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“Seu Silvio, isso não é coisa que se faça!”
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Mauricio Stycer

silviosantosesilvioluizComo sempre ocorre quando volta de férias, Silvio Santos está com a corda toda. Neste domingo (13), o segundo depois de uma longa temporada na Flórida (EUA), o apresentador e dono do SBT fez vários comentários em tom de piada sobre a própria emissora e a concorrência.

No encerramento, Silvio Santos disse que está pensando em parar de gravar previamente e fazer o próprio programa ao vivo. Para isso, explicou ao público, teria que encurtar as outras duas atrações dominicais do SBT, o “Domingo Legal”, de Celso Portiolli, e o programa de Eliana. Dessa forma, o “Programa Silvio Santos” poderia ir ao ar das 18h às 22h.

“Se o Celso Portiolli não quiser que eu tire duas horas dele e se a Eliana não quiser que eu tire duas horas dela, o que eu faço?” Feita em tom de piada, a pergunta – obviamente retórica – do dono da emissora mereceu um coro da plateia: “Manda embora! Manda embora!”. Veja abaixo:


 

Antes disso, no “Jogo das Três Pistas”, com as presenças do narrador Silvio Luiz e do apresentador Cesar Filho, Silvio Santos comentou uma notícia da semana: a saída inesperada do ator-mirim Jean Paulo Campos do SBT em direção à Record.

Como foi anunciado por Geraldo Luis, o Cirilo da novela “Carrossel” e da série “Patrulha Salvadora” agora será repórter do “Domingo Show”. Ao reclamar publicamente da contratação, Silvio Santos se dirigiu a Edir Macedo, proprietário da Record. “Seu Edir, isso não é coisa que se faça”. Veja:


 

Trocas de emissora são comuns, mesmo com quebra de contratos em andamento. A situação mais recente foi a transferência de Danilo Gentili, da Band para o SBT. O caso, inclusive, está na Justiça. Se assistiu ao “Programa Silvio Santos” neste domingo, Johnny Saad, dono da Band, deve ter dado um sorriso maroto e pensado: “Seu Silvio, isso não é coisa que se faça mesmo!”

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A “liberalíssima” Ana Paula Padrão acha Rachel Sheherazade “um perigo”
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Mauricio Stycer

anapaulapadrao
Longe da televisão há um ano, desde que deixou a Record, Ana Paula Padrão foi a entrevistada da estreia de um novo quadro do “CQC”, da Band, chamado “50 perguntas”.

Muito à vontade, a jornalista só fugiu de uma pergunta (“Dilma ou Aécio?”), por entender que seria uma declaração de voto. Ironizou uma das questões (“Jornal da Record” ou “Jornal Nacional”?), observando: “Que falta de auto-estima! ‘Jornal da Band’, né?”. Classificou Rachel Sheherazade, do SBT, como “imatura e bem intencionada, ou seja, um perigo”, disse que não pretende voltar a apresentar um telejornal, cantou “She”, se disse “liberalíssima” em política, “mais liberal ainda” na cama e, rindo muito, lembrou de sua maior gafe: chamou o “Jornal da Record” de “Jornal da Globo” na estreia dos Jogos Olímpicos de Londres. Vale a pena ver.


 


Record se alia à Band na “guerra” contra Danilo Gentili e o SBT
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Mauricio Stycer

gentilimcborelA saída de Danilo Gentili da Band para apresentar um talk show no SBT rendeu, inicialmente, muitas fofocas de bastidores, mas logo se transformou numa disputa pública entre as partes, o que é raro de acontecer.

A Band se ressentiu da perda do apresentador do “Agora É Tarde” ainda com contrato em vigor e reagiu. Processou Gentili, tentou impedir na Justiça a estreia do “The Noite” no SBT e, de surpresa, antecipou a estreia de Rafinha Bastos.

Desde o primeiro programa no SBT, Gentili tem reagido com comentários irônicos feitos no próprio programa. A seu favor na briga, o comediante conta com a audiência do “The Noite”, bem superior à do “Agora É Tarde”. Quando os dois programas são exibidos simultaneamente, ele sempre vence o concorrente.

Nas poucas semanas desde a estreia dos dois talk shows, “The Noite” e “Agora É Tarde” já rivalizaram por conta de entrevistados. Ao saber que a cantora Dulce Maria seria a convidada de Gentili numa determinada noite, a Band decidiu adiar a conversa dela com Bastos, programada para ir ao ar no mesmo dia.

