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Top 15: os momentos mais bizarros e inesperados da TV em 2013
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Mauricio Stycer

Em meio a novidades e decepções, boas e más surpresas, a TV ofereceu muito humor involuntário, dramas não imaginados, momentos geniais e bestiais em 2013. Abaixo apresento o meu Top 15 com os mais surpreendentes do ano. Listas deste tipo são sempre muito pessoais, e as minhas não são diferentes. Por isso, terei o maior prazer em acolher os comentários e observações dos leitores, apontando as injustiças das minhas escolhas e me lembrando do que esqueci.

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Casal briga no “Teste de Fidelidade” e se reconcilia no “Ratinho”
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Mauricio Stycer

É gritante a falta de figurantes para programas populares de TV. Nos últimos meses, já ocorreram vários casos de uso dos mesmos figurantes em atrações do SBT, da Record e da RedeTV!. Esta semana, mais uma vez, ocorreu uma duplicidade.

Gilberto e Débora foram protagonistas de um enorme barraco no “Teste de Fidelidade”, apresentado por João Kleber na noite de domingo (2). No dia seguinte,  segunda-feira (3), o mesmo casal se beijou com paixão no “Programa do Ratinho”. Na atração da RedeTV!, Débora foi apresentada como bartender. No SBT, ela virou modelo e atriz.

A confusão protagonizada pelo casal no “Teste de Fidelidade” foi enorme. Não apenas Débora quis agredir o marido, depois de ver como ele se portou com duas modelos, como Gilberto quis bater em João Kleber, a quem acusou de ter se insinuado para a mulher.

Ratinho usou o casal no quadro “Quem é o Amor?”. Débora entrou no palco junto com quatro homens, entre os quais Gilberto. Os participantes do game precisavam descobrir quem era o parceiro dela.

Ao ver os quatro homens, Ratinho disse: “Hoje eu gostei mais. No último programa que fizemos, apareceram uns caras bonitões, bombadões. Dava impressão que era coisa montada. Hoje são rapazes bonitos, mas comuns. Assim é mais verdadeiro. Nós nunca fizemos nada falsificado. Mas desse jeito parece mais verdadeiro.” Só rindo.

A coincidência foi observada pelo jornalista Eduardo Zanelato, a quem agradeço pela dica. Na estreia do “Teste de Fidelidade”, em março, houve outra repetição de figurantes. Veja aqui.


Anão do Gugu fez strip-tease no “Programa do Ratinho” e disse ser “mini go-go boy”
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Mauricio Stycer

A história do anão Marquinhos fica mais engraçada a cada dia. “Descoberto” pelo apresentador Geraldo Luis, do “Balanço Geral”, da Record, ele fez a mágica de tirar o “Programa do Gugu” do terceiro lugar no Ibope e disputar a liderança dos domingos com Faustão.

A esta altura, depois de quatro semanas explorando com enorme sucesso o anão, Gugu se vê obrigado a dividi-lo com outros programas da Record. O assédio é tão grande, conta Flavio Ricco, que cabe ao vice-presidente da emissora, o jornalista Douglas Tavolaro, decidir onde Marquinhos vai exibir seus talentos. Pior. Segundo o jornalista Ricardo Feltrin, o apresentador Geraldo Luis está irritado com esta exposição exagerada de seu xodó.

Não bastasse essa confusão dentro da Record, o anão agora está ajudando um concorrente da emissora, o “Programa do Ratinho”, a levantar a  audiência do SBT. Há duas semanas, Ratinho divertiu seu auditório com uma invasão de anões. “Se é pra ter audiência,mais anão!”, brincou na ocasião.

Nesta terça-feira (16), o apresentador voltou a falar do assunto, prometendo revelar “o segredo do anão”. Depois de muito enrolar, ao final do programa, disse que só revelaria o tal segredo na quinta-feira (18). Mas, ao atiçar a curiosidade do público, várias hipóteses apareceram.

Um vídeo, em especial, começou a circular com maior intensidade depois que Ratinho começou a falar de “segredo do anão”. Traz a data de 31 de agosto de 2011 e mostra o então anônimo anão Marquinhos fazendo uma apresentação no próprio “Programa do Ratinho”.

É uma cena surreal, como tantas outras exibidas pelo programa. Marquinhos começa vestido com trajes militares e vai tirando a roupa até ficar apenas de sunga e boina. Corre para a plateia e dança sensualmente com duas mulheres do auditório. Ao final do número, Ratinho o entrevista. É uma conversa engraçadíssima:

Ratinho: Você é profissional, Marquinhos?
Marquinhos: Mini go-go boy.
Ratinho: Mini go-go boy?
Marquinhos: Isso aí!
Ratinho: Que lugares você faz show?
Marquinhos: Nas boates, mas não posso falar o nome. E despedida de solteiro também.
Ratinho: Quem for casar, a mulherada se reúne, contrata você.. você vai lá e faz o show.
Marquinhos: Faço animação para ela e deixo elas loucas.
Ratinho: O seu limite é de short ou você arranca tudo?
Marquinhos: É trabalho. É profissional, só.
Ratinho: Vou repetir a pergunta. O seu limite é o short ou você fica peladão?
Marquinhos: Depende.
Ratinho: Obrigado pela participação.

Pano rápido.

