Blog do Mauricio Stycer

Arquivo : Tadeu Schmidt

Onze momentos inesquecíveis, para o bem e o mal, da Rio-2016 na televisão
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Mauricio Stycer

O balanço a seguir foi escrito a quatro mãos com o colega Rogerio Jovaneli e publicado originalmente no UOL Esporte.

clebermachado1- Quem tem pressa come cru: A vontade de narrar uma medalha de ouro para Isaquias Queiroz era tanta que Cleber Machado acabou cometendo o maior erro de narração nesta Rio-2016. Descrevendo a prova C2-1000 m da canoagem, que tinha a dupla brasileira formada por Isaquias e Erlon de Souza como favorita, ele decretou a medalha de ouro depois de 250 metros. “Os brasileiros tentam uma última arrancada. Os brasileiros vão ganhar medalha de ouro!” Após se dar conta que ainda faltavam 750 metros, Cleber prosseguiu, sem graça. A dupla ficou em segundo.

galvaoneymar22- A “DR” do narrador com o craque: Na condição de narrador, âncora, comentarista e conselheiro da seleção brasileira, Galvão Bueno usou a Globo como plataforma para fazer críticas ao desempenho da equipe nos primeiros jogos. Neymar foi mais atacado por, na condição de capitão, não ter dado entrevistas depois dos jogos. Na sua primeira declaração após a conquista do ouro, o atacante devolveu: “Agora, vão ter que me engolir”. O narrador replicou: “Façam o desabafo que quiserem, mas foi muito bom terem dado o ouro olímpico para o Brasil.”

gugaglobo23- Somos todos Guga: O slogan da Globo na Rio-2016, “Somos todos olímpicos” poderia ter sido outro, tamanho o impacto da presença de Gustavo Kuerten nas transmissões da emissora. Guga deu show de simpatia e carisma, foi adotado pelos espectadores e tietado por Galvão Bueno. Sua presença cresceu na mesma medida em que o narrador entrou em conflito com Neymar.

glendadaiane24- Muito choro: Uma das apostas da Globo, a apresentadora Glenda Koslowski estreou como narradora da ginástica. Depois de alguns dias, teve que pedir desculpas pelo excesso de gritos e choro nas suas transmissões: “Eu também gritei aqui, peço desculpas ao pessoal de casa se ficou agudo demais. É porque é um momento inesquecível”. Outro que não parou de chorar foi Tadeu Schmidt, cujo sobrinho, Bruno, ganhou medalha de ouro no vôlei de praia. No “Fantástico”, o choro do tio foi mais importante que a medalha do sobrinho.

5- Audiência despencou: Competindo com Globo e Band, emissoras com mais tradição em cobertura esportiva, a Record foi a grande perdedora dos Jogos. Quando apostou em transmitir os mesmos jogos que os concorrentes, phelpschegou a amargar até quarto lugar no Ibope. E, depois de investir vários dias em ginástica, voltou à programação normal em um domingo e só deu flashes das medalhas de Diego Hypolito e Arthur Nory.

6- Bate-papo com Phelps: Sem estúdio nos Jogos, a Record teve a boa ideia de escalar alguns de seus comentaristas, como Luiza Parente (ginástica) e Ricardinho (vôlei), para acompanharem a passagem de atletas pela chamada “zona mista”. Foi lá que Michael Phelps parou para bater um papo com Fernando Scherer, o Xuxa. A entrevista durou apenas dois minutos, mas foi muito festejada pela emissora, especialmente porque o nadador recusou vários pedidos de entrevista da Globo.

neto7- Corneta acesa: Apesar da contratação do experiente Álvaro José, a Band fez uma cobertura sem maiores destaques. Em alguns momentos, como na estreia do futebol feminino, conseguiu superar a Record. O apresentador Milton Neves e o comentarista Neto acabaram atraindo a atenção pelo volume das críticas à seleção brasileira masculina. Depois do ouro, Neto foi “homenageado” pelos principais jogadores da equipe com mensagens “carinhosas” em seu instagram.