Nesta terça-feira (25), o site Noticias da TV informou que Gentili chegou a “prender” seu entrevistado do “The Noite”, MC Nego do Borel (imagem acima), no SBT, para que ele não participasse do “Agora É Tarde”. Rafinha Bastos respondeu na madrugada pedindo a “libertação” do funkeiro.

rafinhageraldoA novidade na disputa é a entrada em cena da Record. Entrevistando o ex-jogador Oscar nesta terça-feira (25), Bastos telefonou para Geraldo Luis. O apresentador do “Domingo Show” participou de uma brincadeira e, em “retribuição”, foi dito que contará com a presença do humorista em seu programa neste domingo (30). Já Gentili, no mesmo horário, vai participar do “Domingo Legal”, de Celso Portiolli no SBT (leia mais aqui).

Ainda que seja real, esta briga entre SBT e Band, no fundo, dá visibilidade para as duas partes. Ou seja, ajuda a promover tanto o “The Noite” quanto o “Agora É Tarde”. Já a Record, não surpreende que esteja “tomando partido” contra o seu principal rival na luta pela vice-liderança. Para a guerra ficar completa, só falta, agora, Gentili ser convidado para ir ao Faustão, na Globo.

Abaixo, a participação de Geraldo Luis, da Record, no “Agora É Tarde”, da Band:


 


Em uma semana, Dulce Maria divulga CD em cinco programas de TV
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A cantora e atriz mexicana Dulce Maria encontrou na TV brasileira um palco perfeito para promover o disco “Sin Fronteras”. Numa rápida visita ao país, a ex-estrela do grupo RBD e da novela “Rebelde” foi recebida com tapete vermelho em cinco programas – sempre para fazer propaganda do CD ou cantar.

Com agenda intensa, a cantora passou pelo “The Noite” (11), no SBT, deu um pulo no “Altas Horas” (15), na Globo, fez dois pit-stops na Band, no “CQC” (17) e no “Agora É Tarde” (18) e ainda foi ao “Coletivation”, da MTV. A gravação desta última participação está prevista para ir ao ar na noite desta quarta-feira (19).

Tudo bem. Dulce Maria é popular, tem um fã-clube animado, mas esta exposição acrítica e puramente promocional também diz muito da falta de imaginação de quem faz estes programas.


“The Noite” de Gentili mostra um padrão de qualidade incomum no SBT
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Mauricio Stycer

Em 1988, reconhecendo que a excelente audiência da programação popular do SBT não atraía anunciantes de peso para a emissora, Silvio Santos resolveu apostar em atrações de mais qualidade. Em agosto daquele ano estrearam o “TJ Brasil”, apresentado por Boris Casoy, e “Jô Soares Onze e Meia”.

Vinte e cinco anos (e alguns meses) depois, Danilo Gentili estreou o “The Noite” no SBT fazendo uma reverência justamente ao talk show de Jô Soares. Uma homenagem irônica, diga-se, ao mostrar uma réplica do cenário original do antigo programa tomado por teias de aranha e poeira.

Assim como ocorreu no passado, o contraste da nova atração com o que o SBT exibe no dia a dia é gritante.

Uma produção sofisticada ajudou a embalar um projeto que Gentili já havia esboçado com o “Agora É Tarde”, na Band, entre 2011 e 2013 – a de um programa com mais “show” e menos “talk”, no qual mesmo as entrevistas estão a serviço do espetáculo.

Seguindo um padrão visto em programas semelhantes nos Estados Unidos, o “The Noite” mostrou, ao menos pelo que se observou na estreia, que a ideia foi muito bem aperfeiçoada.

A abertura teve cuidados de superprodução. Gentili passou pelos principais programas da emissora, interagindo com os apresentadores da casa, com o objetivo de resgatar a sua equipe, culminando na chegada ao cenário do “Jô Soares Onze e Meia” e a revelação de Ivo Holanda: “Essa é uma pegadinha do SBT”.

Não faltaram “homenagens” à Band e à equipe do “Agora É Tarde”. Roger Moreira elogiou o cenário do “The Noite” por “não ser reciclado”, numa alusão ao material do programa de Rafinha Bastos que parece reaproveitado. “É um papel pequeno, qualquer idiota pode fazer”, disse Gentili ao apresentar o substituto de Marcelo Mansfield, que ficou na antiga casa.