Dá para o Gugu, agora, fazer mais um programa, no qual Marquinhos conte essa passagem de sua vida. Enquanto aguardamos, veja o “mini go-go boy” em ação:

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Top 5 – A TV brasileira em diálogos memoráveis
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Mauricio Stycer

A programação da TV brasileira é tão democrática quanto irregular. Numa mesma noite de segunda-feira, zapeando de um canal para o outro, o espectador tem a oportunidade de ver de tudo um pouco. Selecionei cinco diálogos que dão uma ideia desta variedade.

1. “Avenida Brasil” é uma novela acima da média mesmo para os padrões da Globo. O texto de João Emanuel Carneiro tem o cuidado, até em cenas paralelas, de sempre incluir observações curiosas e divertidas. Veja este diálogo entre o protagonista Jorginho e a prostituta Kiki:
Jorginho: Se você me ajudar a descobrir quem é essa mulher, você vai me dar uma baita de uma força. E pode acabar levando essa graninha extra. Por favor, ajuda o amigo…
Kiki: Ai, que saco. Piranha devia nascer tudo sem coração. Assim sobrava mais espaço para botar silicone.

2. Dias depois de servir de palanque para o ex-presidente Lula, o “Programa do Ratinho” voltou ao seu padrão de sempre – muita bobagem e diversão para crianças no palco do SBT. Um dos auges da atração foi o momento em que a ex-BBB Francine deu as costas para a câmera e…
Ratinho: Cadê a calcinha que você ia mostrar?
Francine: Eu prometi…

3. Em sua quinta edição, o reality da Record é um prato cheio para quem gosta de ouvir bobagens na TV. Com elenco caprichado, “A Fazenda” tem oferecido momentos do mais completo absurdo. Nesta segunda-feira, houve dois especiais. Numa cena hilária, Sylvinho Blau-Blau chorou conversando com três porquinhos. Em outra, Nicole Bahls deu show em diálogo com Vavá e Rodrigo Capella enquanto cuidavam das cabras:
Vavá: Ele tá fazendo cocô.
Nicole: O cocô dele é igual ao meu quando como jabuticaba.Quando eu como jabuticaba, sai assim, de bolinha.

4. O “Superpop”, na RedeTV!, anda meio perdido. Seus assuntos e personagens continuam os mesmos, mas o programa perdeu o humor. Nesta segunda-feira, Luciana Gimenez entrevistou longamente uma mulher que tem tara por um boneco inflável. Foi patético.
Maria Luiza: O Fábio já falou pro Julio pagar as minhas contas, mas ele não quer pagar…
Luciana Gimenez: Falou?
Maria Luiza: Falou.
Luciana: “Manda o boneco mandar as contas.”
Maria Luiza: Mas o Julio não paga, né?
Luciana: O Julio só traça?
Maria Luiza: Só. E muito.

5. Já critiquei diversas vezes o programa de entrevistas de Roberto Justus na Record. Esta noite, talvez pela primeira vez, o apresentador fez uma entrevista de verdade. Pressionou o humorista Danilo Gentili com perguntas objetivas e produziu uma excelente conversa sobre os limites do humor. Veja um trecho:
Justus: O que me incomoda hoje, como homem que faz televisão, é ver que só tem sacanagem, o tempo todo só bobagem, só bunda…
Danilo Gentili: Se você pegar Freud, que escreveu sobre os chistes e o riso, Bergson, um filósofo que estudou o riso, é claro e óbvio: toda comédia tem um alvo. Simples assim. É uma definição de comédia: se é piada, tem um alvo.


Café no bule de Ratinho esfriou
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Mauricio Stycer

Mais do que a participação do ex-presidente Lula no “Programa do Ratinho”, me interessa dizer duas ou três coisas sobre o papel desempenhado pelo apresentador do SBT neste evento.

Ratinho tratou Lula não com a educação e o respeito que merece um ex-presidente, mas com a reverência que se dedica aos santos. Parecia estar contemplando uma figura divina, intocável, não um político de carne e osso, no pleno exercício de promoção eleitoral.

Fosse Lula um ex-político falando sobre política, até poderia se aceitar de Ratinho tamanha docilidade. Mas, ao hospedar em seu programa um ato de campanha, o apresentador abriu mão do comando da própria atração.

A amizade entre os dois, sublinhada por Lula assim que tomou posse do auditório, não justifica o que ocorreu. “Por que o Ratinho? Porque eu já comi rabada na casa do Ratinho. Porque o Ratinho já comeu rabada lá na Granja do Torto. E por que antes de homem de televisão e presidente, nós somos amigos”.

Por uma noite, o “Programa do Ratinho” foi, na realidade, “Programa do Lula”, assim como, no futuro, pode vir a ser o programa de outros políticos. A única pessoa que perde com isso é o próprio Ratinho.

O apresentador que fez fama por sua coragem de peitar entrevistados, bater o cassetete na mesa, exigir teste de DNA de pessoas humildes, quando tem a chance de voltar à cena em grande estilo não faz um único questionamento ao ex-presidente. Parodiando uma de suas expressões favoritas, o café no bule esfriou.

Observação: Para evitar ofensas, xingamentos e brigas de caráter político, não vou aceitar comentários neste texto. O noticiário sobre a participação de Lula no “Programa do Ratinho” pode ser lida aqui.


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