer algumas coisas que penso sobre o tema:

Como você analisa a forma com que a Globo conduz a cobertura esportiva atualmente, menos calcada no jornalismo e mais ligada ao entretenimento, com gracejos e piadinhas?
Discordo que a cobertura esportiva da Globo seja “menos calcada no jornalismo e mais ligada ao entretenimento”. Acho que é possível fazer bom jornalismo com bom humor. Lamento, de fato, que a emissora esteja dando menos atenção do que poderia aos diferentes bastidores relacionados à Copa do Mundo de 2014, CBF, Ricardo Teixeira e Fifa. Se Tiago Leifert apresentar, por exemplo, uma reportagem sobre a repercussão das declarações de Teixeira à revista “Piauí”, não me importa se faça isso com ou sem humor, fazendo ou não gracinhas.

Me parece que, ao menos nessa tendência atual da Globo, Tadeu Schmidt foi quem primeiro conseguiu conquistar o público, fazendo com que a emissora replicasse o formato “novos gols do Fantástico” para os outros programas esportivos da TV. E já há clones até nas rivais, como o quadro “Isso é Dantesco”, da Band. A tendência ao esporte como entretenimento pode matar o jornalismo esportivo na TV aberta?
A transmissão de uma partida é um evento complexo porque mistura, de fato, entretenimento e jornalismo. O narrador, acredito, tem mesmo uma função de “animador”, mas precisa ser auxiliado por jornalistas, que trazem informação. O segredo é manter equilibrada estas duas, vamos chamar assim, “porções” do espetáculo. Da mesma forma, não vejo problema na apresentação dos gols em forma de “show”, como faz Tadeu Schmidt, no “Fantástico”. Acho chatíssimo, mas não vejo comprometimento da informação. O problema, na minha opinião, ocorre quando a informação é deixada de lado, e prevalece apenas o entretenimento, por força de algum motivo externo que desconhecemos.

Você disse no post do João Sorrisão que a rápida resposta dos jogadores à promoção do “Esporte Espetacular” demonstra o poder de alcance da Globo. Essa semana, a Glenda criticou, no tom de brincadeira/jocoso de todos os esportivos da TV, o fato de Rivaldo ter rejeitado comemorar como o joão-bobo. Essa política, aliada ao fato de que muitos torcedores não gostariam de ver os gols do seu time comemorados do mesmo jeito, pode se voltar contra a Globo de que jeito?
Escrevi um texto sobre isso. A Globo não tem culpa alguma se um número considerável de jogadores atendeu sua sugestão e está comemorando os gols imitando o João Sorrisão. Acho a ideia cretina, mas todos nós já tivemos ideias cretinas na vida. O problema, acho, vai ocorrer se este tipo de comemoração se tornar hegemônico. Já imaginou os gols da rodada, exibidos no Fantástico, sendo comemorados, todos, como João Sorrisão? Seria um tédio…


Nem Galvão consegue dar emoção a um evento soporífero
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Mauricio Stycer

Qual pode ser o interesse de um sorteio das chaves em que jogarão quase 200 países, de cinco continentes, candidatos a uma vaga na Copa do Mundo? Próximo de zero, eu diria. Até explicar o evento parece complicado.

Para a Fifa, transformar um evento burocrático como este “sorteio preliminar” num espetáculo midiático serve exclusivamente a propósitos de marketing, divulgação de marcas e negócios.

Ao custo de R$ 30 milhões, assumidos pelo governo do Estado e a Prefeitura do Rio, o Comitê Organizador da Copa de 2014 delegou a uma empresa das Organizações Globo a tarefa de dar cores a um negócio que tinha tudo para ser chatíssimo. E foi.

Fernanda Lima e Tadeu Schmidt, do cast da emissora, foram os mestres de cerimônia. O apresentador do “Fantástico” cometeu a maior gafe da tarde ao chamar Ronaldo de Romário. Este último, hoje deputado federal, tem feito críticas aos gastos excessivos da Copa de 2014.

Os shows de Ivan Lins e Ana Carolina, Ivete Sangalo, Orquestra de Heliópolis e Daniel Jobim foram programados para quebrar a monotonia da cerimônia, assim como as entrevistas com ex-jogadores. Não cumpriram o objetivo, mas adicionaram cafonice à tarde.

Como não poderia deixar de ser, a festa foi transmitida ao vivo pela Globo, que escalou Galvão Bueno para “narrar”, além de Junior e Casagrande para “comentar”. Galvão tentou ser didático, explicando o sentido do incompreensível sorteio das chaves da África, entre outras espinhos que encontrou pelo caminho. Mas nem ele, o mestre maior, conseguiu dar emoção a um evento soporífero.

Fotos: AFP


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