Não basta superprodução se não há conteúdo, e o “The Noite” escapou desta armadilha no encontro do apresentador com o seu convidado, o comediante Fabio Porchat. Uma série de brincadeiras combinadas entre os dois deu a aparência de espetáculo de humor à entrevista.

Gentili, por exemplo, manifestou surpresa com a onipresença de Porchat em cinema, TV, internet, teatro, e logo vimos imagens do convidado, previamente gravadas, em diferentes locais do SBT. “Quero fazer um talk show também. De repente, eu vou pra Record. Na Record não tem talk show”, disse Porchat, mencionando algo que ainda não realizou e gostaria.

Ainda que todo o encontro tenha dado a impressão de ter sido combinado (ou “roteirizado”), foi saudável ver Gentili tirar Porchat do pedestal e fazer piadas com ele. “Emagreci… Tomei vergonha na cara”, ele contou. “Achei que era drogas”, replicou o apresentador.

No melhor momento, a produção do programa exibiu um VT sobre o “Método Fabio Porchat de Interpretação”, rindo das caretas e excessos gestuais do humorista. Para retribuir, o que me pareceu desnecessário, o anfitrião também se submeteu ao ridículo com a apresentação do “Curso Danilo Gentili de Apresentação de Late Show”.

Porchat não deu nenhuma declaração bombástica, nem fez nenhuma revelação inédita (o anúncio de um seriado do Porta dos Fundos, que Gentili festejou como notícia exclusiva, já era conhecido). Ainda assim, a entrevista foi muito divertida.

De um modo geral, a estreia do “The Noite” foi muito boa. O capricho da produção, o cuidado com o roteiro, a segurança de Gentili, tudo contribuiu para causar uma ótima impressão.


Longo e sem foco, “Arena SBT” acerta com as imitações de Porpetone
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Mauricio Stycer

ArenaSBT

Em ano de Copa do Mundo, o SBT estreou na noite de sábado (08) um programa de auditório de duas horas sobre esportes, área que sempre negligenciou. Como outros programas de rádio e TV já fizeram, o “Arena SBT” tenta misturar humor, música e jornalismo com um time fixo e atrações convidadas.

arenasbtequipeA equipe é formada por dois comediantes (Alexandre Porpetone e Marcelo Smigol), um radialista (Thomaz Rafael), um ex-jogador de futebol (Edmilson), uma jurada do “Programa Silvio Santos” (Lívia Andrade), uma repórter (Juliana Franceschi) e um personagem chamado Gavião, que fica escondido em uma cabine.

No programa de estreia, o ex-presidente do Corinthians Andres Sánchez foi entrevistado por Roberto Cabrini, e fugiu de todas as questões sérias que o repórter fez. Smigol visitou o Itaquerão, mas preocupou-se mais em gritar e fazer micagens do que em mostrar como é o estádio da abertura da Copa.

Livia Andrade visitou o estádio do Juventus, na rua Javari: “Come pelo lado grosso ou pelo fino?”, perguntou antes de morder um cannoli. “De quatro é mais gostoso?”, questionou depois que o time da casa marcou o quarto gol.

Atirando em todas as direções, o programa levou Edmilson à casa de Cafu, que mostrou seus troféus, exibiu uma reportagem sobre a seleção feminina de handebol, outra sobre a prática de bocha e, ainda, acompanhou a ida de um menino de 10 anos ao Pacaembu para ver o jogo do seu time de coração, o Palmeiras.

Não bastasse, a atração também apresentou uma reportagem sem sentido sobre um sujeito que corre plantando bananeira e, no auditório, contou com o músico Gabriel, o Pensador.

Muito longo, com um auditório histérico, “Arena SBT” serviu especialmente para mostrar o talento de Porpetone como imitador. Ele apresentou versões da presidente Dilma, dos técnicos Felipão (a melhor de todas) e Joel Santana, dos ex-jogadores Ronaldo e Neto e do narrador Galvão Bueno.

Porpetone também apresentou um quadro surreal, “Central da Cópia”, no qual reproduziu de forma tosca o aparato tecnológico usado pela Globo no intervalo das partidas (imagem no alto). Em vez de um campo virtual, o “Arena SBT” mostrou uma mesa de pebolim (totó), ocupada por anões.