8- Voz de especialista: Fato incomum na TV aberta, a Record News apostou em um jornalista analista de futebol na cobertura da Rio-2016. Alexandre Praetzel recheou a transmissão de informações, de história até, além de análise técnica e tática, com um linguajar que fugiu do perfil boleiro de comentar adotado por Globo e Band.

miltonleite9- Proibido para menores: Fazendo a maior cobertura de sua história, com 16 canais, além de um mosaico, o Sportv mostrou tudo, mesmo, da Olimpíada do Rio. Algumas vezes, até o que não desejaria mostrar, como Milton Leite, um dos seus principais narradores, aos palavrões, nas transmissões. O programa “É Campeão”, apresentado por André Rizek, com a participação de ex-atletas olímpicos estrangeiros, foi o ponto alto.

romulomendonca210- Mensageiro do caos: Conhecido pela irreverência em suas narrações, mas até então restrito a esportes de nicho (beisebol, futebol americano), Rômulo Mendonça, da ESPN Brasil brilhou na Rio-2016, fazendo jogos de voleibol, com locuções intensas e recheadas de bordões engraçados. Auto-intitulado “Mensageiro do caos”, o narrador soltou pérolas como esta, após uma atacante japonesa ser bloqueada pelo time brasileiro: “Aqui não neném, vai caçar Pokémon em Osasco!”.

11- Rio virou piada na Fox: Com a proposta de levar humor às suas transmissões, o Fox Sports fez uso dos serviços do popular grupo Porta dos Fundos. “Não vamos chamar de ‘assalto’. Nos Jogos do Rio parece que está proibido dizer que o round do boxe é assalto porque pode configurar outro tipo de coisa e confundir as autoridades presentes”, arriscou-se Antônio Tabet, líder da trupe, durante narração de uma luta de boxe, uma das poucas vezes que se viu ali o humor ácido do canal de vídeos da internet.

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Apresentador ajuda Neymar a fazer propaganda de óculos no “Fantástico”
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Mauricio Stycer

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Garoto-propaganda de uma marca italiana de óculos, o jogador Neymar usou um modelo aparentemente de grau durante a entrevista que deu ao “Fantástico”, exibida neste domingo (20). A exposição do produto ao longo de 13 minutos foi realçada por um diálogo do atacante com o jornalista Tadeu Schmidt, um dos apresentadores do programa:

Tadeu Schmidt: “Você usa óculos mesmo ou é só charme?”
Neymar: “Isso é só um estilinho.”

Segundo o site da ESPN Brasil, o contrato com a marca rende R$ 15,4 milhões ao ano para o jogador. Neymar usou óculos da marca em diferentes momentos da campanha da seleção brasileira na Copa do Mundo – quase sempre um modelo semelhante ao que exibiu na entrevista dada ao “Fantástico”.

Questionada pelo blog se o apresentador e a emissora ignoravam que o jogador estava expondo um produto durante a entrevista, a Globo disse que a pergunta de Schmidt foi ” espontânea, uma curiosidade do jornalista ao ver Neymar usando o óculos”.

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“Jogo mais divertido” determina gols do ‘Fantástico’, diz Tadeu Schmidt
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Mauricio Stycer

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Em sua nova fase, agora mostrando os bastidores da redação, o “Fantástico” deixou claro para os espectadores algo que eles já sabiam, mas nunca tinham visto: o critério para a seleção dos gols da rodada. O que determina a escolha, disse Tadeu Schmidt, não é a qualidade dos jogos, dos lances ou dos gols, mas o potencial de humor a explorar.

Chamado a ver um torcedor do Botafogo que foi flagrado dormindo no Maracanã durante a partida com o Internacional, o apresentador do “Fantástico” disse: “O jogo mais divertido, então, é Botafogo e Inter, né?”. Mais tarde, foi este o jogo que ocupou o maior espaço dos “gols da rodada”.

