Blog do Mauricio Stycer

Arquivo : joão emanuel carneiro

Troféu Sinceridade: Alexandre Nero avalia que “A Regra do Jogo” se repetiu
Comentários Comente

Mauricio Stycer

aregradojogoromeroenganajulianoProtagonista de “A Regra do Jogo”, Alexandre Nero deu uma entrevista bem sincera, como é de seu feitio, a “O Globo”, publicada na sexta-feira (11), dia da exibição do último capítulo. Destaco a observação de que a audiência melhorou depois que a qualidade da novela registrou uma queda:

“Eu gostava da novela no início. Os primeiros 50 capítulos foram sensacionais. Depois, achei que a história ficou repetitiva. Mas foi quando a audiência aumentou e a trama começou a agradar ao público.”

Outra boa observação diz respeito ao momento em que “A Regra do Jogo” foi ao ar. Reproduzo abaixo:

“Não foi um fenômeno. E existia mesmo muita expectativa. Talvez não fosse uma novela para esse momento político complicado de polarização que tem se arrastado desde as últimas eleições. O Gibson (José de Abreu) foi visto como um personagem de direita. Já o Romero (papel de Nero) e a Tóia (Vanessa Giácomo) foram entendidos como sendo de esquerda. Muita gente achou que eu estava fingindo ser determinado político, e isso não existiu.”

A entrevista pode ser lida aqui. Abaixo, meu balanço sobre a novela:

Siga o blog no Facebook e no Twitter.


Ingenuidade de Tóia faz a novela andar, mas quem aguenta tanta burrice?
Comentários Comente

Mauricio Stycer

regradojogotoia Um dos tipos clássicos do folhetim é a heroína ingênua. Bonita, esforçada, bem intencionada, mas incapaz de enxergar o que ocorre ao seu redor, ela sempre vive uma saga interminável de sofrimento e enganações. Torcemos por ela, mas sabemos que a sua redenção só ocorrerá no final história, quando então descobrirá toda a verdade e poderá ser feliz com o seu príncipe encantado.

Tóia (Vanessa Giácomo) é a heroína ingênua de “A Regra do Jogo”. Já no primeiro capítulo ela foi presa. Roubou R$ 28 mil da chefe e amiga Adisabeba (Susana Vieira) para poder pagar um médico que iria fazer uma cirurgia de emergência em sua mãe adotiva, Djanira (Cassia Kis). O médico, na verdade, era um golpista, que sumiu com o dinheiro.

Tóia tem um passado. É filha de um cientista, assassinado dentro de um ônibus quando ela era criança. O crime foi orquestrado por uma organização criminosa, para roubar a fórmula de um remédio para hipertensão, que ele descobriu. Com direitos sobre a exploração deste medicamento, a mocinha é milionária, mas não sabe.

Como toda heroína ingênua, Tóia tem um ou outro momento de sabedoria ou “instinto”. Desde o início da história, ela nunca foi com a cara de Zé Maria (Tony Ramos), pai do seu amado Juliano (Cauã Reymond) e namorado de sua mãe. Um belo dia, baixou o espírito de investigador policial na moça e ela seguiu Zé Maria, descobrindo que ele estava longe de ser o pobre coitado que aparentava.

Apenas com a ajuda de Iraque (Danilo Ferreira), o moto-taxista da favela, Tóia conseguiu ser mais esperta que todos os policiais da novela e localizou o esconderijo de um dos bandidos mais perigosos da trama.

Superado este lampejo de inteligência, Tóia voltou a ser a ingênua de sempre. Deixou-se enredar pela conversa de Romero (Alexandre Nero) e se separou do “príncipe” Juliano.

Já há alguns meses, a rotina se repete. Romero conta uma nova mentira para Tóia, que acredita em tudo sem desconfiar de nada. Perseguida pela Facção, sem saber por quê, ela já escapou da morte algumas vezes, mas continua sem procurar a polícia. Faz tudo que ele pede, sem saber que se trata de um criminoso da mesma Facção.

Para piorar, o principal policial da trama, Dante (Marco Pigossi), é filho de Romero e, como Tóia, igualmente ingênuo. Ignorante a respeito de regras elementares sobre investigação, ele conta todos os segredos que sabe para o pai, que o trai desde o primeiro capítulo.

Por mais irritante que seja, a burrice da personagem é essencial para fazer a trama de “A Regra do Jogo” avançar. Se fosse em um seriado policial de 20 episódios, por exemplo, a ingenuidade de Tóia não iria incomodar tanto quanto numa novela de mais de 150 capítulos.