Falando de Belo Horizonte, o ex-jogador Dadá Maravilha previu sobre o novo programa: “Se o Silvio Santos aprovou, é sucesso.” Nem preciso dizer que ainda falta muito para isso.

Se me permitem uma sugestão, o “Arena SBT” poderia ser mais curto. A ausência de foco é até compreensível num primeiro momento, mas não seria má ideia a equipe refletir sobre o que pretende exatamente com o programa.

Em tempo: O programa marcou 3 pontos no Ibope na estreia, menos do que a emissora registrava no horário com “Casos de Família” e filmes. Veja mais aqui.


“Caso Encerrado”, mais um “teste” malsucedido do SBT
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Mauricio Stycer

casoencerrado

Anunciado nos primeiros dias de fevereiro, o programa comprado pelo SBT da rede Telemundo estreou no dia 17. Destinado ao mercado hispânico, nos EUA, “Caso Encerrado” é apresentado pela advogada cubana Ana Maria Polo e foi exibido no Brasil em versão dublada. Duas semanas depois da estreia, a emissora de Silvio Santos considerou suficiente o tempo de “testes” e informou ter desistido da atração.

Tudo bem fazer testes, mas duas semanas é tempo suficiente para chegar a uma conclusão tão drástica?

Não é a primeira vez que o SBT toma decisões fulminantes como esta. O teste anterior da emissora havia sido com o “SBT Notícias”. Lançado em 23 de setembro, o noticiário comandado por Neila Medeiros (“única jornalista capaz de apresentar sozinha o programa, enfrentando Datena e Marcelo Rezende”)  saiu do ar menos de dois meses depois, em 18 de novembro.

Abaixo, um resumo do que foi a meteórica passagem de “Caso Encerrado” pelo SBT, conforme noticiado pelo UOL e por sites parceiros do portal:

06.02SBT estreia telebarraco latino, mas mantém Chaves em São Paulo

17.02Com dublagem de novela mexicana, “telebarraco” americano fica em 3º

18.02Dubladora de Caso Encerrado acha programa do SBT apelativo

22.02“Caso Encerrado” fortalece clima cucaracho no SBT

24.02SBT perde 30% de audiência com telebarraco Caso Encerrado

28.02SBT confirma fim do “Caso Encerrado”; programa durou apenas duas semanas


Estreia de Jimmy Fallon antecipa novidades nos talk shows brasileiros
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Mauricio Stycer


Março promete inédita concorrência no fim de noite na TV aberta no Brasil. Além da volta de Jô Soares, na Globo, duas novidades têm estreia prevista para a primeira quinzena do mês: Danilo Gentili, à frente do “The Noite”, no SBT, e Rafinha Bastos, no “Agora É Tarde”, na Band.

Ainda assim, como escrevi recentemente na “Folha”, a grade da TV aberta brasileira estará longe de poder rivalizar com a da americana, onde o gênero deitou raízes tão profundas que ocupa duas faixas em algumas redes — um por volta das 23h30 e outro já na madrugada.

Nesta segunda-feira (17), com a estreia do humorista Jimmy Fallon, se consumou uma importante passagem de bastão no comando do “Tonight Show”, um dos mais antigos programas ainda em exibição na TV.

No ar desde 1954, por lá passaram três dos comediantes que Jô Soares sempre cita como as suas principais inspirações: Steve Allen (1954-57), Jack Paar (1957-62) e aquele que é considerado o maior apresentador do talk show, Johnny Carson (1962-1992), que reinou por três décadas.

Ao se aposentar, Carson foi substituído por Jay Leno, levando David Letterman, que esperava ser seu sucessor, a trocar a rede NBC pela CBS. Leno apresentou o talk show por 17 anos, até 2009. Naquele ano, não resistiu ao sucesso que Conan O´Brien fazia no programa que vinha depois do seu e foi substituído. A mudança, porém, resultou desastrosa em matéria de audiência e, em março de 2010, Leno voltou.

Leno se despediu mais uma vez no último dia 6 de fevereiro. A estreia de Fallon, na noite desta segunda-feira, foi marcada por alguns detalhes importantes. Primeiro, o programa voltou a ser gravado em Nova York, como era na época de Carson, e não mais em Los Angeles, onde Leno morava.