Todo o resumo do encontro, encerrado com o placar de 2 a 2, foi pontuado por cenas do torcedor dormindo (e despertando). Tudo bem, Botafogo e Inter não fizeram a melhor do mundo, mas certamente ela poderia ser vista por outros ângulos além do “torcedor dorminhoco”.

Um dia depois, na edição paulista do “Globo Esporte”, o mesmo torcedor serviu novamente de fio condutor do relato do jogo. Desta vez, Tiago Leifert explorou uma nova “piada”, descrevendo os lances em voz baixa, para não “acordar” o personagem.

Além de não ser incomum o flagrante de um torcedor dormindo no estádio, me parece claro, neste caso, que a piada acabou ocupando um espaço desproporcional na narrativa da partida. Tenho certeza que quem gosta de futebol, e não apenas torcedores dos times envolvidos, se sentiram lesados nos dois casos.

Este texto foi publicado originalmente aqui, no blog UOL Esporte Vê TV.

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“Fantástico” leva a sério piada sobre fantasmas
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Mauricio Stycer

Só nesta terça-feira assisti a “Phantasmagoria”, quadro de 24 minutos que o “Fantástico” estreou no domingo. Achei tão ridículo que resolvi, apesar do atraso, fazer um comentário.

A proposta da atração, explicou o apresentador Tadeu Schmidt, é “investigar os lugares assombrados do Brasil”. Ao seu lado, na empreitada, está um mágico, chamado Kronnus.

Na estréia, a dupla investigou fenômenos ocorridos no castelo Eldorado, em Marilândia do Sul, no Paraná. Voluntários se submeteram a verificar ruídos, sombras, cheiros e luzes diferentes do habitual notados no local.

A conclusão, apresentada com toda seriedade pela dupla Schmidt-Kronnus: “Existem explicações científicas para tudo de estranho que acontece lá”.

Fosse um quadro de humor, como a série de filmes “Os Caça-Fantasmas”, por exemplo, “Phantasmagoria” poderia até divertir. Mas levado a sério, como foi, é constrangedor.

Mais informações sobre a serie podem ser lidas aqui.


Sem o apoio dos jogadores, João Sorrisão seria apenas uma ideia cretina
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Mauricio Stycer

As gracinhas de Tadeu Schmidt no “Fantástico”, as piadas de Tiago Leifert no “Globo Esporte” e o João Sorrisão no “Esporte Espetacular” são sinais evidentes de uma mudança de postura, mas não necessariamente de rumo, do jornalismo esportivo da Rede Globo.

Os índices de audiência e as pesquisas internas devem estar corroborando estas iniciativas. O seu impacto, porém, ainda não está claro e é motivo de muita discussão entre jornalistas e, também, estudantes de jornalismo.

Já fui questionado diversas vezes, em palestras com estudantes, sobre o que penso. Também já escrevi alguns textos a respeito. Recentemente, o jornalista Felipe Paranhos me procurou para falar sobre o assunto. A reportagem, que inclui uma opinião minha, foi publicada na revista eletrônica “Só”.

Com o consentimento de Paranhos, publico abaixo a íntegra da nossa conversa, ao longo da qual, acho, consigo esclarecer algumas coisas que penso sobre o tema:

Como você analisa a forma com que a Globo conduz a cobertura esportiva atualmente, menos calcada no jornalismo e mais ligada ao entretenimento, com gracejos e piadinhas?
Discordo que a cobertura esportiva da Globo seja “menos calcada no jornalismo e mais ligada ao entretenimento”. Acho que é possível fazer bom jornalismo com bom humor. Lamento, de fato, que a emissora esteja dando menos atenção do que poderia aos diferentes bastidores relacionados à Copa do Mundo de 2014, CBF, Ricardo Teixeira e Fifa. Se Tiago Leifert apresentar, por exemplo, uma reportagem sobre a repercussão das declarações de Teixeira à revista “Piauí”, não me importa se faça isso com ou sem humor, fazendo ou não gracinhas.