Em uma entrevista à “Folha”, antes da estreia, João Emanuel Carneiro prometeu: “As minhas novelas têm a volta para uma estrutura de narrativa mais antiga, mas com personagens contraditórios. Inovar não tem que ser uma preocupação. A novela é quase um serviço público, pertence a quem vê. Você passa a fazer sucesso quando começa a se conectar com as pessoas, e não fazer o que elas esperam.”

Neste mesma entrevista, ele também falou: “O público é mais inteligente do que a gente imagina. Menosprezá-lo é o maior erro. É como uma criança: se você leva-la ao Museu do Prado, ela vai adorar aquelas pinturas. Se só leva ao parque de diversão, só vai conhecer aquilo.”

Segundo spoilers já divulgados, devemos esperar por uma mudança no comportamento estúpido de Tóia. A questão é saber se o público hoje, com mais acesso a histórias em outros formatos, como seriados, ainda tem paciência para aguentar uma saga tão longa quanto a da heroína ingênua de “A Regra do Jogo”.

Veja também
Adulta, “A Regra do Jogo” reflete desencanto com a situação do país
Veja dez semelhanças entre “A Regra do Jogo” e “Avenida Brasil”
UOL Vê TV: “A Regra do Jogo” irrita o espectador com furos e incoerências
Frouxa, trama policial de A Regra do Jogo esquece 6 mortos e terá mais um
“A Regra do Jogo” dá passo ousado ao colocar empresário como líder do crime

O blog está no Twitter e no Facebook.


“A Regra do Jogo” dá passo ousado ao colocar empresário como líder do crime
Comentários Comente

Mauricio Stycer

regradojogogibson
Por 91 capítulos, o público especulou sobre quem seria o Pai, o chefão da temível organização criminosa que dá as cartas em “A Regra do Jogo”. A revelação, no capítulo 92, nesta quarta-feira (16), de que ele é o empresário Gibson Stewart (José de Abreu) decepcionou quem esperava uma solução mais mirabolante de João Emanuel Carneiro – como Adisabeba (Susana Vieira), Feliciano (Marcos Caruso) ou Kiki (Deborah Evelyn).

Mas ao optar pelo personagem mais óbvio – o empresário poderoso – para encarnar o bandido maior, o autor acabou tomando uma decisão corajosa, que corre o risco de ser mal vista.

Até então, Gibson representava um industrial milionário, elitista e egoísta, com posições políticas bem conservadoras, como muitos outros no “mundo real”. Agora, revelou-se que ele é também um homem ambicioso, com planos alucinados de poder, decidido a ter uma milícia privada para erguer uma nova ordem no país. É só uma novela, mas não dá para evitar traçar um paralelo com o Brasil.

Desde o início, Carneiro tem mostrado que a facção comandada pelo Pai está entranhada em todos os setores da sociedade. Que o homem responsável por criar e estruturar esta organização seja um empresário bem-sucedido reforça ainda mais o desencanto com o país pintado em “A Regra do Jogo”.

O autor ainda tem a dura missão de amarrar os muitos fios que ficaram soltos depois desta revelação. Precisa, também, dar alguma lógica a uma série de situações criadas e deixadas pelo caminho, sem muita explicação. O público está irritado e cansado tanto da incompetência da organização criminosa quanto da inoperância da polícia, representada na figura do ingênuo Dante (Marcos Pigosi), neto justamente de Gibson.

“A Regra do Jogo”, infelizmente, não conseguiu manter a qualidade exibida nas primeiras três semanas, quando provocou o espectador com uma trama original, ousada e criativa. A reviravolta desta quarta-feira abre o caminho para uma retomada da novela. A ver.

Veja também
Adulta, “A Regra do Jogo” reflete desencanto com a situação do país
Veja dez semelhanças entre “A Regra do Jogo” e “Avenida Brasil”
UOL Vê TV: “A Regra do Jogo” irrita o espectador com furos e incoerências
Frouxa, trama policial de A Regra do Jogo esquece 6 mortos e terá mais um

O blog está no Twitter e no Facebook.


UOL Vê TV: “A Regra do Jogo” irrita o espectador com furos e incoerências
Comentários Comente

Mauricio Stycer

Comento no UOL Vê TV três incoerências na trama policial e realista de “A Regra do Jogo”, de João Emanuel Carneiro. Observo no programa que a história, que mexe com a imaginação dos telespectadores, tem furos difíceis de entender – o mais irritante de todos é a incapacidade do policial Dante de enxergar que seu pai, Romero, o engana.

Em tempo: Um dia depois de publicado este vídeo, Marco Pigossi, que interpreta Dante na novela, defendeu a “cegueira” do personagem em entrevista a Felipe Pinheiro, do UOL: “Se pegar o Zé Maria, acabou a novela”.

O blog está no Twitter e no Facebook.