Segundo, houve uma sutil mudança no nome do talk show. O “Tonight Show with Jay Leno” virou “Tonight Show starring Jimmy Fallon”, resgatando a forma usada por Carson.

Aos 39 anos, criado numa das melhores escolas do humor, o “Saturday Night Live”, Fallon comandava o próprio talk show, no horário da madrugada, desde 2009. Na sua estreia no horário nobre, recebeu o ator Will Smith e a banda U2.

Num dos momentos mais engraçados, ele disse: “Queria agradecer ao meu amigo que disse que eu nunca seria o apresentador do ‘Tonight Show’. Você me deve US$ 100”. Na sequência, várias celebridades apareceram no palco e deram uma nota de US$ 100 para Fallon, incluindo Robert de Niro, Rudolph Giulianni, Lindsay Lohan, Mariah Carey, Tina Fey, Sarah Jessica Parker, Mike Tyson, entre outros (veja as fotos acima).

A chegada de Fallon ao horário nobre promete injetar ainda mais criatividade a um gênero que os americanos não cansam de renovar, e os brasileiros, de imitar.

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Entrevista reforça a imagem de Silvio Santos como homem simples e solitário
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silviosantoscapavejinha2A ótima entrevista de Silvio Santos ao repórter João Batista Jr., publicada na edição desta semana da “Veja São Paulo”, enriquece bastante o folclore em torno do dono do SBT, mas também ajuda a entendê-lo melhor.

Ao lado da mulher Iris, Silvio se expõe muito na entrevista. O objetivo mais aparente é o de reforçar uma imagem já conhecida – a do homem de hábitos comuns, “gente como a gente”, apesar de bilionário. “Eu levo a vida mais simples do mundo” é a frase que estampa a capa da revista, que o exibe na cozinha, lavando louça.

Quando falo em “reforçar uma imagem”, não estou dizendo que Silvio seja diferente do que mostra ser. Apenas acho curiosa esta a sua preocupação em realçar, sempre que pode, este jeito “simplão” de ser.

Na entrevista, ele conta que, além de lavar louça quando está em Orlando, compra roupas em redes populares, vê séries e filmes na TV à noite com a mulher, aprecia “batata assada com manteiga” e não gosta de comida saudável (um risoto de quinoa que Iris o obrigou a comer).

Outro aspecto deste seu jeitão é a insistência em se mostrar uma pessoa avessa a desperdícios. “Eu não jogo dinheiro fora. As passagens de primeira classe são muito caras. Por que vou andar na primeira classe se ela é igual à executiva?” Na entrevista ele conta que, certa vez, tentou pechinchar o valor (US$ 25) de uma multa de trânsito recebida nos EUA.

Silvio faz revelações sobre o seu estado de saúde (operou a próstata, retirou um câncer de pele da perna) e, num dos momentos mais tocantes, fala do seu desejo de morrer em casa: “Como sei que vou morrer, quero morrer sem ir para o hospital. Não chega a ser um sonho, mas uma coisa que desejo. Aos 83 anos, sei que posso embarcar a qualquer momento.”

Também não é novidade outra imagem que o dono do SBT reforça na entrevista, a de que é um “vendedor”, acima de tudo. Questionado sobre o que faria se tivesse 20 anos e recebesse uma herança de R$ 500 mil, ele diz: “Iria abrir qualquer negócio cujo principal foco fosse vendas, afinal sou vendedor desde os 14 anos de idade.”

Ao final, respondendo a uma pergunta objetiva sobre o seu círculo de amizades, Silvio sugere ser uma pessoa muito solitária. “Quem são os seus melhores amigos?”, pergunta o repórter: “O Jassa é quem mais tem contato comigo. Vou ao salão dele um dia sim, outro não. Só isso. Mas ele não viaja comigo, não vai à minha casa. Eu gosto do Jassa, o cabelo que ele faz em mim me modifica muito e é melhor do que cirurgia plástica.”

silviosantosfestaDOFIM2013Em matéria de reforço da imagem de Silvio, esta entrevista complementa a mensagem que ele tentou passar, no final de dezembro de 2013, em discurso de fim de ano aos funcionários do SBT.