Me parece que, ao menos nessa tendência atual da Globo, Tadeu Schmidt foi quem primeiro conseguiu conquistar o público, fazendo com que a emissora replicasse o formato “novos gols do Fantástico” para os outros programas esportivos da TV. E já há clones até nas rivais, como o quadro “Isso é Dantesco”, da Band. A tendência ao esporte como entretenimento pode matar o jornalismo esportivo na TV aberta?
A transmissão de uma partida é um evento complexo porque mistura, de fato, entretenimento e jornalismo. O narrador, acredito, tem mesmo uma função de “animador”, mas precisa ser auxiliado por jornalistas, que trazem informação. O segredo é manter equilibrada estas duas, vamos chamar assim, “porções” do espetáculo. Da mesma forma, não vejo problema na apresentação dos gols em forma de “show”, como faz Tadeu Schmidt, no “Fantástico”. Acho chatíssimo, mas não vejo comprometimento da informação. O problema, na minha opinião, ocorre quando a informação é deixada de lado, e prevalece apenas o entretenimento, por força de algum motivo externo que desconhecemos.

Você disse no post do João Sorrisão que a rápida resposta dos jogadores à promoção do “Esporte Espetacular” demonstra o poder de alcance da Globo. Essa semana, a Glenda criticou, no tom de brincadeira/jocoso de todos os esportivos da TV, o fato de Rivaldo ter rejeitado comemorar como o joão-bobo. Essa política, aliada ao fato de que muitos torcedores não gostariam de ver os gols do seu time comemorados do mesmo jeito, pode se voltar contra a Globo de que jeito?
Escrevi um texto sobre isso. A Globo não tem culpa alguma se um número considerável de jogadores atendeu sua sugestão e está comemorando os gols imitando o João Sorrisão. Acho a ideia cretina, mas todos nós já tivemos ideias cretinas na vida. O problema, acho, vai ocorrer se este tipo de comemoração se tornar hegemônico. Já imaginou os gols da rodada, exibidos no Fantástico, sendo comemorados, todos, como João Sorrisão? Seria um tédio…


Nem Galvão consegue dar emoção a um evento soporífero
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Mauricio Stycer

Qual pode ser o interesse de um sorteio das chaves em que jogarão quase 200 países, de cinco continentes, candidatos a uma vaga na Copa do Mundo? Próximo de zero, eu diria. Até explicar o evento parece complicado.

Para a Fifa, transformar um evento burocrático como este “sorteio preliminar” num espetáculo midiático serve exclusivamente a propósitos de marketing, divulgação de marcas e negócios.

Ao custo de R$ 30 milhões, assumidos pelo governo do Estado e a Prefeitura do Rio, o Comitê Organizador da Copa de 2014 delegou a uma empresa das Organizações Globo a tarefa de dar cores a um negócio que tinha tudo para ser chatíssimo. E foi.

Fernanda Lima e Tadeu Schmidt, do cast da emissora, foram os mestres de cerimônia. O apresentador do “Fantástico” cometeu a maior gafe da tarde ao chamar Ronaldo de Romário. Este último, hoje deputado federal, tem feito críticas aos gastos excessivos da Copa de 2014.

Os shows de Ivan Lins e Ana Carolina, Ivete Sangalo, Orquestra de Heliópolis e Daniel Jobim foram programados para quebrar a monotonia da cerimônia, assim como as entrevistas com ex-jogadores. Não cumpriram o objetivo, mas adicionaram cafonice à tarde.

Como não poderia deixar de ser, a festa foi transmitida ao vivo pela Globo, que escalou Galvão Bueno para “narrar”, além de Junior e Casagrande para “comentar”. Galvão tentou ser didático, explicando o sentido do incompreensível sorteio das chaves da África, entre outras espinhos que encontrou pelo caminho. Mas nem ele, o mestre maior, conseguiu dar emoção a um evento soporífero.

Fotos: AFP


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