Na ocasião, ele disse: “Eu sou o dono do SBT de direito. Mas de fato não me sinto dono. Me sinto colega de vocês. Eu chego aqui, faço os meus programas, eu vou embora… Eu não tenho conhecimento do que se passa nos bastidores, eu não tenho conhecimento do que se passa no escritório”.

Neste mesmo discurso, ele também falou da quebra do Banco Panamericano, de sua propriedade, com um rombo estimado de R$ 4 bilhões: “Todo mundo tomou conhecimento do que aconteceu no Banco Panamericano. Mas no banco Panamericano eu fui uma única vez. No Jequiti, que é aqui pertinho, eu fui uma vez. Porque eu considero essas empresas investimento meu para que meu dinheiro possa trazer mais emprego, mais progresso. Aqui no SBT, não. Aqui no SBT sou um colega de vocês.” Veja abaixo:

 


Apresentadora tenta esclarecer polêmica e diz que não apoiou “justiceiros”
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Mauricio Stycer


 

Quarenta e oito horas depois de divulgar a opinião de sua apresentadora, Rachel Sheherazade, em defesa do grupo que agrediu um suposto assaltante e o prendeu nu, em um poste, no Rio, o SBT abriu espaço para que ela tentasse esclarecer a sua polêmica declaração.

Se antes a jornalista havia classificado a “atitude dos vingadores” como “compreensível”, ela agora mudou o discurso e diz que não apoia este tipo de ação.

“Não defendi a atitude dos justiceiros. Defendi o direito da população de se defender quando o Estado é omisso, quando a polícia não chega. Todo cidadão tem o direito de prender um meliante flagrado em delito. O que não se pode é confundir o direito de se defender com a barbárie, a violência pela violência. Não defendo a violência. Defendo a paz”, disse.

Seu companheiro de bancada, Joseval Peixoto, a entrevistou ao vivo. “Você é  uma mulher cristã, dura, mas pergunto a você: você é a favor da violência?”

sbtsheherazadeEla respondeu: “Absolutamente não. Sou uma pessoa do bem. Estou do lado do bem, como diria Renato Russo, com a luz e os anjos. Jamais defenderia a violência. Defendo as pessoas de bem neste país, as pessoas que foram abandonadas à própria sorte porque não têm polícia, não tem segurança pública”.

Na terça-feira (04), a apresentadora havia se referido ao adolescente agredido e preso com um cadeado de bicicleta como “o marginalzinho amarrado ao poste”. E disse: “Num país que sofre de violência endêmica, a atitude dos vingadores é até compreensível”.

Também observou: “O Estado é omisso, a polícia desmoralizada, a Justiça é falha… O que resta ao cidadão de bem, que ainda por cima foi desarmado? Se defender, é claro”. E finalizou: “O contra-ataque aos bandidos é o que chamo de legítima defesa coletiva de uma sociedade sem Estado contra um estado de violência sem limite”.

Ao relembrar o caso nesta quinta-feira, o “SBT Brasil” exibiu uma reportagem sobre ações recentes de grupos que se autointitulam “justiceiros” no Rio. Curiosamente, a ação considerada “compreensível” por Sheherazade, foi chamada de “um dos casos mais chocantes” pela repórter Claudia Ramos, da mesma emissora.

Peixoto leu um texto em que observou haver “uma certa confusão em separar a opinião pessoal dos apresentadores e a linha editorial do jornalismo do SBT”. Em momento algum, porém, ele afirmou haver alguma divergência da emissora com o que Sheherazade falou dois dias antes.

O comentário teve muita repercussão. Na quarta-feira (05), o Partido Socialismo e Liberdade (Psol) divulgou nota informando que irá formalizar no Ministério Público representação contra a emissora e a apresentadora por apologia ao crime. Na visão do partido, Sheherazade e o SBT “fizeram incitação ao crime, à tortura e ao linchamento.”

Em carta divulgada nesta quinta-feira (06), o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro e a Comissão de Ética da entidade também se manifestaram em repúdio às declarações da apresentadora.

O sindicato quer que a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) ”investigue e identifique as responsabilidades neste e em outros casos de violação dos direitos humanos e do Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros, que ocorrem de forma rotineira em programas de radiodifusão no nosso país”.

O comentário original da apresentadora do “SBT Brasil” pode ser visto aqui.

Em tempo: Recomendo a leitura do texto do jornalista Janio de Freitas, colunista da “Folha”, sobre o assunto: Uso sem moderação.